Publicado em: 05/12/2009
Abro os olhos… Tempo passou: a noite amanheceu; assim também infância e juventude amadureceram… Sinto a vida que continua vibrante dentro de mim. Por trás das cortinas do meu quarto, o mundo lá fora emite os ruídos da vida humana. É hora de levantar, de recomeçar, de seguir adiante… Ultimamente, os redobrados cuidados com mamãe não me têm permitido o tempo necessário para desfrutar os prazeres de que tanto gosto: ler e escrever.
Vez por outra, pelos portais da Internet, dou uma ligeira espiada no mundo. Aturdida, me vejo lendo o que parece reprise de velhas manchetes noticiando as mesmas tragédias humanas adaptadas aos novos cenários, mudando apenas nomes e quantidade de vítimas sob o requinte de tecnologias mais avançadas. Enfim, são políticos brigando pelo poder, nações ameaçando outras nações, crimes hediondos envolvendo todas as camadas institucionais sejam elas religiosas, civis ou de poder público enquanto, em meio à grande massa humana que vaga pelo Planeta , indivíduos se espremem e seguem avançando às cegas sob os furacões da ganância, famintos de respeito e dignidade.
Busco refúgio no portal Cuidar de Idosos, onde reencontro o alento da esperança ao ler os artigos publicados pelos colegas blogueiros que, incansáveis, continuam convocando-nos à reflexão e apontando os possíveis caminhos a serem trilhados por uma humanidade mais consciente dos valores da VIDA propriamente dita.
Enquanto minha mãe dorme, encontro um tempinho para escrever. Há uma profusão de sentimentos agitando meu espírito diante do clima natalino que já invade ruas e centros comerciais acompanhado dos tão costumeiros votos auspiciosos de um feliz novo ano, convidando-nos ao consumo desenfreado.
Sinto saudades do meu pai que no Natal de 2003 encerrou sua jornada pela Terra. Penso na delicada fragilidade de nossos corpos e mentes. Olho minha mãe adormecida e agradeço a bênção de ainda poder beijá-la e confortá-la nos momentos difíceis. Percebo a força do seu espírito que se manifesta no doce e iluminado sorriso com que me olha e agradeço o presente que me deu esta semana quando sem nenhum treino específico , vencendo as barreiras do Alzheimer e o obstáculo da cânula traqueal, falou comigo após cinco meses de completo silêncio. Não há palavras que possam descrever esta imensa alegria que nenhum dinheiro no mundo pode comprar, nem loja alguma tem para vender: ouvir novamente o som da voz dela expressando suas emoções!
É então que, em meio à constante luta diária, das noites mal dormidas, dos conflitos e problemas a resolver, no profundo silêncio da minha alma a luz da minha fé na Vida se reacende e me enche de energia para seguir adiante, batalhando a cada minuto pela melhor qualidade de vida que se lhe possa oferecer. Valem a pena todas as lágrimas e dores, todos os conflitos e obstáculos, quando gestos e palavras simples restabelecem a ponte de comunicação entre duas ou mais pessoas!
Vendo as luzes que piscam nas árvores natalinas, nas fachadas de prédios e adornos espalhados pelas avenidas, desejo com todas as minhas forças que dentro de cada coração humano possa brilhar intensamente a luz da fraternidade, da humildade e da aceitação; que ao invés de corrermos para as lojas em busca de objetos para presentear aqueles que amamos, tivéssemos pressa para abraçar, beijar e declarar o amor que lhes dedicamos.
E, no embalo dessa alegria que me inundou a alma, mergulho no velho sonho da minha infância quando, na pureza simples da minha crença criança, me apressava a pedir ao meu pai que pusesse no correio a carta escrita para o Papai Noel pedindo os presentes natalinos que desejava. Há mais de quarenta anos que não mais escrevo as tais cartas que tão assiduamente fazia sempre finalizando com o pedido de saúde e muitos anos de vida para papai e mamãe! E por que não voltar a fazê-lo agora novamente? Eis então a lista dos meus principais pedidos:
1. Que me dê saúde e força para proporcionar à minha mãe todo o conforto e todas as alegrias possíveis; que ilumine o meu espírito e os corações de todos nós familiares, amigos, profissionais para que o amor, a dedicação, o respeito e a responsabilidade sejam os pilares de sustentação do relacionamento cotidiano nos diferentes elos estabelecidos.
2. Que nos dê coragem para lutar, brigar e mudar as coisas que podemos mudar; serenidade e leveza para aceitar as leis da Vida que não podemos mudar e a clareza da sabedoria para distinguir quando, como e onde se faz necessária a nossa coragem ou a nossa serenidade.
3. E, finalmente, que as renas do seu trenó o conduzam para dentro de cada coração humano a fim de reacender as luzes do entendimento, da compaixão e da harmonia; possa então, cada indivíduo, resgatar o respeito à dignidade de sua condição humana independente de credos, raça, sexo ou idade.
Um grande abraço a todos.
Gracinha Medeiros
Caro Gesù Bambino – Andrea Bocelli
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Qto tempo, Gracinha!!! Bom ter vc por aqui! Adorei o artigo… bjos