Publicado em: 05/03/2011

habilidades e limitações
Ao longo de nossas vidas, é nítido perceber que temos várias habilidades, mas também possuímos nossas limitações. Ou seja, em outras palavras, somos bons em algumas coisas e nem tão bons em outras. Isto acontece no decorrer da vida, algumas habilidades e limitações se mantém, outras se modificam devido a uma série de fatores, como, por exemplo, mudança de interesses ou estilo de vida, treinamento, dentre outros motivos.
Para algumas pessoas parece ser extremamente difícil enxergar suas próprias limitações e falar das mesmas. Para outras, acontece o contrário: preferem falar de suas limitações e demonstram grande dificuldade quando alguém lhe pergunta sobre aquilo que ela tem de melhor.
Porém, há uma tendência natural de as pessoas associarem o envelhecimento apenas às limitações, ou seja, elas enfocam apenas as perdas, os problemas e se esquecem daquilo que têm de bom, suas habilidades. Este lado bom não necessariamente se perde com o passar dos anos, isto é fato!
Esta postura de reforçar apenas suas limitações é bastante pessimista e pode contribuir para que o idoso se sinta incapaz, com baixa autoestima e deprimido. Infelizmente as famílias e a sociedade em geral tendem a reforçar esta postura. Neste sentido, é comum ressaltarem coisas que o idoso fazia e não pode mais fazer (“A vovó era uma cozinheira e tanto, mas hoje sua artrose não a deixa mais mexer nas panelas”); enfatizar sua dependência (“Papai não tem mais condições de dirigir, por isto precisamos carrega-lo sempre”); reforçar mudanças indesejáveis que aconteceram com o passar dos anos (“Antigamente a mamãe lembrava os aniversários de toda a família, hoje muito mal se lembra da data dos filhos”); e mesmo reforçar uma baixa autoestima (“O papai antigamente era forte e tinha uma excelente postura, hoje está magro demais e corcunda”). Percebam como nestas falas só há ênfase nas mudanças negativas ocorridas com o passar dos anos.
Uma postura bastante saudável seria a de ressaltar as potencialidades do idoso nesta etapa de sua vida. Importante aqui fazer isto de maneira realista, condizente com a realidade e não ficar criando situações forçadas a fantasiosas referentes ao idoso. Não é legal infantilizar o idoso (“Nossa, como ele faz isso direitinho”) ou fazer elogios irreais. Vale a pena ressaltar as reais potencialidades do idoso, por exemplo, aquelas que se manteram no decorrer dos anos (“Mamãe sempre cozinhou muito bem e continua fazendo isso”); enfatizar aquilo que melhorou com o passar dos anos (“Com o passar dos anos papai se tornou uma pessoa mais sábia e centrada”); dar valor àquilo que foi aprendido já em idade mais avançada (“Vovô e se tornou um ótimo dançarino após aposentar, pois dedicou seu tempo livre para aprender a dançar e acompanhar a vovó, que sempre dançou muito bem”); promover uma boa autoestima e autoimagem (“Mãe, como esta roupa lhe cai bem!”).
Deslocar o foco das limitações para as habilidades e potencialidades do idoso auxilia o idoso, mas também a família e a sociedade a entenderem que o envelhecimento não é apenas sinônimo de perdas, existem ganhos neste período e, além disso, algumas habilidades se mantêm com o passar dos anos e merecem ser destacadas.
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Cicília, aqui no site msm tem outros artigos meus sobre a questão das relações familiares do idoso. Bom trabalho!
Olá Luciene!
Sou estudante de Psicologia do 9° semestre, estou produzindo um artigo sobre Habilidade sociais na relação de idosos com sua família.
Gostei muito dos seus posts, gostaria de saber se você teria algum material disponível sobre algo deste tema.
Desde já agradeço!
Parabéns!