Publicado em: 18/04/2010

PSF e a geriatria: E agora, José?
Faz quinze anos que sou médica de família, vivencio na prática, por que não dizer na pele, a transição demográfica do envelhecimento populacional. A mudança na pirâmide etária se desenha sob meus olhos, só que não em números como nos livros, mas em nomes, Marias e Josés com 65,75, 85, 95 e até cento e poucos anos ocupando o centro de minha agenda de visita domiciliar; sempre super lotada por mais um caso solicitado pelos agentes comunitários de saúde.
Inquietações povoam meu sono, são mais corredores acrescentados ao labirinto do PSF. Evoco Drummond: “E agora José… José para onde …” Ontem, mas parece literalmente ontem, eram seus tataranetos, bisnetos e netos que nos desafiavam e Eros venceu Tânatos na maioria das batalhas em combate à redução da mortalidade infantil, ainda não findada, mas, orgulhosamente comemorada por quem como eu, fui pioneira do PSF no município de Campina Grande – Paraíba.
Já nos embala ouvir o choro e o riso destas crianças, ora adolescentes que quiçá ajudem a construir uma sociedade justa, onde os idosos que nascem com eles, e os idosos que os antecederam, hoje consumidos pelo tempo e pelas desigualdades sociais. Vejo-os refletidos nas estatísticas que apontam uma má qualidade de vida, tais como maus tratos, solidão, falta de acesso, discriminação, alcoolismo, dependência, falta de autonomia e um perfil de morbidade, acumulando muitas vezes mais de cinco patologias a exemplo da hipertensão arterial, diabetes mellitus, osteoartrose, câncer, Alzheimer e as devastadoras síndromes geriátricas. E nós, profissionais despreparados para este enfrentamento, só nos resta desertar ou enfrentar, as duas opções já povoaram a minha cabeça, optei pela última.
Foi a minha formação de médica sanitarista, clínica geral, especialista em saúde mental com a prática do cuidado como médica de família que me conduziu a enveredar pela área complexa, árida e apaixonante da geronto-geriatria; fui la(n)çada à ela. Parafraseando mais uma vez Drummond: “… estou com a chave na mão…” Não sei se existe porta, mas não quero morrer no mar, no mar da apatia e da indiferença e fingir não ouvir os gritos dos socorros que eles, os idosos, mudamente entoam.
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PARABÉNS PELOS ARTIGOS DA COLUNISTA DRª LUCIEUDA, SÁBIA E DESBRAVADORA DA SÁUDE PÚBLICA.
Dra Lucieuda
Sorte de quem cruzar o teu caminho. Que artigo lindo!
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À MÉDICA LUCIEUDA, A QUAL É DE MINHA ESTIMA E ADMIRAÇÃO, POR TER COM ELA MUITO APRENDIDO, DIVIDINDO UM POUCO COM ESSA MESTRA DO CUIDAR, OS ESPAÇOS DA ARTE DE FAZER PSF, E NESTE ARTIGO DEMONSTRA SUA SENSIBILIDADE SEM TAMNHO, E APENAS UM PINGO DO SEU GRANDE TALENTO, COMPROMISSO E DOAÇÃO.E POSSO AFIRMAR COM PROPRIEDADE QUE ESSE SITE E A GERIATRIA GANHOU UMA GRANDE JÓIA PRECIOSA PERSONIFICADA EM HUMANA. PARABÉNS DOUTORA DO OLHAR, VER, SENTIR, ENFIM CUIDAR.
Lucieuda consegue associar o seu vasto conhecimento médico com uma sensibilidade que só aumenta com o tempo. Parabéns
Seja bem vinda, Dra. Lucielda. Precisamos muito aprender com sua larga experiência direta com as famílias e com os idosos. Escreva seu dia-a-dia e suas ponderações acerca da sua atuação no PSF e na especialização em geriatria.
Abraços.