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	<title>Cuidar de Idosos &#187; dor</title>
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	<description>O Portal de informações sobre idosos do Brasil</description>
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		<title>Lidando com o paciente terminal</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 01:34:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene C. Miranda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cuidados Paliativos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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		<description><![CDATA[A morte não acomete apenas idosos. Isto é fato. Mas em muitos casos, na melhor das hipóteses, ela ameaça fazer sua visita indesejada já em idade avançada. Entende-se por paciente terminal aquele que se encontra num estado grave de doença para a qual não é mais possível pensar em cura e cuja evolução caminha para a morte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Flidando-com-o-paciente-terminal%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<div id="attachment_6884" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><br />
<img class="size-full wp-image-6884" title="Lidando com o paciente terminal" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2011/02/Lidando-com-o-paciente-terminal.jpg" alt="Lidando com o paciente terminal Lidando com o paciente terminal" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Lidando com o paciente terminal</p></div>
<p>A morte não acomete apenas idosos. Isto é fato. Mas em muitos casos, na melhor das hipóteses, ela ameaça fazer sua visita indesejada já em idade avançada. Entende-se por paciente terminal aquele que se encontra num estado grave de doença para a qual não é mais possível pensar em cura e cuja evolução caminha para a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">É extremamente difícil para familiares, cuidadores e mesmo para os profissionais de saúde lidar com estes pacientes. Alguns fatores dificultam a comunicação entre o doente terminal e as demais pessoas, o que pode gerar ainda mais sentimentos de tristeza e angústia de ambas as partes, os quais serão mais explorados a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">Lidar com um paciente terminal faz aflorar uma série de sentimentos, além de ser um fator responsável pela desestruturação emocional daquele que tem contato com paciente. A pessoa que acompanha o paciente terminal vive de perto a iminência de morte daquela pessoa querida e as conseqüências que isso pode acarretar – como, por exemplo, a dor da perda, o sentimento de abandono, o medo de futuramente padecer do mesmo mal, a insegurança diante de uma nova realidade financeira (visto que muitas famílias contam prioritariamente com a renda do idoso doente para a sua subsistência). Toda esta situação pode deixar o cuidador triste, choroso, irritado e ansioso, o que afeta negativamente na relação dele com o paciente, justo no momento em que este precisa de atenção e acolhimento em sua dor.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns familiares, mesmo que de modo inconsciente, adotam uma postura de afastamento do idoso doente. Normalmente ele sente medo de se envolver ainda mais naquele momento difícil e de sofrer mais com o fim inevitável cada vez mais próximo. Infelizmente ele se esquece de que, com esta postura, está abrindo mão de passar seus últimos momentos perto daquele que tanto ama, o que pode, após o óbito, ser motivo do surgimento de sentimentos de culpa, de arrependimento e depressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Partindo da sabedoria popular de que “quando alguma coisa está dando errado sempre surge algo a piorar”, infelizmente a doença terminal do idoso costuma vir acompanhada dos conflitos familiares. A família fica diretamente afetada pela doença do idoso, principalmente quando a patologia já o acompanhar há muitos anos (como nas doenças crônicas como, por exemplo, a Doença de Alzheimer), além disso emergem readaptações na vida dos familiares para se adequarem à realidade do idoso, o que acaba prejudicando mais alguns que outros. Estas diferenças são ainda mais exacerbadas quando a família é desunida, quando há poucas pessoas para cuidar ou quando o idoso doente não foi bom pai ou boa mãe anteriormente, e são suficientes para afastar ainda mais a família, gerar inimizades e deixar o idoso terminal ainda mais deprimido.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação ao paciente idoso terminal, é possível dividir dos grupos: aqueles que sabem de sua real condição e os que não têm conhecimento de seu estado de saúde.</p>
<p style="text-align: justify;">Os idosos que têm conhecimento de sua condição de terminalidade vivenciam algumas alterações descritas pela psiquiatra Elisabet Kübler-Ross como os cinco estágios de conciliação com a morte. Sabe-se que nem todos os pacientes vivenciam estes estágios e eles não precisam acontecer necessariamente nesta ordem, mas são eles: negação, raiva, barganha por mais tempo, depressão e aceitação. Estes estágios serão detalhadamente descritos num próximo artigo, mas, de maneira geral, pode-se entender que o paciente terminal, antes de aceitar sua condição, enfrenta uma ferrenha batalha interna, o que altera seu estado de humor, dificultando também as relações interpessoais com as pessoas ao seu redor. O sofrimento é intenso tanto da parte do idoso, quanto da parte daqueles ao seu redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no segundo grupo, há duas subdivisões: idosos lúcidos, que não conhecem seu diagnóstico por opção do médico ou da família e idosos portadores de demência, que não se dão conta do que está acontecendo. Em linhas gerais, estes sofrem menos do que os que se davam conta do que estava acontecendo, mas em ambos os casos a família sofre a mesma dor de perder alguém querido. Os idosos lúcidos podem não saber seu diagnóstico real, mas desconfiar de que algo grave está acontecendo. Nestes casos, se a família e os médicos optam por não revelar a eles o real diagnóstico, devem tomar o cuidado de não deixar transparecer nada ao idoso, o que pode ser um problema a mais para a família, que em muitos momentos pode ter dificuldades em não revelar certas emoções que a angustiam em tempo integral. Já os idosos portadores de demência em estágio avançado não se dão conta de seu real estado, mas mesmo assim é importante que a família evite ter reações de muito choro, desespero ou desentendimentos familiares na presença do idoso, pois estas reações emocionais podem deixá-lo mais abalado.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tudo isto em vista, seguem algumas dicas para os familiares e profissionais que lidam com um idoso em estado terminal:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Entenda a situação difícil que o idoso está passando e respeite seu estado de humor diferenciado, que muitas vezes pode irritar familiares. Respeite sua agressividade, sua dor física e psíquica, sua tristeza, seu silêncio e seus medos. Não o force a se mostrar forte, em certos momentos isso realmente não é possível.</li>
<li>Fale menos e ouça mais. Muitas vezes comentários irreais como “como você melhorou!” ou “hoje mesmo você sai do hospital” podem não ser legais, pois o idoso sabe que aquilo não é verdade. Respeite quando o idoso quiser ficar quieto e ouça o que ele tem a dizer. Às vezes, quando o idoso fala sobre sua própria morte o cuidador se angustia e corta o assunto do idoso, o que não é benéfico para ele. Por mais difícil que seja ouvir esses assuntos, deixe-o falar sobre sua situação e seus medos, esta é uma necessidade do paciente terminal.</li>
<li>Evite ao máximo discussões desnecessárias com a família. Já existe um sério problema a ser enfrentado &#8211; o estado de saúde grave do idoso – por isso, não vale à pena despender energia em outros estressores. Quando se deparar com uma situação de conflito com outros parentes, evite bater de frente e alimentar a discussão. Conversas são importantes, porém em momentos mais apropriados.</li>
<li>Evite chorar, gritar e demonstrar desespero na frente do idoso. Independente de seu estado geral, ele pode perceber aquilo e se sentir ainda pior por ver seu ente querido sofrendo por causa dele.</li>
<li>Este não é o momento para discutir divisão de bens. Ao menos que o idoso decida fazer um testamento, espere para resolver isso depois de sua morte. O idoso que se separa com essas situações pode sentir que a família está mais preocupada com os bens que com ele mesmo, e que só estão esperando que ele morra para usufruir de suas coisas. </li>
<li>Incentive os familiares a ficarem próximos do idoso, neste momento ele quer se sentir acolhido por aqueles que ama. Muitos pacientes terminais também têm o desejo de se reconciliar com pessoas pelas quais guardava alguma mágoa, caso esta seja a sua vontade, auxilie-o para que consiga realizar suas últimas vontades.</li>
<li>Para que o cuidador consiga dar suporte prático e emocional ao idoso terminal, ele precisa receber apoio e amparo e outras pessoas, sejam familiares, amigos ou profissionais. Não hesite em pedir e aceitar a ajuda de outras pessoas.</li>
<li style="text-align: justify;">Na medida do possível, respeite as vontades do paciente terminal. Converse com o médico sobre cuidados paliativos e qualidade de vida, peça que o mesmo avalie questões acerca de sua permanência em sua própria casa e sobre sua alimentação, isto pode deixá-lo mais feliz em seu final de vida.</li>
</ul>
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		<title>As mães não deveriam morrer</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 01:48:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma amiga perdeu a mãe, de repente. A notícia me alcançou por e-mail, agora que a internet deixou o mundo pequeno. Estou longe, mas também aqui, neste lugar sem distância que é o mundo virtual. Mas com tempo veloz, em que uma hora pode ser um pretérito definitivo na disputa pela supremacia dos segundos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fas-maes-nao-deveriam-morrer%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<p><span><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<div id="attachment_6529" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-6529" title="As mães não deveriam morrer" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/10/As-mães-não-deveriam-morrer.jpg" alt="As mães não deveriam morrer As mães não deveriam morrer" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">As mães não deveriam morrer</p></div>
<p>Uma amiga perdeu a mãe, de repente. A notícia me alcançou por e-mail, agora que a internet deixou o mundo pequeno. Estou longe, mas também aqui, neste lugar sem distância que é o mundo virtual. Mas com tempo veloz, em que uma hora pode ser um pretérito definitivo na disputa pela supremacia dos segundos. Como era antes, quando as notícias levavam meses para chegar e o mundo sobre o qual falavam já tinha inteiro se transmutado, quando as cartas eram sempre um retrato do passado? Agora tudo é agora. E os tempos se confundem de outro modo. Mas se confundem.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Senti tanto o desamparo da minha amiga, porque sei que as mães não deveriam morrer. Na mesma noite sonhei com meus mortos. Meu avô sentava-se com minha avó ao redor da mesa da cozinha como antes e como nunca, porque meu avô sabia que minha avó tinha morrido e eu sabia que meu avô tinha morrido uns 20 anos depois dela. E uma quarta pessoa, desconhecida de todos nós reunidos naquela cozinha, sabia que eu também já tinha morrido, numa outra época que ainda não chegou para mim. Mas comíamos bolinhos de chuva naquela mesa porque compreendíamos que, no curto espaço de existência, neste soluço entre o nascimento e a morte que pertence a cada um de nós, nem os sonhos devem ser desperdiçados. E ali, enquanto eu dormia num quarto de hotel, éramos uma impossibilidade lógica que conversava e que ria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Quando perdemos alguém que amamos, a dor é tão extravagante que nos come vivos, como se fosse uma daquelas formigas africanas que vemos nos documentários da National Geographic. A dor está lá quando acordamos. Continua lá quando respiramos. Nos espreita do espelho diante do qual escovamos os dentes pela manhã com um braço que pesa uma tonelada. E, quando por um instante nos distraímos, crava seus dentes bem no coração. Neste longo momento depois da perda, sabemos mais dos buracos negros do que os astrônomos porque carregamos um dentro de nós. E arrancamos cada dia nosso do interior de sua boca ávida, com uma força que não temos, para que não nos sugue de dentro para dentro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Devagar, bem devagar, muito mais devagar do que o mundo lá fora nos exige, o vazio vai virando uma outra coisa. Uma que nos permite viver. Descobrimos que nossos mortos nos habitam, fazem parte de nós, correm em nossas veias fundidos a hemácias e leucócitos. Que suas histórias estão misturadas com as nossas, que seus desejos se deixaram em nós. Que, de certo modo, somos muita gente, multidão. Como também nós seremos em muita gente, deixando, em cada um, ecos de diferentes decibéis e intensidades. Acolhemos então aquele que nos falta de uma forma que nunca mais nos deixará. Como saudade. E como saudade não poderá mais partir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Somada, a vida humana é um rio barulhento de memórias no leito do tempo. Enquanto outras espécies sabem, sem que ninguém tenha ensinado, que precisam voar para o sul para não sucumbir no inverno ou que devem escalar dezenas de metros de uma árvore em busca da fêmea para se acasalar num momento preciso, nós perpetuamos lembranças. Não é uma intuição prática, no sentido ordinário do termo. Mas é tão vital quanto o acasalamento ou a fuga do inverno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: small;">SAIBA MAIS</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Assim como a natureza tece mil expedientes para perpetuar seus genes, pertençam eles a um chimpanzé ou a uma mosca; nós, cuja diferença evolutiva nos permitiu inventar a cultura e ser na cultura, perpetuamos a vida através da memória. Já que, para nós, não há vida sem a consciência da vida. Transmitimos as histórias, o conhecimento e os sentimentos dos que se foram, tanto como humanidade quanto como indivíduo, como se fossem parte de um DNA imaterial. Do contrário, seria impossível conviver com o privilégio de nossa espécie, a consciência do fim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Quem não entende isso acha que, quando doamos as roupas e os objetos de quem amamos e se foi ou deixamos de chorar no cemitério, superamos a perda. Não acredito que exista superação no sentido do esquecimento. O que acontece é que compreendemos que aquela pessoa não estará mais no mundo externo, não pertence mais a ele. Mas também não é mais um vazio que grita como nos primeiros meses, às vezes anos. Ela agora mora no mundo de dentro, vive como memória nossa, em nós. E assim não está mais morta, mas viva de um outro jeito. É o que me ensina João, o homem que divide comigo a aventura arriscada de viver. De luto por sua própria mãe, percebo que a carrega nos olhos quando se maravilha com a novidade do mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Ele me ensina que a vida dos mortos em nós não é possessão nem fantasma. Nem é morte. O mórbido é quando não conseguimos dar um lugar vivo para o morto. Então a memória fica pregada naquele momento de horror e a vida se torna impossível, porque a existência não é água parada, mas rio que corre. Acontece quando alguém, pelos mais variados motivos, não consegue fazer o luto e dar um lugar de saudade para a dor. Quando nos fixamos, num dogma ou numa falta, partes importantes de nós gangrenam. Mas quando os mortos se acomodam em nós como lembrança que muda segundo o viver de quem vive, tudo flui. Se há algo que a vida é em essência é movimento. E o luto é um movimento que reabre as portas para a vida ao romper com a rigidez da morte em nós. Por isso, para o luto não pode haver pressa, porque é grande e largo o gesto que temos de fazer acima e apesar do horror que nos atinge até mesmo em partes que nem sabíamos que existiam.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Quando perdeu a mãe, João compreendeu por completo a poesia que Carlos Drummond de Andrade escreveu para a poeta Ana Cristina Cesar, que se suicidou aos 31 anos atirando-se pela janela do 13° andar. Ela fala da diferença entre falta e ausência. “Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.” É isso. A ausência não é falta. Ou, dito de outro modo, a falta nos come vivos. A ausência, por paradoxal que pareça, nos preenche.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;">Há um filme de extraordinária belez</span>a sobre a perda, a saudade e o lugar dos mortos em nós. Chama-se “Hanami – Cerejeiras em flor” (Doris Dörrie, 2008 – Alemanha/França). Passou nos cinemas, ainda resiste numa sala ou outra, mas já assisti ao filme na TV por assinatura. Se você encontrar este nome na programação, não deixe de ver. Feche as cortinas, proteja-se do barulho da rua, programe-se para algo especial. O filme conta a história de um homem que não gosta de sair da rotina em sua viagem mais longa e menos previsível. Ele parte em busca de sua mulher e só a encontra quando descobre que ela está dentro dele, nos gestos dele, no corpo e nos olhos que ele empresta a ela. É um filme sobre a morte que nos leva ao único lugar onde vale a pena chegar, à vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando sofremos uma grande perda ou somos abalroados por uma catástrofe pessoal de outro gênero, as pessoas dizem, para nos consolar e com as melhores intenções, que tudo passa. Acho que, na verdade, nada passa. A frase mais precisa seria que tudo muda. Também nós que aqui estamos como matéria um dia seremos apenas eco. Tanto pelas nossas células que alimentam e se agregam a outros seres vivos a partir da decomposição de nosso corpo como pelas histórias que transmitimos e permanecem além de nós. Aquela que fui ontem já mudou, a ruga que há um ano não existia agora é visível na pálpebra direita, minha percepção do mundo não é mais exatamente a mesma do mês passado, alterada por novas experiências que me alargaram. De certo modo, nascemos e morremos tantas vezes até o fim da vida. E é este o movimento que importa.</p>
<p style="text-align: justify;">Queria dizer isso à amiga que perdeu a mãe de repente. Mas agora minha amiga ouve, mas não pode escutar. A dor a está comendo viva como as formigas africanas. Tudo é horror e absoluto. Mas com o tempo, um período só dela e que não pode ser determinado em parte alguma nem por ninguém, minha amiga vai começar a perceber que a mãe é uma ausência presente no formato das suas unhas, num certo jeito de mexer a cabeça quando fala, na tonalidade rara dos olhos. Está nas palavras e nas histórias que conversam dentro dela, na mitologia familiar que se perpetua, nos sons da memória. E então poderá reencontrar a mãe dentro dela. E levá-la para passear.</p>
<p style="text-align: justify;">E, num dia que sempre chega, viverão as duas como história, como cacos de lembranças encaixados em diferentes rearranjos de vitrais, na vida dos que vieram depois. É pouco, talvez. É tudo o que temos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ELIANE BRUM<br />
 </strong>Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).</p>
<p style="text-align: left;">Extraído de:  http://bit.ly/aOmIF5</p>
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		<title>O idoso e a dor</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 19:19:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene C. Miranda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Artroses]]></category>
		<category><![CDATA[cuidador de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[idoso]]></category>

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		<description><![CDATA[A dor é um problema que acomete diariamente pessoas de ambos os sexos, de todas as idades, raças, classes sociais. Pode ser um sinal de que algo está errado no organismo, ou a dor pode ser a doença em si.

Independente da causa e da intensidade da dor, esta pode ocasionar uma série de transtornos na pessoa que sofre. No caso do idoso não é diferente. A dor pode desencadear desajustes orgânicos, como por exemplo, uma postura inadequada devido a algum tipo de incômodo; psicológicos, como depressão, sensação de inutilidade e desesperança em melhorar; sociais, como diminuição da autonomia, menor disposição para sair de casa e relacionar-se com outras pessoas.]]></description>
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<div id="attachment_5817" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-5817" title="O idoso e a dor" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/06/O-idoso-e-a-dor.gif" alt="O idoso e a dor  O idoso e a dor" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">O idoso e a dor</p></div>
<p style="text-align: justify;">A dor é um problema que acomete diariamente pessoas de ambos os sexos, de todas as idades, raças, classes sociais. Pode ser um sinal de que algo está errado no organismo, ou a dor pode ser a doença em si.</p>
<p style="text-align: justify;">Independente da causa e da intensidade da dor, esta pode ocasionar uma série de transtornos na pessoa que sofre. No caso do idoso não é diferente. A dor pode desencadear desajustes orgânicos, como por exemplo, uma postura inadequada devido a algum tipo de incômodo; psicológicos, como depressão, sensação de inutilidade e desesperança em melhorar; sociais, como diminuição da autonomia, menor disposição para sair de casa e relacionar-se com outras pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo este conjunto de desajustes orgânicos, psicológicos e sociais interfere negativamente na qualidade do idoso, por isto é importante que toda dor seja tratada ou ao menos amenizada, o que garante ao idoso maior sensação de bem-estar e autonomia.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, o primeiro passo para a melhora da dor é procurar um médico. Só ele pode diagnosticar a causa da dor no idoso e, a partir daí, indicar um tratamento adequado para o alívio do problema. Além dos tratamentos prescritos pelo médico, o cuidador pode tentar ajudar o idoso que sente dor de outras maneiras, já que nem sempre as únicas causas são orgânicas. Seguem abaixo algumas dicas para o cuidador:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Lembrem-se de que as expressões “Cada dor é única” e “A pior dor é a do momento” são extremamente verdadeiras. Por isto, não comparem a dor que o idoso está sentindo com outra dor que você ou outra pessoa já sentiram em outra ocasião, isto pode até piorar a situação do idoso, que pode se sentir diferente ou mais fraco que os outros.</li>
<li>Cada pessoa reage à dor de uma forma e isto é aprendido em casa. As famílias, de uma forma ou de outra, ensinam às crianças como elas devem se portar em caso de dor. Por exemplo, muitas famílias ensinam aos meninos que o homem não deve chorar, por que ele deve ser forte e masculino. Isto, numa idade mais avançada, pode influenciar a forma como a pessoa lida com a dor. Nestes casos, não zombem do idoso que chora de dor, pois ele pode se sentir ainda mais envergonhado e, além da dor física, passa a sofre também com a dor do constrangimento.</li>
<li>Pessoas que possuem dores crônicas – aquelas que os acompanham por muito tempo &#8211; costumam ficar carentes, inseguras e regressivas, ou seja, independente da idade, podem se comportar como crianças em momentos difíceis. Assim, o cuidador deve respeitar o choro do idoso, tentando consolá-lo com palavras de esperança (neste sentido, se o idoso for religioso uma boa alternativa pode ser recorrer à fé, o que pode ajudar bastante), sendo carinhoso e atencioso. Todo mundo que está doente gosta quando os outros perguntem sobre seu estado de saúde, com o idoso não seria diferente: ele precisa se sentir acolhido, amado e perceber que os outros se preocupam com ele. Seja carinhoso, abrace-o, ouça o que ele tem a dizer, converse com ele sobre outros assuntos de seu interesse, enfim faça-o sentir importante e querido. Não é comum os pais pegarem ao colo uma criança que sente dor? Por que não ser carinhoso com o idoso também? Às vezes um pouco mais de atenção é o suficiente para uma dor ser menos incômoda, sempre tomando o cuidado para não infantilizar o idoso num momento que ele já está mais regressivo.</li>
<li>Ao lidar com idosos que não estavam acostumados a sentir dores, uma coisa deve ser observada. Muitas pessoas têm a crença de que medicação faz mal, ou mesmo de que demonstrar sentir dor é sinal de fraqueza. Muito atentos a estas pessoas, pois elas podem estar com dores, mas não querem “incomodar” o cuidador com suas queixas. Nesses casos é importante ficar atento à comunicação não-verbal do idoso: gemidos, contorções, “caretas”, suores, palidez, são alguns sintomas de dor e devem ser levados em consideração pelo cuidador.</li>
<li>Naqueles casos onde o diagnóstico aponta que não há cura para aquela dor, apenas alívio, o cuidador deve tentar “ensinar o idoso a conviver com a dor”. Neste sentido a convivência com pessoas que, independente da idade, também apresentam algum quadro crônico doloroso, pode ser um meio de estimular a adaptação e o desenvolvimento de novas estratégias para conviver com o problema.</li>
<li style="text-align: justify;">Foi possível observar que as medicações não são a única alternativa para o alívio da dor. O cuidador deve se atentar para o fato de que os aspectos psicológicos como o medo, a depressão, a ansiedade, a sensação de isolamento, de solidão e de negligência podem prejudicar e muito a melhora do quadro clínico do idoso que sente dor. O alívio da dor é de suma importância para a manutenção da autonomia do idoso, portanto, incentive-o a procurar auxílio médico e acompanhe-o nas consultas, além de estimulá-lo a seguir as orientações médicas (como, por exemplo, além da medicação, fazer acompanhamento fisioterápico, dietas específicas, fazer atividade física, repouso, dentre outras) e a manter sua autonomia.</li>
</ul>
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		<title>Qualidade de vida em idosos com osteoartrite</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 11:25:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafaela Macêdo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artroses]]></category>
		<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[artrose]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[idoso]]></category>
		<category><![CDATA[osteoartrose]]></category>
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		<description><![CDATA[Envelhecimento se refere às mudanças fisiológicas que vão ocorrendo no organismo ao passar dos anos. Ao contrário do desenvolvimento e da maturação, as alterações associadas ao envelhecimento reduzem a capacidade de funcionamento, de manter a sobrevivência e de ter uma boa qualidade de vida (LADORA, 2002).]]></description>
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<div id="attachment_5536" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-5536" title="Qualidade de vida em idosos com osteoartrite" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/05/Qualidade-de-vida-em-idosos-com-osteoartrite.jpg" alt="Qualidade de vida em idosos com osteoartrite Qualidade de vida em idosos com osteoartrite" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Qualidade de vida em idosos com osteoartrite</p></div>
<p>Envelhecimento se refere às mudanças fisiológicas que vão ocorrendo no organismo ao passar dos anos. Ao contrário do desenvolvimento e da maturação, as alterações associadas ao envelhecimento reduzem a capacidade de funcionamento, de manter a sobrevivência e de ter uma boa qualidade de vida (LADORA, 2002).</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Ishizuka (2003), com o envelhecimento, o sistema musculoesquelético sofre algumas mudanças como a diminuição da força muscular, diminuição das fibras de contração rápida que atuam no controle postural e juntamente com estas alterações há doenças freqüentes nesta fase da vida, sendo a mais comum a osteoartrite (OA).</p>
<p style="text-align: justify;">A osteoartrite, ou artrose, é a forma mais prevalente de doença articular, com maior acometimento dos joelhos, além de afetar tipicamente as articulações de mãos, coluna e quadril. Pode ser conceituada como uma forma de reumatismo que envolve progressiva perda da cartilagem articular, aposição de formações ósseas nas trabéculas subcondrais e formação de nova cartilagem e novo osso nas margens articulares (osteófitos). Sendo assim, considerada como um distúrbio músculo-esquelético progressivo e lento. É o distúrbio articular mais comum e a principal causa de incapacidade após a sexta década de vida (MARQUES, 1998; VON MÜHLEN, 2007).</p>
<p style="text-align: justify;">Todas essas alterações provenientes da osteoartrite acabam afetando outro elemento muito importante na manutenção da vida, o equilíbrio, que é um componente essencial na vida de qualquer pessoa. Ele é controlado através do cerebelo, porém com a idade, ocorrem perdas celulares (células de Purkinje) dentro deste, o que fazem acontecer episódios de desequilíbrio e algumas alterações de movimentos (PATTEN, 2002).<br />
Sendo assim, o envelhecimento conduz a uma perda progressiva das aptidões funcionais do organismo, aumentando o risco do sedentarismo. Essas alterações, nos domínios biopsicossociais, põem em risco a qualidade de vida do idoso, por limitar a sua capacidade para realizar, com vigor, as suas atividades do cotidiano e colocar em maior vulnerabilidade a sua saúde (ALVES et al, 2004).</p>
<p style="text-align: justify;">O sedentarismo, que tende a acompanhar o envelhecimento e vem sofrendo importante pressão do avanço tecnológico ocorrido nas últimas décadas, é um importante fator de risco para as doenças crônico-degenerativas. A prática de exercício físico, além de combater o sedentarismo, contribui de maneira significativa para a manutenção da aptidão física do idoso, seja na sua vertente da saúde como nas capacidades funcionais (ALVES et al, 2004).</p>
<p style="text-align: justify;">O número de idosos portadores de osteoartirte de joelho é expressivo, o que poucos sabem é que essa pode vim a interferir no equilíbrio estático, fazendo com que o mesmo deixe de realizar suas atividades físicas por receio a danos maiores, aumentando ainda mais os índices de sedentarismo entre essa população. Entretanto umas das prioridades da Organização Mundial de Saúde (OMS) é o envelhecimento ativo (físico, mental e social), sendo assim, a prática de exercícios físicos, com cuidado e orientação é de suma importância para reverter o sedentarismo e todas as alterações provocadas pela doença, a fim de promover uma maior independência do idoso, restaurando a qualidade de vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Nos limites do viver</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 22:40:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gracinha Medeiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
		<category><![CDATA[cti]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
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		<category><![CDATA[idosos]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
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		<description><![CDATA[Acordo para mais um dia de intensas incertezas. Tenho medos, mas a minha fé na força vital do incognoscível, me fornece o suporte para seguir a travessia entre as marés desse agitado oceano da vida. Olho para minha mãe cheia de tubos, fios, sondas e meus medos são insignificantes diante dos medos e dores que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fnos-limites-do-viver%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<p style="text-align: justify;">Acordo para mais um dia de intensas incertezas. Tenho medos, mas a minha fé  na força vital do incognoscível, me fornece o suporte para seguir a travessia entre as marés desse agitado oceano da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Olho para minha mãe cheia de tubos, fios, sondas e meus medos são insignificantes diante dos medos e dores que ela deve estar vivendo, à mercê dos médicos intensivistas e das máquinas frias que seguem apitando para sinalizar as irregularidades que vão surgindo em seu frágil organismo. Sinto o frio gélido da UTI arrepiando meu corpo e tenho vontade de tomá-la em meus braços para aquecê-la no meu abraço&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sob o torpor dos medicamentos, vez por outra, seus meigos olhos verdes se abrem fixando-se nos meus: máquinas apitam sinalizando a elevada alteração dos batimentos cardíacos, a pressão se descontrola como se estivesse nos altos e baixos de uma montanha russa, seus lábios machucados movem-se inutilmente, sem chance diante do tubo de ventilação mecânica que lhe invade a traquéia e impede a articulação da palavra, do grito&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos nós duas nadando ou tentando nadar entre as ondas gigantes de um tsunami que em 17 de junho nos atingiu, justo na data em que estaríamos comemorando os seus 95 anos de vida. Não havia escolha! Seu intestino bloqueado na parte mais alta por fecalomas e um pequeno tumor exigiram intervenção cirúrgica imediata.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os discursos médicos, as variadas interpretações sobre o seu estado de consciência: uns reclamam da falta de interatividade, a ausência de comunicação. Falo sobre o Alzheimer, alguns parecem entender  ao menos parcialmente  sobre a particularidade da condição cognitiva, mas fico com a sensação de que não percebem a extensão dos efeitos que o estresse opera nos indivíduos portadores desse estado de demência. Uns até me escutam e me fazem perguntas, outros tendem a só me falar sobre a fragilidade de um organismo que já completou 95 anos de atividades: é o pulmão, o intestino, o coração, os rins, enfim cada um tem o olho fixo num determinado órgão ou no conjunto deles e me dizem da dificuldade de obter respostas aos estímulos verbais para melhor entendê-la. E lá vem o bombardeio de vários medicamentos, de sedativos e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;">Não posso estar ao lado dela o tempo todo. As visitas são limitadas: três vezes ao dia por um curto espaço de tempo  compareço em todos os horários. Saio para visitá-la com o coração aos pulos, volto para casa com muitos medos pelas dores e angústias, que muitas vezes percebo no olhar dela cravado no meu, mas não me deixo esmorecer: canto nossas músicas de todo dia, encorajo-a a não se entregar ao medo. Repito a todo instante que a amo muito, que ela não está sozinha, rezo as orações que ela sempre gostou de repetir, enfim  diante da impotência do meu agir  renovo minhas forças para transmitir a ela carinhos e confortos que possam  da forma que puderem  tranqüilizar sua alma assustada.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os momentos em que estou junto dela, digo-lhe que não há força maior que as forças da vontade dela, da fé e da coragem que ela sempre manifestou e professou na sua trajetória de vida. Digo-lhe também que pode contar com a minha ajuda para que sua vontade seja respeitada a despeito de tudo e de todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquela tarde do dia 16 de junho, quando descemos para o nosso passeio no playground, como se estivesse adivinhando algo, ela olhou para mim e disse: não me deixe sozinha, viu? Nesse mesmo dia, às 23h30min, estávamos numa ambulância para darmos entrada numa emergência hospitalar.</p>
<p style="text-align: justify;">Percebo-a assustada, mas ainda lutando para viver. É realmente uma montanha russa: seu organismo ora reage, ora regride. Nesse meio tempo já passou um período extubada e tudo parecia progredir para receber alta da UTI. Entretanto, no domingo último (31/05), ao chegar para a visita da manhã, encontro-a novamente entubada.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de já  ter passado por experiências semelhantes com meu pai durante o ano de 2003, a dor de vê-la passar por tudo isso é inenarrável. Nas águas profundas do Alzheimer, os sentimentos dela estão lá agitando as ondas explodidas em tsunamis cujas cristas não conseguimos alcançar.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez estamos diante de novos aprendizados sobre a vida e o viver. Mais uma vez a sabedoria budista me serve de farol para reencontrar a necessária serenidade e aceitação dessa condição inelutável que é a constante impermanência de todas as coisas no curso de nossas vidas. E, como se fora uma espécie de mantra, leio, releio e repito mentalmente as reflexões extraídas de um texto budista intitulado As Quatro Nobres Verdades que versa sobre As Cinco Coisas Que Não Se Pode Realizar conforme transcrevo a seguir: <strong>Há coisas neste mundo que ninguém pode realizar: primeira: evitar a velhice, quando se está envelhecendo; segunda: evitar a doença, quando o corpo é predisposto à doença; terceira: não morrer, quando o corpo deve morrer; quarta: negar a dissolução, quando, de fato, há a dissolução do corpo; quinta: negar a extinção, quando tudo deve extinguir-se. Todas as pessoas no mundo, cedo ou tarde, apercebem-se destes fatos e, consequentemente, sofrem, mas aqueles que têm ouvido o ensinamento de Buda não se afligem, porque sabem que estes fatos inevitáveis são, verdadeiramente, inevitáveis.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma boa semana para todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gracinha Medeiros</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nota do Editor: Todos nós, do portal CUIDAR DE IDOSOS, estamos solidários com Gracinha Medeiros e sua mãe, Dona Zezé. Muita força para vocês duas, neste trecho acidentado da caminhada!</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, o mantra budista da Medicina:</p>
<p><strong>&#8220;Eliminar não somente as dores das doenças físicas, mas ajudar também na superação das doenças interiores, principalmente do apego, do ódio, do ciúme, do desejo, da ganância e da ignorância.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><br />
<object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/yUJucA-mrgE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yUJucA-mrgE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></em>
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		<title>Convivendo com Alzheimer</title>
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		<pubDate>Sun, 18 May 2008 15:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>
		<category><![CDATA[ajuda]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
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		<description><![CDATA[Rosie tem 78 anos e sua filha Maria é portadora da doença de Alzheimer! O vídeo acima intitula-se "A Xícara de Chá", e capta um momento comovente entre uma mãe e filha. O filme traz ao nosso conhecimento que a demência não é apenas um problema de saúde em franco crescimento, mas também de natureza social. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fconvivendo-com-alzheimer%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<h3>Quem cuida de quem?</h3>
<p>Rosie tem 78 anos e sua filha Maria é portadora da doença de Alzheimer! O vídeo abaixo intitula-se &#8220;<strong>A Xícara de Chá</strong>&#8220;, e capta um momento comovente entre uma mãe e filha. O filme traz ao nosso conhecimento que a demência não é apenas um problema de saúde em franco crescimento, mas também de natureza social.<br />
Muitas pessoas com demência e suas famílias continuam a sofrer em silêncio, sem ajuda ou apoio.</p>
<p><object style="width: 607px; height: 376px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="607" height="376" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.globalcharter.org/film/FlowPlayerDark.swf?config=%7Bembedded%3Atrue%2CbaseURL%3A%27http%3A%2F%2Fwww%2Eglobalcharter%2Eorg%2Ffilm%27%2CvideoFile%3A%27alzheimers%2Dcup%2Dof%2Dtea%2Eflv%27%2Cloop%3Afalse%2CinitialScale%3A%27fit%27%2CcontrolBarBackgroundColor%3A0%2CautoBuffering%3Atrue%2CautoPlay%3Atrue%7D" /><param name="bgcolor" value="111111" /><embed style="width: 607px; height: 376px;" type="application/x-shockwave-flash" width="607" height="376" src="http://www.globalcharter.org/film/FlowPlayerDark.swf?config=%7Bembedded%3Atrue%2CbaseURL%3A%27http%3A%2F%2Fwww%2Eglobalcharter%2Eorg%2Ffilm%27%2CvideoFile%3A%27alzheimers%2Dcup%2Dof%2Dtea%2Eflv%27%2Cloop%3Afalse%2CinitialScale%3A%27fit%27%2CcontrolBarBackgroundColor%3A0%2CautoBuffering%3Atrue%2CautoPlay%3Atrue%7D" bgcolor="111111"></embed></object>
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