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Publicado em: 12/07/2009

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Ser cuidador familiar de idosos

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Voltando à temática do cuidador familiar de idosos, tema de interesse de muitos internautas, proponho continuarmos nossa reflexão. Este artigo irá abordar questões levantadas por leitoras do blog e que podem ser situações que estão sendo vivenciadas por milhões de cuidadores em qualquer parte do mundo. Seguem, abaixo, fragmentos destas situações angustiantes:

1. “[...] estou só p/ cuidar dela, meu irmão não quer saber e eu cuido fisico, emocional e financeira sozinha. Percebo que estou me abandonando, sinto que minha vida acabou aos 62 anos e minha mãe esta agora com 88 anos e até os 80 anos ela viveu muito bem viajando muito, e eu? Me sinto só.”

Infelizmente, um dos problemas mais sérios que os cuidadores familiares ainda enfrentam é o abandono e a solidão. A falta de informação sobre a Doença de Alzheimer (e as outras formas de demência associadas ao envelhecimento) também é grave tanto para o idoso quanto para o cuidador, porém ultimamente já se percebe que as pessoas estão se informando melhor. Muitos cuidadores, em especial filhas, esposas e noras, ainda não vêem outra alternativa a não ser anularem sua vida pessoal, profissional e familiar para assim garantirem a sobrevida e a qualidade de vida de uma pessoa que necessita dele para tomar decisões, se locomover, se alimentar ou até mesmo para respirar. O cuidador familiar sem dúvida é imprescindível, porém, ele não pode deixar sua vida de lado, suas vontades, suas obrigações e seus interesses pessoais.

Além de cuidar do idoso que necessita ele também precisa de um tempo para cuidar de si, pois ele também tem direito a vida com qualidade, saúde e dignidade. Esta sensação de que sua vida terminou a partir do momento em que se tornou um cuidador é um dado alarmante, sinal de que esta pessoa necessita de ajuda: por parte de PROFISSIONAIS MULTIDISCIPLINARES; por parte da FAMÍLIA, para dividir a tarefa de cuidador e, quando possível, de um CUIDADOR PROFISSIONAL, que pode diminuir o sentimento de sobrecarga.

2. “[...] Já eu não posso mais trabalhar fora do lar em momento algum, por conta de cuidar dele. meu marido tem 25 anos a mais do que eu. Eu tenho 51 anos e ele fará 76 esse ano, está demasiadamente nervoso, agressivo e não quer ir ao médico de forma alguma. Ele faz outros tratamentos, mas quando se fala em neurologia ou psiquiatria ele se ofende e grita sem parar comigo. [...] não conseguimos viver mais bem, pois os maus tratos são diversos. [...]”

Já outros cuidadores precisam abrir mão de seu trabalho (e como consequência disto têm de readaptar suas vidas para uma nova realidade financeira). Muitas esposas (e esposos) aos poucos percebem que deixam de serem cônjuges e passam a ser cuidadores daqueles que foram seus companheiros por muitos anos. Sentimentos de amor, cumplicidade e companheirismo continuam a existir, porém surgem outros como o senso de obrigação, o medo diante das mudanças que passam a acontecer e a necessidade de cuidar de alguém que anteriormente não dependia de ser cuidado por terceiros. Uma fase difícil para quem convive com um portador da D.A. é a fase inicial da doença, quando os mais próximos começam a perceber sintomas como pequenos esquecimentos, mudanças bruscas de humor, irritabilidade. Um familiar atento e bem informado logo percebe que isto pode ser um sinal de que algo mais grave está acontecendo e sabe que o mais indicado neste momento é procurar ajuda profissional. Nestes casos o melhor é iniciar um tratamento precocemente, por isto, não haveria nenhum problema, exceto quando nem todos estão de acordo: o idoso não percebe que está acontecendo algo e em hipótese alguma concorda em buscar ajuda.

Algumas especialidades como o médico geriatra, o médico neurologista, o médico psiquiatra e o psicólogo ainda são tabus, principalmente dentre os idosos de atualmente, já que para a sua geração consultar algum destes especialistas é sinal de que se está “ficando doido”, “gagá”, “maluco” ou “esclerosado”. E ninguém deseja se sentir idoso demenciado ou louco! Considero esta uma situação delicada, pois, se o idoso ainda goza de suas faculdades mentais (mesmo já apresentando alguns lapsos), é impossível obrigá-lo a ir num destes profissionais ou a levá-lo sem seu consentimento. O cuidador fica num impasse, pois ele tem consciência de que aquela pessoa precisa de um acompanhamento profissional especializado o mais rápido possível, mas, ao mesmo tempo, sente-se de pés e mãos atados, pois não tem autonomia para forçar esta atitude do idoso.

A alternativa mais viável que consigo perceber é o bom senso, tentar convencer a pessoa a procurar ajuda e, em caso de resistência, pode valer a pena conversar com um médico de confiança, para que ele possa orientar o cuidador e o próprio idoso sobre a importância de se buscar um profissional especializado para a PREVENÇÃO de possíveis problemas relacionados ao envelhecimento. Pode ser mais fácil tentar convencê-lo a prevenir o aparecimento de um problema ao invés de tentar conscientizá-lo de que o problema já está instalado o que é preciso remediar.

Luciene C. Miranda

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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6 comentários em “Ser cuidador familiar de idosos”

  1. Silvia Cotrim Bezzon disse:

    Olá!
    Sou Silvia, psicóloga e sobrevivente da dificil jornada de “cuidar”. Como filha única cuidei de meu pai até o final e ele se foi de mãos dadas comigo. Sei o preço que paguei e ainda pago pela escolha. Não me arrependo. Mas voltando à pesquisa que havia abandonado, percebo que nada se fez em relação ao “cuidador familiar”. Não existem Políticas Públicas, direitos, ajuda financeira, enfim. Muito se fala e pouco se faz. Transfere-se para a familia a tarefa de cuidar e só. Sabemos que a maioria da população brasileira não conta com poder financeiro para custear as necessidades que a doença exige, afim de que o doente tenha mínimo de qualidade de vida. Ao cuidador familiar então….socorro…só deveres, deveres e deveres. Ainda mais,quando busquei ajuda me deparei com pessoas pouco ou nada capacitadas, e hoje, quando busco saber de cuidadores como se sentem, ouço a mesma reclamação. Me parece que ainda existem lacunas a serem preenchidas quer seja por médicos, psicólogos, etc, e principalmente por nossos “GOVERNANTES” que ainda não atentaram para a questão de que o Brasil há muito deixou de ser um “país de jovens”, pode ainda ser “país jovem”, se comparado aos Estados Unidos e Europa, mas hoje habitado em sua maioria por cidadãos idosos.
    Quem cuidará do cuidador??? acolhimento só não basta. Precisamos de ação.
    Att.
    Silvia.

  2. Angela Ap. G. Ferreira disse:

    Boa tarde,
    Sou Assistente Social do PS do Hospital das Clínicas SP, solicito informações sobre o profissional cuidador, pois há uma demanda relativa de casais que nos procuram solicitando ajuda no momento da alta hospitalar, pois muitos deles não têm familiares que possam ajudar nos cuidados em casa; existe um site, tel. ou endereço de locais com boa referência que disponibilizem cuidadores que eu possa indicar?
    PS: muitas vezes o casal conta apenas com a aposentadoria.
    Agradeço a atenção.
    Angela.

  3. Nota do Editor:
    Cara Salete,
    É uma pena que distâncias atrapalhem o contato pessoal com a EQUIPE CUIDAR DE IDOSOS. Mas temos certeza de que todos nós, principalmente nossa psicóloga Luciene Miranda, poderemos te ajudar com alguns conselhos e palavras, na nobre, porém, por certas vezes, triste arte de cuidar de nossos idosos, de nossas mães. Leia todos os artigos postados pela Luciene, já que falam diretamente no que diz respeito às suas angústias.
    Abraços de todos da EQUIPE CUIDAR DE IDOSOS.

  4. salete disse:

    trabalho em assistencia domiciliar setor publico,e fui designada pela minha familia como cuidadora única de minha mãe de 92 anos então estou pedindo socorro ,imagine como esta o meu estado emocional tenho 49 anos!!!! só convivo com dor e sofrimento ja a 7 anos!!!agradeço caso se importem comigo.

  5. Nota do Editor: Esta é uma faceta dura e difícil de digerir, de quem cuida por obrigação e única opção. O problema aqui não é o ato de cuidar de um idoso. É cuidar sem opção de escolher, deixando aflorar uma relação de raiva, opressão e ressentimentos. Já é dificil cuidar de um idoso familiar, mesmo quando é uma pessoa muito querida e que pouco trabalho dá. Imagine na condição da Sra. Joana Barro?

  6. JOANA BARRO disse:

    SER CUIDADOSO DE IDOSOS É UMA M…, MEU PAI MACHUCOU-ME A VIDA INTEIRA, ABUSAVA DE MIM, DA MINHA IRMÃ ABANDONOU A FAMÍLIA E AGORA FICA AQUI QUE NEM UM CORONEL, SE SUJA, MEXE EM TUDO, NA MINHA CASA, SÓ FAZ O QUE NÃO GOSTAMOS, ATRAPALHA NOSSA VIDA, MACHUCOU MINHA MÃE A VIDA INTEIRA, FEZ MAL PRA TODA FAMÍLIA NOS ABANDONOU E AGORA EU TENHO QUE FICAR AQUI, CUIDANDO DELE. QUE M…!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    NEM ME RELACIONAR BEM COM OS HOMENS, COM AS PESSOAS, NÃO CONFIO NAS PESSOAS, É CULPA DELE.

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