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Cuidar de Idosos

Publicado em: 16/03/2008

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Os cuidados com os medicamentos

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Não é o caso de ler as bulas ou de conversar com o balconista da farmácia. Os medicamentos, para os idosos, podem ser tanto uma fonte de alívio e cura para seus males, como um verdadeiro calvário de sofrimento e dor, pelos efeitos colaterais que podem produzir! São eles os responsáveis por uma boa parcela do grande avanço que a medicina desfruta hoje, juntamente com as novas técnicas cirúrgicas e os exames complementares de últimas gerações.
Existe um termo que explica muito bem a preocupação que os geriatras têm em relação aos medicamentos usados pelos idosos. Chama-se iatrogenia. Este termo significa o seguinte: “É a ação feita pelo profissional de saúde, seja ele médico, enfermeiro, farmacêutico, dentre vários, que resulta em dano para o paciente (em nosso caso, o idoso), seja por medicamentos, por exames complementares ou pela omissão e maus tratos”. Por exemplo, um idoso que toma vários medicamentos para o coração, vai ao médico devido a uma dor na coluna. O doutor passa medicamentos antiinflamatórios e solicita uma ressonância magnética da coluna, com contraste iodado. Nosso idoso, alguns dias depois, é internado com um quadro de desidratação e insuficiência renal aguda, parando de urinar.
A medicina, atualmente, está dividida em várias especialidades. Até mesmo as especialidades médicas estão se dividindo em várias sub-especialidades. Lembramos, apenas como ilustração, da cardiologia pediátrica, da cirurgia cardíaca, da cardiologia intervencionista (cateterismo cardíaco), da arritmologia (marca-passo e arritmias), da cardiogeriatria, da cardiologia…ufa! Assim, muitas vezes, o médico pode ser a maior autoridade numa determinada doença, mas não apresenta qualificação para tratar ou interagir com outros profissionais médicos, no que diz respeito ao resto do corpo humano. O cliente é visto, nesses casos, como o cara do enfisema pulmonar ou o idoso da próstata grande.
O geriatra, ao contrário, olha o seu cliente de uma forma holística, olha-o como uma pessoa idosa, que requer um olhar gerontológico, procurando não somente tratar e curar doenças, mas melhorar a sua qualidade de vida. Para isso, implica principalmente tratar os problemas principais (as doenças principais ou a principal), evitando passar medicamentos para todos os sintomas que vierem aparecer. Exemplo: o idoso está tratando de coluna, de coração e de galucoma, toma quatro tipos de medicamentos e um colírio. Só que um dos medicamentos (o antiinflamatório) está causando gastrite. Queixou com o médico, que lhe passou omeprazol e bromoprida. Mas a bromoprida está dando muito sono e tonteira. Foi à um plantão de porta de hospital e lhe receitaram um medicamento para labirintite, que lhe deu mais sono ainda. Entenderam a confusão? É o que chamamos de cascata medicamentosa, isto é, o efeito colateral de um medicamento provoca a prescrição de outro medicamento.
Outra coisa importante sobre medicamentos para os idosos é em relação à maneira como o médico prescreve, com várias tomadas ao dia, e muitas vezes com doses altas, inapropriadas para as pessoas mais velhas. Imaginem tomando dois medicamentos á sete horas da manhã, mais dois às 10 horas, depois do almoço 3 medicamentos, após o jantar 4 medicamentos, fora o remédio para dormir. Ah! Esquecemos do laxante e do colírio para glaucoma (3 vezes ao dia)! Na grande maioria dos casos, esta prescrição não é seguida à risca, por absoluta falta de condições de o idoso comprar e de não pular os horários determinados.
Nestes casos, a atuação do geriatra é fundamental para reduzir o número de medicamentos desta receita, racionalizando os horários e reduzindo as doses dos medicamentos, correta para os idosos. É sempre bom levar a sacola de remédios em todas as consultas ou escrever no papel todos os medicamentos que realmente o idoso toma, com as dosagens e os horários.

Márcio Borges

Geriatra - marcioborges@cuidardeidosos.com.br

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4 comentários em “Os cuidados com os medicamentos”

  1. maristela disse:

    Normalmente os medicos estão ocupados demais e as consultados duram 5 min. se a receita não estiver feita antes…e quanto ao balconista da farmacia muitas vezes pode ser a pessoa que dá mais atenção ao doente. e muitas vezes este balconista pode ter um diploma com o tiutlo de FARMACEUTICO. que pode ter mais cuidados e atenção que o proprio medico

  2. MARIA DE FATIMA FERREIRA DINIZ disse:

    PRESISAMOS REALMENTE TER MAIS CUIDADOS COM NOSSOS IDOSOS,ELES PRECISAM NAO SO DE MAIS CARINHO E AMOR COMO ESTAR SEMPRE CAMINHANDO PARA UMA CONSTANTE MELHORIA EM ASSISTENCIA MEDICA, UMA VEZ QUE OS EFEITOS MEDICAMENTOSOS, PODEM CADA VEZ MAIS COMPLICAR SUA SAUDE, POIS UMA COISA VAI DESENCADEANDO A OUTRA.O NOSSO CORPO E UMA MAQUINA COMPOSTO DE ORGAOS TRABALHANDO UM EM FUNÇAO DO OUTRO.

  3. Polianna de Jesus Oliveira disse:

    Eu acho que o idoso merece ser visto com outro olhos nao so que eles estao cansados e doentes e sim que prescisa ter mas amor,e viver mais e mais pra fechar a vida com chave de ouro!!

  4. Renata Santos disse:

    É exatamente o que acontece. O cardiologista só se preocupa com o coração, e tome diurético. Se o idoso quase não bebe água, começa a secar, a desidratar. O problema da medicina atual é dividir a pessoa em pedaços, mas nós somos seres integrais e aí conserta um lado e desarranja o outro. Muito bom o artigo.

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