Promoção

Primeira página

Seções

Profissões

Doenças

Condições

Cursos

Dicas

Vídeos

Redes Sociais


Cuidar de Idosos


Publicado em: 16/06/2009

A- A+

Nossa família, nosso ninho

  •  Favoritos
  •  Assinar feed
  •  Receba por e-mail
  •  Link para este post
  •  Notificar erro
  • Enviar para amigo

  •  

Num seleto grupo a que chamamos família, nascemos para o mundo. É nesse ninho, cercado por nossos pais, irmãos, avós, que nossas asas serão fortalecidas para alçar vôo e assegurar a conquista do nosso espaço em meio à grande família humana. A partir das relações afetivas no grupo familiar aprenderemos regras, assimilaremos conceitos e crenças para estabelecer relacionamentos com os outros grupos familiares que formam o grande conjunto denominado sociedade.

Nossos amores, nossas dores, nossos sonhos, nossas frustrações desenrolam-se inicialmente entre os ‘ramos’ desse ninho. Dentro dele aprendemos a conviver com o outro e vamos aprendendo a ouvir e a respeitar os mais velhos. Mesmo depois de adultos, ele continua sendo a referência de um porto abrigo para acolher as venturas e desventuras de nossa caminhada pela vida.

Falo sobre isso, porque há muito para refletir sobre as nossas relações afetivas principalmente com os nossos parentes idosos. Muito tenho visto e ouvido sobre a situação dos idosos dependentes dentro dos grupos familiares. Salvo raras exceções, há sempre muito conflito e tensão impedindo a união solidária nos momentos mais cruciais.

Gostaria de fazer um alerta e propor uma reflexão quanto aos cuidados com nossos entes queridos quando as patologias inviabilizam a vida independente e autônoma que tinham antes. É fato que há um grande leque de dificuldades impedindo nossa dedicação integral ao idoso com demência ou com outros tipos de patologias incapacitantes: temos nossos compromissos de trabalho para garantia do nosso sustento; temos pouco ou até mesmo nenhum recurso financeiro; temos os nossos próprios filhos, marido (esposa) e casa para nos dedicar; enfim, precisamos de união e apoio para não abandonar nossos idosos à própria sorte.

Meu alerta fica para aqueles que contratam pessoas para cuidar de seus idosos e a elas entregam toda a responsabilidade do cuidar, despreocupando-se de manter uma vigilância mais constante para verificação das condições de higiene e de trato geral que seu ente querido possa estar recebendo.

Muitas são as ocorrências de violências físicas que vez por outra aparecem divulgados pela mídia. Entretanto, os maus tratos silenciosos que não deixam marcas ou evidências no corpo são inúmeros, como: a impaciência e modos grosseiros de falar com o idoso; o desleixo quanto à limpeza pessoal e do ambiente em que vive o idoso; os cuidados quanto à alimentação saudável e administração dos medicamentos e mais uma série de coisas do cotidiano que não são detectáveis através de breves telefonemas ou de breves visitas ao local onde mora o idoso.

Há uma grande quantidade de idosos vivendo isolados do seu núcleo familiar entregues aos cuidados de terceiros. Nessa minha batalha por encontrar auxiliares para me ajudar no dia-a-dia com mamãe, tenho escutado muitas histórias. Geralmente as candidatas que aqui chegam me são indicadas por amigos que, informados por outros, sabem de alguém que já esteve cuidando de um idoso em alguma residência.

Chama-me a atenção o fato de que a grande maioria sempre refere que trabalhou em dupla com outra contratada, sem a presença de nenhum parente no comando da casa. Uma delas, inclusive, tinha formação no curso técnico de enfermagem e disse-me que durante dois anos havia cuidado de um idoso com câncer de próstata. Disse-me que o paciente ainda se locomovia nos primeiros meses e que era ela quem dava o banho, fazia os asseios íntimos no banheiro e tudo o mais. Saiu de lá depois que o idoso faleceu.

Entusiasmada, achei que estava com a pessoa certa, mas com o passar dos dias fui vendo-a esquecer da medicação, não ligar para a limpeza de fronhas, robes, roupas de mamãe e, quando fui olhar como estava sendo feito o asseio íntimo, peguei-a dando descarga antes de levantar mamãe do vaso sanitário. Isso não dá para controlar por contatos telefônicos, nem verificar em momentos de rápidas visitas ao nosso ente querido.

Geralmente ficamos indignados diante de notícias veiculadas pela mídia denunciando abusos e violência contra idosos, mas como será que nós e o nosso grupo familiar estamos lidando com os velhos pais, avós e até tias? Será que violência é somente agressão física?

Particularmente, incluo no rol das violências todo tipo de relação com o outro que seja omissa e/ou ignore a condição humana, em seu legítimo direito ao tratamento digno que merece, para que lhe seja garantido o zelo pela sustentação de uma melhor qualidade de vida.

Apelo para que todos nós, familiares e cuidadores, reflitamos sobre o que é cuidar de um outro ser humano e busquemos revitalizar nossas relações, com aquele cálido ninho que poderia nos servir de porto abrigo nas horas da dor, das perdas e da inevitável fragilidade humana.

Um abraço a todos e boa semana.

Gracinha Medeiros

Gracinha Medeiros

- soriedem39@hotmail.com

Mais Antigo

Avalie este artigo

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas 1 Voto(s)
Loading ... Loading ...

12 comentários em “Nossa família, nosso ninho”

  1. gracinha medeiros disse:

    Claudineia,

    obrigada por sua visita ao site e pelo seu depoimento.

    Suas palavras me emocionam por transmitirem a sua amorosa sensibilidade diante da nova realidade a ser enfrentada junto com sua mãe. Suas dúvidas, suas preocupações são perfeitamente compreensíveis e, acredite, até o momento em que minha mãe exalou seu último suspiro, vivi diariamente a busca incessante de informações que me orientassem a fazer as escolhas certas para oferecer a melhor qualidade de vida possível para ela.

    Pelo que pude entender você já possui duas ferramentas valiosas para dar à sua mãe a ajuda de que ela necessita: a sua formação profissional e, a mais importante, o amor que sente por ela. Como enfermeira você poderá observar com maior precisão os sintomas, as reações a medicamentos para melhor informar e solicitar a orientação dos profissionais que estejam tratando dela. Como filha, ninguém melhor que você que conhece os traços característicos da personalidade e história de vida dela para, com a sensibilidade do seu amor encontrar a melhor forma de agir e de entender as manifestações emocionais que apresentar.

    Sabe Claudinéia, a individualidade de cada ser é um universo complexo e único que só com paciência, dedicação amorosa, compaixão pode ser respeitada, amparada e protegida pelos laços afetivos dos que a cercam. Dessa forma, siga sempre a voz do seu coração para intuir o que fará ela se sentir bem ou se a deixará mais confusa e desconfortável. Nunca desista de conversar com ela, de estimula-la a fazer o que ainda possa fazer e, se já estiver numa fase em que as palavras não façam sentido, procure descobrir o significado do que esteja querendo expressar através da linguagem que o foco do olhar e os gestos corporais estiverem revelando.

    É importante que esteja sendo acompanhada regularmente por um médico geriatra e/ ou neurologista que lhe dará orientação sobre medicamentos e acompanhamento de outros profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, etc.

    Para finalizar, continue buscando informações sobre o Mal de Alzheimer. Aqui no site mesmo você poderá navegar e encontrar dicas e informações através dos artigos publicados por Dr. Márcio Borges, Luciene Miranda e tantos outros competentes profissionais colabadores neste site. Há um livro intitulado “Você não está sozinho” que você pode adquirir através do site da ABRAZ que muito me ajudou quando comecei a cuidar de mamãe.

    Acredite: quanto mais você se informar sobre essa patologia, mais você se sentirá segura para ajudar sua mãe.

    Um beijo para você e sua mãe e que Deus as abençoe.

    Gracinha Medeiros

  2. Claudinéia disse:

    Boa noite!
    SrªGracinha Medeiros

    Estou com a minha mãe portando D. Alzheimer e esta na fase inicial, nossa para mim esta sendo muito dificil pois acreditar que ela esta assim não é facil ainda mais que ela sempre foi muito ativa, mas gostaria de saber se estou no caminho certo, pois sair do emprego para cuidar dela, as pessoas falam que não vou aguentar, mas acredito que sim, eu tenho o curso de enfermagem e não tive a oportunidade de execer a profissão, mas agora sei que posso usa com a minha mãe. Mas fico perdida no que posso fazer para que ela fique mais feliz possivel, ela sempre foi muito quieta na dela, gosta muito de dormir. Minha cunhada disse que não é legal ela ficar indo na casa de meus irmãos por que pode confundir ela, mas foi combinado entre os irmãos que cada final de semana ficaria com um filho e durante a semana comigo. A senhora acha que realmente essas saidas finais de semana venha prejudica-lá e antecipando ainda mais a doença? Quero o melhor para ela e tbm não gostaria de privar meus irmãos da companhia dela não, mas ser for o melhor para ela tudo bem.
    Gostaria também de saber se é bom ela sair, viajar ou se isso só vai prejudica-la?

    Agradeço a atenção e aguardo retorno

    Claudineia

  3. Tammy disse:

    Minha mãe está com 61 anos e cuidando da minha avó de 86. Minha avó tem Mal de alzheimer e dá muito trabalho pra minha mãe que se encontra em um nível de stress altíssimo, sem comentar que minha mãe sofreu um acidente e teve que passar por uma cirurgia no ombro mas não pode fazer fisioterapia por ter que cuidar da sua mãe (por isso perdeu os movimentos do braço direito). Já entramos em contato com os outro filhos que são mais novos e tem mais condições mas eles simplismente se recusam a cuidar. Minha mãe mora sozinha com a vó e nem pode sair de casa. Por favor, preciso de orientação porque os outro filhos nos mandaram procurar a justiça…

  4. andrielle disse:

    eu achoo o máximoo as pessoas cuidar das familias
    porqe sem elas a gente naum ée nada
    eu aprendo as coisas com os meus familiares
    porqe são as pessoas mais importante pra minha educão
    e é claro também pra minha vida
    eu amo as pessoas que ser importa com as outras .

  5. gracinha medeiros disse:

    Olá Salma,

    desculpe-me pela demora em responder: é que com minha mãe acamada, tenho tido pouco tempo para sentar e responder com calma os e-mails recebidos.
    Primeiramente obrigada por sua participação aqui no site e por dividir conosco a sua experiência. Imagino o quanto deve estar sendo difícil para vc e sua irmã a situação que estão enfrentando. Garanto-lhe que essa questão familiar é muito comum em todos os lares e isso se dá pela forte carga emocional que atinge todos os membros da família diante das doenças que acometem os pais idosos.
    Vc está certa quando afirma precisar de orientação e ajuda para saber como agir,
    por isso aconselho-a a inteirar-se do teor do ESTATUTO DO IDOSO. Nesse sentido há um excelente artigo publicado aqui no site pela psicóloga Luciene Miranda em 19 de julho do corrente ano sob o título ESTATUTO DO IDOSO PARA O IDOSO E SEUS FAMILIARES. Leia-o e acredito que muito das orientações de que precisa vc poderá encontrar nele, bem como inteirar-se através dos comentários de outras situações semelhantes vividas por outras pessoas.
    Um grande abraço

  6. SALMA disse:

    preciso orientação….minha mãe tem mal de parkinson q afetou seu lado direito e ela não anda sozinha , tem muita dificuldade de engolir até agua…tem 74 anos…sua mente é muito boa sempre foi forte adquiriu este mau .após o enfarto q teve. somos em sete filhos solteira em casa está eu de 41 anos e minha irmã de 32…e meu pai q já tem tbem 74 anos. Os outros filhos nunca podem colaborar…cada um por um motivo….e acaba sobrecarregando meu pai..durante o dia , eu e minha irmã trabalhamos fora e a noite tento poupar meu pai no q posso…minha vida está limitada.
    Tenho um irmão mais velho q foi traido pela esposa sendo trocado pelo irmão mais novo…..ele ja se casou novamente e está super bem de situação mas não quer cooperar porque a ex dele q agora esta com o outro irmão frequenta nossa casa …mas ela é uma pessoa boa e de vez em qdo me ajuda com minha mãe.
    ele fica magoando meu pai e minha mãe dizendo coisas terriveis para os velhinhos como se tivessem culpa dos problemas dele …um terror.
    Gostaria de saber onde recorrer, pois precisamos de dinheiro para pagar alguém pra auxiliar meu pai durante o di a para não confundir medicamentos etc.
    seria delegacia da mulher? elees convocariam todos os filhos? me ajudem eu e minha irmã não podemos sair ….namorar …nada mais ….pois temos muito medo do que possa acontecer.Já que não botam a mão na massa ,pelo menos ajudar com grana.

  7. gracinha medeiros disse:

    Olá James,

    obrigada por sua visita ao site e pelas palavras de incentivo. Fico lisonjeada com o seu convite e quando o assunto é cuidar dos nossos idosos meu impulso é sempre o de querer colaborar.
    Encaminhei para o seu e-mail – postado aqui no site, uma resposta mais detalhada.
    Um grande abraço,

    Gracinha Medeiros

  8. gracinha medeiros disse:

    Luciene,

    obrigada por sua visita ao site e pelas palavras carinhosas que me servem de incentivo para continuar escrevendo.
    Um grande abraço

  9. James Costa disse:

    Sou estudante de jornalismo, e estou escrevendo uma matéria para revista Múltipla da faculdade uni-bh. Primeiro, quero parabenizá-la pelo belo “site”. Acho que Toda mobilização para cuidar de quem a vida toda cuidor de nós, humano e necessário. Gostaria de poder contar com sua colaboração em me conceder uma entrevista a ser agendada ainda esse mês. Estarei a disposição para maiores esclarecimentos também no celular (31) 8419-8215 ou pelo e-mail: james.costa@claro.com.br.

  10. luciene disse:

    Parabéns pelo seu artigo, e que Deus continue te abençoando com esse dom ma
    ravilhoso de escrever, e principalmente na questão do idoso.
    Abraços Luciene 32 anos.

  11. gracinha medeiros disse:

    Olá Raimunda,

    obrigada pelo seu depoimento e por sua participação. Precisamos mesmo estar à frente dos cuidados a serem dispensados aos nossos idosos.
    Um grande abraço

  12. Raimunda Cavalcante disse:

    Aconteceu a mesma coisa comigo. Minha amiga tinha me alertado para o fato de confiar demais na moça que cuida de minha tia que tem derrame e tem o lado esquerdo esquecido. Na minha frente ela era só boa vontade, mas uma vizinha já tinha ouvido ela gritar com tia. Como só chegava depois que telefonava, nunca ia presenciar isto. Até que na semana passada, cheguei na hora do banho, bem cedinho, e fiquei na porta ouvindo o movimento lá dentro. Ouvi algumas vozes mais altas e gente andando depressa. Resolvi bater na porta e só vi a cara de susto da moça. Minha tia pelada na porta do banheiro, toda suja de urina e fezes, chorando. Esperei ela limpar minha tia e depois ouvi uma porção de desculpas de que ela tinha feito tudo naquela hora, que ela ttava sendo mais rápida para não deixar suja e tal… Não deu outra, naquele dia mesmo mandei ela embora e ela me falou uma porção de desaforos de que vai me leval no ministério, que vai me denunciar. Contratei uma outra moça e agora eu aprendi, não vou confiar de cara, vou tomar é conta mesmo. E sua fala foi muito boa, pois me deu mais certeza de que fiz era o mais correto. Obrigada Gracinha.

Quer adicionar uma foto no seu comentário?

Entre no site gravatar.com, crie uma conta e faça o upload da sua foto.

Comente

  • Nenhuma citação para este post.


Enquete

Você usaria uma agenda especial para anotar o dia-a-dia do seu idoso dependente?

Ver Resultados

Carregando ... Carregando ...

 



Mapa
© 2010 Cuidar de Idosos. Todos os direitos reservados. Reprodução sem permissão não é permitido.

© 2012 CUIDAR DE IDOSOS

Recomendamos também a leitura de: