Publicado em: 11/05/2009
Professora Adozinda Khulman – 92 anos, responde: sobre insônia: – “Fico acordada e fico felicíssima! Se estou acordada é porque estou viva.” Sobre o passado: – “Então, lembrar coisas boas é bom. Você sente pena porque já passou, mas querer voltar não! Tá muito bom!” Sobre o prazer de viver: – “Gostar de viver é gostar das pessoas, conviver com as pessoas” sobre aprendizados: – “Se você parar de aprender, você já morreu”. Sobre os tempos modernos: – “Eu sou deste tempo também porque estou aqui, viva! A diferença que eu tenho de vocês é que eu vivi antes de vocês, mas o tempo que vocês viveram eu tava vivendo junto, então tudo que vocês conheceram, o modernismo que vocês conhecem eu também tô conhecendo!”
(Fonte: Vídeo no portal Terra – URL: http://terratv.terra.com.br : Idosa de 92 anos ainda dá aulas em SP )
Dona Canô – 101 anos, mãe dos famosos Caetano Veloso e Maria Betânia: – “Vivi muito bem, porque como eu disse no livro: saber viver! (…) Minha natureza sempre foi essa de não me aborrecer ou provocar aborrecimentos.” “Saber viver é o seguinte: (…) não ouvia, não enxergava, quando eu quisesse ouvir eu ouvia e o que queria enxergar eu enxergava, então passei a minha vida assim! Aquilo que era minha obrigação eu fazia; toda a obrigação do mundo eu fiz, pra meu marido, para os meus filhos, para meus parentes! (…) a minha parte eu fazia…”
(Fonte: Vídeo no site ‘A TARDE on line’ de 25/04/2009 // vide também Twitter de Dr. Márcio Borges)
Na semana passada, esses dois vídeos acima mencionados, apresentando entrevistas com as duas idosas, tocaram profundamente a minha alma e me fizeram relembrar antigas e longas conversas que mantive com meu saudoso pai.
Desde que eu era criança, ele sempre me transmitiu em gestos, atitudes e diálogos o prazer que sentia em viver! Nunca ouvi meu pai se queixar de nada, nem de ninguém, mas sempre o vi lutando firmemente para realizar os seus sonhos sem, no entanto, deixar-se esmorecer ou perder o entusiasmo pela vida por não haver conseguido isto ou aquilo que desejara.
Sua grande sede de conhecimento fez dele um “devorador” de livros, daí a razoável biblioteca que nos deixou. Os livros foram os únicos ‘rivais’ que minha mãe teve na vida. Lembro das reclamações quando dizia que ele tinha mais ciúmes dos livros do que dela – isto porque a reverência pelos livros era tão grande que não gostava de emprestá-los por medo de que não lhos devolvessem ou de que os estragassem.
Ouço o sopro da sabedoria vibrando a força vital que se manifesta em cada um desses idosos falando sobre a vida com a natural simplicidade de quem encontrou um sentido para vivê–la e assimilou as lições em cada passo da jornada.
Dona Adozinda diz que “lembrar coisas boas é bom” mas não quer voltar ao que passou; Dona Canô diz – “toda a obrigação do mundo eu fiz … a minha parte eu fazia”; Augusto Tenório de Medeiros (1906 – 2003) – meu pai, ao completar 80 anos, escreveu:
– “Ser idoso não é ser velho. Aceitemos o momento da vida. (…) Que nos falta? Nada. Se alguma coisa nos falta é o ânimo de viver, assim seremos velhos. Isto acontece com um homem de quarenta anos como com um de oitenta. O ânimo não é um fator de idade, é uma fraqueza do modo de vida que se leva. Aquilo que procuramos e não encontramos já vivemos, vamos viver o que ora temos. Não lastimar o que passou. A vida não anda para trás. Querer viver o passado é exprobar, melhor, é extrapolar as nossas forças, esgotar a energia inutilmente, gastar sem proveito, conclusão: desperdiçar a vida e tornar-se ridículo, perder a compostura. Devemos dar valor ao que somos no momento que devemos ser. (…) Vivamos aqui e agora. O ontem já passou, passou mesmo. (…) Octogenário, quando se vive plenamente esta fase, o que possui é a vida, vai sorvendo o fluido dessa torrente inefável que jamais termina. Sentindo, amamos; sentindo, possuímos o gozo do que fomos sem ressentir-se, ou revoltar-se no momento em que a posse não esteja à altura de suas forças. Saibamos ser octogenários ou centenários porque soubemos por que viver até aquele momento. (SSA–BA, 1986).
Deixo-lhes para reflexão, nesta semana, estas pétalas de sabedoria de vida, esperando que com elas possamos dar maciez, perfume, beleza e delicadeza às nossas próprias vidas!
Meu grande abraço a todos e muito amor para todas as mamães!
Gracinha Medeiros
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Gracinha,
Mais uma vez estou encantada com seu artigo. Já estou sendo repetitiva em te cumprimentar, adorei!
Mto legal esta professora! Um grande exemplo, sem dúvida.
Acho que a música “É preciso saber viver” foi inspirada em alguns exemplos como estes três que vc citou.
bjos
Fantastico Gracinha
Muito bem escolhido
São desses exemplos que a gente tem que se fazer valer
Há uma palestra que sempre dou cujo titulo é : viva bem com a idade que tem
Seu texto é a sintese disso
Adorei
Beijo
Zulmira