Publicado em: 18/01/2012

Guimarães Rosa e o sentido da vida
”O homem envelhece é porque não agüenta viver, ainda não sabe e tem medo da morte.” Guimarães Rosa
Por acaso, relendo um dos memoráveis livros da literatura brasileira, CORPO DE BAILE , do imortal João Guimarães Rosa, deparei com o conto CARA-DE-BRONZE. A narrativa trata de um poderoso fazendeiro que está doente e sente que a morte pode estar perto. Através das expressões únicas da escrita de Guimarães Rosa, este fazendeiro relata:
Estar doente com um olhar de secar carvalhos….
Amargo feito falta de açúcar
Assim, com a aproximação da morte, este personagem faz dela, a morte, a sua verdadeira mestra. Nas imensidões das Minas gerais, enxerga agora as boas coisas da vida, as belezas naturais, as miudezas da natureza, o cotidiano das pessoas comuns. Põe-se a perguntar noticiazinhas, ri com as engraçadas bobeias… Agora, também, para recuperar o tempo perdido e espantar sua tristeza, ouve o dia todo um cantador de cantigas da roça.
Resumindo: o nosso fazendeiro rico, vendo sua morte aproximar, procura viver plenamente e buscar o real sentido da sua vida. Como se, com isto, pudesse espantar a sua morte para longe…
A morte, talvez o maior sentido de nossa vida, é mestra e niveladora das coisas reais e importantes para todos nós. O idoso, por sua proximidade, tem o privilégio e a oportunidade de aprender e nos ensinar os verdadeiros sentidos de nossas vidas!
Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim…
Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força de dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado…
Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo…
João Guimarães Rosa
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Dica de livro: A BELEZA DO CORPO NA DINÂMICA DO ENVELHECER. Pedro Paulo Monteiro (maravilhoso!)
Este livro apresenta um olhar para a beleza na velhice, propiciando liberdade àqueles que já estão esgotados e se sentem escravos na busca da juventude eterna. Refletir sobre a beleza do corpo e o envelhecimento não é uma contradição.
Se envelhecer é um processo contínuo de aprimoramento do ser, a beleza, no seu sentido mais amplo e profundo, pode ser alcançada com muito mais facilidade na velhice.
Vale muito a pena ler…
Deixei no meu site a sinopse:
http://www.palliarte.com.br/2011/04/livro-beleza-do-corpo-na-dinamica-do.html
Como sempre, parabéns pelo excelente conteúdo do cuidar de idosos!
Abraços
Malu Bozzani