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	<title>Cuidar de Idosos &#187; Câncer</title>
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	<description>O Portal de informações sobre idosos do Brasil</description>
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		<title>A mulher que alimentava</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 01:31:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidados Paliativos]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
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		<description><![CDATA["É tão estranho”, ela diz. “Passei a vida inteira batendo ponto, com horário pra tudo. Quando me aposentei, arranquei o relógio do pulso e joguei fora. Finalmente eu seria livre. Aí apareceu essa doença. Quando tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fa-mulher-que-alimentava%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<div id="attachment_7724" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><em><strong><img class="size-full wp-image-7724" title="A mulher que alimentava" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2011/12/A-mulher-que-alimentava.jpg" alt="A mulher que alimentava A mulher que alimentava" width="293" height="211" /></strong></em><p class="wp-caption-text">A mulher que alimentava</p></div>
<p><em><strong>Nota do editor: apesar de ser um longo texto, vale a pena ler e &#8220;sentir&#8221; cada palavra de Ailce, sobre a vida e sobre a morte, no relato pungente da jornalista Eliane Brum.</strong></em></p>
<p>&#8220;É tão estranho”, ela diz. “Passei a vida inteira batendo ponto, com horário pra tudo. Quando me aposentei, arranquei o relógio do pulso e joguei fora. Finalmente eu seria livre. Aí apareceu essa doença. Quando tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado.”</p>
<p>Ela está intrigada com essa traição da vida. Sua expressão é de perplexidade. Ailce de Oliveira Souza não é uma filósofa, é uma merendeira de escola. Toda sua vida havia sido de uma concretude às vezes brutal. E agora a morte chegava exigindo metáforas. Lá fora faz sol, e os vizinhos vivem na primeira parte do poema de Manuel Bandeira:</p>
<p>&#8220;Quando o enterro passou/Os homens que se achavam no café/Tiraram o chapéu maquinalmente/Saudavam o morto distraídos/Estavam todos voltados para a vida/Absortos na vida/Confiantes na vida. Lá dentro, sentadas uma diante da outra, eu e ela vivemos o segundo ato. Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado/Olhando o esquife longamente/Este sabia quea vida é uma agitação feroz e sem finalidade/Que a vida é traição.&#8221;</p>
<p>Ailce nunca deixou de se sentir traída por “essa doença”, como se expressa na maior parte das vezes, ou “o tumor”. Não pronuncia a palavra câncer. Quando nos conhecemos, em 26 de março, faz quase um ano que sua pele amarelara e ela se enchera de náuseas. Ailce se revolta contra Deus. É dele a traição. Seu câncer é uma pedra no meio do caminho das vias biliares. O tumor obstrui a passagem e, sem ter por onde escoar, a bile é lançada no sangue, e a deixa inteira amarela.</p>
<p>Quando ganha essa cor solar, Ailce ainda não tem 66 anos. E acredita viver o melhor tempo de sua vida. “Sem filhos, sem marido, aposentada, livre”, diz. Ela planeja conhecer as obras de Aleijadinho, nas cidades históricas de Minas Gerais, e a Espanha dos filmes de Sarita Montiel. Quando a paisagem passa veloz pela janela do ônibus, sente que está indo para um lugar que sempre quis, não importa o destino. “Você já reparou como a gente muda quando viaja? Parece que me liberto de tudo.” Ailce anda de ônibus por todo lado, dança em bailes da terceira idade, vive um romance com um homem mais jovem. “Você acredita que, quanto mais eu danço, mais tenho vontade de dançar?” Ela dança sozinha pela liberdade de rodopiar pelo salão sem que ninguém a conduza. Sempre quis conduzir ela mesma sua vida. Escolhe seus passos no salão de baile enquanto suas células a traem no silêncio de seu corpo.</p>
<p>Se câncer é a palavra que não diz, liberdade é a palavra que repete. Ailce está presa, literalmente. Sua vida depende de duas mangueiras fincadas dentro dela. Elas drenam a bile para fora de seu corpo. O líquido amarelo escoa em dois recipientes de plástico que ela carrega numa sacola de supermercado nas andanças dentro de casa, numa bolsa decorada com as princesas da Disney quando passeia. Um dia um segurança olha feio para sua bolsa achando que ela está furtando produtos da prateleira.</p>
<p>E devagar Ailce vai deixando de sair. Desliga a música dentro de casa. E não dança mais. Estar presa a horroriza. Passou a vida esperneando para escapar de uma prisão metafórica. E agora está amarrada não aos fios invisíveis que a ligam às convenções do mundo, como a todos nós, mas às duas mangueiras de material sintético que drenam o rio poluído de seu interior. “A gente não vale nada. Olha o que sai de mim.”</p>
<p>Quando entrou na sala de cirurgia, achava que faria apenas um exame complicado. “Lembro que o médico cantava pra me acalmar. Não lembro a música. Eu dormi com a anestesia e quando voltei estava numa maca, no corredor. Eu sentia um frio muito grande. Tremia. Vi os drenos e descobri que estava presa.” Ela logo descobre que sou um terceiro fio na vida dela. Ela nunca tinha falado muito de si mesma. Desse dreno de palavras ela gosta. “A gente fica guardando coisas por toda a vida. Quando eu falo, parece que elas vão se soltando dentro de mim. Me liberto.”</p>
<p>Ailce é uma mulher comum. Nunca pensou que sua vida dá um romance. Nem mesmo uma reportagem. Ela não alcançou o Pico do Everest, nem desvendou a espiral do DNA ou compôs uma sinfonia. Também não queimou sutiã em praça pública. Ailce viveu. Na narrativa de sua história, ela começa a decifrar pequenas singularidades despercebidas numa existência em que o tempo oi devorado em turnos de trabalho. Ailce percebe que não há como dar sentido à morte, mas ela pode dar sentido à vida. Só assim poderá suportar a superfície fria de um fim que já toca com as mãos. Para viver tão perto da morte, ela precisa adivinhar a tessitura da vida. Do contrário, só lhe restam aquelas mangueiras sintéticas.</p>
<p>Ailce sempre desejou se “libertar” e, como muitos de nós, nunca conseguiu definir muito bem de quê. “Eu gosto de ir pra frente”, diz. Descobre então que terá de enfrentar não a Medicina, mas a Poesia: Temos, todos que vivemos/Uma vida que é vivida/E outra vida que é pensada/E a única vida que temos é essa que é dividida/Entre a verdadeira e a errada.</p>
<p>Intuitivamente ela sabe que sua sanidade depende de enfrentar o caos da vida, mais do que o da morte, que é só um ponto final em geral improvisado. E então, com esforço e não sem sofrimento, ela poderá se reconciliar com os pontos soltos, os padrões interrompidos, as costuras tortas da trama do vivido. Para ela, o mais difícil é aceitar que alguns bordados ficarão por fazer. Ou, pior, serão tecidos sem ela. Ela é a quarta filha de nove, a penúltima com o nome iniciando por “a”. Ailton, Amilton, Adailton, Ailce&#8230;</p>
<p>“Eu sentia falta de espaço, de um canto só meu.” No final de sua vida, ela tem não apenas um canto, mas uma casa só sua. Ampla, dois andares, é a encarnação em concreto de seus esforços. Pela casa ela sacrificou muito. Mas quando adoeceu descobriu que a casa transformara- se numa prisão. Agora quer se libertar da casa. Mas, a cada semana, a cada mês, seu espaço encolhe. Primeiro, o portão da rua marca a fronteira de seu mundo. Depois, a porta da frente. Em seguida, seu território é circunscrito ao 2o andar. E, por fim, tudo o que tem é o quarto. Ailce então fecha a janela na cara do sol e não sai mais da cama.</p>
<p>Nessa época, ela descobre que é possível viver na memória. E refaz o itinerário de sua vida. Ela nascera em São Romão, cidadezinha mineira forjada em histórias de sangue. E sua infância cabia num vão entre a largueza do São Francisco e um riacho de nome Escuro, que banhava a fazenda da família. Crescera cercada de água por todos os lados, mas tinha medo de nadar. Seu pai havia sido capitão de porto, delegado de polícia, juiz de paz. Sua mãe fora uma mulher forte, que fugira do primeiro casamento, aos 13 anos, com a pequena Maria pela mão. Mantinha a casa e os filhos asseados, as toalhas bordadas bem alvas, a cozinha mergulhada numa névoa de vapores perfumados.</p>
<p>Essa memória olfativa feita de temperos, toicinho e doçura engendrada nas panelas da mãe acompanhou Ailce por toda a vida. Perto da morte tornam-se mais vivas. Quando as toxinas liberadas pelo tumor envenenam o corpo, e ela enjoa de tudo, lembra o feijão gordo, o pão de queijo, os biscoitos de polvilho. E sua boca castigada é afagada por uma saliva de infância. Ailce, que já não consegue comer, lambuza-se em banquetes de lembranças.</p>
<p>Mais tarde, 18 quilos mais magra, e já sem forças para andar até o banheiro, ela ainda suspira por uma broa de dona Santa. Ailce deixou a casa dos pais aos 18 anos. Diante de suas ânsias de mulher jovem, a cidade criara paredes. “Eu queria conhecer coisas novas”, diz. “Ser independente.” Escorregou no mapa e desembarcou em Guarulhos, São Paulo, na casa de um irmão. E de novo sentiu-se confinada. Mudara de geografia, mas não de sina, e para ela os 60 não foram anos loucos. Costureira, moça de fábrica, entre linhas, agulhas e bobinas teve as primeiras revelações sobre sexo, quando ao voltar da lua-de-mel uma colega relatou que não só doía como jorrava um líquido branco do membro do homem. Ailce arquivou a informação para não fazer cara de surpresa quando sua hora chegasse.</p>
<p>Nessa época, Ailce se apaixonou por um rapaz de olhos verdes, e ela, que sempre foi muito prática, deu para devaneios. Espremida na cama de armar que dividia com uma amiga, falava de amor e ria à toa. No sábado, anunciava: “Vamos ao baile de vestido novo”. Costurava então uma saia bem rodada para cada uma, orgulhosa da cintura de 54 centímetros. Muito mais tarde, Ailce vai esquecer os fios sintéticos fincados em seu fígado ao lembrar de seu vestido de organza azul. Mas o moço bonito não queria saber de casamento, e Ailce chaveou o coração.</p>
<p>Desde aqueles dias, Ailce jamais deixou de sair de casa impecável. “Ailce vem à consulta muito bonita, cabelos pintados, brincos, salto alto”, escreve a médica Maria Goretti Maciel no prontuário da Enfermaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, em 2 de abril. Mais de uma vez Ailce entra no hospital com as pernas bambas, mas sobre saltos. E, quando ainda não pronuncia a palavra morte, usa a metáfora “cair”. “Eu não aceito cair.”</p>
<p>Aos 23 anos, ela tomou uma decisão pragmática. Casou-se com um operário chamado Jaime, rapaz alinhado que não botava a cabeça fora de casa sem brilhantina, sem um lustro nos sapatos. “Eu queria ter uma casa só minha”, diz Ailce. “Ele era honesto, trabalhador, andava de terno e gravata, tinha uma família boa. Casei.” Ailce não adivinhou que um moço tão distinto teria ganas de beber além da conta. Nem que uma parte do futuro seria gasta nas tribulações de mulher de alcoólatra. No caso dela sina ainda mais triste porque nada tinha da originalidade que planejara para si. Assinou o livro do cartório convencida de que romance era incompatível com a vida adulta. E essa foi sua primeira capitulação diante de seus sonhos.</p>
<p>Esse marido “era da raça de espanhol, tinha sangue quente”. E esse fogo acabou incinerando Ailce, que já casou com o primeiro filho aconchegado numa curva da barriga. Só mais tarde ela soube que havia um nome para o que sentiu quando Marcos nasceu de cesariana. “Eu não queria aquela vida, queria uma vida diferente”, ela diz. “Então rejeitei.” Ailce chorou, envergonhada de seus pensamentos. Só décadas depois, perdoou a si mesma ao descobrir que tivera uma depressão pós-parto, comum a muitas mulheres, e não uma crise existencial em que questionava o que fora feito de suas grandes esperanças.</p>
<p>Quando as primeiras semanas viraram meses, foi tomada por um amor tão grande por aquele filho que, perto do fim, ainda acredita que ninguém cuida tão bem dele quanto ela. Quando a segunda vida pediu passagem dentro dela, Ailce chorou de novo. O marido bebera demais e escalara a cama para deitar-se com ela. Ailce agarrou um cobertor e enrolou-se no chão. Sentia-se presa numa teia que não planejara tecer. “Chorei. Não era essa vida que eu queria pra mim”, diz. “Pensei então que meu bebê poderia ser uma menina e me acalmei.”</p>
<p>Luciane nasceu miúda, alérgica a leite e com o gênio forte das mulheres da família. Menina estranha, desde os 7 anos escondia-se na cama da mãe para não ser assaltada por coisas do outro mundo. Esses dois filhos dão a Ailce as duas pontas com as quais ela amarra o final de sua vida. Marcos, funcionário de escola como ela, cuida das feridas do corpo. Aos 42 anos, é um homem quieto, que tranca as emoções em algum lugar entre o coração e o estômago. Ao entrar numa sala, ocupa um canto. Quando a mãe adoece, ele aprende a fazer os curativos e a limpar os drenos, administra seus remédios e prepara o café-da-manhã. Quando ela se torna mais fraca, passa a lhe dar banho.</p>
<p>“Não fica com vergonha da mãe”, diz Ailce. “A mãe também deu muito banho em você.” É esse filho silencioso, com a coragem de enfrentar a carne da mãe, que transforma o horror da doença num carinho cotidiano. Pelo toque, ele torna possível para Ailce suportar um corpo em que a bile escorre no lado externo. Ao igualar-se a um corpo infantil para vencer a interdição entre mãe e filho, Ailce assinala a perda do feminino nela. “O tumor me tirou tudo. Eu perdi peito, bunda, cintura, tudo”, diz. Ailce agora se preocupa cada vez menos com a nudez de um corpo que a trai de todas as maneiras possíveis. E que parece pertencer somente à doença.</p>
<p>A figura miúda de Luciane está sempre no centro. Como a mãe, ela encontra sentido na ação. Depois de crescida, apaziguou- se com o sobrenatural virando mãe-de-santo no candomblé. Luciane vasculhou a história da família e descobriu que a avó materna era cigana. No Rio de Janeiro, onde vive com o marido, Jorge, faz uma festa anual em homenagem a uma ancestral chamada Carmen que fala espanhol pela sua boca. Ailce aceita o mistério. E ela, que nunca aprendeu espanhol, conversa com a cigana como uma velha amiga.</p>
<p>Luciane dá à mãe essa dimensão mística da vida. Pelas mãos dessa filha ela encontra significados para um estar no mundo que para ela foi sempre tão concreto. Luciane lhe dá uma história que avança além da sua, e lhe dá um lugar nessa história. Perto do fim, sua pequena vida faz sentido numa trama maior. A cada novembro é ela quem acende a fogueira da ancestralidade, vestindo saias coloridas, e sua figura se reveste de uma solenidade que resiste ao comezinho de uma vida de cartão de ponto. Depois, ela rodopia ao som do violino cigano e ali, finalmente, apalpa com os pés no  ar uma liberdade que até então ela só pressentira. E, por ter um passado antes do nascimento, terá um futuro depois da morte.</p>
<p>Do meu lugar de observadora de um quadro familiar, ora na cena, ora fora dela, me pergunto se esses filhos, cada um a seu modo, compreendem o tamanho do que dão à mãe. Ailce precisa do que cada um deles pode dar, até o fim.</p>
<p>Ela só descobriu o tumor quando foi enviada para a Enfermaria de Cuidados Paliativos, depois de enfrentar sete meses de tratamento em outro setor do hospital. Ailce suspeitava do diagnóstico, mas preferia não ter certeza. Na Enfermaria, a verdade a encurrala. “Antes, os médicos falavam lá na língua deles. Eu escutava a palavra tumor, mas não perguntava. No Paliativos, me contaram que eu tinha um tumor num lugar que não podia ser mexido. Fizeram um desenho. Eu pensei que faria quimioterapia e ficaria boa. Então disseram que eu não poderia fazer. Me revoltei. Achei que Deus não existia. Eu sempre quis ir além e agora não posso mais ir a lugar algum.”</p>
<p>Ailce conta – e imediatamente “esquece” o diagnóstico. Nas visitas seguintes, ela me testa: “Acho que não tem nada dentro de mim”. Ela deseja muito que eu confirme seu pensamento mágico. Nessas horas, eu sinto dor na garganta, pelas palavras que não posso pronunciar, mas que gostaria muito de dizer. Incapaz de enfrentar meu silêncio, ela contemporiza. “Ainda bem que eu não tenho dor.” Lourdes, que limpa a casa, cozinha e cuida dela, a socorre: “Você não tem câncer. Eu tinha uma tia com câncer e ela gritava de dor. E tinha um cheiro tão horrível que ninguém chegava perto. Você não tem cheiro nenhum”. São duas mulheres sozinhas na casa – e uma delas tem uma sentença de morte. Elas me observam com o canto do olho, temerosas de que eu desmanche com palavras o frágil equilíbrio de seu milagre.</p>
<p>É início de abril, e Ailce está feliz porque o apetite voltou. É resultado do tratamento paliativo, que ameniza os sintomas. “Repeti o prato na hora do almoço”, anuncia. Ailce mima suas orquídeas, conversa com as plantas, comparece às festas de família, quer comprar roupas novas. Suspira por atos banais, mas que agora se enchem de raridades: um banho de chuveiro sem preocupação com os fios; dormir de bruços, que já não pode mais. Ailce vive dias ensolarados. Está comendo, está curada.</p>
<p>E eu também preciso comer. Ela não permite que eu saia de sua casa sem antes repetir o bolo. Criada no interior, esse é um ritual que compreendo. Só mais tarde percebo que, para Ailce, oferecer comida é a chave de uma vida. Ela tornou-se merendeira de escola depois de passar num concurso público com nota 9,5. Por 27 anos ela alimentou crianças carentes. Na segunda-feira, acolhia- as com uma caneca de leite, para que tivessem forças de entrar na sala de aula. Era dela a missão de mantê-las vivas, era ela quem operava o milagre de fazer crianças quase desmaiadas correr pelo pátio. Ailce adorava isso. Seu pai queria pagar seus estudos de professora, ela não quis. Queria ser enfermeira, não conseguiu. Encher a barriga de crianças famintas emprestava grandeza a sua vida. “Nunca cheguei atrasada, trabalhava doente porque precisavam de mim. Eu fazia sopa, leite com cacau, sagu. Às vezes, fazia seis caldeirões de 40 litros. E as crianças comiam tudo, com tanto gosto. Ficavam sábado e domingo sem se alimentar e na segunda-feira muitas desmaiavam. Eu não podia fazer nada fora da escola, mas dentro elas comiam à vontade.”</p>
<p>Antes de ser enviada para a Enfermaria de Cuidados Paliativos, um médico, sem coragem de contar a ela a verdade, lhe disse: “Você precisa comer bastante para ganhar peso. Então, quando estiver mais forte, vamos operá-la”. Ele não sabe o que fez. Comer, ficar forte e melhorar é o mantra de Ailce. Entre um médico que lhe acenou com a possibilidade de cura e todos os outros que só têm a verdade para dar, é óbvio que ela acredita no primeiro.</p>
<p>Em meados de maio, Ailce piora. Os enjôos retornam, a comida não passa na garganta. A equipe de visita domiciliar do Serviço de Cuidados Paliativos é cada vez mais assídua. Desentope os drenos, faz curativos, resolve o que é possível para que Ailce não gaste seus dias no hospital. Os medicamentos são substituídos em consultasambulatoriais, mas ela está numa fase crítica.</p>
<p>O desespero por não conseguir comer a consome, pede às médicas que lhe dêem remédio “para abrir o apetite”. Mas nenhuma comida é preparada do jeito que ela instruiu, não há tempero que não se torne amargo em sua boca. Culpa então a mulher que ocupa seu lugar na cozinha por não conseguir fazer por ela o que passou a vida fazendo pelas crianças desmaiadas. Na intimidade da casa é um tempo de grandes dramas para as duas mulheres. Ailce está num lugar insuportável: ela, que sempre alimentou a todos, morrerá porque não consegue comer.</p>
<p>Ailce mede 1,40 metro, mas briga como se tivesse tamanho de jogadora de vôlei. Em junho, é difícil para ela botar uma perna na frente da outra. Mas caminha. Tremendo, cheia de fúria. “Tira a mão do meu braço que eu ando sozinha”, diz. “Mas a senhora cai”, preocupa-se a filha. “Não caio.” A filha tenta lhe dar café. Ela fecha a boca. “Eu mesma tenho de tomar.” Derruba, mas é ela quem segura a xícara. Pergunto porque isso é tão importante. “Eu tenho de ser eu”, diz ela.</p>
<p>Nessa época, Ailce beira o impossível: tinha “esquecido” a doença, mas a doença não a esquecera. Culpa os médicos porque não vê “progresso”. A família cogita consultar outros profissionais. Em seguida, desiste. Teme o que ouvirá no final da consulta. Então a tempestade chegou. Na manhã de 19 de junho, depois de uma noite de sonhos desencontrados, Ailce anuncia que quer morrer. Não acredito que queira. O que está dizendo, pelo avesso, é que quer viver. Do jeito dela, pede ajuda. Nos encontramos na lanchonete do hospital. Ela tem os olhos cheios de lágrimas, as mãos tremem. Duas desconhecidas lhe falam de Deus. Invocam o “deus do impossível”.</p>
<p>À espera da consulta no ambulatório, Ailce revolta-se: “Quero uma definição. Não vejo melhora. Por que não amarram isso dentro de mim?”. Ailce não só esquecera o que os médicos lhe explicaram muito tempo antes, como esquecera também o que havia contado a mim menos de dois meses atrás. Pela primeira vez, interfiro: “Fale tudo o que está sentindo nessa consulta. Tire todas as suas dúvidas”.</p>
<p>“A história que você está escrevendo sobre mim está chegando ao fim?” A médica abraça Ailce com carinho. O sol atravessa a janela e bate diretamente nas duas mulheres sentadas uma diante da outra, iluminadas como num palco. Ailce começa: “Eu não sei o que eu tenho”. Goretti Maciel responde: “Você não lembra a nossa primeira conversa?”. Ailce não lembra. “Eu lhe contei que tinha uma pedra no meio do caminho.” Ailce ouve a explicação de novo – e de novo seus olhos acompanham a mão da médica riscando no papel a arquitetura da morte dentro dela. Ela diz: “Mas não dá para pular aqui por cima e juntar aqui?”. Goretti diz: “Infelizmente não dá para fazer um viaduto”. Dessa vez, Ailce não recua: “Então não tem cura? Então isso vai até quando&#8230;”. E interrompe a frase.</p>
<p>Toca o celular da médica. A música é a trilha do filme Missão: Impossível. Ela desliga. “Paliativo vem de palium, que quer dizer manto”, diz a médica. “É o que a gente faz aqui: jogamos um manto sobre a doença. O tumor vai lançando toxinas pelo corpo e isso provoca sintomas. Os medicamentos disfarçam os sintomas. Mas um dia não vamos mais conseguir amenizá-los. Quando esse dia chegar, meu compromisso é que a gente nunca vai abandoná-la. Vamos cuidar de você até o fim.”</p>
<p>Ailce deixa o consultório ereta, os olhos secos. Está de salto alto. Dessa vez, se apóia no meu braço. Mas ainda é ela: “Será que se eu engordasse um pouco não daria para fazer cirurgia?”. Desta vez, me sinto autorizada a falar: “Ouvi tudo o que a médica disse. Não importa se a senhora está gorda ou magra. Não é culpa sua. O tumor é que está num lugar do qual não pode ser retirado”. Ela então me olha com a esquina do olho e diz: “Acho que já tinham me contado. Mas não dá pra lembrar de tudo”.</p>
<p>Em julho, Ailce não sai mais da cama, nem mesmo abre a janela. Mergulhada numa escuridão que não depende da rotação do planeta, ela prefere deixar o sol do lado de fora. Usa fraldas porque não alcança o banheiro, tem frio mesmo quando faz calor. Mas ainda conta histórias e não me deixa sair de sua casa sem repetir o bolo.</p>
<p>Na segunda-feira 14 de julho, seu quarto tem cheiro de morte. E seu corpo parece menor sobre a cama. “Meu tempo está acabando”, ela diz. E eu sei que é verdade porque ela parou de brigar. A revolta se extingue dentro dela, a voz se suaviza. Quando ela toma água, ainda segurando o copo, o gosto é amargo. Ela sempre temera a dor, e a dor havia chegado. “Estou ferida por dentro. Sinto cheiro de podre.”</p>
<p>Ailce descreve todas as mortes da família. Do pai, que morreu em casa, da mãe, no hospital, do marido, de doença de Chagas, do irmão, num acidente. Depois desse inventário do fim, ela conclui: “Agora sou eu que estou no finzinho”.</p>
<p>À noite, a dor aumenta. Ailce pede à filha que chame o Preto Velho. Quando a entidade que assume muitos nomes nas religiões afrobrasileiras se manifesta, pela boca de Luciane, Ailce pede: “Me leva. Nada mais me prende neste mundo”. O Preto Velho brinca com ela. “Não é tão fácil assim, minha filha. No céu tem fila. Vou ver se consigo uma vaguinha para você cuidar das crianças.” Nesse contrato místico, PretoVelho promete a Ailce que a levará ainda naquela semana.</p>
<p>Pensei muito em como descrever essa noite. Cheguei à conclusão que a morte é dela. Ailce tem uma fé bem ecumênica. Desde que adoecera, ela nunca recusou ajuda espiritual. Toda semana recebia hóstia de voluntárias católicas, e sempre abriu a porta para padre e pastor. Mas é quem ela chama de Preto Velho que a conforta na noite mais longa de sua vida. “Eu vou, mas volto”, diz. “Vou segurar sua mão e preparar um caminho de lírios pra você passar. Nós estamos velhinhos. Empresto minha bengala e meu banquinho. Quando eu cansar, você levanta e eu sento. Quando você cansar, eu levanto e você senta. Seu corpo está doente, sua alma está limpa. Você é uma flor.”</p>
<p>Na manhã seguinte, Ailce despede-se de sua casa. Desce a escada carregada, seus pés estão descalços e não mais encostam no chão. Lourdes soluça. E promete fechar bem a porta. A papagaia já não come. E o cachorro Dunga, chorando, se esconde dentro da casinha. Na despedida da mulher que a habitava, a casa parece agonizar.</p>
<p>No hospital, Ailce me pede que arranque suas meias do pé. “Não gosto de me sentir presa”, afirma. Ela está morrendo e suas unhas estão pintadas de cor-de-rosa. Pergunta: “A história que você está escrevendo sobre mim está chegando ao fim?”. Eu me acovardo: “Não sei”. Seus olhos amarelos me perfuram. “Não sabe?” Eu minto: “Acho que não falta mais nada”. Ambas sabemos que falta a morte. Eu preciso dizer: “E é uma vida bonita”. Ela pede confirmação: “Você acha?”. Eu asseguro: “A senhora brigou pelo que queria, criou seus filhos, construiu sua casa, matou a fome de tantas crianças. A senhora viveu”. Ela conclui: “E nunca pedi nada para ninguém”.</p>
<p>Os remédios fazem efeito e ela escorrega para um sono tranqüilo. A médica Veruska Hatanaka esforça-se para que ela não sinta dor, mas que consiga se despedir. É uma arquitetura química delicada. Luciane tem 40 graus de febre, Marcos traz a mulher para se reconciliar com a sogra. Ailce pergunta pelo único neto, Ramom. Às vezes, acorda para pedir água e faz questão de segurar o copo. “A água está mais doce agora”, diz. Ailce já não come. E isso não mais a machuca. Mas, ao abrir os olhos, tarde da noite, ela pergunta se eu comi.</p>
<p>Na quarta e na quinta-feira, Ailce quase só dorme. Ao redor dela se alternam os irmãos, os vizinhos, os amigos. Eles contam histórias da vida dela. Seu irmão caçula coloca uma mão grande sobre seu rosto e chora: “Eu te amo muito. Você quer que eu traga um café para você?”. Ela abre os olhos, balbucia: “Eu também te amo”. E volta a dormir. “A gente dormia na mesma cama de armar, na cozinha”, conta uma amiga. “Eu namorava um rapaz que era a cara do Elvis Presley e ela namorava o Maurício, um loiro de olhos claros.” Ri e chora. “Meu pai era muito apaixonado por ela”, diz Luciane.</p>
<p>Uma fotografia desse momento mostra Ailce na cama e a família ao redor. Há um movimento em cada um deles, nela nenhum. Eles falam dela, mas ela não está lá. Ailce se retira do palco, e a vida de todos seguirá sem ela. Fragmentos de sua vida esvoaçam a seu redor em forma de lembranças enquanto ela morre. Mas Ailce ainda escuta. Abre os olhos sempre que alguém pronuncia o nome do neto. E, quando ficamos sozinhas, eu digo: “Muito obrigada por ter me contado sua história. Eu vou escrever uma história linda sobre sua vida. E nunca vou me esquecer de você”. Percebo então que ninguém confiara tanto em mim. Muitas vezes eu fui a única testemunha de sua vida. Eu escreveria sua história, e ela estaria morta.</p>
<p>Na sexta-feira 18 de julho, Ailce desperta depois do banho. Está inquieta. É difícil entender o que diz. Pede água, mas agora é preciso umedecer um pedaço de gaze e colocar entre seus lábios. Já não há movimento nos drenos, seu corpo está parando de funcionar. Ailce se contorce, começa a arrancar a roupa. Fica nua. No final da manhã, a médica Juliana Barros a liberta dos fios sintéticos de sua vida, agora inúteis. Ailce finalmente está livre.</p>
<p>Quando os filhos chegam, Ailce os reconhece. Ela esperava por eles. Então volta a dormir. Às 15h50 ela abre os olhos de repente. Está lúcida. Enquanto seus olhos erram pelo quarto, Luciane diz: “Vamos dançar, mãe. Vamos botar nossa roupa pra gente dançar. A senhora está linda vestida de cigana. Já curou, mãe. Não tenha medo, eu estou segurando a sua mão. Vou lhe ajudar a atravessar. Está todo mundo esperando pela senhora. Eu te amo tanto, mãe. Muito obrigada por tudo”.</p>
<p>A filha desenha com pétalas brancas o contorno do corpo da mãe. O olhar de Ailce é de infinita tristeza. Seus olhos vagam pelo quarto e se cravam na câmera. E sua respiração apaga devagar.</p>
<p><strong>Jornalista Eliane Brum</strong></p>
<p><strong>Revista Época</strong>, <strong>18 de agosto de 2008</strong>
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		<title>O futuro com dependência</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Nov 2011 12:05:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidados Paliativos]]></category>
		<category><![CDATA[Gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[aposentadoria]]></category>
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		<description><![CDATA[Você certamente planejou a sua aposentadoria e o que fará quando parar de trabalhar. Mas... Você já pensou no que vai fazer quando ficar bem idoso? Quando as pernas realmente falharem, os olhos ficarem fracos e os ouvidos não puderem mais ouvir conversas banais na sala de jantar?]]></description>
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<div id="attachment_7630" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-7630" title="O futuro com dependência" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2011/11/O-futuro-com-dependência.jpg" alt="O futuro com dependência O futuro com dependência" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">O futuro com dependência</p></div>
<p>Você certamente planejou a sua aposentadoria e o que fará quando parar de trabalhar. Mas&#8230; Você já pensou no que vai fazer quando ficar bem idoso? Quando as pernas realmente falharem, os olhos ficarem fracos e os ouvidos não puderem mais ouvir conversas banais na sala de jantar?</p>
<p>Não existe outra alternativa para não morrer, somente o envelhecimento. É fato que, cada vez mais, temos uma grande parte da população brasileira que está envelhecendo ativamente, muito independente e com autonomia completa. Não precisam dos filhos e da família para nada. Como se fossem jovens. E nessa definição de liberdade e independência, muitos idosos de hoje são jovens!</p>
<p>Mas, um dia&#8230; A idade muito avançada &#8211; 85, 90, 95 anos &#8211; vai chegar e, com ela, alguma doença mais incapacitante e a dependência. É inevitável. Já pensou? Digo mais, já planejou sua dependência? Não me olhe com essa cara de espanto! Da mesma maneira que a morte (essa, não planejamos), um dia a dependência virá.</p>
<p>Para os estudiosos da gerontologia e para a geriatria, dependência significa aquilo que você já sabe: não sou mais capaz de tocar minha vida sozinho, preciso de outras pessoas para me auxiliar nas coisas mais corriqueiras do dia-a-dia. Alguém me levará ao banheiro, alguém trocará a minha roupa, alguém fará a minha comida, alguém me dará banho. Tenho algumas doenças e condições que me impede de fazer tudo isso sozinho.</p>
<p>Percebo que os pontos cruciais nessa questão são: quem serão as pessoas que me auxiliarão? Eu poderei escolher quem será o meu cuidador ou a minha cuidadora? Essa pessoa ou essas pessoas respeitarão as minhas vontades e os meus desejos? Estarei consciente e preparado para aceitar auxílio, ajuda e amparo? Saberei a hora de aceitar a minha dependência e deixar que pessoas me ajudem? Com sabedoria e humildade, saberei pedir que me auxiliem?</p>
<p>O título desse artigo fala em futuro e dependência. Dá para planejar a nossa dependência? Em parte, sim. Explico melhor: posso escolher como quero serei cuidado. A seguir, escreverei algumas perguntas que poderão ajudar você, leitor, a planejar seu futuro com dependência. Ampliando mais nosso alcance, mostrar também para nossos pais saudáveis e nossos idosos cheios de vida esses questionamentos reais. Deles dependerá a qualidade de nossa vida com dependência e fragilidade.</p>
<ul>
<li>Eu quero saber a verdade se tiver uma doença grave, incapacitante e que trará risco de morte?</li>
<li>Será minha escolha, junto com meu médico, qual o tratamento que me submeterei, em caso de doença grave e incapacitante (Alzheimer, câncer, Parkinson, derrame cerebral, etc.)</li>
<li>Eu quero que os médicos e minha família tentem de todas as formas possíveis me manter vivo, mesmo em condições de saúde extremamente precárias, com manobras de reanimação cardíaca e me mantendo indefinidamente em UTI?</li>
<li>Quem cuidará de mim, quando eu ficar dependente? Reformulando essa pergunta: quem eu escolheria para cuidar de mim?</li>
<li>Quem será responsável pelos meus interesses patrimoniais e financeiros? Com quem eu poderei contar para receber a minha pensão ou aposentadoria e pagar minhas contas?</li>
<li>Se eu não for mais capaz de gerir bens e pessoas, devido a doenças que possam afetar minha memória e juízo, que eu gostaria que fosse o meu representante, o meu curador?</li>
<li>Onde escolherei morar, quando ficar dependente e incapaz: na minha própria casa, na casa de algum filho ou em uma instituição de longa permanência (casa de repouso)?</li>
<li>Quem, de maneira nenhuma, eu não gostaria que cuidasse de mim, não tomasse conta de meus interesses financeiros e nem decidisse por mim?</li>
</ul>
<p>Esse tipo de planejamento chama-se Diretivas Pessoais de Dependência. No Brasil, ainda não existe um suporte jurídico legal para tal ação, mas alguns idosos já se preocupam com essas questões e demonstram suas escolhas por escrito, em cartório e com familiares, amigos e advogado cientes. Como se fosse um testamento de vida.</p>
<p>Já parou para pensar nessa questão &#8211; O FUTURO COM DEPENDÊNCIA?
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		<title>Câncer de pele</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 02:01:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial Cuidar de Idosos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dos tumores existentes, o câncer da pele é o mais freqüente. Muitos deles poderiam ser evitados se medidas de prevenção fossem aplicadas em tempo apropriado, permitindo assim sua cura. Existem três tipos de câncer de pele: carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma.]]></description>
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<p><span style="font-size: 13px; font-weight: normal;"> </span></p>
<p style="font-size: 13px; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<div id="attachment_6695" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><a href="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/12/Câncer-de-pele.jpg"><img class="size-full wp-image-6695" title="Câncer de pele" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/12/Câncer-de-pele.jpg" alt="Câncer de pele Câncer de pele" width="293" height="211" /></a><p class="wp-caption-text">Câncer de pele</p></div>
<p>Dos tumores existentes, o câncer da pele é o mais freqüente. Muitos deles poderiam ser evitados se medidas de prevenção fossem aplicadas em tempo apropriado, permitindo assim sua cura. Existem três tipos de câncer de pele: carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma.</p>
<p style="font-size: 13px; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span><span style="font-weight: normal;">Qualquer pessoa pode ter câncer da pele, principalmente as de pele, olhos e cabelos claros, que sempre se queimam e nunca se bronzeiam. Além desses, ruivos e portadores de “sardas”, pessoas que se expõem ao sol por muito tempo ou os que possuem história familiar de tumor na pele também estão no grupo de risco. </span></p>
<p style="font-size: 13px; text-align: justify;"><strong>Como reconhecer os sinais precoces</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="font-weight: normal;"><span style="font-size: small;">Um crescimento na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida.</span></span></li>
<li><span style="font-weight: normal;"><span style="font-size: small;">Uma “pinta” preta ou acastanhada que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas suas bordas e cresce de tamanho.</span></span></li>
<li><span style="font-weight: normal;"><span style="font-size: small;">Uma “mancha” ou ferida que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.</span></span></li>
</ul>
<p style="font-size: 13px; text-align: justify;"><strong>O que causa</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer da pele. Ela se encontra nos raios solares e nas cabines de bronzeamento artificial.</li>
<li>A exposição excessiva e prolongada ao sol contribui não só para o risco no desenvolvimento do câncer como também no envelhecimento precoce da pele.</li>
<li>É importante lembrar que o efeito da radiação ultravioleta é cumulativo, ou seja, mesmo depois de parar de se expor ao sol, as alterações da pele podem se manifestar anos depois.</li>
<li>Além da radiação solar outros fatores como raios X e certas substâncias químicas podem levar ao câncer da pele.</li>
</ul>
<p style="font-size: 13px; text-align: justify;"><strong>Como prevenir</strong></p>
<ul style="font-weight: normal; font-size: 13px; text-align: justify;">
<li>Examinando sua pele regularmente e reconhecendo os sinais precoces de tumor.</li>
<li>Protegendo-se dos raios solares através do uso de roupas e/ou filtros solares adequados. Não se esqueça que a radiação solar é mais intensa entre 10 horas da manhã e 3 horas da tarde”.</li>
<li>Não aconselhamos o uso do bronzeamento artificial.</li>
</ul>
<p style="font-weight: normal; font-size: 13px; text-align: justify;">Extraído de: http://www.sbd.org.br/doenca/cancerpele.aspx</p>
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		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 03:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>
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		<category><![CDATA[Gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[finitude]]></category>
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		<description><![CDATA[Desde tempos imemoriais, a espécie humana busca uma resposta para o mistério da morte. Para os que procuram entender a morte, ela é uma força altamente criativa. Os grandes valores da vida, muitas vezes, originam-se da reflexão sobre a morte. A meta da maioria dos filósofos tem sido a de elucidar o seu significado. Um [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_5860" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-5860" title="Somos todos (in)finitos!" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/02/Somos-todos-infinitos.jpg" alt="Somos todos infinitos Somos todos (in)finitos!" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Somos todos (in)finitos!</p></div>
<p>Desde tempos imemoriais, a espécie humana busca uma resposta para o mistério da morte. Para os que procuram entender a morte, ela é uma força altamente criativa. Os grandes valores da vida, muitas vezes, originam-se da reflexão sobre a morte. A meta da maioria dos filósofos tem sido a de elucidar o seu significado. Um dos maiores filósofos de todos os tempos, Sócrates entendia que filosofar era estudar sobre a morte. Thomas Mann, grade escritor alemão, dizia que sem a morte haveria poucos poetas na terra. e a precursora da tanatologia moderna, Dra Elizabeth Klubber-Ross afirmava que &#8220;a chave para o problema da morte abre a porta da vida!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo aceitando a morte como parte integrante da vida, é difícil morrer e o será sempre, porque isto significaria renunciar a vida. A idéia de morte nos traz permanentemente a consciência de nossa vulnerabilidade e de que nenhum avanço tecnológico nos permitirá dela escapar.</p>
<p style="text-align: justify;">O modo de vida e a cultura de consumo deste início de século vinte e um são ricos em exemplos de busca da juventude eterna, do ideal de força e de beleza, da busca de riqueza e da impossível imortalidade. Repele-se o que é fraco, pobre, feio e velho. Repele-se, afinal, o fracasso, a perda e a morte. As prisões estão cheias de pobres, quase não há ricos. Cada vez enche-se mais de velhos nos asilos. As propagandas de televisão e revistas são feitas com modelos jovens, que aparentam riqueza e são muito bonitos. Para a mídia, o idoso chega a personificar o lado ruim da vida, a aproximação da morte. Em muitas ilustrações, mostra-se a morte como um velhinho encurvado, roupas sujas e rasgadas, barbas brancas e ralas, face de dor e sofrimento, apoiado por uma bengala!</p>
<p style="text-align: justify;">Quando temos ainda toda a vida pela frente, criar filhos, trabalhar e sonhar com novos projetos, a morte nunca é pensada e aceita. Ela é uma intrusa. A doença, o imprevisto, os acidentes quando aparecem, coloca-nos frente a frente com a morte. Como nunca a encaramos devidamente, gera em nós muita ansiedade, muita revolta e muita angústia. Assim, lutamos para viver intensamente, como se isto nos afastasse ainda mais da morte.</p>
<p style="text-align: justify;">A reflexão sobre a morte, sobre a nossa própria morte e de nossos familiares e amigos pode demonstrar que temos uma boa noção de realidade e de que somos finitos. Com isto, poderemos conviver e aceitar melhor as perdas que a vida irá nos infligir. Como dizem os psicólogos, refletir sobre a morte, procurando entendê-la e aceitá-la, faz bem para nossa saúde mental. Não é errado chorar uma perda, ficar por algum tempo deprimido e triste pelo falecimento de uma pessoa querida. O luto também faz parte de nossas vidas. No início, custamos a acreditar que a vida desta pessoa possa ter acabado, sentimos um vazio muito grande, uma tristeza muito grande, achamos que nunca mais iremos recuperar. Porém, o tempo será um grande amigo e conselheiro, e nossas feridas, aos poucos, irão cicatrizando. Nossa tristeza profunda tornará uma lembrança mais amena e menos sofrida, de uma pessoa que amamos e que, de alguma forma, ainda está conosco.</p>
<p style="text-align: justify;">O apego excessivo à vida e a negação da morte deixam o homem solitário e desprotegido diante de sua ilusória fantasia de poder, que sucumbe, perante  o irracional da sua finitude. A desvalorização do mito da morte, fruto de uma cultura moderna e sem símbolos, baseada na razão e na tecnologia, deixa o homem atual distanciado do confronto da morte e de outros símbolos de transformação e de vida!</p>
<p style="text-align: justify;">A medicina, atualmente, tem a morte como a grande inimiga e seus profissionais, apesar de começar seus estudos sobre cadáveres, não estão preparados para o confronto inevitável com a morte. A medicina, que tem como função a luta contra a morte, parece não suportar a possibilidade de perder esse embate, criando negações, prolongando a vida de maneira desnecessária e artificial nos centros de terapia intensiva, de modo frio, longe do convívio afetuoso da família.</p>
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		<title>Morte: como ajudar a consolar</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 12:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante o processo dos cuidados de idosos em fases terminais, muitas vezes os profissionais de saúde têm uma intima ligação não só com o idoso, mas também com a sua família, seja em casa, no hospital ou na instituição de longa permanência. Vivencia-se a passagem do idoso e o ajuda nos últimos momentos de sua vida, evitando sofrimento e dores, bem como não buscando o que chamamos de futilidade terapêutica (não deixar morrer à todo custo).]]></description>
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<div id="attachment_5075" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-5075" title="Morte: como ajudar a consolar" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/03/Idoso-bengala.jpg" alt="Idoso bengala Morte: como ajudar a consolar" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Morte: como ajudar a consolar</p></div>
<p>Durante o processo dos cuidados de idosos em fases terminais, muitas vezes os profissionais de saúde têm uma intima ligação não só com o idoso, mas também com a sua família, seja em casa, no hospital ou na instituição de longa permanência. Vivencia-se a passagem do idoso e o ajuda nos últimos momentos de sua vida, evitando sofrimento e dores, bem como não buscando o que chamamos de futilidade terapêutica (não deixar morrer à todo custo). A família apega-se ao profissional de saúde, pelo trabalho, pela humanidade e pelo carinho que devota ao seu idoso enfermo. Cria-se, muitas vezes, laços afetivos e de respeito, que perduram por anos</p>
<p>É muito comum que, após a morte do idoso, ocorra, por parte dos familiares, um retorno ao profissional de saúde (o médico, a enfermeira, o cuidador profissional, etc. ), para conversar, relembrar ou somente agradecer. Ali encontramos a família triste e enlutada, vivenciando a dor de uma grande perda e que, muitas vezes, quer externá-la. Vêm as lágrimas e, como interlocutores, ficamos sem ação, sentindo até um certo desconforto pela situação.</p>
<p>Porém, umas das coisas mais importantes que podemos fazer por alguém que sofre uma grande perda é ESCUTAR! Embora se ache que escutar alguém seja uma coisa relativamente fácil de se fazer, prestar atenção e ajudar, nesse caso, pode tornar-se muito difícil. Escutar ativamente é uma forma especial de responder, através da qual quem ajuda transmite a sua compreensão das idéias e sentimentos que estão sendo expostos. Escutar o outro e entender o que o outro diz, sob o ´ponto de vista dele! Compreender bem o que o outro lhe diz. E isto, muitas vezes, não se demonstra com a sua fala e com o seu ponto de vista sobre o assunto. Somente um aceno de cabeça, um sinal de assentimento, uma resposta não-verbal, é o que basta.<br />
<strong> Pode ser que você não esteja escutando se:</strong><br />
	diz que o compreende, quando não teve experiência similar.<br />
	tem uma resposta para o problema dele, antes que ele tenha terminado de falar, terminando até a frase por ele.<br />
	interrompa-o a todo momento.<br />
	conta a sua experiência e faz parecer a dele irrelevante.<br />
	falar com outras pessoas ao mesmo tempo.<br />
	rejeita o agradecimento, demonstrando que não fez nada, não ajudou em nada.</p>
<p><strong>Ao contrário, você realmente esteja escutando quando:</strong><br />
	tenta realmente compreendê-lo, ainda que o que ele diga não faça muito sentido.<br />
	Entende o ponto de vista do outro, ainda que seja contrários Às suas convicções pessoais.<br />
	percebe que o tempo que passou com ele deixou-o um pouco cansado e desgastado.<br />
	concede-lhe a dignidade de tomar as próprias decisões, embora talvez não lhe pareçam as mais corretas.<br />
	não pega os problemas dele para si, mas sim o ajuda a lidar com as dificuldades à maneira dele.<br />
	reprima a tentação de lhe dar um bom conselho.<br />
	não oferece um consolo religioso, quando percebe que ele ainda não está pronto para recebê-lo</p>
<p><strong> Márcio Borges &#8211; Editor de Conteúdo</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/Neg1hINyIgk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Neg1hINyIgk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/Neg1hINyIgk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/Neg1hINyIgk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6"></embed></object>
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		<title>O câncer de próstata</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 12:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
		<category><![CDATA[cuidador de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[idoso]]></category>
		<category><![CDATA[metástase]]></category>
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		<description><![CDATA[O câncer de próstata é o câncer que cresce na próstata. A próstata é uma pequena estrutura, do tamanho de uma noz, que faz parte do sistema reprodutor do homem. Ela envolve a uretra, o tubo que transporta a urina para fora do corpo.

A causa do câncer de próstata é desconhecida. Alguns estudos têm demonstrado uma relação entre a ingestão de gordura e aumento dos níveis de testosterona.
Não há associação conhecida com a hiperplasia benigna da próstata (HBP).]]></description>
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<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_5141" class="wp-caption alignnone" style="width: 303px"><img class="size-full wp-image-5141" title="Câncer de próstata" src="http://www.cuidardeidosos.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/04/Câncer-de-próstata.jpg" alt="Câncer de próstata O câncer de próstata" width="293" height="211" /><p class="wp-caption-text">Câncer de próstata</p></div>
<p>O câncer de próstata é o câncer que cresce na próstata. A próstata é uma pequena estrutura, do tamanho de uma noz, que faz parte do sistema reprodutor do homem. Ela envolve a uretra, o tubo que transporta a urina para fora do corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">A causa do câncer de próstata é desconhecida. Alguns estudos têm demonstrado uma relação entre a ingestão de gordura e aumento dos níveis de testosterona.<br />
Não há associação conhecida com a hiperplasia benigna da próstata (HBP).</p>
<p style="text-align: justify;">O câncer de próstata é a terceira causa mais comum de morte por câncer em homens de todas as idades e é a causa mais comum de morte por câncer em idosos com mais de 75 anos. O câncer de próstata raramente é encontrado em homens com menos de 40.</p>
<p style="text-align: justify;">Os homens com maior risco incluem negros e os latinos com mais de 60 anos, os agricultores, trabalhadores em fábricas de penus, pintores e homens expostos ao cádmio. O menor número de casos ocorre em homens japoneses e aqueles que não comem carne (vegetarianos).</p>
<p style="text-align: justify;">Câncer da próstata é classificado de acordo com o tamanho do tumor e pelo surgimento de células tumorais fora da próstata. Isso é chamado de estadiamento. Identificar o estágio correto pode ajudar o médico a determinar qual tratamento é melhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Sintomas</strong><br />
Com o advento dos testes de PSA, a maioria dos cânceres de próstata é encontrado antes que causem sintomas. Além disso, embora a maioria dos sintomas &#8211; listados abaixo &#8211; possa ser associado com câncer de próstata, eles são mais propensos a ser associada com condições não-cancerosas:<br />
•	Dificuldade de urinar (atraso ou retardo no início do fluxo urinário)<br />
•	Urina pingando, especialmente logo depois de urinar<br />
•	A retenção urinária<br />
•	Dor ao urinar<br />
•	Dor na ejaculação<br />
•	dor nas costas, na região lombar<br />
•	Dor com o movimento do intestino</p>
<p style="text-align: justify;">Outros sintomas que podem estar associados a esta doença:<br />
•	Micção excessiva à noite<br />
•	Incontinência<br />
•	Dor óssea ou sensibilidade<br />
•	Hematúria (sangue na urina)<br />
•	A dor abdominal<br />
•	Anemia<br />
•	Perda involuntária de peso<br />
•	Letargia</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Avaliação clínica e exames</strong><br />
Um exame retal geralmente revela um aumento da próstata com uma superfície dura e irregular. Uma série de exames podem ser feitos para confirmar o diagnóstico de câncer de próstata.<br />
•	Teste de PSA pode ser elevado, embora o crescimento não-cancerígeno da próstata também pode aumentar os níveis de PSA.<br />
•	PSA livre pode ajudar a perceber a diferença entre HBP e cancro da próstata.<br />
•	Exame de urina (EAS) pode apresentar sangue na urina.<br />
•	Urina ou citologia do líquido prostático pode revelar células incomuns.<br />
•	A biópsia da dróstata confirma o diagnóstico.<br />
•	A tomografia computadorizada pode ser feito para ver se o câncer se espalhou.<br />
•	Uma cintilografia óssea pode ser feito para ver se o câncer se espalhou.<br />
•	A radiografia de tórax pode ser feito para ver se o câncer se espalhou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tratamento</strong><br />
O tratamento adequado do câncer de próstata é muitas vezes controverso. As opções de tratamento variam de acordo com o estágio do tumor. Nas fases iniciais, converse com seu médico sobre diversas opções, incluindo cirurgia, radioterapia ou, em pacientes mais velhos, o acompanhamento do câncer sem tratamento ativo.</p>
<p style="text-align: justify;">O câncer de próstata que se espalhou pode ser tratada com medicamentos para reduzir os níveis de testosterona, com cirurgia para remover os testículos ou com a quimioterapia.</p>
<p style="text-align: justify;">Cirurgia, radioterapia e terapia hormonal pode interferir no desejo sexual ou no desempenho do idoso, de forma temporária ou permanente. Discuta suas preocupações com o seu médico.</p>
<p style="text-align: justify;">Cirurgia<br />
A cirurgia é geralmente recomendado somente após uma avaliação minuciosa e discussão de todas as opções de tratamento. O idoso que fizer a cirurgia deve estar ciente dos riscos e benefícios do procedimento.</p>
<p style="text-align: justify;">•	Remoção da próstata (prostatectomia radical) é freqüentemente recomendada para o tratamento da fase A e B de câncer de próstata. Este é um processo longo, geralmente feito com anestesia geral ou espinhal. Um corte cirúrgico é feito através do abdômen ou na área perineal. O idoso poderá  permanecer no hospital por 5 &#8211; 7 dias. As possíveis complicações incluem impotência e incontinência urinária. Esta cirurgia deve ser feito por um urologista com vasta experiência fazendo este procedimento específico.</p>
<p style="text-align: justify;">•	Orquiectomia ou retirada dos testículos altera a produção hormonal e pode ser recomendado para o câncer metastático. Pode haver alguns hematomas e inchaço inicialmente após a cirurgia, mas isso poderá gradualmente reduzir. A perda de produção de testosterona pode levar a problemas com a função sexual, osteoporose (fragilidade dos ossos), e a perda de massa muscular.</p>
<p style="text-align: justify;">Radioterapia<br />
A radioterapia é usada principalmente no tratamento de cancer da próstata classificada como as fases A, B ou C. Em pacientes cuja saúde faz com que o risco da cirurgia seja inaceitavelmente elevado, a radioterapia é muitas vezes a alternativa preferida.</p>
<p style="text-align: justify;">Medicamentos<br />
Medicamentos podem ser usados para ajustar os níveis de testosterona. Isso é chamado de manipulação hormonal. Desde que os tumores de próstata requerem testosterona para crescer, reduzir o nível de testosterona, muitas vezes, funciona muito bem em impedir o crescimento e a propagação do cancer. Manipulação hormonal é utilizada principalmente para aliviar os sintomas em homens cujo câncer se espalhou. Manipulação hormonal também pode ser feito através da remoção cirúrgica dos testículos.</p>
<p style="text-align: justify;">Drogas como Zoladex também estão sendo usados para tratar o câncer de próstata avançado. Estes medicamentos bloqueiam a produção de testosterona. O procedimento é muitas vezes chamado castração química, porque não tem o mesmo resultado que a remoção cirúrgica dos testículos. No entanto, é reversível, diferentemente da cirurgia. A droga deve ser administrada por injeção, normalmente a cada 3 meses. Possíveis efeitos secundários incluem náuseas e vômitos, ondas de calor, anemia, letargia, osteoporose, redução do desejo sexual e disfunção erétil (impotência).</p>
<p style="text-align: justify;">Outros medicamentos utilizados para terapia hormonal incluem bloqueadores androgênicos (como a flutamida). Os efeitos colaterais incluem disfunção erétil, perda do desejo sexual, problemas de fígado, diarréia e aumento dos seios.</p>
<p style="text-align: justify;">A quimioterapia é frequentemente utilizada no tratamento de cancros da próstata que são resistentes aos tratamentos hormonais. Um especialista em oncologia normalmente irá recomendar uma única droga ou uma combinação de drogas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os efeitos colaterais dependem da droga dada e com que freqüência e por quanto tempo o idoso toma. Alguns dos efeitos secundários dos medicamentos mais comumente usados quimioterapia para o câncer de próstata incluem:<br />
•	Trombose venosa<br />
•	Hematomas<br />
•	A pele seca<br />
•	Fadiga<br />
•	A retenção de líquidos<br />
•	A perda de cabelo<br />
•	Diminuição dos seus glóbulos brancos, glóbulos vermelhos ou plaquetas<br />
•	Úlceras da boca<br />
•	Náuseas<br />
•	Formigamento ou dormência nas mãos e nos pés<br />
•	Dores de estômago<br />
•	O ganho de peso</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acompanhamento</strong><br />
O idoso será acompanhado de perto para garantir que o câncer não se espalhe. Isto envolve exames de rotina:<br />
•	Exame de sangue Serial PSA (normalmente a cada 3 meses a 1 ano)<br />
•	Cintilografia óssea e tomografia para verificar metástases<br />
•	Hemograma completo, para monitorar os sinais e sintomas da anemia<br />
•	Acompanhamento de outros sinais e sintomas, tais como fadiga, perda de peso, aumento da dor, diminuição do intestino e bexiga função, e fraqueza</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Prognóstico</strong><br />
O resultado varia muito, principalmente porque a doença é encontrada em homens mais idosos, que podem ter uma variedade de outras doenças ou condições, tais como a doença cardíaca ou respiratória, ou deficiências que imobilizam ou diminuem significativamente as atividades de vida diária.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Complicações</strong><br />
A impotência é uma complicação potencial após prostatectomia ou radioterapia. As recentes melhorias em procedimentos cirúrgicos têm feito esta complicação ocorrer com menos freqüência. A incontinência urinária é outra complicação possível. Medicamentos podem ter efeitos colaterais, incluindo ondas de calor e perda do desejo sexual.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Prevenção</strong><br />
Não há prevenção conhecida. Uma dieta vegetariana, dieta baixa em gordura ou uma semelhante à dieta tradicional japonês podem reduzir o risco. A identificação precoce (ao contrário de prevenção) é agora possível pela seleção anual dos homens com mais de 40 ou 50 anos de idade, através de exame de PSA no sangue.</p>
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		<title>Relações interpessoais e envelhecimento</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 12:23:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene C. Miranda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidados Paliativos]]></category>
		<category><![CDATA[Gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[idoso]]></category>

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		<description><![CDATA[As relações que mantemos com outras pessoas ao longo de nossas vidas (relações interpessoais) são de extrema importância para nós mesmos e para todos aqueles que nos cercam. O homem é um ser social, ele necessita de outras pessoas para sobreviver, vivemos em comunidades e precisamos nos comunicar com outras pessoas.. Desde a infância estas [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">As relações que mantemos com outras pessoas ao longo de nossas vidas (relações interpessoais) são de extrema importância para nós mesmos e para todos aqueles que nos cercam. O homem é um ser social, ele necessita de outras pessoas para sobreviver, vivemos em comunidades e precisamos nos comunicar com outras pessoas..</p>
<p style="text-align: justify;">Desde a infância estas relações irão nortear nossos comportamentos e atitudes com as outras pessoas que iremos conviver. As primeiras pessoas com as quais nos relacionamos são os nossos pais (família em geral); é com eles que aprendemos a falar, a agir, introjetamos valores e normas sociais. À medida que crescemos é natural que iremos nos relacionar com um número de pessoas cada vez: na escola, na roda de amigos, no ambiente de trabalho, na escolha do companheiro, com os quais trocamos informações, experiências, aprendemos e ensinamos. Cada um de nós traz suas próprias experiências dos relacionamentos pregressos para os relacionamentos atuais.</p>
<p style="text-align: justify;">O idoso traz consigo uma grande bagagem de relacionamentos interpessoais. Com o avanço da idade é comum este número de interações sociais diminuir com a aposentadoria, a morte de familiares e amigos, uma possível tendência do idoso se afastar, dentre outros fatores (o que não necessariamente precisa acontecer, pelo contrário, o ideal é que o idoso mantenha suas redes sociais). Porém, mesmo assim os relacionamentos com as outras pessoas são de fundamental importância ao idoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns cuidadores costumam relatar que é mais fácil cuidar do pai ou da mãe idoso(a) dependente quando este foi um bom pai/mãe do que quando no passado houve desavenças e outros acontecimentos negativos com a família. Aqueles relacionamentos ruins de pais e filhos que aconteceram há mais de sessenta anos podem parecer fantasmas que voltam a assombrar o relacionamento de hoje, trazendo ainda mais sobrecarga para o cuidador e também constrangimentos e sentimentos de culpa para o idoso que preserva um estado cognitivo normal e lembra-se dos fatos ocorridos anteriormente.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras características dos relacionamentos que aconteceram ao longo da vida do idoso podem prevalecer e serem intensificadas com o envelhecimento. Será que a pessoa fica ranzinza com os outros só quando envelhece ou este é um traço que já o acompanhou ao longo de sua vida? A implicância, o mau humor, a impaciência, a antipatia e outras características negativas que costumam ser atribuídas aos idosos em geral podem ser, na verdade, reflexos de características daquela pessoa que existiram por toda a sua vida, porém em intensidades diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É muito importante analisarmos como nos relacionamos com os outros desde agora, pois estes relacionamentos podem ter implicações quando envelhecermos e na forma como educamos as crianças.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Luciene C. Miranda</strong></p>
<h6 style="text-align: justify;"><em>Nota da colunista deste blog: Escrever para o site Cuidar de Idosos vem sendo uma experiência muito enriquecedora, porém, é bem mais estimulante quando os internautas enviam sugestões de temas para os próximos artigos. Fica muito melhor para vocês lerem algum tema de seu interesse quanto para mim é mais motivador escrever sobre algo que eu sei que irá ser útil para vocês. Aguardo sugestões. Muito obrigada.</em></h6>
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		<title>Terceira idade: prevenção das lesões na mucosa bucal</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 19:16:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Tulio Pettinato Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
		<category><![CDATA[cuidar de idosos]]></category>
		<category><![CDATA[idoso]]></category>
		<category><![CDATA[lesões de mucosa bucal]]></category>
		<category><![CDATA[leucoplasia]]></category>
		<category><![CDATA[odontogeriatria]]></category>

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		<description><![CDATA[Os indivíduos da terceira idade estão sujeitos a vários tipos de lesões na mucosa bucal (como candidíases e leucoplasias) e outras doenças, como por exemplo, o câncer bucal. A candidíase é uma infecção por levedura das membranas da mucosa da boca e da língua, sendo que a principal causadora de infecção em seres humanos é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="fblike_button" style="margin: 10px 0;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.cuidardeidosos.com.br%2Fterceira-idade-prevencao-das-lesoes-na-mucosa-bucal%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=420&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:420px; height:25px"></iframe></div>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Os indivíduos da terceira idade estão sujeitos a vários tipos de lesões na mucosa bucal (como candidíases e leucoplasias) e outras doenças, como por exemplo, o câncer bucal. A candidíase é uma infecção por levedura das membranas da mucosa da boca e da língua, sendo que a principal causadora de infecção em seres humanos é a Candida albicans. Os sintomas incluem o surgimento de placas esbranquiçadas e aveludadas na membrana mucosa da boca e da língua.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Outra lesão da mucosa é a leucoplasia. É uma das lesões cancerizáveis mais frequentes da boca. E isto vai depender de hábitos nocivos à saúde como o tabagismo associado ao etilismo, pois pode aumentar o risco de tornar-se cancerizável. Ela desenvolve-se em qualquer região da boca, sendo que as áreas mais afetadas são no lábio inferior, rebordo lateral de língua e mucosa jugal (mucosa interna da bochecha). O seu aspecto clínico é semelhante a outras lesões com aspecto de placas brancas que ocorrem na cavidade bucal. Já o câncer bucal aparece geralmente como uma ulceração (ferida) com as bordas elevadas e pode se apresentar também com coloração branca e/ou vermelha. Essa ferida, no início, não dói e não cicatriza e o indivíduo pode apresentar dificuldade em falar ou engolir.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Mas o diagnóstico correto, tanto das lesões na mucosa como do câncer bucal, é realizado pelo dentista, sendo importante o diagnóstico precoce das mesmas. Para isso, é fundamental que os indivíduos da terceira idade realizem o auto-exame, isto é, o exame da própria boca diante do espelho, que possibilita a detecção de lesões na boca na fase inicial e a pessoa ao perceber alguma anormalidade, deve procurar o seu dentista.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Idosos que tem boa coordenação motora (idosos independentes), devem realizar o auto-exame através de um espelho e em um local bem iluminado. Aqueles que usam próteses (dentadura) precisam retirá-las antes de começar o exame. Baseado no que preconiza o Instituto Nacional do Câncer (INCA) do Ministério da Saúde, o auto-exame pode ser feito da seguinte forma:</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">a) De frente para o espelho, deve-se observar a pele do rosto e do pescoço. Prestar atenção em qualquer sinal que não tenha notado antes. Apalpar suavemente, com a ponta dos dedos, todo o rosto;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">b) Puxar, com os dedos, o lábio inferior para baixo, expondo a parte interna (mucosa). Depois, repetir o mesmo procedimento com o lábio superior, puxando-o para cima;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">c) Com a ponta do dedo indicador, afastar a bochecha, para examinar a parte interna. Repetir com o outro lado de bochecha;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">d) Com a ponta do dedo indicador, sentir toda a gengiva na região superior e inferior, verificando se encontra alguma anormalidade;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">e) Colocar o dedo indicador por baixo da língua e o polegar da mesma mão por baixo do queixo e procurar apalpar todo o assoalho da boca;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">f) Virar a cabeça para trás e, abrindo a boca o máximo possível, examinar atentamente o céu da boca. Tocar com o dedo indicador todo o céu da boca. Em seguida, dizer: ÁÁÁÁÁ&#8230; e observar o fundo da garganta;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">g) Colocar a língua para fora e observar a parte de cima. Repetir a observação com a língua levantada até o céu da boca. Em seguida, puxar a língua para a esquerda, observar a região da direita. Fazer o mesmo com o lado esquerdo, movendo a língua para a direita;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">h) Colocar a língua para fora, segurando-a com um pedaço de gaze ou pano; apalpá-la em toda sua extensão, com o dedo indicador e polegar da outra mão;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">i) Examinar o pescoço. Comparar os lados direito e esquerdo e ver se há diferença entre eles. Depois, apalpar o lado esquerdo do pescoço com a mão direita;</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">j) Repetir o procedimento para o lado direito, apalpando com a mão esquerda. Finalmente, introduzir o polegar por debaixo do queixo e apalpar suavemente todo o contorno inferior.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Deve-se fazer este auto-exame duas vezes por ano e se perceber anormalidades como: regiões irritadas embaixo das próteses, ferimentos que não cicatrizam em duas semanas, dentes quebrados ou moles, mudança de cor, algum caroço ou endurecimento, deve-se procurar imediatamente um dentista. Ele aconselhará se deve ou não consultar outro especialista. No caso de idosos que não tem boa coordenação motora (idosos dependentes), o exame para verificação de anormalidades na mucosa bucal deve ser realizado pelo familiar ou pelo cuidador.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Para finalizar vale sinalizar que é importante o retorno periódico ao dentista para uma reavaliação das condições de saúde bucal e prevenção de doenças. E na prevenção de enfermidades, como por exemplo o câncer bucal, é fundamental reduzir e evitar o fumo e o álcool.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><b>Marco Tulio Pettinato Pereira</b></p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Cirurgião-dentista com especialização em Saúde da família (UCAM), Saúde Coletiva (SL Mandic) e Saúde Pública (UNAERP)</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><b>Fernando Luiz Brunetti Montenegro</b></p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Mestre e Doutor FOUSP, Prof. Adjunto na UnG, Coordenador Saúde Bucal CEDPES e Casa Ondina Lobo</p>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 17:48:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Tulio Pettinato Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma doença que ocorre com frequência com idosos é a doença periodontal. Ela acomete os tecidos em torno dos dentes e quase sempre é indolor. E devido a isto, quando percebe-se que tem a doença periodontal, já ocorreu uma boa perda óssea nos dentes afetados. Ela tem como agente causador a placa bacteriana que se [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">Uma doença que ocorre com frequência com idosos é a doença periodontal. Ela acomete os tecidos em torno dos dentes e quase sempre é indolor. E devido a isto, quando percebe-se que tem a doença periodontal, já  ocorreu uma boa perda óssea nos dentes afetados. Ela tem como agente causador a placa bacteriana que se acumula sobre as superfícies do esmalte dentário e no sulco gengival (fica na margem gengival entre a parte branca do dente e o tecido gengival) e isto vai formar o tártaro com o passar dos meses.</p>
<p style="text-align: justify;">A prevenção da doença periodontal, assim como a cárie dentária, é  conseguida através da remoção eficiente da placa bacteriana a cada refeição. Para prevenir estas doenças é fundamental uma higiene bucal bem executada, através do uso de dispositivos como escova, fio dental, escova interdental, pastas dentais fluoretadas, soluções para bochecho com flúor (enxaguatórios bucais ) e limpadores de língua.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação ao tipo de escova, esta deve ser individualizada, mas recomenda-se escova de textura macia, com &#8220;cerdas planas&#8221; (parte ativa sem curvatura). Em relação ao tipo de cabo da escova, recomenda-se o do tipo reto. A frequência da escovação deve ser imediatamente ou até 30 minutos após a ingestão de alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">A escovação requer o emprego de técnicas adequadas, e no caso dos idosos que possuem boa coordenação motora, a seguinte técnica é uma das mais recomendadas:</p>
<p style="text-align: justify;">a) Começar limpando as superfícies internas dos dentes inferiores (que ficam embaixo no fundo da boca do lado e na frente da língua), sendo que a escovação deve ser realizada segurando a escova verticalmente em um ângulo de 45 graus em direção a linha gengival e usar movimentos rítmicos suaves para cima e para baixo com a ponta da cabeça da escova;</p>
<p style="text-align: justify;">b) Depois limpar as superfícies externas dos dentes inferiores, que ficam localizadas embaixo ao lado das bochechas e atrás do lábio inferior da boca. Usar movimentos rítmicos suaves e curtos, movendo a escova para trás e para frente contra os dentes e a gengiva;</p>
<p style="text-align: justify;">b) Após isto, limpar as superfícies internas dos dentes superiores, que ficam em cima no fundo da boca e nas superfícies internas dos dentes da frente e depois as superfícies externas dos dentes superiores, que ficam no fundo da boca ao lado das bochechas e atrás do lábio superior da boca. Durante toda a escovação nunca se esquecer da margem gengival e os dentes posteriores, que são os mais difíceis de alcançar e para as áreas situadas ao redor de restaurações e coroas;</p>
<p style="text-align: justify;">c) Depois de limpar todas as superfícies internas e externas dos dentes, deve-se limpar as superfícies de mastigação tanto em cima como em baixo das arcadas dentárias, concentrando-se na limpeza de cada setor da boca.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas regiões entre os dentes é importante também a utilização do fio dental ou da escova interdental, pois removem a placa bacteriana e alimentos que ficam nestas regiões e abaixo das gengivas. Para idosos que tem boa coordenação motora, deve-se utilizar o fio dental da seguinte forma: Enrolar aproximadamente 50 cm de fio dental nos dedos médios, segurando-o com o polegar e o indicador. Passar o fio dental esticado entre os dentes, nos sentidos horizontal e vertical alternadamente. Penetrar um pouco o fio na gengiva e deslizar em movimentos suaves. O fio dental deve ser utilizado após as refeições, depois de escovar os dentes. Além disto, existem no mercado suportes em forma de Y que facilitam o uso do fio dental. E em áreas da boca inacessíveis, como nos espaços que se localizam entre coroas fixas, deve-se utilizar do passador de fio dental, assim como da escova interdental. Mas é importante ressaltar que no caso específico dos idosos, a escova interdental é muito eficiente e mais fácil de usar do que o fio dental e, portanto, é mais recomendada. Mas o tipo de escova interdental (por exemplo o tamanho), deve ser individualizado, sendo que o dentista é quem irá escolher a escova que melhor se adapte ao idoso para que depois ele possa comprá-la em uma farmácia ou supermercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Deve-se escovar também a língua, pois é um local onde muitas bactérias ficam alojadas e costumam ficar restos de alimentos, e que proporcionará um hálito agradável. Neste caso, o uso de limpador de plástico de língua, uma vez por dia, é extremamente importante para os idosos em geral. E quanto mais os idosos forem dependentes de pessoas cuidadoras para a realização da higienização, mais importante é o uso do limpador de plástico. Deve-se utilizá-lo da seguinte forma:</p>
<p style="text-align: justify;">a) Deve-se colocar a língua para fora;</p>
<p style="text-align: justify;">b) Limpar suavemente da parte posterior da língua até a parte anterior (ponta da língua);</p>
<p style="text-align: justify;">c) Deve-se limpar de uma lateral, e seguindo com a limpeza do corpo da língua e chegar até a lateral oposta.</p>
<p style="text-align: justify;">Para idosos incapacitados, isto é, que não possuem boa coordenação motora, os cuidadores deverão realizar a higienizaçao destes, através da escovação com movimentos circulares em todas as faces (os lados) dos dentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Como complementares na escovação temos as pastas dentais. Podemos citar as seguintes pastas dentais: a) ANTICÁRIE (tem flúor em sua composição e em longo prazo previne contra as cáries);</p>
<p style="text-align: justify;">b) ANTITÁRTARO com pirofosfato (substância que impede a formação de tártaro, mas não remove o tártaro que já existe);</p>
<p style="text-align: justify;">c) ANTIPLACA com triclosan (um antimicrobiano, e é indicada especialmente para pessoas com gengivite). No caso dos idosos, o uso da pasta dental anticárie é muito importante, mas deve-se sempre seguir a orientação do dentista para saber qual é recomendada.</p>
<p style="text-align: justify;">Como complementares  na escovação temos também os enxaguatórios bucais. Eles são substâncias químicas que atuam nas bactérias presentes na cavidade bucal, sendo utilizados para controle e na redução da formação da placa bacteriana. Os idosos só devem utilizá-los de acordo com a prescrição feita pelo dentista, e que deve orientar quanto à forma e tempo de uso no seu caso em particular.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a grande maioria dos idosos dentados os bochechos à base de flúor são os mais indicados, e cada empresa possui um tipo de produto com uma determinada concentração (na maioria com mais de 200 PPM de flúor). Os idosos dentados devem, após uma higienização correta dos dentes, utilizá-los uma vez por dia, antes de dormir. E desta forma, já será o suficiente para proteger as raízes expostas dos dentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Os enxaguatórios realizam uma função importante para idosos com problemas motores, no caso daqueles com Mal de Parkinson e doença de Alzheimer, e então não conseguem fazer uma escovação adequada, sendo aí usados aqueles à base de Gluconato de Clorhexidina após cada limpeza dos dentes. Nos ambientes hospitalares (UTIs), é imprescindível que um parente (ou cuidador) leve para a enfermagem este tipo de medicamento, pois normalmente não estão disponíveis nestas entidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale lembrar que o uso contínuo dos enxaguatórios é contra-indicado para idosos que não sejam capazes de utilizar o medicamento sem acompanhamento (cuidador), pois existe o perigo de deglutição.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é importante enfatizar que o uso dos enxaguatórios bucais deve ser racional, ou seja, indicado somente nos casos recomendados pelo dentista.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Marco Tulio Pettinato Pereira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cirurgião-dentista com especialização em Saúde da família (UCAM), Saúde Coletiva (SL Mandic) e Saúde Pública (UNAERP)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernando Luiz Brunetti Montenegro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mestre e Doutor FOUSP, Prof. Adjunto na UnG, Coordenador Saúde Bucal CEDPES e Casa Ondina Lobo</p>
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		<title>Métodos preventivos: sua importância ao cuidador e ao idoso dependente</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 15:01:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Tulio Pettinato Pereira</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">Didaticamente, considera-se idosa a pessoa com mais de 60 anos. E segundo dados da literatura científica, a maioria dos idosos  não conseguem manter bons níveis de higiene bucal ou de suas próteses necessitando muitas vezes do auxílio dos cuidadores para realizá-la. E isto pelo fato que com o envelhecimento, ocorrem alterações fisiológicas que limitam as funções do organismo, o que provoca nos indivíduos da terceira idade, uma maior dependência para a realização do autocuidado, necessitando em um certo momento do auxílio de um cuidador.</p>
<p style="text-align: justify;">Basicamente, a denominação de &#8220;cuidador&#8221; pode ser compreendida como a pessoa da família (ou não) que é responsável em suprir as necessidades de outra pessoa, dando apoio, ajudando a outra pessoa em suas atividades, como as seguintes: fazer companhia; atuar como confidente; conversar sobre questões pessoais e emocionais; compartilhar atividades; ajudar a manter ou a reatar laços afetivos; arrumar e limpar a casa; preparar refeições; fazer compras; fazer e receber pagamentos; transportar e acompanhar ao médico; auxiliar o idoso ao caminhar; alimentar-se; tomar banho;  higienizar-se; pentear os cabelos; usar a toalete; tirar o aparelho de surdez; colocar próteses (como a dentadura); auxiliar na escovação dos dentes; etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, o cuidador desempenha um papel importante para o idoso dependente e sua postura perante a realização da higiene diária é fundamental para manutenção da saúde bucal destes indivíduos.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale sinalizar que estudos na literatura científica demonstram que, para muitos cuidadores, a higiene bucal tem menor prioridade. E isto é de extrema relevância, já que outros estudos relatam que a atitude do cuidador em relação a sua própria saúde bucal influencia no cuidado que este oferece para o idoso. Então, se o cuidador falha na conservação da sua própria higiene bucal, a tendência é que este transfira as mesmas ações para o idoso que está sob seus cuidados.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fato que deve ser mencionado, é que deve-se estimular o cuidador de idosos dependentes a organizar suas tarefas de cuidado de modo a ter oportunidades de se autocuidar, com o objetivo de tentar diminuir seu grau de estresse. Isto pelo fato que muitas vezes o cuidador sobrecarrega-se nas suas atividades e se esquece de que é uma pessoa que também necessita de cuidados.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale ressaltar também que por várias razões, muitos idosos tem dificuldades de expressar suas necessidades em relação a sua saúde bucal. Consequentemente, o cuidador tem um importante papel em tomar iniciativa para o cuidado bucal.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isto tudo, é primordial que o cuidador tenha o conhecimento da importância e das necessidades de prevenção, higiene e cuidados que deve ser realizado consigo mesmo e que deve proporcionar aos indivíduos que estão envelhecendo. Neste sentido, a conscientização e mudança de postura por parte do cuidador, é de extrema importância para que tenha uma boa saúde bucal e possa proporcionar uma atenção correta e adequada para com o idoso dependente.</p>
<p style="text-align: justify;">Para finalizar, é verdadeiro afirmar que a educação e orientação, ou melhor, a capacitação do cuidador para a preservação de seu autocuidado e da realização da correta higienização bucal do idoso é imprescindível. Por isso, é fundamental a participação em cursos para cuidadores de idosos, além da orientação que deve receber do dentista (de preferência um odontogeriatra). Mas também o contato com outros profissionais da saúde, como por exemplo o técnico de higiene dental (higienista) é essencial, pois o estreitamento destas relações irá otimizar o atendimento e auxiliar na prevenção e promoção da saúde do idoso de forma geral.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, tanto o cuidador como os indivíduos idosos dependentes, deverão estar envolvidos em uma rotina de higiene bucal (que será o tema do próximo artigo), pois o objetivo da conscientização dos métodos preventivos, é a promoção da SAÚDE JÁ !!!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marco Tulio Pettinato Pereira</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cirurgião-dentista com especialização em Saúde da família (UCAM), Saúde Coletiva (SL Mandic) e Saúde Pública (UNAERP)</em></p>
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