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Publicado em: 22/03/2009

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O papel da psicologia frente ao envelhecimento

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Num capítulo de livro sobre envelhecimento bem sucedido, Anita L. Neri (2004), importante nome na área da gerontologia brasileira, discorre acerca do que a psicologia pode oferecer ao estudo e à intervenção no campo do envelhecimento no Brasil nos dias de hoje.

O papel do psicólogo é relevante, já que a velhice traz consigo um maior risco da vulnerabilidade e das disfunções. O psicólogo pode atuar na avaliação e na reabilitação cognitiva; na psicoterapia de idosos, familiares e cuidadores; na área da informação da população acerca do envelhecimento e suas conseqüências, dentre outras funções. De acordo com Neri (2004):

A psicologia oferece contribuições importantes à compreensão dos processos, à avaliação comportamental e à reabilitação. No campo do tratamento e da reabilitação é comum, hoje, pensar em ações multiprofissionais. [...] oferecer alternativas de ajuda aos familiares de idosos acometidos de doenças que causam incapacidade física e cognitiva, organizando grupos de apoio emocional, de informação e de auto-ajuda (NERI, 2004, p.21-22).

Acho que esta citação ilustra claramente a amplitude do papel do psicólogo, como profissional da prevenção, promoção, reabilitação da saúde ou mesmo da intervenção ao nível do idoso ou do cuidador.
Frente a toda esta justificativa, chego finalmente ao objetivo do artigo de hoje: Falar um pouco sobre uma importante contribuição da psicologia e de todas as disciplinas da gerontologia que vem sendo amplamente difundida aqui no site – a informação sobre o processo de envelhecimento.

Lendo um informativo da ABRAZ (sem referência) intitulado “Orientações sobre segurança e alimentação” me deparei com uma série de dicas e informações acessíveis voltadas para cuidadores sobre como lidar com situações que podem ser complicadas para o portador da D.A. e sua família. Vou me referir a duas situações que podem ser causas de conflitos familiares de idosos que passam pelo processo de envelhecimento normal ou patológico: o controle das finanças e a decisão de parar de dirigir.

Ambas são situações que dão ao indivíduo a idéia de liberdade, de autonomia, do auto-controle e do gerenciamento de sua própria vida, mas podem ser um sério risco se forem atividades desempenhadas por idosos que já não mais são capazes de responder por seus atos.

Aos primeiros sinais de que o idoso está confuso para realizar suas movimentações financeiras, um familiar precisa ficar atento para que o mesmo não perca dinheiro, gaste exageradamente, ou seja presa fácil de aproveitadores e golpistas que costumam extorquir facilmente grandes quantidades de dinheiro de aposentados, principalmente aqueles que precisam de ajuda para utilizar o caixa eletrônico. Uma alternativa interessante exposta no material da ABRAZ é agendar as contas para débito automático, o que acaba com o problema do esquecimento de datas de vencimento. Quando o paciente está demonstrando uma conduta inapropriada frente ao dinheiro, como, por exemplo, confusão com as notas de dinheiro na hora de fazer pagamentos, talvez seja a hora de eleger um procurador familiar para desempenhar esta função, mas como esta é uma atitude que traz muita tristeza e sentimento de perda do controle por parte do idoso é importante que seja a última alternativa adotada pela família. Como ultimamente a maioria das transações bancárias são efetuadas no caixa eletrônico por meio de uma senha pessoal, uma outra alternativa, antes que o idoso aceite (quando ele ainda tem condições de expressar sua opinião) ter um procurador é que um familiar de confiança tenha sua senha e passe a acompanhar de perto as movimentações financeiras do idoso, atuando como um “apoio”, um “supervisor”, mas ainda não um “procurador”.

Dirigir é uma atividade que pode colocar em risco a vida de um idoso com problema de memória ou com os reflexos comprometidos, assim como também pode ser um perigo para a integridade física de terceiros. Muitos idosos dirigem sem problemas até o final da vida, mas outros demonstram não ter mais condições em executar tal tarefa, porém não concordam em parar de dirigir. Nestes casos, a opinião de um médico de confiança pode ser válida, o motorista pode ser declarado inapto ao tentar trocar sua carteira de validade vencida, mas normalmente é a família quem irá ter a responsabilidade de tentar fazer o idoso parar de dirigir por sua própria vontade ou mesmo intervir de forma que ele não faça mais isto. O folheto da ABRAZ traz idéias como indicar ao paciente outros meios de transporte, esconder as chaves, documentos do carro ou carteira de habilitação do motorista e em casos extremos orienta os familiares a retirar alguma peça do carro sem que o paciente perceba para impedir que o mesmo funcione. O familiar deve sempre lembrar da importância que o ato de dirigir pode ter para aquele idoso, por isto ele poderá sentir muita tristeza ao ser obrigado a abdicar esta função, sendo importante primeiro tentar convence-lo dos perigos de dirigir ao invés de simplesmente proibí-lo de desempenhar a função, sem direito a argumentação.

Bom fim de semana a todos.

Luciene C. Miranda

Referência:
NERI, A. L. (2004). O que a psicologia pode oferecer ao estudo e à intervenção no campo do envelhecimento no Brasil, hoje. In Neri, A. L. & Yassuda, M. S. (orgs). (2004). Velhice bem sucedida. Campinas, SP: Papirus.

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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10 comentários em “O papel da psicologia frente ao envelhecimento”

  1. Luciene Miranda disse:

    Dellys, boa noite. Infelizment nunca li nada na área. Sugiro que faça uma busca cuidadosa nas bases de dados Scielo e Pepsic. Boa sorte.

  2. Dellys Cley disse:

    Boa Noite Gostaria de saber se tem algum artigo cientifico ou material que aborde o tema a importancia da direção veicular na terceira idade, e qual o papel do psicologo em relação ao idoso condutor : assistencia e intervenção. Desde já obrigada.

  3. Luciene Miranda disse:

    Julio, no link a seguir vc vai encontrar mais informações sobre o tema e algumas referências onde vc poderá se aprofundar mais.

    http://www.cuidardeidosos.com.br/contribuicoes-da-psicologia-para-um-envelhecimento-saudavel/

  4. Julio Diniz disse:

    Bom dia Luciene!

    Sou graduando do curso de Psicologia, e gostaria de saber se você tem algum material que faça uma melhor definição sobre a psicologia do idoso e quais as principais áreas de atuação?

    Desde de ja muito obrigado!

  5. Byanca disse:

    Olá Luciene, estou cursando Psicologia e achei a sua materia super legal. Estou fazendo um trabalho de Psicologia do Idoso. E eu gostaria de saber se você tem algum material bacana para poder me ajudar?

    Grata !

  6. Luciene Miranda disse:

    Kelle, obrigada pelos cumprimentos. Vc poderia especificar mais o tipo de material que procura para eu tentar ajuda-la?

  7. Kelle Gardênia Rocha de Jesus disse:

    Oi, Luciene achei seu artigo interessante, sou acadêmica de Psicologia e adentrei ao CRAS como estagiária a pouco tempo, gostaria de receber alguns materiais que me ajudassem nas intervenções com esta demanda.

    Parabéns pelo artigo, bem interessante sua discussão,

    Abs

  8. Roseli Prudente disse:

    Olá Luciene, li seu artigo é achei muiito esclarecido o papel do psicologo.Estou no 3º período de Psi e preciso fazer um seminário da matéria Psi Cptal. Quero fazer sobre Idosos, pq sou voluntária do Lar São Vicente, aqui na minha cidade C. de Minas.Está muito dificil escolher um tema relacionado com a Psicologia Comportamental, será q vc com sua experiência c/ Idosos pode me ajudar com um Tema e o que abordar para apresentação desse seminário.Espero sua resposta.Até mais! Roseli

  9. Luciene Miranda disse:

    Gracinha, estas situações são mto difíeis sim. Hj msm veio uma notícia num jornal daqui de Juiz de Fora sobre um idoso que perdeu R$49.000,00 num daqueles famosos golpes do bilhete premiado. Isto é complicado sim, tem que ter mto tato para conversar com eles sobre estes assuntos, porém é um assunto que não pode ser deixado de lado, visto que a família pode vir a passar dificuldades financeiras em função destes deslizes.
    bjo

  10. gracinha medeiros disse:

    Oi Luciene!

    Muito importante esta sua abordagem. Conheço muitos casos que se enquadram nessas situações.
    Inclusive há uma questão muito séria que é aquela em que o idoso dependente ou apresentando dificuldades para gerir suas economias passa a ser lesado por um familiar, vindo muitas vezes a passar dificuldades… De vez em quando algo parecido aparece nos jornais. Eu pergunto: como coibir esse tipo de comportamento? É complicado né?
    Quanto à questão da necessidade de fazer um idoso deixar de exercer sua autonomia em determinadas ações que o expõe a riscos como é o caso de dirigir, com paciência e poder de convencimento é perfeitamente possível. Meu pai, por exemplo, não dirigia, mas não abria mão de sua liberdade de escolha sobre o que queria fazer ou deixar de fazer. Assim, quando começou a sofrer algumas quedas na rua – pois adorava caminhar e teimava em sair sozinho –, depois de muita conversa, concordou em sempre chamar algum de nós para acompanhá-lo nas caminhadas e tudo ficou resolvido.

    Beijos

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