Promoção

Primeira página

Seções

Profissões

Doenças

Condições

Cursos

Dicas

Vídeos

Redes Sociais


Cuidar de Idosos


Publicado em: 22/08/2010

A- A+

O vovô? Ele está muito bem!

  •  Favoritos
  •  Assinar feed
  •  Receba por e-mail
  •  Link para este post
  •  Notificar erro
  • Enviar para amigo

  •  

O vovô Ele está muito bem O vovô? Ele está muito bem!

O vovô? Ele está muito bem!

Esta é uma resposta que tenho escutado frequentemente e que, infelizmente me preocupa. Recentemente, encontrei familiares de dois idosos: um senhor com graves problemas de saúde física, porém com estado cognitivo preservado e uma senhora, com aparente boa saúde física, porém com doença de Alzheimer em estágio avançado. Nos dois casos, perguntei aos familiares como estavam os idosos.

A filha do senhor respondeu: “O papai está ótimo”. Infelizmente, quando fui visitar, percebi que a definição da filha nem de longe ilustrava o estado de saúde do idoso. Deparei-me com um senhor, outrora ativo, acamado, traqueostomizado, sem condições de falar, permanecendo com os olhos fechados, necessitando de acompanhamento constante da equipe de enfermagem. Só era visível que o senhor estava lúcido e, na medida do possível, lançava mão de pequenas estratégias de comunicação não-verbal para mostrar reconhecer as visitas e informar à filha que estava com frio. Ele permanece hospitalizado há vários meses.

Já em relação à outra senhora, a nora sempre responde: “A dona Fulana está ótima da saúde, só não dá mais conta do que está acontecendo”. Ao visitar a senhora, percebi que o relato da nora também não era condizente com a realidade, exceto pela parte de que a mesma não se dá conta do que acontece ao redor dela. Em estágio terminal da Doença de Alzheimer, a idosa não mostra nenhum tipo de comunicação verbal ou não verbal, constantemente acamada, porém seu estado físico também não estava nada bom. A idosa apresentava escaras por todo o corpo, algumas com sinal de infecção e era possível perceber nela uma certa dificuldade para respirar. Resumo da história: um dia ela veio a passar mal e teve de ser hospitalizada, onde permanece há vários dias.

Aonde pretendo chegar com essas histórias? Devemos sempre ter esperanças de melhora, acreditar no poder de Deus, ter uma atitude positiva frente às adversidades, mas não podemos ficar alienados àquilo que aconteça à nossa volta! Temos que ser realistas, ou poderemos até mesmo trazer prejuízos para aqueles que amamos.

No caso deste senhor, tive conhecimento, por parte de alguns familiares, que muitos deles, especialmente aqueles mais idosos, ficavam muito assustados nos momentos de visita, pois os mesmos recebiam notícias da filha, que sempre relatava uma situação ilusória, que na verdade, não condizia com a realidade. O susto e a decepção eram grandes porque os familiares viam com seus próprios olhos que a situação era bem pior que aquela que lhes foi relatada.

A história da senhora foi um tanto mais séria. Os filhos continuaram com esta postura de que a saúde da mãe ia de vento em popa, mesmo após alerta de pessoas que iam visitar e percebiam que ela não estava bem. Aceitavam a presença de escaras como algo normal, inevitável e que não necessitava de acompanhamento médico. Não solicitavam a presença do médico ou enfermeiro em casa, visto que, devido às condições da idosa, era extremamente custoso levá-la ao posto de saúde ou ao consultório médico. Alegavam que não era necessário recorrer ao médico, pois sabiam que tudo o que estava acontecendo com a mãe deles era normal e que não tinha nada a ser feito em benefício dela.

Em linhas gerais: a família negou tanto para si mesmo o real estado de saúde da mãe que só procurou atendimento quando seu estado já tinha se agravado muito e a mesma quase não tinha condições de respirar, além de as escaras piorarem e apresentarem aspecto infeccioso. Se a família tivesse se conscientizado a tempo do que estava acontecendo teria sido possível oferecer à idosa em tratamento melhor. Fica claro que a família não tomou uma atitude positiva por conta de descaso com a idosa, eles apenas não se deram conta da gravidade do problema e da importância do acompanhamento médico.

Parece que as pessoas adotam uma postura de que, se a doença é progressiva e incurável, não há nada a fazer em busca de uma melhor qualidade de vida do paciente, apenas esperar parados pelo fim que é uma realidade cada vez mais próxima. Precisamos reavaliar nossos conceitos e monitorar nossa postura frente a estas situações mais difíceis.

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

Avalie este artigo

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas 1 Voto(s)
Loading ... Loading ...

Quer adicionar uma foto no seu comentário?

Entre no site gravatar.com, crie uma conta e faça o upload da sua foto.

Comente

Nenhuma citação para este post.


Enquete

Você usaria uma agenda especial para anotar o dia-a-dia do seu idoso dependente?

Ver Resultados

Carregando ... Carregando ...

 



Mapa
© 2010 Cuidar de Idosos. Todos os direitos reservados. Reprodução sem permissão não é permitido.

© 2012 CUIDAR DE IDOSOS

Recomendamos também a leitura de: