Publicado em: 16/03/2008
Leia o que Rubens Marcelo Volich, psicanalista, escreveu sobre cuidar:
“Terapêutica deriva do grego therapéuo, que significa “eu cuido. Na Grécia Antiga, o thérapueter era antes de tudo aquele que se colocava junto àquele que sofre, que compartilhava da experiência da doença do paciente com vistas a poder compreendê-la, para, só então, a partir desta posição com relação ao doente, mobilizar seus conhecimentos e sua arte de cuidar, sem saber se poderia realmente curar. Para compreender a doença, ele interessava-se pela totalidade da vida do paciente, inclinando-se para ouvi-lo e para examiná-lo. Essa inclinação (klinos, em grego, termo do qual deriva a palavra clínica) significava também uma reverência, uma posição de respeito com relação ao sofrimento do doente. Nesse sentido, ao nos referirmos à função terapêutica, pouco importa, inicialmente, a especialidade daquele que a exerce. O terapeuta pode ser um médico, um psicólogo, um fisioterapeuta, uma assistente social, uma enfermeira, até mesmo, (por que não?) um vizinho, ou seja, todo aquele a quem, em um certo momento, é dirigido um insidioso pedido de ajuda com relação a um sofrimento que busca um outro que possa compartilhá-lo, e que se disponha a acolher este pedido. Um sofrimento que o próprio sujeito desconhece, mas que encontra no sintoma, na queixa, sua forma de expressão mais requintada, quase sempre, a única possível naquele instante de sua vida.” (Publicado em O Mundo da Saúde, ano 24, v. 4, jul/ago 2000, p. 237-245.)
Quando falamos em cuidar de idosos, é claro que existem alguns princípios básicos. Eric Pfeiffer, psicogeriatra americano, elaborou em 1885, o que ele chamou de PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA SE TRABALHAR COM PACIENTES IDOSOS:
1. PACIENTES IDOSOS SÃO TRATÁVEIS: doença na velhice não é meramente uma ocasião para lamentação, mas sim um chamado para intervenção.
2. CUIDADOS AOS IDOSOS REQUEREM UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR: somente uma abordagem multidisciplinar integrada tem uma chance realista de retornar um idoso com incapacidades múltiplas a um funcionamento normal ou perto do normal.
3. UMA INTERVENÇÃO NA VIDA DE UM PACIENTE IDOSO DEVE SER PRECEDIDO POR UMA AVALIAÇÃO ABRANGENTE DE TODO O SEU FUNCIONAMENTO: é o que se chama de avaliação geriátrica ampla, ou seja, não somente avaliar o idoso em relação à sua saúde, mas também fazer avaliações de seus recursos sociais e financeiros, bem como sua independência para as atividades para a vida diária.
4. CUIDADO AO PACIENTE IDOSO REQUER UM NOVO TIPO DE SERVIÇO – O GERENTE DE CASO: ou seja, um profissional habilitado em gerontologia, que possa implantar e gerenciar um plano de cuidados para o idoso, que leve em conta as limitações, as necessidades e o status funcional, bem como os recursos disponíveis na comunidade
5. O PAPEL DA FAMÍLIA É DE FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA NO CUIDADO AO PACIENTE IDOSO!
6. CUIDAR DO IDOSO REQUER TREINAMENTO ESPECIALIZADO EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA: o idoso é um tipo de paciente especial, tratado de maneira própria e especial por profissionais especiais, treinados em geriatria e gerontologia.
7. NÃO SÓ OS PACIENTES IDOSOS SÃO TRATÁVEIS, COMO TAMBÉM EDUCÁVEIS: aqui, afirma-se que os pacientes são capazes e estão interessados em aprender informações vitais sobre sua própria experiência de envelhecimento e são hábeis em aprender sobre como melhorar o auto-cuidado.
8. PESSOAS IDOSAS NÃO SÓ SÃO TRATÁVEIS E EDUCÁVEIS, COMO TAMBÉM NOS ENSINAM SOBRE ENVELHECER: os idosos são experts em relação à experiência do envelhecimento, pois já estão vivendo esta fase em toda a sua plenitude!
QUEM É O CUIDADOR?
Cuidador de idoso dependente é aquela pessoa, geralmente familiar, que por diferentes motivos, dedica seus esforços e tempo, dando uma atenção especial a este idoso, minimizando sua incapacidade e limitação, acompanhando-o diariamente. Essa pessoa assume e se responsabiliza pelas tarefas de cuidado, sem contar, na maioria das vezes, com a ajuda de outro membro da família ou de profissionais. Representa, ainda, o elo entre idoso/família e a equipe de saúde.
Uma das mais respeitadas estudiosas do assunto, Dra. Anita L. Neri, gerontóloga e psicóloga, da UNICAMP, diz: Cuidar de idosos é um valor profundamente arraigado nos corações e nas mentes das pessoas. Seguramente, nenhum adulto nega o alto valor moral desse compromisso e a importância de cumprimento, por sucessivas gerações”.
Existem vários tipos de cuidadores, dependendo da categoria e do tipo de cuidador. Temos, assim, o cuidador remunerado: recebe um rendimento pelo exercício da atividade de cuidar; cuidador voluntário: não é remunerado; cuidador principal: tem a responsabilidade permanente da pessoa sob seu cuidado; cuidador secundário: divide, de alguma forma, a responsabilidade do cuidado com um cuidador principal, auxiliando-o, substituindo-o; cuidador leigo: não recebeu qualificação para o exercício profissional da atividade de cuidar; cuidador profissional: possui qualificação específica para o exercício da atividade (enfermeiro, terapeuta, etc); cuidador familiar: tem algum parentesco com a pessoa cuidada; cuidador terceiro: não possui qualquer grau de parentesco com a pessoa cuidada.
E qual é o perfil do cuidador de idosos?
Na maioria das vezes, são mulheres (83% do total)
Dentre as mulheres cuidadoras, 43% são filhas, 22% são esposas e 7,5% são noras.
A idade média das cuidadoras é de 52 anos (20% superam 65 anos)
Na sua maioria estão casadas (77%)
Uma grande parte das cuidadoras moram no mesmo domicílio com o idoso (60%)
Na maioria dos casos, não existe uma ocupação remunerada da cuidadora (80%)
A maioria das cuidadoras prestam ajuda diária a seu familiar idoso (85%)
Grande parte das cuidadoras não recebem ajuda de outras pessoas (60%)
A substituição familiar da cuidadora principal por outros membros da família é moderadamente baixa (20 %)
Além de cuidar do familiar idoso dependente, 17% das cuidadoras ainda cuidam de seus filhos!
Percepção das cuidadores de seu trabalho: cuidado permanente!
(fonte: Secretaria de Estado de Servicios Sociales, Família y Discapacidad. Espanha
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© 2012 CUIDAR DE IDOSOS
Gostei dos comentários informativos, e gostaria de acrescentar alguns ítens que julgo de muita importância.
Tive opotunidade de conviver com uma família, cuja mãe 90 anos, sofre do mal de Alzehimer é cuidada apenas pela filha solteira que tem mais de 60 anos. Percebi que há um desgaste mental e emocional alto para a filha que cuida. Os irmãos, num total de tres, só dizem o que precisa ser feito, mas nenum assume a posição de se doar um só dia para que a irmã respire, possa sair sem a preocupação de horário e compromissos.
A senhora de 90 anos, anda com passos lentos, alimenta-se sozinha, porém, necessita de que alguém esteja coordenando a maioria de suas atividades, banho, remédios, troca de roupas, alimentação, etc., sem contar que não tem uma memória cognitiva retroativa completa, diz coisas fora do contexto, tempo-espaço, assim como, entende a presença da filha como cuidadora dela, mas não a associa ao grau de parentesco “filha”. É preciso alertar aos familiares sobre essa questão do compromisso em partilhar os cuidados. Passei um período aproximadamente de um mês convivendo nessa família, e confesso, é enlouquecedor assumir sozinho compromisso dessa ordem, mesmo com um grande amor de filha…
olá, sou Assistente Social e trabalho em um centro de referencia e gostaria de saber se existe uma lei onde o governo remunera o cuidador de idoso quando é nescessario.
desde já agradeço
Luciane
Preciso saber com urgência se existe alguma lei oficial, sob. a função cuidador de idoso? Como Profissão legalizada em sindicato, sou coordenadora de um abrigo e cuido de 36 idosos. Estou atuado como presidente do Conselho Municipal do Idoso no Municipio que resido. Tenho funcionários que exerce a função de cuidador. Gosto de trabalhar com tudo legal baseado em leis. Vou aguardar a resposta. Estou aos poucos tentando organizar palestras com geriatra para formar os profissionais que trabalham com os idosos. Para exercer este cargo tem que ser pessoas escolhidas e que tenha carisma com pessoas idosos, caso contrário é impossível trabalhar nesta profissão. Tenho sete anos de trabalho gosto muito, meus pais graças a Deus estão com idosos, mas por ser ativos e trabalharem não vejo idade neles.
Abraços.
aguardo a resposta.
Vilma.