Publicado em: 26/04/2009
Quando chegamos à casa de uma pessoa que já nos conhece, podemos até imaginar como seremos recebidos. Quando a recepção não é a esperada, procuramos saber o porquê dessa mudança comportamental.
Se vamos à casa de quem não nos conhece e que também não conhecemos, a desconfiança acontece. Passa pela nossa mente: quem será essa pessoa? O que ela quer de mim? Será que está sendo sincera?
Imagine-se agora como um cuidador de idosos que está prestando seu trabalho a um portador da doença de Alzheimer. Ele poderá não o reconhecer e se sentir inseguro, desconfiado, cheio de interrogações. Imagine agora que você, enquanto profissional, acaba de assumir o cuidado e sua primeira atitude será trocar a fralda ou fazer a higiene oral, ou até mesmo alimentar esse paciente. Você espera que esse cuidado transcorra com naturalidade, só porque se trata de uma pessoa idosa e demenciada?
Não, isso não vai acontecer.
Para que o cuidado não seja apenas a mera execução de uma tarefa mecanicamente realizada, uma série de ações são indispensáveis. O acolhimento é o primeiro deles e não se limita ao ato de receber, mas ao modo como se apresentar ao idoso. Este é o início de uma relação onde estará associada a atenção dispensada, a escuta, a valorização de suas queixas, a identificação de necessidades, que nem sempre são relatadas aberta, direta e claramente. O acolhimento é o primeiro passo para a qualidade do cuidado e constitui uma estratégia que busca humanizar a atenção, estabelecendo vínculos e responsabilidade para que o cuidado seja a cada dia ampliado, sempre considerando a individualidade da pessoa idosa que se propõem cuidar.
O acolhimento é o primeiro deles e não se limita ao ato de receber, mas ao modo como se apresentar ao idoso.
Conhecer o processo de envelhecimento, o que é da doença de Alzheimer e lembrar que todo ser humano é ímpar, é fundamental na relação do cuidador com o idoso demenciado. Vai permitir, por exemplo, o entendimento e ações onde são vistas as necessidades de um tempo diferenciado, seja por deficiências auditivas, visuais ou cognitivas, ou simplesmente porque idosos são mais lentos na organização e exposição das idéias.
Acolhimento é uma atitude humanizada onde se agrega ao conhecimento, valores éticos, respeito e solidariedade ao ser humano. Quando se acolhe uma pessoa idosa portadora da doença de Alzheimer, o mais importante é sua vida e não a sua doença; essa é uma condição: estar doente.
Zulmira Elisa Vono
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© 2012 CUIDAR DE IDOSOS
Olá Zulmira!
Que bom ver um artigo seu aqui depois de um tempo!
E voltou bastante motivada! Adorei o texto.
Quando vc fala para imaginarmos como um cuidador que acaba de chegar na casa do idoso eu fui mais além, tentei me imaginar como o idoso diante de uma pessoa desconhecida. É mesmo assustador pensar em ter que permitir ser cuidado em toda a sua intimidade por uma pessoa que ele terá que conhecer várias vzs, pois msm sendo apresentada ela poderá ser desconhecida tempos depois.
Um abraço.
Olá Zulmira!
Muito bom o seu artigo! Acabo de tirar cópia dele e entregar para as duas novas cuidadoras que estou treinando para cuidar de minha mãe.
Você falou extamente sobre o que venho conversando com elas nessa primeira semana de contato com mamãe.
Obrigada, portanto, pois seu artigo é mais um reforço que ajudará a me fazer entender por elas.
Um abraço