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Cuidar de Idosos

Publicado em: 04/04/2010

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O idoso e o transporte público

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transporte O idoso e o transporte público

O idoso e o transporte público

Há alguns dias atrás, a novela “Viver a vida” exibiu uma cena que retrata uma grande dificuldade enfrentada pelos cadeirantes: o uso do transporte público. O “Fantástico” também fez uma matéria sobre o mesmo assunto, trazendo um tema abordado de maneira realística da ficção para a vida real. Em síntese, o programa exibiu a rotina de cadeirantes de diversas cidades brasileiras, de diferentes idades, no momento em que tentavam andar de ônibus. Houve relatos de poucos ônibus adaptados, equipamentos com defeito, falta de preparo de profissionais para lidar com o equipamento, dentre outros problemas.

Como o assunto é muito sério, nos últimos dias fiquei pensando sobre isto. Utilizo muito pouco o transporte público de minha cidade (Juiz de Fora – MG), mas coincidentemente precisei andar de ônibus algumas vezes neste mesmo período, o que me fez refletir ainda mais sobre o assunto. A questão da acessibilidade do cadeirante é de extrema importância, porém como nosso tema aqui é “cuidar de idosos”, o enfoque será um pouco diferente: será que existe acessibilidade no transporte público para o idoso?

Para refletirmos sobre esta pergunta, primeiramente lançarei mão de um documento já bastante conhecido: O Estatuto do Idoso. Dentre outras questões, no Capítulo X – Os Transportes, a lei mostra que no Brasil:
Art. 39. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares.

§ 2o Nos veículos de transporte coletivo de que trata este artigo, serão reservados 10% (dez por cento) dos assentos para os idosos, devidamente identificados com a placa de reservado preferencialmente para idosos.

Art. 42. É assegurada a prioridade do idoso no embarque no sistema de transporte coletivo.

Pelo que percebi, realmente o idoso goza da gratuidade do transporte coletivo urbano em minha cidade, basta apresentar o documento de identidade para o motorista. Já havia escutado idosos (residentes em outras cidades, principalmente nas grandes capitais) relatarem já terem sido vítima de preconceito no transporte público de suas cidades quando, por exemplo, faziam sinal para o ônibus parar no ponto em que estavam e o motorista só parar caso outras pessoas – não idosas – também solicitarem a parada; ou também de sentirem que o motorista dava constantes freadas bruscas, aparentemente desnecessárias para “acomodar passageiros num coletivo superlotado”, causando assim o desequilíbrio do idoso. As conseqüências das quedas para o idoso podem ser desastrosas e elas podem acontecer com mais freqüência do que nas demais pessoas, principalmente porque muitas pessoas sentem problemas de equilíbrio quando envelhecem. E como é manter o equilíbrio em pé, com muitas pessoas ao seu redor, carregando sacolas, num ônibus a uma velocidade considerável, numa via sinuosa e em péssimo estado de conservação, com buracos, falta de sinalização, que forçam o motorista a frear frequentemente?

Em relação aos assentos reservados para os idosos (na verdade estes 10% são destinados preferencialmente a idosos, gestantes e pessoas com necessidades especiais, ou seja, não necessariamente existirá esta porcentagem de assentos somente para os idosos) pude perceber que a situação é um tanto complicada. Na verdade esta é uma questão que observo desde criança. Felizmente meus pais me criaram dentro de um sistema de valores éticos e morais e me ensinaram, desde cedo, a não utilizar os assentos destinados aos idosos e, caso algum entre no ônibus, que eu me levantasse e cedesse o lugar a esta pessoa. Porém desde criança percebia que a maioria das pessoas não recebeu este tipo de educação para a cidadania ou, se recebeu, fez questão de esquecê-la ao longo dos anos. Noto que algumas pessoas (bem longe de completarem 65 anos) escolhem os bancos destinados aos idosos mesmo quando existem vários outros vazios e pior ainda, mesmo quando nestes assentos não cedem o lugar aos idosos que embarcam. E quando um idoso reivindica seu direito a pessoa ainda é indelicada ou simplesmente se recusa a sair do assento.
E a posição que este assento preferencial fica localizado? É positivo que seja logo na entrada do coletivo para que, teoricamente, a pessoa com dificuldade de locomoção não precise andar com o veículo em movimento. Por outro lado, observei que em alguns ônibus este assento é posicionado em cima da roda do veículo, ou seja, o idoso tem que subir um degrau para se acomodar num assento preferencial. E quando ele está sentado junto à janela e precisa passar por um passageiro sentado no assento do corredor para desembarcar? Isto também pode ser tarefa difícil, visto que o espaço entre os assentos está cada vez menor (eu que sou um pouco mais alta sinto isto na pele).

A prioridade do embarque é um caso à parte. Neste caso pude observar algo um pouco diferente: alguns idosos tentam entrar no ônibus (no caso da minha cidade o embarque preferencial é realizado pela porta dianteira) quando os demais passageiros ainda não desembarcaram, o que acaba gerando uma certa confusão e potencializando a possibilidade de acidente tanto para o idoso quanto para as pessoas que estão desembarcando. Neste sentido acho que cabe ao idoso um pouco mais de paciência para esperar a sua vez e ao motorista também um pouco mais de paciência para esperar o desembarque de alguns passageiros, o embarque e a acomodação dos passageiros idosos para só então dar a partida no veículo (minimizando mais um risco potencial de quedas).

Um sério problema: o ônibus deveria ser uma forma de facilitar o ato de ir e vir de todas as pessoas – independente de idade, condição social e estado de limitação – porém pode vir a se transformar em um risco potencial de acidentes. Já falei um pouco sobre isto no item anterior, mas ainda existem mais problemas. As condições físicas da calçada do ponto de ônibus é um sério problema. Pelo menos aqui na minha cidade nem sempre este passeio é adequado para o embarque e desembarque: desníveis, buracos, grande diferença entre a altura do passeio e a altura do degrau do ônibus são apenas alguns dos exemplos das dificuldades que podem surgir para um idoso, uma pessoa que utiliza bengala / muleta ou um cadeirante. Isto pode interferir na autonomia da pessoa, sendo necessário que ela arrume um acompanhante para uma tarefa que ela poderia realizar sozinha sem maiores problemas.

Ainda em relação aos pontos de ônibus: muitos deles não dispõem de condições necessárias para garantir o conforto do passageiro, especialmente daquele que tem alguma dificuldade de locomoção: muitos não têm bancos e nem cobertura. Será que um idoso tem condições de ficar em pé esperando um ônibus que não passa com muita freqüência? E uma pessoa com muletas tem condições de, ao mesmo tempo, segurar um guarda-chuva?

E se a pessoa com deficiência, além de cadeirante, for idosa e desacompanhada? Acho que neste caso a situação vivida pela personagem da novela poderia ser ainda mais difícil. Pude perceber que nos ônibus adaptados, quando lotados, não há garantia de lugar para que o acompanhante permaneça próximo ao cadeirante, mesmo se ficar em pé, ele tem que contar com o bom senso de algum passageiro que esteja por perto e se recoloque para que o mesmo literalmente acompanhe o cadeirante. E quando o acompanhante do cadeirante também é idoso? Será que ele tem condições de viajar em pé, tomando conta do que está na cadeira de rodas?

Caso vocês já tenham vivido ou testemunhado alguma dificuldade enfrentada pelo idoso (independente ou com dificuldades de locomoção), por favor, relatem o caso aqui. Particularmente acho que a acessibilidade existe apenas em algumas situações, mas ainda está longe de abranger o sistema de transporte público de minha cidade de maneira geral.

Em cidades onde há trens e metrôs, como se faz para o idoso se locomover? Realmente existe prioridade? E acessibilidade? Esta é uma forma de expormos os problemas que vem acontecendo no Brasil afora para que assim possamos nos organizar e pensar em possíveis alternativas ou soluções.

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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