Publicado em: 12/01/2009
Acredito que todos os leitores, daqui do site, tenham conhecimento do que é o Estatuto do Idoso e saibam da importância deste documento para assegurar os direitos e proporcionar bem-estar num sentido bem amplo aos idosos brasileiros.
Sem dúvida este conteúdo é muito amplo e merecia ser comentado por todos nós, blogueiros do site, pois trata de assuntos de interesse de várias profissões. Porém, eu percebo que alguns pontos deste documento ainda passam despercebidos pela comunidade em geral e principalmente pelos idosos, que acabam não reivindicando alguns direitos que já lhes foram concedidos.
Hoje vou mencionar um artigo que merece ser comentado, pois sempre que estudo o estatuto, discuto sobre a real aplicabilidade deste artigo. Também acredito que a temática relacionada a ele, que irei comentar, poderá ser tema de algumas conversas nos próximos dias:
CAPÍTULO V – Da Educação, Cultura, Esporte e Lazer
Art. 24. Os meios de comunicação manterão espaços ou horários especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento.
(Fonte:LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm)
Recentemente em seu blog, Pitico fez um artigo sobre o idoso e a mídia, minha idéia não é ser repetitiva, mas acho o tema muito pertinente. Confesso que não sou uma telespectadora assídua, talvez possa estar equivocada, mas ainda não vi programas específicos voltados ao idoso com todas estas finalidades, principalmente em se tratando de canais abertos. Sim, vemos idosos em novelas (como a polêmica história de violência contra o idoso retratada na Vale a Pena Ver de Novo), em matérias de telejornais, como temas de documentários, sendo entrevistados (famosos ou anônimos), dentre outros programas.
Da mesma forma que não sou muito ligada em TV, adoro navegar pela internet, atividade a qual faço diariamente. E ontem, terça-feira, ao abrir meu msn, me deparei com a seguinte mensagem no msn hoje: Amanhã divulgarão a lista dos participantes do Big Brother Brasil, sendo dois deles idosos. Esta manchete me encheu os olhos. Imediatamente lembrei-me deste artigo do Estatuto do Idoso. Será que foi por isto que incluíram estes participantes maiores de 60 anos? Ou foi com o intuito de abordarem a diversidade na TV? Será que os idosos (tanto os participantes quanto os telespectadores) curtem a superexposição de privacidade, ocorridas neste tipo de programa? Como será que o público irá se portar em relação a estas pessoas na hora de eliminar participantes desta casa? Será que estes idosos irão partilhar suas experiências de vida na tv?
Acompanhei este programa em suas primeiras edições, porém nas últimas vi muito pouco, mas sem dúvida é um programa de grande aceitabilidade pública, além de ser alvo de críticas positivas e negativas.
Deixo aos leitores este turbilhão de questionamentos sobre a notícia. Espero receber comentários de leitores sobre o assunto. E, mais ainda, espero que a presença de um senhor de 63 anos e de uma senhora de 61 anos possa, de alguma forma, contribuir para diminuir o preconceito da população em geral, com o processo de envelhecimento e também que o programa possa ser um espaço que possibilite o convívio intergeracional.
Algumas outras possibilidades passaram pela minha cabeça, mas tentarei manter uma postura mais positiva em relação ao fato e não irei expressá-las neste momento. Lembrei-me de um fato que irei mencionar brevemente, acredito que muitos de vocês s lembrarão deste fato: uma conhecida atriz que participou do quadro Dança no gelo, após uma apresentação insatisfatória, apelou aos jurados e telespectadores por uma boa pontuação, com a justificativa de ser uma representante da terceira idade.
Minha curiosidade impulsionou-me a procurar, no site do programa informações, sobre os participantes e os comentários dos internautas sobre os mesmos e, pelo que pude ver (superficialmente), estes mostraram-se bastante acolhedores e respectivos para com os moradores mais idosos. É aguardar para ver…
Luciene C. Miranda
Entre no site gravatar.com, crie uma conta e faça o upload da sua foto.
Para inserir este artigo no seu site basta copiar o link abaixo:
© 2012 CUIDAR DE IDOSOS
QUE MARAVILHOSO O TEMA O IDOSO E A MIDIA, pois nossos idosos estão conquistando o seu espaço, em jornais, novelas, BBB9 etc. Eu já fiz varias leituras sobre o Estatuto, mas o ultimo foi melhor, foi como grupo de estudo com debates Aprendi muito mais com opiniões diferentes de meus colegas, quem cuida de idosos devem ficar por dentro do Estatuto Estadual e municipal, leis que defendo o nossos idosos, deixando bem claro ao idoso do direito e de seu dever como cidadão, no BB9 para os idosos que assiste e ótimo ponto positivo para os jovens e negativo pra os mesmos os idosos devem só rezar. Podemos deparar com idosos chatos que foram chatos a vida inteira não por causa da velhice que ele se tornou chato.
Luciene,
Se cada gotinha dágua resolvesse distanciar-se uma das outras, evaporar-se, o oceano deixaria de existir! Conclusão: cada gota dágua é autora e construtora do oceano basta observar os movimentos que uma simples gota causa numa pequena poça dágua ou ainda quando uma única delas é capaz de fazer transbordar um copo… Portanto, Luciene, a força da gota dágua é muito maior do que se imagina…
Como as gotas dágua, cada um de nós é autor, construtor e responsável direta ou indiretamente pelo mundo em que vivemos. A sociedade é o oceano onde o movimento das interrelações individuais formam as ondas pequenas ou grandes a depender da composição de uma estrutura familiar que forneceu os princípios básicos para o conjunto de valores que deveremos preservar ou descartar a desaguar no leito do mundo.
Há muito para se falar, questionar e refletir…
As turbulências que agitam nossa vida cotidiana são respostas à escolha do nosso comportamento individual, seja por uma ativa participação ou por omissão.
Costumamos dizer é o sistema, é a sociedade e prosseguimos confortados por podermos apontar o culpado. Mas quem é o sistema? Quem é a sociedade? Melhor dizendo, quem alimenta e colabora para que o sistema continue funcionando? Quem integra essa tal sociedade?
E assim, a sós, deitamos nossas cabeças no travesseiro resmungando contra tudo aquilo que agride o senso comum quanto ao direito de existir com dignidade e qualidade de vida para, no dia seguinte, continuarmos a jornada buscando esquivarmo-nos dos atropelos corriqueiros.
Talvez eu seja uma louca sonhadora mas não consigo parar de acreditar que uma gota dágua ao invés de se perder no oceano, ela atravessa o oceano promovendo movimentos diversos que impactará o fluxo e refluxo das águas.
O que estou tentando dizer é que o mundo lá fora jamais mudará se o meu mundo interno, o meu EU, não modificar o ângulo de minha visão de vida; se não houver a reformulação dos meus valores e sentimentos na minha forma de me relacionar com os outros, etc., etc. E isso funciona quando a gotinha que eu acredito ser é abalroada pelas palavras, gestos e atitudes da outra gotinha que impactará o modo como venho me movimentando pela vida.
Daí a importância desse espaço do cuidardeidosos salpicando gotinhas no grande oceano das massas e despertando aqui e ali uma nova forma de sentir a vida e de sentir-se diante dela. Quando alguém descompromissadamente passar os olhos num texto seu, de Pitico, de Dr. Márcio e nele se deparar com a pergunta: QUE TIPO DE VELHICE ESTOU PREPARANDO HOJE, PARA MIM?, com certeza, mesmo que não queira, sentirá o impacto dessa questão.
Um abraço,
Gracinha Medeiros
Gracinha
Mto obrigada pela sua participação e, agradeço mais ainda: por vc ter sugerido algum tema de relevância que possa ser discutido aqui.
Concordo com vc: Realmente, em muitas vzs, a programação da tv oferece programação de cunho apelativo, superficial e até preconceituoso. Além das categorias que sofrem com o estigma preconceituoso às quais vc citou acrescento mais uma: o prconceito racial. Atualmente é comum nos depararmos com afro descendentes na tv, mas se repararmos bem, principalmente nas novelas, muitos deles ainda fazem papéis de empregadas domésticas, motoristas e outras profissões afins. O que vc disse é mto pertinente: se respeitássemos os direitos de nossos ‘irmãos”, dos outros cidadãos, independente de sexo, raça, classe social, cor, idade ou religião não seria necessária a criação de estatutos para a proteção e asseguração dos direitos de determinados grupos de indivíduos ( e posterior fiscalização para que as legislações venham a ser colocadas em prática).
Enfim, tento ser otimista e acredito que dispomos deste espaço: um espaço privilegiado para que possamos discutir, questionar e por que não, juntos, modificarmos aspectos que precisam ser modificados. Se pensarmos que somos apenas uma gota d’água num imenso oceano de leis burladas, preconceitos e estereótipos nossos esforços serão em vão, prefiro acreditar que juntos poderemos contribuir para que a sociedade como um todo assegure um clima de dignidade e respeito para todos os cidadãos.
Li o artigo de Pitico Como a mídia mostra os idosos?, aliás, um excelente texto. Hoje, vejo o seu texto O idoso, a mídia e o BBB9, também de excelente qualidade.
Conheço e tenho em casa uma cópia do Estatuto dos Idosos que, como verificamos em nossa realidade cotidiana, ainda está longe de ser respeitado não apenas pelo cidadão comum, mas por todos os setores que compõem a intrincada rede das relações humanas. Embora não perca de vista a minha esperança de um dia podermos conviver numa sociedade menos autófaga e o meu reconhecimento da importância de se instituir a criação de documentos para assegurar os direitos e proporcionar bem-estar num sentido bem amplo aos idosos brasileiros, confesso que sinto a melancolia de ver o quanto nos falta de autoconsciência e de respeito próprio a ponto de necessitarmos de tais documentos.
Assim é que os direitos humanos, as cartas magnas das nações, os estatutos sejam do idoso ou da criança e do adolescente, são belas palavras escritas num papel sob a menção honrosa de ter força de lei… Mas mesmo supondo que tais leis serão cumpridas pelo receio às punições previstas caso venham a ser desrespeitadas, o afeto, a fraternidade, o amor por nós mesmos refletindo-se no amor pelo outro jamais poderão ser obtidos pela força de nenhuma imposição.
Mas, vamos ao tema em pauta: os idosos e a mídia.
Somos uma sociedade utopicamente moldada para indivíduos eternamente jovens, fortes, saudáveis e com biótipos ditados por estilistas e conceitos de época. Sem falar nos excluídos por questões econômicas, religiosas, raciais ou sexuais, além dos velhos, nela também não cabem os portadores de deficiências e os gordos.
Sem dúvida alguma, em nosso mundo globalizado de hoje, tem a mídia o papel fundamental não apenas de divulgar informações mas de induzir a formação de conceitos que subsidiarão a estratificação de valores e de visão de vida.
A televisão, pela abrangência bem mais ampla que possui em todos os lares pois está sempre compondo o ambiente seja da sala ou do quarto, exerce uma influência bem maior que todas as outras mídias, principalmente entre crianças de tenra idade e idosos. E o que é que se vê de domingo a domingo nos horários mais inocentes?
novelas e filmes cheios de erotismo e violência;
programas de humor cujos alvos principais são os idosos, homossexuais e obesos sempre mostrados sob a mira da ridicularização;
programas de auditório com exibição de vídeos cassetadas, pegadinhas, onde os personagens mais freqüentes são idosos, obesos e crianças levando tombos fenomenais sob rótulos de baranga, baleia, asno etc, para delírios de risadas da platéia e de apresentadores.
Enfim, não dá para enumerar tudo o que se vê e até mesmo o telejornalismo vai além da sua função informativa buscando as vias sensacionalistas para atrair maior audiência. E a tudo isto, o bebezinho e o idoso, mesmo que não queira, está sendo exposto dia após dia.
Não sei bem o que se pode fazer quanto a isso pois defendo ferrenhamente o direito à livre expressão… Ao mesmo tempo pergunto: como lidar com o vazio de conteúdos informativos, educativos, artísticos, culturais e de completa omissão ou ferrenho combate quanto ao processo de envelhecimento?
Desculpe-me, mas acho que não ajudei muito e só fiz acrescentar mais uma pergunta ao turbilhão de questionamentos que a notícia da participação de dois sexagenários no BBB9 suscita em cada um de nós. Creio que só nos resta esperar para ver o que será…
Há um artigo intitulado O Bom Velhinho, do Dr. Márcio Borges, cujo trecho acho muito pertinente para nortear as nossas expectativas quanto ao papel que os dois representantes da terceira idade poderão exercer no dito programa:
Costumo frisar que não existe uma característica psicológica e comportamental típica dos idosos. Não é padrão da terceira idade ser ranzinza, ansioso, pouco afeito à mudanças, irredutível Ou como coloquei acima, para o bom velhinho: sábio, generoso, conselheiro e amigo. SOMOS AQUILO QUE VIVEMOS POR TODA A VIDA. Não existe idoso chato, existe a pessoa chata. Não existe o idoso sábio e generoso, existe a pessoa sábia e generosa. Assim, vem uma pergunta que servirá de reflexão para as resoluções de ano-novo: que tipo de velhice estou preparando HOJE, para mim? (Site cuidardeidosos DEZ/2008)
Bem, espero que este espaço do cuidardeidosos possa ampliar esse tipo de debate e ficarei aguardando novos artigos sobre o tema.
Gracinha Medeiros