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Publicado em: 13/09/2008

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Outro olhar: casa ou instituição

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Olá! Hoje vou utilizar um artigo da nossa colabora Luciene Miranda para guiar meu artigo desta semana. Algumas semanas atrás, ela falou, e muito bem, sobre a difícil decisão: casa ou instituição? Escreveu sobre o dia-a-dia da família, os cuidados para o envelhecimento, sobre a situação de não abandono do idoso quando a decisão é a instituição.

Eu trabalho em um residencial geriátrico, que desenvolve um trabalho diferenciado visando suprir as necessidades do idoso. Objetivando aproximar-se da mesma atenção e carinho, vividos em família, o residencial promove programas diversos de resgate da dignidade do idoso através do desenvolvimento de habilidades intelectuais e motoras. Em seu cotidiano, conta com uma equipe multidisciplinar que valoriza a atenção, o carinho e o afeto, atitudes tão importantes quanto às técnicas de recuperação terapêuticas geralmente adotadas. Ou seja, é uma extensão de sua casa, com o tratamento clínico necessário para a qualidade de vida do idoso.

Como terapeuta ocupacional, realizo uma atenção dirigida para a integração social do idoso institucionalizado, bem como a prevenção de degeneração física, mental e social ocasionada, na maioria das vezes, por um longo período de asilamento. A integração social é observada na priorização das atividades em grupo, como a musicoterapia, onde os idosos cantam músicas antigas, novas, hinos, estimulando a memória, atenção, concentração. As danças são conseqüências desses momentos de lazer e descontração causados pela música. O incentivo à descoberta de novas habilidades, novas experiências, dá-se nas oficinas de atividades manuais. Onde os idosos são apresentados a materiais às vezes desconhecidos ou nunca explorados, como crochê, tricô, onde os professores são os próprios idosos moradores que detenham esse talento. Outras atividades como passeios, jogos cognitivos ou de mesa, sessões de cinema, gincanas, festas de datas comemorativas ou aniversários, e até rodas de chimarrão (bebida tradicionalista gaúcha) “regadas” a muita história, conversas sobre os mais diferentes assuntos de interesse dos idosos, são proporcionadas no residencial.

Como falado anteriormente, a decisão de instituição ou não é muito difícil, têm muitas questões a serem analisadas, pensadas, para o bem da família, e principalmente, do idoso. Mas a idéia de abandono, ou ócio, é um estigma que essas instituições levam há muitos anos, e minha idéia com esse artigo é realmente para desmistificar esse pensamento. Sabe-se que não são todas as instituições que têm esse diferencial, mas para isso, vale as dicas que a Luciene Miranda coloca em seu blog, quando fala dos cuidados a serem tomados na hora da escolha da instituição ideal para o idoso.

Muito obrigada! Aguardo comentários!

Boa semana a todos!

Gabriela Heldt

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12 comentários em “Outro olhar: casa ou instituição”

  1. Casa de Repouso Por do sol disse:

    As familias, que tem em suas casas um idoso, muitas vezes tem uma ideia bem diferente de casa de cuidados para idosos ou moradia de longa permanencia; tem a ideia de dizer q não colocariam seu vo sua mãe em um lar, mas ao mesmo tempo não conseguem dar a atençaõ, ter paciencia, e mtas vezes nem carinho eles tem, não os culpo, vcs tem filhos maridos ou esposas tdos em um mesmo espaço e com idades mto diferentes, o cansasso e o stress com certeza chega ai vc fica com o vozinho lá em um canto da casa parecendo um vazo e não um ser humano, vc chega do tbalho cansado e nem lembra que tem um idoso ali esperando pra ter sua atenção, e vc nem o olha ou simplismente o comprimenta como uma obrigação, ai nda da certo pra ti pq no fundo sua conciência te cobra isso, mas teu corpo ja não consegue mais, pq vc chega no seu limite, eu te explico porque: Porque aqui a gente tbalha com uma equipe de enfermagem com uma carga horária, porque? porque ninguem pode permanecer 24 hr por dia com um clinte e são profissionais treinados e capacitados para este trabalho, como então pensa vc que não obteve nem um tipo de treinamento, pensa que vai suportar esta situação e ainda agregar esta situação a sua familia, se vc tentar por muito tempo e não se capacitar, tbem irá adoecer ai vc prescisara de cuidados.Mas se vc por seu idoso em um bom lar com tda a assitencia, vc vai poder pega-lo nos fins de semana,com uhna feita, cabelos arrumados bem cuidado bem amado e com tda a atençõa que ele merece, e vcs dois vão sair juntos pra passear conversar e passar o dia juntos, mais vale vc tirar um dia só pra ficar com seu idoso e se dedicar a ele do que vc ter ele todos os dia em sua casa o tratando como se fosse um obejeto….pense nisso…. bjs sorte

    CASA DE REPOUSO POR DO SOL
    CUIDAR DO IDOSO, COM AMOR, DEDICAÇÃO E RESPEITO
    (47) 32072059 – (47) 99123535

  2. Mari disse:

    Bom dia! Ainda moro com meus pais e minha avó foi morar conosco há mais de um ano. Até então ela era uma pessoa ativa, mesmo com suas limitações, fazia uma ou outra atividade doméstica que estimulava sua atividade motora e naturalmente também exigia mais de sua cognição. Desde que foi para minha casa ela não faz mais nada, fica muito na cama e nos últimos meses não nem mesmo saído dela! Talvez por excesso de cuidados da nossa parte ou por ela ter percebido que quanto mais ela precisa de nós, mais tempo ficamos com ela e menos ela quer fazer por si mesma. Ela quer que minha mãe faça tudo! Se outra pessoa faz nunca está bom! E minha mãe também está adoecendo com isso!! Minha mãe se cobra muito e minha avó consegue cobrar ainda mais dela! Não quer que ela saia de casa nem mesmo para trabalhar e quando alguma amiga (raramente) faz uma visita, minha avó praticamente expulsa a pessoa da minha casa! Monitora tudo e todos. Minha mãe comprou um andador para que ela saísse mais da cama, mas ela ficou um pouco ofendida! Disse que não era um bebê… Parece engraçado, mas às vezes é difícil lidar com ela. Além disso, gostaria de propor algo que a ocupasse enquanto não estamos em casa, para que ela voltasse a ter gosto pela sua capacidade produtiva!
    Sem muita criatividade, pesquisei na internet, mas só encontro artigos que falam sobre a importância desse tipo de atividade… Afinal, que atividade poderia ser está?!? Para uma pessoa que tem as mãos dormentes (talvez um pouco por falta de estímulo mesmo!) e já não pode mais contar com a coordenação motora, a visão não é boa… Mas por outro lado a memória, sim, é boa! E apesar de se recusar a fazer coisas por si mesma, gosta de agradar aos netos quando vão visitá-la. Apesar de ser diabética gosta de manter doces e pãezinhos próximos a sua cama, para quando suas visitas vierem… Pensei em algo que ela pudesse fazer para ofertar aos netos, bisnetos e tataranetos! Ela tem 88 anos! Mas é totalmente lúcida e cuidadosa! Você teria algo para nos sugerir? Algum trabalho manual que ela possa realizar?
    Obrigada!

  3. Elizabeth Budney disse:

    Sou cuidadora de minha mãe, pois sou filha única, portanto, sem opção. Tive que parar de trabalhar do dia para a noite,no momento em que as despesas aumentam muito. Fiz mil pesquisas de cuidadores profissionais e instituições. Sou adepta de instituições sérias, pois em casa, para ela não falta nada tecnicamente, mas falta integração com outras pessoas. Meu tempo é reduzidíssimo, pois faço literalmente tudo em casa. Mas cuidadores e instituções são ítens proibidos para quem não tem uma boa situação financeira.
    E depois as pessoas falam que é preciso o cuidador se cuidar…

  4. Marcelina disse:

    Sou psicóloga trabalho também num abrigo para idosos, a maioria desses idosos tem comprometimento físico ou cognitivo em razão de alzaimer, demência e outros. Sempre estou lendo artigos como este buscando alternativas par ajudar meu trabalho. Infelizmente fico pouquisssimop tempo na instituição, mas o fato de ouví-los é uma maneira de resgatar sua identidade.
    Parabéns

  5. Gabriela Heldt disse:

    Alba, colocastes que procuras ajuda pela ABRAZ. No site, encontrarás os endereços dos grupos de apoio a familiares. È importante participares, verás que não estás sozinha. Aqui em Porto Alegre, temos um grupo de apoio proporcionado pelo Hospital de Clínica de Porto Alegre. Onde os familiares, cuidadores recebem esclarecimentos quanto ao curso da doença, manejo, e o mais importante, apoio. Procure na sua cidade. Boa sorte!

  6. Gabriela Heldt disse:

    Molly, Alba, e Fernanda. Muito obrigada pelos comentários. Pelo visto, a institucionalização ou não do idoso é um assunto muito discutido. Mas acho que é muito válida. Nestes dois últimos posts, coloquei os dois lados, o ambiente familiar e a instituição, que é (ou deveria ser! em alguns casos) uma extensão deste ambiente familiar. A escolha varia muito de família para família, e não devemos nos arrepender desta. Molly, naquele momento foi mais importante para ti, sua mãe e família a opção do carinho e amor da sua casa. Agora, neste momento em que ela precisa de cuidados mais específicos, você escolheu a clínica. Ou seja, ela teve e está tendo todo o cuidado necessário. Parabéns por tudo que estás fazendo por ela!
    Abraços e continuem acompanhando as atualizações do nosso portal!

  7. Fernanda Rezende disse:

    Parabéns pela matéria Gabriela!
    Realmente precisamos desmitificar a idéia de que instituições de longa permanência são “depósitos” de idosos!
    Também trabalho em uma residência para idosos em que oferecemos toda uma estrutura para garantir qualidade de vida na terceira idade. Estou certa de que aqui nós trabalhamos muito mais a socialização e reabilitação cognitiva do que se este idoso estivesse em sua casa.
    Acredito e defendo a idéia de que as residências para idosos são realmente a extensão da casa dos familiares, porque tem crescido cada vez mais a procura dos próprios idosos para residirem aqui e usufruirem das atividades que oferecemos!
    Um abraço e sucessos!!!

  8. ALBA disse:

    GABRIELA , MUITO OBRIGADA , OARTIGO É MUITO INTERESSANTE CONTINUE
    FAZENDO ESTE TRABALHO . SOU CUIDADORA DE MINHA MÃE ,MUITAS VEZES ME
    SINTO SÓ. E TENHO CONSULTADO PELA ABRZ AGUNS ASSUNTOS E TEM ME AJUDADO BASTANTE.

  9. Molly Stein disse:

    Muito interessante o tratamento que a clinica onde você trabalha dispensa aos moradores. Mas nem todas são assim, e ainda a mídia oferecendo sempre noticias ruins, nada animadoras com relação a este assunto. Então esta prática acaba se enchendo mais de preconceitos e mitos.

    Um filme que concorreu ao Oscar este ano, 2008, Away from Her (Longe Dela) trata bem desta temática, apesar de a esposa estar desenvolvendo Alzheimer, mostra a necessidade de haver uma atenção direcionada ao idoso quando este não pode mais cuidar de si mesmo e muito menos de outrem.

    Tenho minha mãe com Alzheimer e ela está em uma clinica a 1 ano e meio e não me arrependo, apesar de eu só a ter levado quando acamou, e disto me arrependo de não ter sido antes, pois além do idoso necessitar qualidade de vida, o cuidador também precisa. Pois na tentativa de cuidar bem, não se cuida e vive na forma de tentativa e acerto no cuidar do doente.

    O idoso são, nem sempre tem a família que lhe valoriza, e também por não ter mais obrigações fica com muito tempo ocioso e em uma instituição com certeza teria mais atividades e como se sentir útil.

    Portanto o tema é “qualidade de vida para o idoso” e numa instituição ela pode ser levada a sério sim, pois todos são profissionais no que fazem e se conseguem aliar carinho e amor, nada melhor para os nossos e quem sabe para nós mesmos num futuro que as vezes pode mais próximo do que esperamos.

    Este link sobre sua matéria foi levada a nossa comunidade no orkut e a divulgação é a melhor forma de abrir um assunto tão controverso. Temos tópicos por lá falando sobre internação e costumam ser bastante calorosos nas discussões.

    Parabéns Gabriela!

  10. Gabriela Heldt disse:

    Maria Goretti e Maria Piedade, muito obrigada pelos comentários.
    Um abraço e continuem em contato

  11. Maria da Piedade Oliveira disse:

    Gabriela, parabéns pela reflexão sobre a institucionalização. Realmente é uma decisão muito importante, na vida da pessoa idosa que necessita ou deseja tal mudança de endereço.É necessário uma avaliação a cada dia. Trabalho há um ano e quatro meses com esta temática, o que me tem feito refletir sobre esse momento decisivo na vida das pessoas idosas, principalmente quando não têm condição de decidir, por motivos de saúde ou por dependência da decisão de familiares ou responsáveis.Muito se tem que aprender sobre envelhecimento e como lidar com o mesmo. Gostaria de saber mais sobre o seu trabalho para troca de experiências . Um abraço e sucesso! Piedade.

  12. Maria Goretti Simões disse:

    Gabriela parabéns pela matéria, a sociedade precisa ir criando alternativas víaveis para uma melhor qualidade de vida de nossos idosos, acradito que quanto maior for o envolvimente de profissionais nesta área, melhores serão os resoltados
    Sucesso no seu trabalho e de toda equipe,
    Goretti

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