Publicado em: 29/10/2009
Caros internautas,
Todos sabem que o envelhecimento da população brasileira não é somente um fato, também é uma inquietante realidade. Já temos 21 milhões de idosos e com previsão para 35 milhões em 2025! E não podemos esquecer de dois pontos importantíssimos:
1. As pessoas idosas que mais precisam e usam o nosso sistema de saúde são aqueles com mais de 80 anos.
2. É justamente este grupo octogenário-nonagenário que terá um aumento populacional expressivo, ou seja, em menos de 20 anos terão sua população triplicada, no Brasil.
Podemos constatar, então, que o processo de envelhecimento da população brasileira está ocorrendo numa proporção vertiginosa, extremamente rápida. Assim, o Brasil terá que apresentar uma resposta rápida e efetiva de proteção aos seus cidadãos idosos, nos próximos 10-20 anos. Outro ponto sério: somos um país em desenvolvimento (termo sutil para países pobres). Fatalmente, quando nosso país tiver, proporcionalmente, a mesma população de idosos dos países mais ricos (daqui a 20 anos), não terá também a mesma riqueza que eles possuem. Em outras palavras: O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA VIRÁ ANTES DO POSSÍVEL ENRIQUECIMENTO E BEM ESTAR DE NOSSA NAÇÃO!
QUEM PAGARÁ A CONTA DA ASSISTÊNCIA GERIÁTRICA E DA PREVIDÊNCIA?
Nossos internautas sabem que quanto mais idosa for a pessoa, maior a probabilidade de apresentar dependência e doenças incapacitantes. A proporção de octogenários e nonagenários que necessitam de cuidadores e profissionais de saúde é muito maior que na população até 70 anos. Alzheimer, Parkinson, isquemia cerebral, patologias ortopédicas, câncer e doenças da visão são alguns dos exemplos de fatores que levam a dependência e perda de autonomia.
A família do idoso é a sua principal fonte de assistência e de cuidado. A cuidadora familiar (escrevo cuidadora, pois quase 90% de todos os cuidadores familiares são mulheres) geralmente é a filha, a neta, a esposa, a sobrinha ou a nora. São pessoas que, muitas vezes, não escolhem esta função e que são literalmente jogadas no cuidado à pessoa idosa dependente. É certo que muitas destas cuidadoras exercem esta função com muita boa vontade, movida por laços familiares e de amor e não medem esforços para cumprir bem esta missão.
Quem já cuidou ou cuida de idosos com alta dependência (Alzheimer e Parkinson, dentre outras doenças incapacitantes) sabe muito bem o custo deste trabalho para a sua própria saúde e bem estar. Explico melhor: Não tem sábado ou domingo de folga, não tem férias, não tem hora para dormir, só hora para acordar (bem cedo!), não recebe a ajuda de outros familiares e não se tem o devido reconhecimento pelo seu altruísmo e cotidiano esforço de ver o idoso melhor.
Percebe-se, claramente, que a cuidadora familiar é o elo mais importante em toda a cadeia de assistência de saúde aos idosos mais dependentes. Entretanto, é o elo menos valorizado, menos treinado, menos assistido, mais desprezado, o elo mais barato. Não temos modelos eficazes e institucionais para dar suporte às cuidadoras familiares, não as treinamos para que seu trabalho seja ainda melhor e não há nenhum tipo de incentivo financeiro capaz de valorizar o trabalho destas cuidadoras. Elas são literalmente esquecidas e taxadas como as chatas que telefonam pros médicos, por qualquer razão. O poder público não reconhece as cuidadoras familiares, não percebe a importância de seu trabalho. Gastam-se milhões de reais em medicamentos, exames e em hospitalização. Nada é aplicado no treinamento das cuidadoras familiares e na sua assistência!
A taxa de problemas de saúde, principalmente de ordem psiquiátricas, é altíssima entre as cuidadoras familiares, devido à intensa carga emocional e de horas de trabalho, a que são submetidas. Muitas vezes, são diagnosticadas com a síndrome de burnout, que em bom português que dizer: esta cuidadora está estafada, esta doente, está sem condições de cuidar do idoso dependente.
O Brasil não está cuidando bem de quem cuida!
O portal CUIDAR DE IDOSOS, mesmo que de forma ainda acanhada e solitária, oferece, pioneiramente, cursos para cuidadores de idosos com demência e simpósios transdisciplinares sobre o cuidado com idosos dependentes. É muito pouco, mas já é uma contribuição que tem ajudado a inúmeras cuidadoras familiares em todo Brasil e até em outros países de língua portuguesa. Brevemente, a educação continuada e à distância de todas as pessoas envolvidas no cuidado ao idoso dependente será uma de nossas missões primordiais. Aguardem!
Márcio Borges
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ola eu cuido da minha mãe tambem a dez anos sou filha única ela tv avc a 5 anos esta na cadeira de rodas olha eu tambem estou sobre carregada tenho 36 anos eu não vivo mais pra mim estou depresiva eu acho que deveria ter uma lei que amparasse a pessoa cuidadora de idosos nos cuidadores sofremos mais ninguem sabe reamente oque passamos
minha mãe eh portadora de alzheimer, mas só a minha vida e da minha mãe parou, agora ela mora comigo , a minha irmã continua a sua vida de festas e compromissos sociais, nao ajuda nem com presença e nem com dinheiro, pois chegou a dizer que a minha condição é cômoda e tranquila, em outras palavras, que vivo de pernas pro ar e vivo no mar de rosas…e nem posso comentar sobre as atitudes e bizarrices da minha mãe, que ela diz ; falei que voce nao ia aguentar, entao engulo e guardo tudo, nao comento mais nada , quando ela pergunta eu sempre digo : é a mãe está quase boa…… quando as pessoas nao querem entender é mais difícil do que lidar com os doentes, pois nao nos ajudam e nos cobram demais….
oi Irene adorei sua colocaçao ,sou como vc cuido da minha mae com 83 anos tb com alzaimer e sei como e dificil ,ficamos presa ,e ninguem quer saber se precisamos de um dia so nosso. abraços
adorei a colocaçao da irene,e ai quando quem cuida esta no limete onde entra a familia…… que se recusa em deixar numa casa de repouso?
Concordo com o artigo até cheguei a ir em algumas reunioes de cuidadores mas o que mais se ve lá é só relato de pessoas . Até que ajudam um pouco mas eu preciso de mais respostas por exemplo,faz tempo que acompanho minha mãe com alzhaimer, e agora ela está tendo umas atitudes estranhas será normal? Só sei que eu estou no meu limite, mesmo porque tambem sou idosa e sou hipertensa.