Publicado em: 30/09/2009
Esta é uma questão muito delicada. Anteriormente, já tratamos da questão do cuidador familiar, os sentimentos vivenciados por ele ao cuidar de algum familiar idoso. Também já falamos sobre o cuidador profissional, a regulamentação de seu trabalho e da necessidade de reivindicarem seus direitos (Dr. Márcio também falou bastante sobre esta questão), porém uma situação que vi na rua me fez perceber que uma coisa ainda não havia sido falada: Será que nós sabemos quem é aquela pessoa que cuida da pessoa que tanto amamos e desejamos que seja bem cuidada?.
Já refletimos também sobre a problemática da violência contra o idoso, sobre o fato de agentes desta violência serem pessoas muito próximas como filhos, parentes próximos, vizinhos e cuidadores profissionais. Violência não consiste apenas em agressões físicas e verbais, a negligência, o abandono e a omissão também são formas mais veladas, mas também graves da violência contra o idoso.
Estava indo trabalhar, por volta as 15h, na esquina de uma pequena rua residencial com a principal avenida de Juiz de Fora MG. Vindo em minha direção, vinham uma senhora bem idosa e de aparência debilitada, numa cadeira de rodas e uma jovem senhora, que parecia ser sua cuidadora. Estava fazendo calor, com muito sol, e a senhora estava vestida para o inverno: conjunto de moletom e a gola de uma grossa blusa de lã aparecia por baixo da outra blusa. A cuidadora, por outro lado, estava vestida para o verão: saia jeans, camiseta e sandália rasteira. Imaginei que, por mais que a senhora estivesse em situação de repouso, ela deveria estar suando, todos ao redor estavam vestidos para uma tarde de muito calor, exceto a pobre senhora, que permanecia passiva, olhando para o horizonte. A cuidadora também parecia desligada de tudo, um olhar distraído, nem percebeu que os pés da senhora caíram do apoio para pés da cadeira e foram direto para o chão quando a cadeira foi virada para que fosse descida numa rampa para deficiente. A senhora permaneceu apática, sem tonicidade muscular, seu pé se virou e o peito do pé começou a esbarrar no chão, de forma que se ela estivesse sem sapatos sairia bastante esfolado, mas nem assim sua cuidadora se deu conta do que estava acontecendo.
Aquela cena me incomodou tanto que imediatamente andei mais rápido, chamei a cuidadora (que custou a me perceber) e mostrei a ela o que tinha acontecido. Ela parecia tão distraída, que demorou um pouco a assimilar que eu estava falando com ela, então colocou o pé da senhora no apoio, me agradeceu entre os dentes e seguiu seu passeio, naquelas mesmas condições.
Passei o dia refletindo sobre isto e resolvi escrever. A situação é muito séria. Recorremos a cuidadores profissionais, quando precisamos de ajuda para cuidar de alguém que necessita de cuidados; porém, será que quando não estamos por perto o serviço prestado é de qualidade?
Será que todos os cuidadores são mesmo profissionais? Infelizmente sabemos que muitas pessoas contratam empregadas domésticas e diaristas para fazerem serviços de cuidador. Além destas pessoas exercerem função diferente da que foi combinada e costumarem receber uma remuneração aquém do salário de cuidador, muitos não fazem idéia de como cuidar de um idoso dependente. Existem casos de pessoas que aprendem na prática a cuidar de idosos e a partir daí executaram a função com total responsabilidade, mas, infelizmente, nem sempre é isso que acontece. Há também casos de pessoas que se dizem cuidadoras, mas não possuem experiência teórica, prática e nenhum tipo de ÉTICA ou mesmo BOM SENSO para exercer tal função. Será que a senhora cuidadora em questão teria a mesma conduta se estivesse passeando com seu bebê num carrinho? Deixaria ele com roupa inapropriada para o clima e, de tão desatenta, permitiria que ele machucasse seu pezinho no passeio por descuido?
Familiares, aqui fica meu apelo: se vocês decidirem recorrer a um cuidador profissional, que cumpram com as obrigações trabalhistas dele, mas não se esqueçam de escolher criteriosamente a pessoa a quem você irá confiar um idoso querido enquanto você estiver ausente. Da mesma forma que um bebê não tem condições de contar aos pais que sua babá não cuidou dele direito, provavelmente esta senhora também não tem mais condições de contar a seus familiares que não estava sendo bem cuidada.
Na hora de contratar um cuidador, faça como quando se vai contratar um funcionário que vai lidar muito perto de sua privacidade, como uma empregada doméstica, um motorista, uma secretária. Peça referências, investigue se as referências são verdadeiras, fique por perto sempre que possível, pergunte a vizinhos e porteiros se já presenciou alguma situação estranha e em caso positivo investigue pessoalmente o que está acontecendo. Da mesma forma, pode passar despercebido ou um pouco invasivo, mas também vale a pena observar a forma como o cuidador está vestido: se demonstra ter boa higiene pessoal, se as roupas estão asseadas e apropriadas para exercer sua função, visto que uma pessoa que não cuida bem de si provavelmente não irá cuidar bem da higiene de outra pessoa. É fato que é difícil escolher um bom cuidador de idosos e se tomarmos esses cuidados pode ser ainda mais demorado encontrar alguém que preencha os requisitos. Mas, lidando com vidas, especialmente de pessoas queridas, vale a pena ser cauteloso e cuidadoso.
Luciene C. Miranda
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procuro uma fisioterapelta em indaiauba alguem pode me ajudar?obrigado.
Catia, realmente sua situação é muito difícil e, infelizmente, muito comum dentre várias famílias nas quais um único membro torna-se o total responsável pelo cuidado do idoso.
Infelizmente no Estatuto do Idoso não existe nenhum artigo que garanta este direito ao cuidador e pessoalmente desconheço algum tipo de lei que possa te beneficiar.
Um abraço.
que idoso tem seus direitos isso eu sei! mas qual é o direito de uma filha que cuida e faz tudo por esse idoso tendo mais quatro irmaos perto e nenhum deles fasem nada para ajudar?meu pai nao esta tao doente que nao entenda oque faz mas esta acabando com a minha saude ja nao concigo ne dormir.pesso ajuda aos meus irmaos e eles fingem que nao enteden. eu tenho algum direito quanto a isso?espero respósta. obrigado!!!
Maria, muito obrigada pelos elogios ao blog e por indicar o site a pessoas conhecidas! Pessoas como nós (incluo vc) ficamos incomodadas e sensibilizadas com este tipo de atitude, às vzs não é possível fazer nada diretamente num desses casos, mas ao debatermos o assunto talvez estamos auxiliando para aprimorar a capacidade de observação das pessoas em geral. Um abraço.
É muito importante lembramos, ou observarmos determinada atitude que muitas vezes nos deixa perplexo custamos as vezes acreditar no que estamos presenciando. Nos faz lembrar de um parente,de um vizinho,de familias que consideramos, é muito sério , quando observo um idoso penso , tão indefeso , tão dependente, tantas experiências de vida para nos ensinar e muitas vezes as pessoas perdem a oportunidade de aprender tantas coisa boas ,um olhar um estender das mãos muitas vezez com dificuldade, o pronunciar de algumas palavras ,nos faz lembrar também do nosso amanhã. Infelismente a familia confia em alguém para cuidar dos seus IDOSO é surpreendido com uma cena como essas , na televisão, nas ruas etc e nos faz acordar e procurar obter informações antes de contratar algém para cuidar de algém da familia. Tenho admirado muito esses trabalhos de vocês , sempre recomendo alguem paraentrar neste Blog. ´PARABÉM.
Maria da Glória e Irene,
Muito obrigada pelos comentários! É bom saber que outras pessoas tambpem compartinham e reforçam as minhas idéias.
Um abraço
A capacitação de um cuidador é de supra necessidade, mas contudo nós devemos olhar com muita cautela o carater do mesmo, asensibilidade e oamor são criterios essenciais para o cuidado deos nossos idosos que como vc mesma diz se tormam crianças indefesas na sua fragilidade.
Considero o artigo sensivel e de muita propriedade. O Cuidador de idosos, deve ser capacitado e ter características de humanidade para este tipo de trabalho. As familias devem considerar esses aspectos no momento de contratar um cuidador, além de compartilhar medos inseguranças e responsabilidades com esse profissional. Urge que ofereçamos mais cursos de formação de cuidadores de Idosos. bjos
Gracinha, vc tem toda razão. Vc tem mtos exemplos positivos de como o trabalho do cuidador, associado ao familiar podem trazer benefícios para todos os envolvidos. Infelizmente algumas pessoas ainda pensam que contratar um cuidador familiar é trasnferir totalmente sua responsabilidade para uma outra pessoa, que nem sempre é ética e responsável. Continue nos dando seus exemplos de vida.. bjos
Raimunda, é muito bom sabermos que uma pessoa está envelhecendo de maneira saudável, ativa e independente. Assim vc tem condições de desfrutar dos benefícios consedidos pelo Estatuto do Idoso. Um abraço
Bom dia!é lamentável a pessoa precisar de alguem para cuidar! a situação muda de contexto quando quem vai cuidar ama o outro?chegar aos 60anos de idade cuidando de si propria é uma benção de Deus!haja vista segundo a pesquisa a maioria dos idosos estão com 60anos de idade e muitos com a saude comprometida não tem oportunidade da gratuidade nos transportes no rio de janeiro,mas o estatuto do idoso está revendo esta questão!desde já agradeço.
Muito bom, Lu! Esta é uma questão muito séria e, pior, bastante comum no dia-a-dia dos idosos. Eu bem sei as experiências que tenho vivido exatamente dentro desse contexto. Parabens pela excelente idéia de abordar essa questão. Infelizmente há muitos idosos vivendo sozinhos com cuidadores desta natureza cujas famílias – quando mantêm algum senso de zelo – contentam-se apenas em telefonar para saber se está tudo indo bem. Beijos