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	<title>Cuidar de Idosos &#187; idoso</title>
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	<description>O Portal de informações sobre idosos do Brasil</description>
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		<title>Sem medo de envelhecer</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 14:09:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A maior parte dos paulistanos (64%) não tem medo da velhice e gostaria de viver ao menos 88 anos. É o que revela pesquisa Datafolha realizada na cidade de São Paulo entre os dias 1º e 2 de dezembro de 2011. A vontade de estender a vida é tamanha que apenas um em cada dez entrevistados afirma ter muito medo da velhice, enquanto 22% disseram ter um pouco de medo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fsem-medo-da-envelhecer%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<div id="attachment_7859" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7859" title="Sem medo de envelhecer" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/02/Sem-medo-de-Envelhecer.jpg" alt="Sem medo de Envelhecer Sem medo de envelhecer" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Sem medo de envelhecer</p></div>
<p>A maior parte dos paulistanos (64%) não tem medo da velhice e gostaria de viver ao menos 88 anos. É o que revela pesquisa Datafolha realizada na cidade de São Paulo entre os dias 1º e 2 de dezembro de 2011. A vontade de estender a vida é tamanha que apenas um em cada dez entrevistados afirma ter muito medo da velhice, enquanto 22% disseram ter um pouco de medo.</p>
<p>Um dado interessante do estudo é o fato de que quanto mais velho o entrevistado, menor o temor de envelhecer. Entre os maiores de 56 anos, 75% não se importam com o assunto. Mas o receio aumenta em outras faixas etárias: de 41 a 55 anos, 69% não têm medo; de 26 a 40, 63%; e de 16 a 25, 54% não mostram preocupação com isso (dez pontos percentuais abaixo da média).</p>
<p><strong>VIVER MAIS</strong></p>
<p>Os pesquisadores perguntaram também quanto tempo as pessoas gostariam de viver. O resultado aponta que boa parte dos entrevistados, 26%, sonha prosseguir até os 80 anos.</p>
<p>Porém, os números se equilibram no quesito viver mais. São 20% entre os que gostariam de chegar aos 90; a mesma porcentagem que respondeu querer se tornar centenária um dia.</p>
<p>Mesmo considerando os avanços da medicina e o aumento da expectativa de vida, somente 4% dos paulistanos disseram preferir ultrapassar os cem anos.</p>
<p>Ao se levar em conta a idade dos participantes da pesquisa, também se nota nos jovens um equilíbrio nos números relacionados a prolongar o tempo de vida.</p>
<p>No grupo de entrevistados de 16 a 25 anos, 14% viveriam até os 60 e 16% gostariam de chegar aos 70.</p>
<p>Em geral, os jovens demonstraram mais vontade de viver que a média da população. Entre os que esperam chegar aos cem anos, o resultado alcançou 17% &#8212; 13 pontos percentuais a mais que a média.</p>
<p>Os mais experientes também jogam sua expectativa de vida para cima. Dos maiores de 56 anos, só 2% disseram que gostariam de viver até os 60. Já os que optaram em responder 70 anos para os pesquisadores foram 8%.</p>
<p>Por outro lado, 26% dessa população gostaria de chegar aos 90 anos e 23% planejam atingir o centenário.</p>
<p><strong>BOA ALIMENTAÇÃO</strong></p>
<p>Entre os cinco itens apresentados aos entrevistados para que apontassem o mais importante para viver melhor na maturidade, a boa alimentação foi a mais citada (84%).<br />
Praticar exercícios físicos também é bem avaliado pelos paulistanos: 77% apostam na atividade física para estender a vida.</p>
<p>Porém, poupar dinheiro foi a menos lembrada (53%). O desapego venceu o temor e as pessoas optaram por ficar próximo dos amigos e familiares (74%) e ter atividades de lazer (67%).</p>
<div id="attachment_7858" class="wp-caption alignnone" style="width: 421px"><img class="size-full wp-image-7858" title="Para um envelhecimento melhor, é muito importante:" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/02/ScreenShot128.jpg" alt="ScreenShot128 Sem medo de envelhecer" width="411" height="595" /><p class="wp-caption-text">Para um envelhecimento melhor, é muito importante:</p></div>
<p><strong>Repórter Fernando Silva</strong></p>
<p><em>Extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/treinamento/mais50/ult10384u1038356.shtml</em>
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<img src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/?ak_action=api_record_view&id=7857&type=feed" alt=" Sem medo de envelhecer"  title="Sem medo de envelhecer" /><div style="width:97%; background-color:#E7F4FF; border:1px solid #81B3CF; padding:8px; height:61px; margin:5px 0; position:relative;">
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		<title>Meu pai tem olhos castanhos&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 18:21:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Naquele dia, num olhar desamparado, percebi que tudo seria diferente... Você deixaria de apoiar a voz da razão, deixaria de ser a referência e agora seria eu a ajudá-lo a caminhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fmeu-pai-tem-olhos-castanhos%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<div id="attachment_7845" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7845" title="Meu pai tem olhos castanhos..." src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/01/Meu-pai-tem-olhos-castanhos....jpg" alt="Meu pai tem olhos castanhos... Meu pai tem olhos castanhos..." width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Meu pai tem olhos castanhos...</p></div>
<p>Naquele dia, num olhar desamparado, percebi que tudo seria diferente&#8230; Você deixaria de apoiar a voz da razão, deixaria de ser a referência e agora seria eu a ajudá-lo a caminhar.</p>
<p>Seu aspecto físico tinha mudado, perda de peso, a lentidão para realizar tudo, a sua expressividade de criança. Por ainda ser meu pai e, às vezes, se comportar como tal, em situações de decisão para dizer &#8220;sim&#8221; ou &#8220;não&#8221;, eu te respeitava. Quando voltava para mim este olhar confuso, eu sabia, no meu coração, que a realidade agora era outra.</p>
<p>Às vezes, eu vejo você vagando ao redor da casa, de um lado para o outro, parar e voltar seus passos, reiniciando a marcha, em busca de algo&#8230; que novamente desaparece de sua mente e que não importava mais.<br />
Depois de algum tempo, não conseguimos mais conversar normalmente , como se o papo ficasse para terminar depois. Você sempre comentava sobre sobre política, sobre as manchetes do jornal. Hoje, eu sinto falta da sua capacidade de articulação, de sua sabedoria e de sua ironia.</p>
<p>Aproveito seus momentos de lucidez e e lembramos momentos felizes que passamos juntos. Tentando manter seus amigos, você vai para as reuniões com a sua turma, mas eles percebem seu vazio e te tratam de forma diferente.<br />
O dia parecia pequeno para tantas e importantes atividades, distribuindo ordens e orientando nossa família nos mínimos detalhes. Hoje você, gentil, obedece minhas solicitações e sempre me mostra esse olhar vazio para receber uma nova ordem.</p>
<p>No momento, eu sei que você está penando para resolver a confusão que ficou sua cabeça. Os objetos em torno de você têm um nome, embora às vezes não se lembre o nome deles. Sabia mexer no barbeador elétrico que eu comprei, mas agora se barbear se tornou uma tarefa impossível.</p>
<p>A cor dos olhos de meu pai é castanho.
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		<title>Um milhão de internautas!</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 00:06:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acabou de sair a estatística de visitas ao portal CUIDAR DE IDOSOS durante o anos de 2011, enviada pelo nosso servidor - a LOCAWEB. E ficamos extremamente felizes pelo aumento expressivo do número de pessoas que acessaram o nosso site: 1 MILHÃO E 33 MIL INTERNAUTAS!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fum-milhao-de-internautas%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
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<p>Acabou de sair a estatística de visitas ao portal CUIDAR DE IDOSOS durante o anos de 2011, enviada pelo nosso servidor &#8211; a <a rel="nofollow" href="http://www.locaweb.com.br" target="_blank">LOCAWEB</a>. E ficamos extremamente felizes pelo aumento expressivo do número de pessoas que acessaram o nosso site: 1 MILHÃO E 13 MIL INTERNAUTAS!</p>
<p>A grande maioria de nossos internautas é selecionadíssima, praticamente composta de familiares de idosos dependentes, de cuidadores profissionais e de profissionais de saúde. É como os publicitários e os marketeiros dizem: um nicho do mercado.</p>
<p>Só que é um nicho que crescerá muito nos próximos 10-20 anos no Brasil. Pensem comigo: hoje temos 21 milhões de idosos no Brasil. Desses idosos, pelo menos 3 milhões são mais doentes e dependentes. Cada idoso dependente tem de 1 a 2 pessoas diretamente envolvidas em seu cuidado diário. Ou seja, temos 9 milhões de pessoas no Brasil envolvidar em CUIDAR DE IDOSOS.</p>
<p>Nos próximos 10-15 anos, esses números citados acima receberão um grande incremento, aumentarão muito. Segundo o IBGE e o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), se hoje temos 3 milhões de idosos dependentes, daqui a 15 anos triplicaremos esses números: teremos 9 milhões de idosos dependentes. E junto com eles, 18 milhões de pessoas envolvidas no cuidado com os idosos dependentes. Total: 27 milhões de brasileiros envolvidos na questão CUIDAR DE IDOSOS!</p>
<p>Hoje, o portal CUIDAR DE IDOSOS é líder na internet brasileira e em todos os países de língua portuguesa (só em Portugal são 10 mil visitas/mês), quando o assunto é cuidar de idosos dependentes. O portal CUIDAR DE IDOSOS tem o mais rico e variado conteúdo sobre como cuidar de idosos dependentes, ocupando os <strong>primeiros lugares nos principais buscadores</strong> (google, bing e yahoo), quando se procura os termos idoso, idosos, cuidar de idosos, cuidadores de idosos, Alzheimer e casas de repouso.</p>
<p>Tudo isso, em apenas 3 anos de trabalho duro, com mais de 700 artigos publicados pelos nossos articulistas, dezenas de vídeos e podcasts. Também levamos milhares de pessoas a se capacitarem melhor com os nossos curso de <a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/curso-basico-de-cuidador-de-idosos/" target="_blank">cuidadores de idosos</a>, curso de <a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/curso-para-profissionais-e-cuidadores-de-idosos-com-demencia/" target="_blank">Alzheimer</a>, de<a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/curso-de-psicologia-do-envelhecimento-o-idoso-e-o-cuidador/" target="_blank"> psicologia do idoso</a> e de <a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/curso-de-introducao-ao-estudo-do-envelhecimento-humano/" target="_blank">gerontologia básica</a>. Lançamos também 2 e-books: <a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/sete-historias-de-alzheimer/?utm_source=Home%2BPortal&amp;utm_medium=banner&amp;utm_term=eBook%2BSete%2BHist%C3%B3rias%2BAlzheimer&amp;utm_content=eBook%2BSete%2BHist%C3%B3rias%2BAlzheimer&amp;utm_campaign=Curso%2Bde%2BCuidador%2Bde%2BIdosos%2BM%C3%B3dulo%2BB%C3%A1sico" target="_blank">Sete Histórias de Alzheimer</a> e <a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/ebook-cuidar-de-idosos-familia-e-profissao/" target="_blank">Cuidar de Idosos: Família e Profissão</a>.  Vendemos e entregamos, pelos Correios, mais de mil livros SETE HISTÓRIAS DE ALZHEIMER e estamos preparando a segunda edição.</p>
<p>Agora, para comemorar a marca de 1 MILHÃO DE INTERNAUTAS EM 1 ANO, estamos lançando um produto inédito no Brasil, que muito ajudará as famílias brasileiras, ajudará aos cuidadores de idosos, às casas de repouso e home care: <a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/agenda-permanente" target="_blank">AGENDA PERMANENTE CUIDAR DE IDOSOS</a>. Iniciamos a venda essa semana e a agenda já é um sucesso, com vendas para todo o Brasil e com entrega pelo Correios com FRETE GRÁTIS!</p>
<p>Agradecemos a todos nosso internautas e esperamos continuar correspondendo às expectativas de todos, ajudando a levar a correta e preciosa informação de como cuidador melhor de nossos idosos mais dependentes.</p>
<p>Obrigado.
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		<title>Guimarães Rosa e o sentido da vida</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 13:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
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		<category><![CDATA[idoso]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fguimaraes-rosa-e-os-sentidos-da-vida%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<p><span style="font-size: 13.2px;"> </span></p>
<p><span style="font-size: 13.2px;"> </span></p>
<div id="attachment_6368" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-6368" title="Guimarães Rosa e o sentido da vida" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2008/12/Guimarães-Rosa-e-o-sentido-da-vida.jpg" alt="Guimarães Rosa e o sentido da vida Guimarães Rosa e o sentido da vida" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Guimarães Rosa e o sentido da vida</p></div>
<p>&#8221;O homem envelhece é porque não agüenta viver, ainda não sabe e tem medo da morte.&#8221;<strong> </strong><span style="font-size: 13.2px;"><em><span style="font-size: small;">Guimarães Rosa</span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;">Por acaso, relendo um dos memoráveis livros da literatura brasileira, CORPO DE BAILE ,  do imortal João Guimarães Rosa, deparei com o conto CARA-DE-BRONZE. A narrativa trata de um poderoso fazendeiro que está doente e sente que a morte pode estar perto. Através das expressões únicas da escrita de Guimarães Rosa, este fazendeiro relata:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Estar doente com um olhar de secar carvalhos&#8230;.<br />
Amargo feito falta de açúcar</em></p>
<p style="text-align: justify;">Assim, com a aproximação da morte, este personagem faz dela,  a morte,  a sua verdadeira mestra. Nas imensidões das Minas gerais, enxerga agora as boas coisas da vida, as belezas naturais, as miudezas da natureza, o cotidiano das pessoas comuns. Põe-se a perguntar  noticiazinhas, ri com as engraçadas bobeias&#8230; Agora, também, para recuperar o tempo perdido e espantar sua tristeza, ouve o dia todo um cantador de cantigas da roça.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumindo: o nosso fazendeiro rico, vendo sua morte aproximar, procura viver plenamente e buscar o real sentido da sua vida. Como se, com isto, pudesse espantar a sua morte para longe&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">A morte, talvez o maior sentido de nossa vida, é mestra e niveladora das coisas reais e importantes para todos nós. O idoso, por sua proximidade, tem o privilégio e a oportunidade de aprender e nos ensinar os verdadeiros sentidos de nossas vidas!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Já não preciso de rir.<br />
Os dedos longos do medo<br />
largaram minha fronte.<br />
E as vagas do sofrimento me arrastaram<br />
para o centro do remoinho da grande força,<br />
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Já não tenho medo de escalar os cimos<br />
onde o ar limpo e fino pesa para fora,<br />
e nem deixar escorrer a força de dos meus músculos,<br />
e deitar-me na lama, o pensamento opiado&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,<br />
a dança das espadas de todos os momentos.<br />
e deveria rir , se me retasse o riso,<br />
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,<br />
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>João Guimarães Rosa</strong></em></p>
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<img src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/?ak_action=api_record_view&id=2417&type=feed" alt=" Guimarães Rosa e o sentido da vida"  title="Guimarães Rosa e o sentido da vida" /><div style="width:97%; background-color:#E7F4FF; border:1px solid #81B3CF; padding:8px; height:61px; margin:5px 0; position:relative;">
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		<title>A vovozinha na mídia</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 00:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você já se perguntou como é que as mulheres mais velhas estão representadas na mídia de hoje? É a avó de cabelo branquinho ou heroínas atemporais, sem idade nem história? O episódio "A Vovozinha na mídia", da série "É a vovozinha!" da TV Brasil, aborda o tema com as atrizes Berta Zemmel e Bia Toledo "se apresentando", literalmente, para as pessoas na rua. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fa-vovozinha-na-midia%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<div id="attachment_7813" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7813" title="A vovozinha na mídia" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/01/A-vovozinha-na-mídia.jpg" alt="A vovozinha na mídia A vovozinha na mídia" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">A vovozinha na mídia</p></div>
<p><iframe width="480" height="274" src="http://www.youtube.com/embed/p-6qjovPzBo" frameborder="0"></iframe>
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<img src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/?ak_action=api_record_view&id=7810&type=feed" alt=" A vovozinha na mídia"  title="A vovozinha na mídia" /><div style="width:97%; background-color:#E7F4FF; border:1px solid #81B3CF; padding:8px; height:61px; margin:5px 0; position:relative;">
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		<title>Respeito é bom e eu gosto!</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 23:45:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[estatuto do idoso]]></category>
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		<description><![CDATA[O episódio "Respeito é bom e eu gosto", da série É a Vovozinha!, da TV Brasil, mostra que tipo de violência ainda vitima os mais velhos. E que, muitas vezes, ela está dentro da própria família. Por isso mesmo, não é denunciada por quem a sofre.]]></description>
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		<title>Promoção do envelhecimento saudável</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 01:58:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Estamos em uma época em que nunca se viveu tanto. Pensando nisso, vemos à importância em criar uma consciência de um envelhecimento mais saudável. Nós começamos a envelhecer desde o nascimento, mas por volta dos vinte e sete anos começamos ter uma queda cognitiva (capacidade mental) e as pequenas quedas biológicas e fisiológicas que fazem parte do processo natural do envelhecimento. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, nem todos os idosos são iguais, tornamos cada vez mais distintos um dos outros em relação á saúde.]]></description>
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<div id="attachment_7803" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7803" title="Promoção do envelhecimento saudável" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/01/Promoção-do-envelhecimento-saudável.jpg" alt="Promoção do envelhecimento saudável Promoção do envelhecimento saudável" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Promoção do envelhecimento saudável</p></div>
<p>Estamos em uma época em que nunca se viveu tanto. Pensando nisso, vemos à importância em criar uma consciência de um envelhecimento mais saudável. Nós começamos a envelhecer desde o nascimento, mas por volta dos vinte e sete anos começamos ter uma queda cognitiva (capacidade mental) e as pequenas quedas biológicas e fisiológicas que fazem parte do processo natural do envelhecimento. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, nem todos os idosos são iguais, tornamos cada vez mais distintos um dos outros em relação á saúde.</p>
<p>Envelhecemos como vivemos, nem melhor nem pior! Sabemos que existe o envelhecimento normal e o patológico (onde o indivíduo tem vários tipos de doenças). O normal, deste todos nós não podemos fugir, não nos impede de praticar esportes, cursos, e desenvolver nossa capacidade intelectual, já o envelhecimento patológico normalmente exige que esse indivíduo tenha algumas limitações e adequações, mas ainda podendo sim ter uma qualidade de vida. Pensando nisso, é a prevenção continuada e hábitos saudáveis ao longo da vida que contribuem para um envelhecimento saudável.</p>
<p>É importante preocupar com exames periódicos, alimentação, lazer e, é claro, alguma atividade física. Ao contrário do que o senso comum pensa, não é porque a pessoa envelhece, que deve ser uma pessoa triste ou doente ou mesmo sentir tantas dores.</p>
<p>Para começar a nos sentir um pouco melhor e tomando certas atitudes simples desde cedo, devemos encarar essa nova fase da vida, como uma nova etapa. Não é porque não temos mais nossos filhos para cuidar, que é preciso se achar uma pessoa sem utilidade e incapaz, pensamentos muito comum nessa fase, onde outras grandes mudanças ocorrem.</p>
<p>Praticando alguma atividade física (dentro de suas possibilidades e limitações) ajuda a dar mais disposição ajudando a controlar a hipertensão, diabetes, colesterol alto, no estresse, na ansiedade, depressão e melhorando também a socialização. Observe seu sono, ter um sono reparador é essencial para a saúde. Existem várias técnicas de relaxamento ou terapias alternativas que podem colaborar com seu sono.</p>
<p>Ter alguma atividade prazerosa é essencial, vale desde dançar a ler um bom livro, o importante mesmo é sentir prazer no que está fazendo. Iniciar uma atividade nova, não importa em que fase da vida a pessoa se encontre, o importante é criar novas redes neurais, com novos aprendizados (lembra de algo que você sempre quis aprender? quem sabe ir aprender a tocar piano!) Sempre é bom ter novos desafios, isso nos faz lembrar que estamos vivos!!!!</p>
<p>Mantenha a sexualidade. O afeto e o contato são importantes. Participe de decisões familiares, pessoais e sociais. Mantenha sempre sua identidade! Pratique a leitura tornando um hábito, aproveite e sempre treine a memória.</p>
<p>Tenha fé, mantendo sua espiritualidade. É comprovado cientificamente como a fé fortalece e contribui para uma vida mais saudável. Tenha uma atitude otimista diante da vida, pessoas otimistas têm mais chance de se curar e de lidar melhor com os problemas.</p>
<p>Enfim, envelhecer é um processo natural, mas não significa que você precisa ter uma má qualidade de vida. Com um estilo de vida simples, podemos ter uma melhor saúde e bem estar. Envelhece bem, quem vive bem!</p>
<p><strong>Márcia Paviani &#8211; Psicóloga clínica</strong></p>
<p>marciapaviani@yahoo.com.br
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<img src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/?ak_action=api_record_view&id=7802&type=feed" alt=" Promoção do envelhecimento saudável"  title="Promoção do envelhecimento saudável" /><div style="width:97%; background-color:#E7F4FF; border:1px solid #81B3CF; padding:8px; height:61px; margin:5px 0; position:relative;">
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		<title>Memória e suas alterações no envelhecimento</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 14:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[demência]]></category>
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		<description><![CDATA[Houve um enorme avanço em nossos conhecimentos sobre processos biológicos e psicológicos da memória e da aprendizagem. A função da memória é receber informações, mantê-las intactas, poder recuperá-las quando for preciso.]]></description>
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<div id="attachment_7781" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7781" title="Memória e suas alterações no envelhecimento" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/01/Memória-e-suas-alterações-no-envelhecimento.jpg" alt="Memória e suas alterações no envelhecimento Memória e suas alterações no envelhecimento" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Memória e suas alterações no envelhecimento</p></div>
<p>Houve um enorme avanço em nossos conhecimentos sobre processos biológicos e psicológicos da memória e da aprendizagem. A função da memória é receber informações, mantê-las intactas, poder recuperá-las quando for preciso.</p>
<p>O envelhecimento acarreta uma lentificação dos processos cognitivos de uma maneira geral.  Os conceitos novos são mais difíceis de serem aprendidos, podendo se dizer que pessoas acima de 60 anos tem menor habilidade para armazenar novas informações &#8211; conservá-las e recuperá-las (depois de certo intervalo). Mas isso não impede novas aprendizagens e o acervo de conhecimento continua a ser enriquecido com o passar do tempo.</p>
<p>O vocabulário, por exemplo, tende a aumentar com a idade. A memória verbal costuma ser menos afetada do que a não verbal. A memória implícita (andar de bicicleta, escovar os dentes) conserva-se mais do que a explícita (Paris é a capital da França, as minhas últimas férias).</p>
<p>Os estudos apontam para grandes diferenças individuais, quando se estuda pessoas acima de 65 anos, sendo perigoso fazer generalizações.</p>
<p>Fatores como: nível educacional, atividade física e o bom estado de saúde, parecem influir positivamente no funcionamento cognitivo ao longo da vida. Muitas vezes pessoas acima de 60 anos se queixa de perda da memória, porque percebe que seu desempenho não é o mesmo de alguns anos atrás. Mesmo indivíduos afetados, a perda relativa de memória não costuma comprometer significativamente o cotidiano e eles aprendem a lidar com ele com algumas estratégias simples como, por exemplo, uso de agenda e de listas de “o que fazer” deixando objetos sempre no mesmo lugar.</p>
<p>Existe o declínio da memória normal e existe o declínio patológico. As pessoas portadoras de demência têm deficiência acentuada na memória, mas estão prejudicados também em outras funções cognitivas.</p>
<p>Quanto ao comprometimento da memória, ele é um pouco diferente nas diversas síndromes demenciais: para conseguir diferenciar um do outro: através de exames neuropsicológicos. Nos transtornos psiquiátricos a perda de memória pode estar associada a determinadas doenças neurológicas, a distúrbios psicológicos, a problemas metabólicos e algumas intoxicações. Quando ocorrem esses problemas a pessoa percebe que a memória está falhando, quando é demência não. Estados psicológicos alterados como o estresse, a ansiedade e a depressão podem também alterar a memória.</p>
<p>A falta de vitamina B1 (tiamina) e o alcoolismo levam a perda da memória para fatos recentes e com frequência estão associados a problemas de marcha e de confusão mental.</p>
<p>Algumas dicas para melhorar sua memória:</p>
<ul>
<li>Utilize ao máximo a sua capacidade mental.</li>
<li>Desafie o novo.</li>
<li>Aprenda novas habilidades.</li>
<li>Se você trabalha em um escritório, aprenda a dançar.</li>
<li>Se for um dançarino, aprenda a lidar com computador.</li>
<li>Se trabalhar com vendas, aprenda a jogar xadrez.</li>
<li>Se for um programador, aprenda a pintar.</li>
</ul>
<p>Isto poderá estimular os circuitos neurais do seu cérebro a crescerem. Não tente guardar todos os fatos que acontecem, mas focalize sua atenção e se concentre naquilo que você achar mais importante, procurando afastar de si todos os demais pensamentos.</p>
<p>A fim de se conseguir uma boa memória, é fundamental que se permita sono suficiente e descanso do cérebro. Durante o sono profundo, o cérebro se desconecta dos sentidos e processa, revisa e armazena a memória.<br />
A insônia leva a um estado de fadiga crônica e prejudica a habilidade de concentrar-se e armazenar informações. Diminuição da memória que ocorre na terceira Idade, na maioria das vezes é absolutamente benigna, mas frequentemente, por falta de melhor informação, angustia o indivíduo que tem dificuldade de aceitá-la como um fato normal.</p>
<p>Uma excelente oportunidade para o resgate e desenvolvimento de potencialidades presentes durante toda a vida, é a participação em grupos educativos e terapêuticos.</p>
<p>Semelhante ao que ocorre com exercícios musculares realizados para se manter a forma física, a atividade cerebral também deve ser realizada com frequência, sempre procurando estimular nossos principais sentidos: olfato, paladar, tato, visão e audição, bem como nossa memória e inteligência. Vários trabalhos científicos, realizados em diversos países, demonstram claramente que o declínio mental que ocorre com a idade pode ser evitado.</p>
<p>A ativação deve ser feita diariamente, durante as atividades normais, como o caminhar, durante as refeições ou mesmo durante as compras. Memorize os preços das coisas sempre que possível e procure recordá-las mais tarde. Mais dicas:</p>
<ul>
<li>Procure identificar as pessoas pela voz ao usar o telefone, por exemplo.</li>
<li>Memorize números de telefones.</li>
<li>Memorize no fim do dia as pessoas com quem falou.</li>
<li>Depois, procure lembrar-se do mesmo para toda semana.</li>
<li>Utilize sempre de anotações para consultas posteriores.</li>
<li>Pressa é péssimo para a memória, já que dependemos de uma boa atenção para recuperar alguns fatos.</li>
</ul>
<p>Planeje seu dia e escreva o que tem que fazer. Demore o tempo que for necessário e não se sobrecarregue. Sem estresse e cansaço, podemos fazer muito mais do imaginamos. Então, para conservar ou melhorar sua memória, a melhor maneira é exercitá-la e aprender coisas novas sempre!</p>
<p><strong>Marcia Paviani </strong>- Psicóloga clínica</p>
<p><em>www.psicologapaviani.com.br</em>
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		<title>Se eu soubesse&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 03:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[arrependimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Se eu soubesse que seria a última vez que eu a veria adormecida, eu a apertaria mais estreitamente em meus braços e pediria a Deus que guardasse sua alma. Se eu soubesse que seria a última vez que a visse sair pela porta, eu a abraçaria e beijaria. E lhe pediria para repetir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fse-eu-soubesse%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<div id="attachment_7771" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7771" title="Se eu soubesse..." src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2012/01/Se-eu-soubesse....jpg" alt="Se eu soubesse... Se eu soubesse..." width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Se eu soubesse...</p></div>
<p>Se eu soubesse que seria a última vez<br />
Que eu a veria adormecida,<br />
Eu a apertaria mais estreitamente em meus braços<br />
E pediria a Deus que guardasse sua alma.<br />
Se eu soubesse que seria a última vez<br />
Que a visse sair pela porta,<br />
Eu a abraçaria e beijaria<br />
E lhe pediria para repetir.</p>
<p>Se eu soubesse que seria a última vez,<br />
Escutaria sua voz erguerse em elogios,<br />
Gravaria em video cada ação e palavra<br />
Para escutá-las de novo, dia após dia.<br />
Se eu soubesse que seria a última vez,<br />
Sobraria um minuto<br />
Para parar e dizer “Eu te amo”,<br />
Em vez de supor que você soubesse o quanto te amo&#8230;</p>
<p>Se eu soubesse que seria a última vez,<br />
Estaria presente para compartilhar o seu dia.<br />
Mas como tenho certeza de que haverá muitos mais,<br />
Que importa que passe mais este&#8230;<br />
Porque seguramente sempre haverá um amanhã<br />
Que compense minha falta de visão,<br />
Pois sempre nos darão uma segunda oportunidade<br />
Para que tudo se arranje perfeitamente.<br />
Sempre haverá outro dia<br />
Para dizer “Eu te amo”<br />
E seguramente haverá outra oportunidade<br />
Para dizer “Posso te ajudar?”.</p>
<p>Mas no caso de estar enganado<br />
E que hoje fosse o último dia,<br />
Gostaria de dizer-lhe o quanto te amo<br />
E Deus queira que nunca nos esqueçamos disso.<br />
Ninguém tem a vida garantida<br />
Nem os jovens, nem os velhos,<br />
E talvez hoje seja nossa última oportunidade<br />
De abraçar com força quem amamos.<br />
De modo que se você espera até amanhã,<br />
Por que não fazê-lo hoje?</p>
<p>Porque se o amanhã nunca chegar<br />
Você certamente lamentará o dia<br />
Em que não teve tempo<br />
Para sorrir, abraçar ou beijar,<br />
E estava ocupado demais para dar a alguém<br />
O que seria seu último desejo.<br />
Portanto, abrace quem você ama hoje<br />
E lhe sussurre<br />
O quanto o ama<br />
E que será para sempre.<br />
Guarde um tempo para dizer “Sinto muito”;<br />
“Perdoe-me, por favor”; “Obrigado”; “Não se preocupe.”</p>
<p>E se o amanhã nunca chegar,<br />
Você nunca lamentará o que fez hoje.</p>
<p><strong>Marcelo Rittner</strong>
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		<title>A mulher que alimentava</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 01:31:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidados Paliativos]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
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		<category><![CDATA[idoso]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>

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		<description><![CDATA["É tão estranho”, ela diz. “Passei a vida inteira batendo ponto, com horário pra tudo. Quando me aposentei, arranquei o relógio do pulso e joguei fora. Finalmente eu seria livre. Aí apareceu essa doença. Quando tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fa-mulher-que-alimentava%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<div id="attachment_7724" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><em><strong><img class="size-full wp-image-7724" title="A mulher que alimentava" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2011/12/A-mulher-que-alimentava.jpg" alt="A mulher que alimentava A mulher que alimentava" width="293" height="211" /></strong></em><p class="wp-caption-text">A mulher que alimentava</p></div>
<p><em><strong>Nota do editor: apesar de ser um longo texto, vale a pena ler e &#8220;sentir&#8221; cada palavra de Ailce, sobre a vida e sobre a morte, no relato pungente da jornalista Eliane Brum.</strong></em></p>
<p>&#8220;É tão estranho”, ela diz. “Passei a vida inteira batendo ponto, com horário pra tudo. Quando me aposentei, arranquei o relógio do pulso e joguei fora. Finalmente eu seria livre. Aí apareceu essa doença. Quando tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado.”</p>
<p>Ela está intrigada com essa traição da vida. Sua expressão é de perplexidade. Ailce de Oliveira Souza não é uma filósofa, é uma merendeira de escola. Toda sua vida havia sido de uma concretude às vezes brutal. E agora a morte chegava exigindo metáforas. Lá fora faz sol, e os vizinhos vivem na primeira parte do poema de Manuel Bandeira:</p>
<p>&#8220;Quando o enterro passou/Os homens que se achavam no café/Tiraram o chapéu maquinalmente/Saudavam o morto distraídos/Estavam todos voltados para a vida/Absortos na vida/Confiantes na vida. Lá dentro, sentadas uma diante da outra, eu e ela vivemos o segundo ato. Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado/Olhando o esquife longamente/Este sabia quea vida é uma agitação feroz e sem finalidade/Que a vida é traição.&#8221;</p>
<p>Ailce nunca deixou de se sentir traída por “essa doença”, como se expressa na maior parte das vezes, ou “o tumor”. Não pronuncia a palavra câncer. Quando nos conhecemos, em 26 de março, faz quase um ano que sua pele amarelara e ela se enchera de náuseas. Ailce se revolta contra Deus. É dele a traição. Seu câncer é uma pedra no meio do caminho das vias biliares. O tumor obstrui a passagem e, sem ter por onde escoar, a bile é lançada no sangue, e a deixa inteira amarela.</p>
<p>Quando ganha essa cor solar, Ailce ainda não tem 66 anos. E acredita viver o melhor tempo de sua vida. “Sem filhos, sem marido, aposentada, livre”, diz. Ela planeja conhecer as obras de Aleijadinho, nas cidades históricas de Minas Gerais, e a Espanha dos filmes de Sarita Montiel. Quando a paisagem passa veloz pela janela do ônibus, sente que está indo para um lugar que sempre quis, não importa o destino. “Você já reparou como a gente muda quando viaja? Parece que me liberto de tudo.” Ailce anda de ônibus por todo lado, dança em bailes da terceira idade, vive um romance com um homem mais jovem. “Você acredita que, quanto mais eu danço, mais tenho vontade de dançar?” Ela dança sozinha pela liberdade de rodopiar pelo salão sem que ninguém a conduza. Sempre quis conduzir ela mesma sua vida. Escolhe seus passos no salão de baile enquanto suas células a traem no silêncio de seu corpo.</p>
<p>Se câncer é a palavra que não diz, liberdade é a palavra que repete. Ailce está presa, literalmente. Sua vida depende de duas mangueiras fincadas dentro dela. Elas drenam a bile para fora de seu corpo. O líquido amarelo escoa em dois recipientes de plástico que ela carrega numa sacola de supermercado nas andanças dentro de casa, numa bolsa decorada com as princesas da Disney quando passeia. Um dia um segurança olha feio para sua bolsa achando que ela está furtando produtos da prateleira.</p>
<p>E devagar Ailce vai deixando de sair. Desliga a música dentro de casa. E não dança mais. Estar presa a horroriza. Passou a vida esperneando para escapar de uma prisão metafórica. E agora está amarrada não aos fios invisíveis que a ligam às convenções do mundo, como a todos nós, mas às duas mangueiras de material sintético que drenam o rio poluído de seu interior. “A gente não vale nada. Olha o que sai de mim.”</p>
<p>Quando entrou na sala de cirurgia, achava que faria apenas um exame complicado. “Lembro que o médico cantava pra me acalmar. Não lembro a música. Eu dormi com a anestesia e quando voltei estava numa maca, no corredor. Eu sentia um frio muito grande. Tremia. Vi os drenos e descobri que estava presa.” Ela logo descobre que sou um terceiro fio na vida dela. Ela nunca tinha falado muito de si mesma. Desse dreno de palavras ela gosta. “A gente fica guardando coisas por toda a vida. Quando eu falo, parece que elas vão se soltando dentro de mim. Me liberto.”</p>
<p>Ailce é uma mulher comum. Nunca pensou que sua vida dá um romance. Nem mesmo uma reportagem. Ela não alcançou o Pico do Everest, nem desvendou a espiral do DNA ou compôs uma sinfonia. Também não queimou sutiã em praça pública. Ailce viveu. Na narrativa de sua história, ela começa a decifrar pequenas singularidades despercebidas numa existência em que o tempo oi devorado em turnos de trabalho. Ailce percebe que não há como dar sentido à morte, mas ela pode dar sentido à vida. Só assim poderá suportar a superfície fria de um fim que já toca com as mãos. Para viver tão perto da morte, ela precisa adivinhar a tessitura da vida. Do contrário, só lhe restam aquelas mangueiras sintéticas.</p>
<p>Ailce sempre desejou se “libertar” e, como muitos de nós, nunca conseguiu definir muito bem de quê. “Eu gosto de ir pra frente”, diz. Descobre então que terá de enfrentar não a Medicina, mas a Poesia: Temos, todos que vivemos/Uma vida que é vivida/E outra vida que é pensada/E a única vida que temos é essa que é dividida/Entre a verdadeira e a errada.</p>
<p>Intuitivamente ela sabe que sua sanidade depende de enfrentar o caos da vida, mais do que o da morte, que é só um ponto final em geral improvisado. E então, com esforço e não sem sofrimento, ela poderá se reconciliar com os pontos soltos, os padrões interrompidos, as costuras tortas da trama do vivido. Para ela, o mais difícil é aceitar que alguns bordados ficarão por fazer. Ou, pior, serão tecidos sem ela. Ela é a quarta filha de nove, a penúltima com o nome iniciando por “a”. Ailton, Amilton, Adailton, Ailce&#8230;</p>
<p>“Eu sentia falta de espaço, de um canto só meu.” No final de sua vida, ela tem não apenas um canto, mas uma casa só sua. Ampla, dois andares, é a encarnação em concreto de seus esforços. Pela casa ela sacrificou muito. Mas quando adoeceu descobriu que a casa transformara- se numa prisão. Agora quer se libertar da casa. Mas, a cada semana, a cada mês, seu espaço encolhe. Primeiro, o portão da rua marca a fronteira de seu mundo. Depois, a porta da frente. Em seguida, seu território é circunscrito ao 2o andar. E, por fim, tudo o que tem é o quarto. Ailce então fecha a janela na cara do sol e não sai mais da cama.</p>
<p>Nessa época, ela descobre que é possível viver na memória. E refaz o itinerário de sua vida. Ela nascera em São Romão, cidadezinha mineira forjada em histórias de sangue. E sua infância cabia num vão entre a largueza do São Francisco e um riacho de nome Escuro, que banhava a fazenda da família. Crescera cercada de água por todos os lados, mas tinha medo de nadar. Seu pai havia sido capitão de porto, delegado de polícia, juiz de paz. Sua mãe fora uma mulher forte, que fugira do primeiro casamento, aos 13 anos, com a pequena Maria pela mão. Mantinha a casa e os filhos asseados, as toalhas bordadas bem alvas, a cozinha mergulhada numa névoa de vapores perfumados.</p>
<p>Essa memória olfativa feita de temperos, toicinho e doçura engendrada nas panelas da mãe acompanhou Ailce por toda a vida. Perto da morte tornam-se mais vivas. Quando as toxinas liberadas pelo tumor envenenam o corpo, e ela enjoa de tudo, lembra o feijão gordo, o pão de queijo, os biscoitos de polvilho. E sua boca castigada é afagada por uma saliva de infância. Ailce, que já não consegue comer, lambuza-se em banquetes de lembranças.</p>
<p>Mais tarde, 18 quilos mais magra, e já sem forças para andar até o banheiro, ela ainda suspira por uma broa de dona Santa. Ailce deixou a casa dos pais aos 18 anos. Diante de suas ânsias de mulher jovem, a cidade criara paredes. “Eu queria conhecer coisas novas”, diz. “Ser independente.” Escorregou no mapa e desembarcou em Guarulhos, São Paulo, na casa de um irmão. E de novo sentiu-se confinada. Mudara de geografia, mas não de sina, e para ela os 60 não foram anos loucos. Costureira, moça de fábrica, entre linhas, agulhas e bobinas teve as primeiras revelações sobre sexo, quando ao voltar da lua-de-mel uma colega relatou que não só doía como jorrava um líquido branco do membro do homem. Ailce arquivou a informação para não fazer cara de surpresa quando sua hora chegasse.</p>
<p>Nessa época, Ailce se apaixonou por um rapaz de olhos verdes, e ela, que sempre foi muito prática, deu para devaneios. Espremida na cama de armar que dividia com uma amiga, falava de amor e ria à toa. No sábado, anunciava: “Vamos ao baile de vestido novo”. Costurava então uma saia bem rodada para cada uma, orgulhosa da cintura de 54 centímetros. Muito mais tarde, Ailce vai esquecer os fios sintéticos fincados em seu fígado ao lembrar de seu vestido de organza azul. Mas o moço bonito não queria saber de casamento, e Ailce chaveou o coração.</p>
<p>Desde aqueles dias, Ailce jamais deixou de sair de casa impecável. “Ailce vem à consulta muito bonita, cabelos pintados, brincos, salto alto”, escreve a médica Maria Goretti Maciel no prontuário da Enfermaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, em 2 de abril. Mais de uma vez Ailce entra no hospital com as pernas bambas, mas sobre saltos. E, quando ainda não pronuncia a palavra morte, usa a metáfora “cair”. “Eu não aceito cair.”</p>
<p>Aos 23 anos, ela tomou uma decisão pragmática. Casou-se com um operário chamado Jaime, rapaz alinhado que não botava a cabeça fora de casa sem brilhantina, sem um lustro nos sapatos. “Eu queria ter uma casa só minha”, diz Ailce. “Ele era honesto, trabalhador, andava de terno e gravata, tinha uma família boa. Casei.” Ailce não adivinhou que um moço tão distinto teria ganas de beber além da conta. Nem que uma parte do futuro seria gasta nas tribulações de mulher de alcoólatra. No caso dela sina ainda mais triste porque nada tinha da originalidade que planejara para si. Assinou o livro do cartório convencida de que romance era incompatível com a vida adulta. E essa foi sua primeira capitulação diante de seus sonhos.</p>
<p>Esse marido “era da raça de espanhol, tinha sangue quente”. E esse fogo acabou incinerando Ailce, que já casou com o primeiro filho aconchegado numa curva da barriga. Só mais tarde ela soube que havia um nome para o que sentiu quando Marcos nasceu de cesariana. “Eu não queria aquela vida, queria uma vida diferente”, ela diz. “Então rejeitei.” Ailce chorou, envergonhada de seus pensamentos. Só décadas depois, perdoou a si mesma ao descobrir que tivera uma depressão pós-parto, comum a muitas mulheres, e não uma crise existencial em que questionava o que fora feito de suas grandes esperanças.</p>
<p>Quando as primeiras semanas viraram meses, foi tomada por um amor tão grande por aquele filho que, perto do fim, ainda acredita que ninguém cuida tão bem dele quanto ela. Quando a segunda vida pediu passagem dentro dela, Ailce chorou de novo. O marido bebera demais e escalara a cama para deitar-se com ela. Ailce agarrou um cobertor e enrolou-se no chão. Sentia-se presa numa teia que não planejara tecer. “Chorei. Não era essa vida que eu queria pra mim”, diz. “Pensei então que meu bebê poderia ser uma menina e me acalmei.”</p>
<p>Luciane nasceu miúda, alérgica a leite e com o gênio forte das mulheres da família. Menina estranha, desde os 7 anos escondia-se na cama da mãe para não ser assaltada por coisas do outro mundo. Esses dois filhos dão a Ailce as duas pontas com as quais ela amarra o final de sua vida. Marcos, funcionário de escola como ela, cuida das feridas do corpo. Aos 42 anos, é um homem quieto, que tranca as emoções em algum lugar entre o coração e o estômago. Ao entrar numa sala, ocupa um canto. Quando a mãe adoece, ele aprende a fazer os curativos e a limpar os drenos, administra seus remédios e prepara o café-da-manhã. Quando ela se torna mais fraca, passa a lhe dar banho.</p>
<p>“Não fica com vergonha da mãe”, diz Ailce. “A mãe também deu muito banho em você.” É esse filho silencioso, com a coragem de enfrentar a carne da mãe, que transforma o horror da doença num carinho cotidiano. Pelo toque, ele torna possível para Ailce suportar um corpo em que a bile escorre no lado externo. Ao igualar-se a um corpo infantil para vencer a interdição entre mãe e filho, Ailce assinala a perda do feminino nela. “O tumor me tirou tudo. Eu perdi peito, bunda, cintura, tudo”, diz. Ailce agora se preocupa cada vez menos com a nudez de um corpo que a trai de todas as maneiras possíveis. E que parece pertencer somente à doença.</p>
<p>A figura miúda de Luciane está sempre no centro. Como a mãe, ela encontra sentido na ação. Depois de crescida, apaziguou- se com o sobrenatural virando mãe-de-santo no candomblé. Luciane vasculhou a história da família e descobriu que a avó materna era cigana. No Rio de Janeiro, onde vive com o marido, Jorge, faz uma festa anual em homenagem a uma ancestral chamada Carmen que fala espanhol pela sua boca. Ailce aceita o mistério. E ela, que nunca aprendeu espanhol, conversa com a cigana como uma velha amiga.</p>
<p>Luciane dá à mãe essa dimensão mística da vida. Pelas mãos dessa filha ela encontra significados para um estar no mundo que para ela foi sempre tão concreto. Luciane lhe dá uma história que avança além da sua, e lhe dá um lugar nessa história. Perto do fim, sua pequena vida faz sentido numa trama maior. A cada novembro é ela quem acende a fogueira da ancestralidade, vestindo saias coloridas, e sua figura se reveste de uma solenidade que resiste ao comezinho de uma vida de cartão de ponto. Depois, ela rodopia ao som do violino cigano e ali, finalmente, apalpa com os pés no  ar uma liberdade que até então ela só pressentira. E, por ter um passado antes do nascimento, terá um futuro depois da morte.</p>
<p>Do meu lugar de observadora de um quadro familiar, ora na cena, ora fora dela, me pergunto se esses filhos, cada um a seu modo, compreendem o tamanho do que dão à mãe. Ailce precisa do que cada um deles pode dar, até o fim.</p>
<p>Ela só descobriu o tumor quando foi enviada para a Enfermaria de Cuidados Paliativos, depois de enfrentar sete meses de tratamento em outro setor do hospital. Ailce suspeitava do diagnóstico, mas preferia não ter certeza. Na Enfermaria, a verdade a encurrala. “Antes, os médicos falavam lá na língua deles. Eu escutava a palavra tumor, mas não perguntava. No Paliativos, me contaram que eu tinha um tumor num lugar que não podia ser mexido. Fizeram um desenho. Eu pensei que faria quimioterapia e ficaria boa. Então disseram que eu não poderia fazer. Me revoltei. Achei que Deus não existia. Eu sempre quis ir além e agora não posso mais ir a lugar algum.”</p>
<p>Ailce conta – e imediatamente “esquece” o diagnóstico. Nas visitas seguintes, ela me testa: “Acho que não tem nada dentro de mim”. Ela deseja muito que eu confirme seu pensamento mágico. Nessas horas, eu sinto dor na garganta, pelas palavras que não posso pronunciar, mas que gostaria muito de dizer. Incapaz de enfrentar meu silêncio, ela contemporiza. “Ainda bem que eu não tenho dor.” Lourdes, que limpa a casa, cozinha e cuida dela, a socorre: “Você não tem câncer. Eu tinha uma tia com câncer e ela gritava de dor. E tinha um cheiro tão horrível que ninguém chegava perto. Você não tem cheiro nenhum”. São duas mulheres sozinhas na casa – e uma delas tem uma sentença de morte. Elas me observam com o canto do olho, temerosas de que eu desmanche com palavras o frágil equilíbrio de seu milagre.</p>
<p>É início de abril, e Ailce está feliz porque o apetite voltou. É resultado do tratamento paliativo, que ameniza os sintomas. “Repeti o prato na hora do almoço”, anuncia. Ailce mima suas orquídeas, conversa com as plantas, comparece às festas de família, quer comprar roupas novas. Suspira por atos banais, mas que agora se enchem de raridades: um banho de chuveiro sem preocupação com os fios; dormir de bruços, que já não pode mais. Ailce vive dias ensolarados. Está comendo, está curada.</p>
<p>E eu também preciso comer. Ela não permite que eu saia de sua casa sem antes repetir o bolo. Criada no interior, esse é um ritual que compreendo. Só mais tarde percebo que, para Ailce, oferecer comida é a chave de uma vida. Ela tornou-se merendeira de escola depois de passar num concurso público com nota 9,5. Por 27 anos ela alimentou crianças carentes. Na segunda-feira, acolhia- as com uma caneca de leite, para que tivessem forças de entrar na sala de aula. Era dela a missão de mantê-las vivas, era ela quem operava o milagre de fazer crianças quase desmaiadas correr pelo pátio. Ailce adorava isso. Seu pai queria pagar seus estudos de professora, ela não quis. Queria ser enfermeira, não conseguiu. Encher a barriga de crianças famintas emprestava grandeza a sua vida. “Nunca cheguei atrasada, trabalhava doente porque precisavam de mim. Eu fazia sopa, leite com cacau, sagu. Às vezes, fazia seis caldeirões de 40 litros. E as crianças comiam tudo, com tanto gosto. Ficavam sábado e domingo sem se alimentar e na segunda-feira muitas desmaiavam. Eu não podia fazer nada fora da escola, mas dentro elas comiam à vontade.”</p>
<p>Antes de ser enviada para a Enfermaria de Cuidados Paliativos, um médico, sem coragem de contar a ela a verdade, lhe disse: “Você precisa comer bastante para ganhar peso. Então, quando estiver mais forte, vamos operá-la”. Ele não sabe o que fez. Comer, ficar forte e melhorar é o mantra de Ailce. Entre um médico que lhe acenou com a possibilidade de cura e todos os outros que só têm a verdade para dar, é óbvio que ela acredita no primeiro.</p>
<p>Em meados de maio, Ailce piora. Os enjôos retornam, a comida não passa na garganta. A equipe de visita domiciliar do Serviço de Cuidados Paliativos é cada vez mais assídua. Desentope os drenos, faz curativos, resolve o que é possível para que Ailce não gaste seus dias no hospital. Os medicamentos são substituídos em consultasambulatoriais, mas ela está numa fase crítica.</p>
<p>O desespero por não conseguir comer a consome, pede às médicas que lhe dêem remédio “para abrir o apetite”. Mas nenhuma comida é preparada do jeito que ela instruiu, não há tempero que não se torne amargo em sua boca. Culpa então a mulher que ocupa seu lugar na cozinha por não conseguir fazer por ela o que passou a vida fazendo pelas crianças desmaiadas. Na intimidade da casa é um tempo de grandes dramas para as duas mulheres. Ailce está num lugar insuportável: ela, que sempre alimentou a todos, morrerá porque não consegue comer.</p>
<p>Ailce mede 1,40 metro, mas briga como se tivesse tamanho de jogadora de vôlei. Em junho, é difícil para ela botar uma perna na frente da outra. Mas caminha. Tremendo, cheia de fúria. “Tira a mão do meu braço que eu ando sozinha”, diz. “Mas a senhora cai”, preocupa-se a filha. “Não caio.” A filha tenta lhe dar café. Ela fecha a boca. “Eu mesma tenho de tomar.” Derruba, mas é ela quem segura a xícara. Pergunto porque isso é tão importante. “Eu tenho de ser eu”, diz ela.</p>
<p>Nessa época, Ailce beira o impossível: tinha “esquecido” a doença, mas a doença não a esquecera. Culpa os médicos porque não vê “progresso”. A família cogita consultar outros profissionais. Em seguida, desiste. Teme o que ouvirá no final da consulta. Então a tempestade chegou. Na manhã de 19 de junho, depois de uma noite de sonhos desencontrados, Ailce anuncia que quer morrer. Não acredito que queira. O que está dizendo, pelo avesso, é que quer viver. Do jeito dela, pede ajuda. Nos encontramos na lanchonete do hospital. Ela tem os olhos cheios de lágrimas, as mãos tremem. Duas desconhecidas lhe falam de Deus. Invocam o “deus do impossível”.</p>
<p>À espera da consulta no ambulatório, Ailce revolta-se: “Quero uma definição. Não vejo melhora. Por que não amarram isso dentro de mim?”. Ailce não só esquecera o que os médicos lhe explicaram muito tempo antes, como esquecera também o que havia contado a mim menos de dois meses atrás. Pela primeira vez, interfiro: “Fale tudo o que está sentindo nessa consulta. Tire todas as suas dúvidas”.</p>
<p>“A história que você está escrevendo sobre mim está chegando ao fim?” A médica abraça Ailce com carinho. O sol atravessa a janela e bate diretamente nas duas mulheres sentadas uma diante da outra, iluminadas como num palco. Ailce começa: “Eu não sei o que eu tenho”. Goretti Maciel responde: “Você não lembra a nossa primeira conversa?”. Ailce não lembra. “Eu lhe contei que tinha uma pedra no meio do caminho.” Ailce ouve a explicação de novo – e de novo seus olhos acompanham a mão da médica riscando no papel a arquitetura da morte dentro dela. Ela diz: “Mas não dá para pular aqui por cima e juntar aqui?”. Goretti diz: “Infelizmente não dá para fazer um viaduto”. Dessa vez, Ailce não recua: “Então não tem cura? Então isso vai até quando&#8230;”. E interrompe a frase.</p>
<p>Toca o celular da médica. A música é a trilha do filme Missão: Impossível. Ela desliga. “Paliativo vem de palium, que quer dizer manto”, diz a médica. “É o que a gente faz aqui: jogamos um manto sobre a doença. O tumor vai lançando toxinas pelo corpo e isso provoca sintomas. Os medicamentos disfarçam os sintomas. Mas um dia não vamos mais conseguir amenizá-los. Quando esse dia chegar, meu compromisso é que a gente nunca vai abandoná-la. Vamos cuidar de você até o fim.”</p>
<p>Ailce deixa o consultório ereta, os olhos secos. Está de salto alto. Dessa vez, se apóia no meu braço. Mas ainda é ela: “Será que se eu engordasse um pouco não daria para fazer cirurgia?”. Desta vez, me sinto autorizada a falar: “Ouvi tudo o que a médica disse. Não importa se a senhora está gorda ou magra. Não é culpa sua. O tumor é que está num lugar do qual não pode ser retirado”. Ela então me olha com a esquina do olho e diz: “Acho que já tinham me contado. Mas não dá pra lembrar de tudo”.</p>
<p>Em julho, Ailce não sai mais da cama, nem mesmo abre a janela. Mergulhada numa escuridão que não depende da rotação do planeta, ela prefere deixar o sol do lado de fora. Usa fraldas porque não alcança o banheiro, tem frio mesmo quando faz calor. Mas ainda conta histórias e não me deixa sair de sua casa sem repetir o bolo.</p>
<p>Na segunda-feira 14 de julho, seu quarto tem cheiro de morte. E seu corpo parece menor sobre a cama. “Meu tempo está acabando”, ela diz. E eu sei que é verdade porque ela parou de brigar. A revolta se extingue dentro dela, a voz se suaviza. Quando ela toma água, ainda segurando o copo, o gosto é amargo. Ela sempre temera a dor, e a dor havia chegado. “Estou ferida por dentro. Sinto cheiro de podre.”</p>
<p>Ailce descreve todas as mortes da família. Do pai, que morreu em casa, da mãe, no hospital, do marido, de doença de Chagas, do irmão, num acidente. Depois desse inventário do fim, ela conclui: “Agora sou eu que estou no finzinho”.</p>
<p>À noite, a dor aumenta. Ailce pede à filha que chame o Preto Velho. Quando a entidade que assume muitos nomes nas religiões afrobrasileiras se manifesta, pela boca de Luciane, Ailce pede: “Me leva. Nada mais me prende neste mundo”. O Preto Velho brinca com ela. “Não é tão fácil assim, minha filha. No céu tem fila. Vou ver se consigo uma vaguinha para você cuidar das crianças.” Nesse contrato místico, PretoVelho promete a Ailce que a levará ainda naquela semana.</p>
<p>Pensei muito em como descrever essa noite. Cheguei à conclusão que a morte é dela. Ailce tem uma fé bem ecumênica. Desde que adoecera, ela nunca recusou ajuda espiritual. Toda semana recebia hóstia de voluntárias católicas, e sempre abriu a porta para padre e pastor. Mas é quem ela chama de Preto Velho que a conforta na noite mais longa de sua vida. “Eu vou, mas volto”, diz. “Vou segurar sua mão e preparar um caminho de lírios pra você passar. Nós estamos velhinhos. Empresto minha bengala e meu banquinho. Quando eu cansar, você levanta e eu sento. Quando você cansar, eu levanto e você senta. Seu corpo está doente, sua alma está limpa. Você é uma flor.”</p>
<p>Na manhã seguinte, Ailce despede-se de sua casa. Desce a escada carregada, seus pés estão descalços e não mais encostam no chão. Lourdes soluça. E promete fechar bem a porta. A papagaia já não come. E o cachorro Dunga, chorando, se esconde dentro da casinha. Na despedida da mulher que a habitava, a casa parece agonizar.</p>
<p>No hospital, Ailce me pede que arranque suas meias do pé. “Não gosto de me sentir presa”, afirma. Ela está morrendo e suas unhas estão pintadas de cor-de-rosa. Pergunta: “A história que você está escrevendo sobre mim está chegando ao fim?”. Eu me acovardo: “Não sei”. Seus olhos amarelos me perfuram. “Não sabe?” Eu minto: “Acho que não falta mais nada”. Ambas sabemos que falta a morte. Eu preciso dizer: “E é uma vida bonita”. Ela pede confirmação: “Você acha?”. Eu asseguro: “A senhora brigou pelo que queria, criou seus filhos, construiu sua casa, matou a fome de tantas crianças. A senhora viveu”. Ela conclui: “E nunca pedi nada para ninguém”.</p>
<p>Os remédios fazem efeito e ela escorrega para um sono tranqüilo. A médica Veruska Hatanaka esforça-se para que ela não sinta dor, mas que consiga se despedir. É uma arquitetura química delicada. Luciane tem 40 graus de febre, Marcos traz a mulher para se reconciliar com a sogra. Ailce pergunta pelo único neto, Ramom. Às vezes, acorda para pedir água e faz questão de segurar o copo. “A água está mais doce agora”, diz. Ailce já não come. E isso não mais a machuca. Mas, ao abrir os olhos, tarde da noite, ela pergunta se eu comi.</p>
<p>Na quarta e na quinta-feira, Ailce quase só dorme. Ao redor dela se alternam os irmãos, os vizinhos, os amigos. Eles contam histórias da vida dela. Seu irmão caçula coloca uma mão grande sobre seu rosto e chora: “Eu te amo muito. Você quer que eu traga um café para você?”. Ela abre os olhos, balbucia: “Eu também te amo”. E volta a dormir. “A gente dormia na mesma cama de armar, na cozinha”, conta uma amiga. “Eu namorava um rapaz que era a cara do Elvis Presley e ela namorava o Maurício, um loiro de olhos claros.” Ri e chora. “Meu pai era muito apaixonado por ela”, diz Luciane.</p>
<p>Uma fotografia desse momento mostra Ailce na cama e a família ao redor. Há um movimento em cada um deles, nela nenhum. Eles falam dela, mas ela não está lá. Ailce se retira do palco, e a vida de todos seguirá sem ela. Fragmentos de sua vida esvoaçam a seu redor em forma de lembranças enquanto ela morre. Mas Ailce ainda escuta. Abre os olhos sempre que alguém pronuncia o nome do neto. E, quando ficamos sozinhas, eu digo: “Muito obrigada por ter me contado sua história. Eu vou escrever uma história linda sobre sua vida. E nunca vou me esquecer de você”. Percebo então que ninguém confiara tanto em mim. Muitas vezes eu fui a única testemunha de sua vida. Eu escreveria sua história, e ela estaria morta.</p>
<p>Na sexta-feira 18 de julho, Ailce desperta depois do banho. Está inquieta. É difícil entender o que diz. Pede água, mas agora é preciso umedecer um pedaço de gaze e colocar entre seus lábios. Já não há movimento nos drenos, seu corpo está parando de funcionar. Ailce se contorce, começa a arrancar a roupa. Fica nua. No final da manhã, a médica Juliana Barros a liberta dos fios sintéticos de sua vida, agora inúteis. Ailce finalmente está livre.</p>
<p>Quando os filhos chegam, Ailce os reconhece. Ela esperava por eles. Então volta a dormir. Às 15h50 ela abre os olhos de repente. Está lúcida. Enquanto seus olhos erram pelo quarto, Luciane diz: “Vamos dançar, mãe. Vamos botar nossa roupa pra gente dançar. A senhora está linda vestida de cigana. Já curou, mãe. Não tenha medo, eu estou segurando a sua mão. Vou lhe ajudar a atravessar. Está todo mundo esperando pela senhora. Eu te amo tanto, mãe. Muito obrigada por tudo”.</p>
<p>A filha desenha com pétalas brancas o contorno do corpo da mãe. O olhar de Ailce é de infinita tristeza. Seus olhos vagam pelo quarto e se cravam na câmera. E sua respiração apaga devagar.</p>
<p><strong>Jornalista Eliane Brum</strong></p>
<p><strong>Revista Época</strong>, <strong>18 de agosto de 2008</strong>
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