Publicado em: 27/11/2009
Leiam, abaixo, artigo do advogado e economista Carlos Fernando Priess. Todos os dias, recebemos e-mails e comentários de vários idosos, reclamando de maus tratos e abuso econômico e previdenciário cometido pelo próprio governo federal. Este artigo retrata fielmente este sentimento de isolamento e indigência, como se não tivessem contribuído um só centavo para suas próprias aposentadorias, como se o governo estivesse oferendo esmolas. Este artigo saiu, originariamente, em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2009/11/26/os-aposentados-em-sua-ultima-jornada-914935491.asp
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OS APOSENTADOS EM SUA ÚLTIMA JORNADA
Sempre se falou, no interior, que “cavalo velho se coloca em pasto sem capim”, pois, já vencido pelo cansaço, pela exaustão, melhor para o mau e insano criador que o velho cavalo, já cheio de escoriações, morresse mais depressa. Assim são os aposentados deste país. Elegeram o presidente Lula na esperança de melhorarem as suas aposentadorias, mas lá se vão quase dois mandatos e o líder dos trabalhadores esqueceu da classe mais sofrida.
Os contratempos da vida lhes impingiram, no decurso de seus anos de trabalho, muito sofrimento. Hoje, até o caminhar para enfrentar as filas dos bancos e da Previdência lhes causa muita sofreguidão. Tal qual o cavalo magro que não encontra abundância de um pasto verde, os aposentados, hoje, têm uma nova jornada: esperar que o governo pague uma aposentadoria decente, nos termos daquilo que contribuíram, duramente, durante trinta ou mais anos.
Como hoje, para os poderosos, não têm mais utilidade, melhor que morram os velhos mais cedo. Nosso desgastado Congresso, na maioria de seus membros, faz aquilo que o poder central quer e não impõe justiça para os aposentados.
Quanto aos cavalos velhos, atualmente, até quase não se vê mais o mau trato, pois as associações protetoras dos animais estão atentas, mas o aposentado está completamente abandonado. E a defasagem das aposentadorias acima de um salário mínimo obriga a todos irem à luta, tirando, inclusive, o lugar para os mais jovens.
Esquecem esses “líderes” que levamos ao poder que os aposentados já cumpriram a sua missão com esforços excessivos, e milhares deles de forma cruel, enquanto eles estão garantidos com ricos proventos mantidos pelo povo. Com a alegação de defenderem os cofres da Previdência, tão espoliados pela corrupção, covardemente o Poder Executivo impõe as suas regras desumanas.
Querem os aposentados, em verdade, é sossego com “um pastinho verde” onde possam, com a melhoria nos seus rendimentos, terminar a sua jornada mais tranquilamente, se alimentando melhor e racionalmente, pois, devido à situação precária, até seus dentes perderam ao longo de sua caminhada.
Com a eleição do atual presidente, milhões de aposentados deram graças a Deus, pois acharam algo de oportuno e sublime havia acontecido, já que alguém que parecia ser dotado de sensibilidade e coragem iria restabelecer os direitos daqueles que trabalharam e contribuíram para ter uma velhice com conforto. Lêdo engano, pois Lula não ouve os aposentados.
Ao longo dos últimos 11 anos, desde, portanto, que Fernando Henrique chegou à Presidência da República, os valores do salário mínimo têm sido corrigidos em percentuais acima da reposição aplicada aos pensionistas e aposentados da Previdência Social que percebam acima do piso básico. A situação é a seguinte: o INSS tem 25 milhões de aposentados e pensionistas. Deste total – vejam só – 75% ganham salário mínimo. Consequentemente, 25% ganham mais do que este valor. E tudo continua no mesmo. Aqueles que contribuíram com cinco, dez salários mínimos, daqui a pouco estarão ganhando apenas o mínimo.
Os cofres públicos têm dinheiro até para financiar obras no exterior, como na Argentina, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Peru, Venezuela, Namíbia, Angola, Moçambique e outros países que tiveram obras públicas financiadas pelo Brasil. Além do BNDES, o Banco do Brasil também opera mecanismo parecido, através do PROEX (para financiamento de exportações), com semelhança idêntica à do BNDES. A triangulação implica diversas impropriedades: tratam-se de empréstimos disfarçados a países estrangeiros.
O dinheiro público brasileiro está sendo usado para financiar obras no estrangeiro sem nenhum processo concorrencial que permita a participação de outras empresas brasileiras eventualmente interessadas e até emprestar para o FMI já aconteceu. Isto prova que o país cresceu, o que é importante, mas para o aposentado, tolhido em seus direitos, só se fala em déficit da Previdência.
Carlos Fernando Priess
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O COMPLEXO DO ALEMÃO!
Escreveu Carlos Fernando Priess (*)
Vivemos ainda com a lembrança, triste e dolorosa, da chamada GUERRA DO RIO, com cenas de ataques criminosos, com violentos arrastões e incêndio em veículos, da população, e a reação do estado, ocupando as favelas. O que assistimos, através da televisão, ao vivo, nos últimos dias é apenas mais uma na longa lista de batalhas entre a polícia e o crime organizado.
São fatos que se repetem, mas será isso uma solução para a segurança pública do Rio, do país, em termos imediatos? E o que acontece para garantia dos direitos dos cidadãos da favela e de toda a cidade?
Assistimos com tristeza, dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marchando em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias, jamais tiveram oportunidade de uma vida condigna. São despidos de qualquer ideologia e não querem disputar o Estado. São vítimas dos poderosos traficantes que, por sua vez, são abastecidos por um poder maior, desconhecido e inatingível.
São jovens que só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. Não há sequer expectativa de vida, sabem apenas que podem matar, como se tornar cadáveres a qualquer hora.
Os pais desses jovens e que formam em verdade, a população das favelas, 99% são pessoas honestas que trabalham o dia todo nas fábricas, no comércio, na construção civil, nas ruas, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente, assiste as suas comunidades tornadas em praças de “guerra” sem exercer sequer o direito de dormir em paz.
Nas favelas, provam as estatísticas, que apenas 1%, são de possíveis criminosos e quem dera que o mesmo índice ocorresse na classe política.
Enquanto o povo, a população trabalha, o lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado.
Sabemos que a nossa polícia é a que mais mata e que mais morre no mundo, mas isso não resolve, pois está faltando vontade política para valorizar e preparar os policiais, remunerando-os condignamente, para enfrentar o crime, que tem poder e dinheiro.
Temos ainda, o que é grave por demais, como origem da crise, a desigualdade social, que não pode ser combatida com qualquer aparato bélico, sendo necessário entender, que a justiça social está no âmago de toda essa guerra entre o bem o mal.
Os Governos, a sociedade capitalista, precisa em verdade, é construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. É preciso entender que as chamadas UPPs, ajudam, claro, a ação policial, mas está faltando para os que trabalham, saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
E os problemas não se resolvem com a lógica da guerra, que prevalece no Brasil desde Canudos. Que nunca proporcionou segurança de fato. Registra a história que aquela guerra, terminou com a destruição total de Canudos, a degola, a sangue frio, de muitos prisioneiros e o incêndio de todas as 5.200 casas do arraial.
Precisamos, isto sim, exigir que a classe política cumpra com suas promessas e a sociedade dominante, faça da justiça social, uma bandeira constante, para que o que assistimos no Complexo do Alemão, não volte a se repetir.
(*) Advogado/Economista – carlos@priess.com.br
Não vejo necessidade de infestir no aposentato, sabe porque? ele está na faze final da sua vida , um bom sálario pra que? se ele muito mal conhece o valor do dinheiro, aposentado não tem direito algum , como diz o ditado popular, se ficar calado está errado , se falar mais errado ainda.pra que se preocupar com o aposentado , existe outras prioridades mais importante. Seus longos anos de trabalho já foi investido , o aposentado precisa descançar, dentro da sua casa, e se adptar a nova rotina de vida , seu pensamento agora é esse: contribuir muitos anos para minha Pátria !!! Realmente . enriqueceu a Nação com seu trabalho , se entregou penssando em um futuro melhor o que restou do aposentado? despreso,humilhação, perdeu o seu valor, o que restou do aposentado? uma cadeira para ele sentar, uma cama para dormir eeeee esperar a morte chegar , assim é o fim do aposentado ,lamentavelmente, e assim morreu o aposentado.
investir no idoso é muitocaro, o ido
Boa tarde!
Essa é a questão social e cultural de um País que não valoriza a pessoa que tem grande experiencia de vida e profissional só porque já alcançou a idade idosa.
O ser humano não reconhece valores talvez desconheça por falta de vivencia,as questões sociais,politicas publicas precisam trabalhar com as pessoas esse lado humano os jovens estão se perdendo cada vez mais sem volta.
O jovem de hoje é o idoso amanhã,o que ele construiu para o futuro o que foi ensinado para ter uma aposentadoria digna com sossego?é preocupante essa situação não vai mudar se não houver mudança de mentalidade não é?Boa sorte
MARAVILHOSO, esse artigo!
Toda realida está espelhada nele. Hoje estou me sentido
como o próprio cavalo velho…lá se vão tempos que, anteriormente
pareciam de felicidade e paz, pela aposentadoria conquistada.
Aos sessenta e poucos anos,hoje, se não fosse estar ainda puxando
uma carroça(outro trabalho) não seria possivel nem comer o capim o
ressequido quanto mais ele verde e novo.
Grato!