Publicado em: 13/01/2009
Recebi, no último final de semana, um comentário muito interessante de uma internauta, a Gracinha Medeiros, a respeito de nosso último post SUPERCENTENÁRIOS. Não irei citar esta ou aquela frase que me mandou, mas transcreverei todo o comentário. Muito tocante!
Dr Márcio Borges,
Tenho acessado com freqüência este portal e parabenizo mais uma vez pela qualidade dos textos aqui publicados.
Assim que acabei de ler as suas considerações sobre os Supercentenários, veio-me à mente a letra da música RESPOSTA AO TEMPO de autoria de Cristóvão Bastos / Aldir Blanc, lindamente interpretada por Nana Caymmi que diz assim:
Batidas na porta da frente /É o tempo/Eu bebo um pouquinho pra ter / argumento / Mas fico sem jeito, calado / Ele ri / Ele zomba do quanto eu chorei / Porque sabe passar e eu não sei …… e nos versos finais: Respondo que ele aprisiona / Eu liberto / Que ele adormece as paixões / Eu desperto / E o tempo se rói com inveja de mim / Me vigia querendo aprender / Como eu morro de amor / Pra tentar reviver / No fundo é uma eterna criança / que não soube amadurecer / eu posso e ele não vai poder me esquecer
Creio que esses versos sintetizam bem a questão da relação do indivíduo com o tempo e eles me fazem lembrar de meu pai e das longas conversas que mantínhamos sobre a vida e o viver. Nascida no quarto ano da década de 50, tive o privilégio de crescer guiada pela sábia experiência de um homem que, já na faixa dos 50 anos de idade, amante das letras e apaixonado pela vida, além de escrever belos textos e poemas, buscava incutir no meu espírito a simplicidade da grandeza da VIDA.
…não é a mocidade que promove a grandeza do que somos. A mocidade, no conceito de número de anos que se toma como juventude pela robustez do organismo tende a decair, enfraquecer pela força do tempo. A idade avançada escapa ao nosso controle. A mocidade se se converte em juventude, isto é, em força de espírito depende de nós. Nunca seremos velhos se a mente, o espírito permanecerem jovens;… Quando se é velho aos noventa anos, já se o era aos vinte anos. Não resta a menor dúvida. Quando velho é o antônimo de moderno o termo é adequável. É como se disséssemos antigo. Fora disso não tem cabimento. As forças físicas têm limites. A força mental, é energia espiritual, é como as forças cósmicas, não têm limites. (…)Sejamos octogenários, nonagenários, ou mesmo centenários, nunca, porém, sejamos velhos. A vida não tem idade. O problema é saber ser velho. Quem responde por nossa velhice é o nosso comportamento. (Bahia-1985/86) – Augusto Tenório de Medeiros (1906 – 2003).
Assim é que hoje, como cuidadora e curadora de minha mãe (94 anos de idade) que há cinco anos evidenciou os sintomas mais agudos do Alzheimer, sinto a alegria de ainda poder estar com ela buscando por todos os meios proporcionar, dentro do possível, a melhor qualidade de vida e preservar a sua dignidade de ser humano.
Por isso, aplaudo a sua iniciativa de criar este portal e acredito firmemente na eficácia do papel do beija-flor diante do incêndio da floresta…
Um abraço, Gracinha Medeiros.
VÍDEO DA SEMANA
Abraços à todos,
Márcio Borges
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© 2012 CUIDAR DE IDOSOS
É triste mais é a realidade cada palavra da musica , da vontade chora ,titulo diz muita coisa ,só idoso tem resposta ao tempo ,mesmo envelhecendo nosso cerebro deve ficar jovem ,Eu sei que a cada texto eu irei aprender um pouco , vai me ajudar no meu dia a dia , cada relato dos meus colegas será uma nova experiencias troca de informações , que vai me ajudar a crescer como cuidador .As vezes sentimos perdidos mas com estes textos logo nos encontramos.Obrigado
Tenho a seguinte concepção do envelhecimento:
Passamos por uma fase de maturação que vai, creio eu, até após a adolescencia; à partir daí, levamos para o resto da vida esta concepção de Ser, adquirida nesta fase; claro que com o devido amadurecimento que as diversas experiencias vão trazendo ao nosso Eu. Portanto, quando consigo manter minha mente sadia vida a fora, sempre serei jovem, porque realmente o sou na essencia. E este “pensar com juventude”, irradia-se para o meio em que convivemos, por conta disto, os amigos de outrora, quando os encontramos, são sempre nossos colegas de escola.
Exemplo vivo disto, se faz quando encontro o Dr Márcio, pois apesar dos cabelos grisalhos, será sempre o meu bom amigo de Seminário.
Dr. Márcio Borges,
bastante emocionada e, por isso mesmo, quase sem palavras ante a generosa acolhida ao comentário que redigi sob o impacto da forte emoção que me causaram as palavras do seu texto sobre os Supercentenários, só posso lhe dizer muito obrigada!
Aliás, sempre me emociono muito com os seus textos pois a sensibilidade com que os temas são tratados fazem eco em minha alma, uma vez que neles encontro afinidade com os meus sentimentos e a minha forma de ver e buscar viver a Vida.
Assim é que os PodCast, o texto O Bom Velhinho, e outros, são recomendados por mim aos amigos, parentes, vizinhos, para que sejam acessados.
Obrigada, mil vezes obrigada, principalmente por sua iniciativa de criar e orquestrar este espaço na Internet com informações pertinentes e tão importantes para refletir sobre o nosso cotidiano. Certamente, como as gotinhas do bico do beija-flor, os conteúdos aqui divulgados contribuirão para o despertar de consciências que vagam adormecidas em meio ao turbilhão das massas, quanto aos valores essenciais da Vida que precisam ser, urgentemente, resgatados.
Um abraço,
Gracinha Medeiros