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Publicado em: 07/03/2010

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Exercício da paciência

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Após conviver com meu pai, que foi portador da Doença de Alzheimer, pude compreender que lidar com um idoso acometido por esta doença é um exercício constante da paciência. E a paciência não é uma virtude de todos. Ela sempre deve ser trabalhada, de forma a deixar a pessoa mais apta a lidar com situações desafiadoras e que requeiram muito tato e paciência para solucioná-las.

Alzheimer é uma verdadeira prova da paciência do cuidador. Uma prova de fogo que lhe é testada diuturnamente. Paciência para responder a mesma pergunta por N vezes; para se apresentar para aquela pessoa que a conhece desde que você nasceu; para tirar de perto do alcance do idoso todos os objetos que poderiam ser um perigo potencial para ele e para os que o rodeiam; para lembrar-lhe aquela palavra que lhe fugiu da mente no momento de uma conversa; para vestir-lhe adequadamente; para, mesmo com sono, passar a noite em claro, pois o idoso não está conseguindo dormir; para contornar aquela doentia vontade de ir embora que aparece todos os dias; para o conter quando ele fica agressivo; para fazer tudo sozinho, sem a ajuda de ninguém; para explicar para as pessoas que se assustam com o seu comportamento que aquilo são sintomas de uma doença muito ingrata; para ensinar-lhe tudo o que ele aprendeu enquanto criança e não se lembra mais de nada.

A impaciência é a inimiga mortal da paciência e irmã gêmea da agressividade, da impulsividade, da falta de educação, da imperfeição, da pressa, do imediatismo e finalmente do sentimento de culpa por ter tomado uma atitude impaciente capaz de ofender os outros.

Infelizmente a paciência tem encontrado um espaço cada vez menor em nossas vidas, já que precisamos fazer coisas demais e temos cada vez menos tempo para fazer tudo.

Recentemente estava no elevador de um prédio comercial. Além de mim e do ascensorista também estava uma mulher de trinta e poucos anos. O ascensorista fez o elevador esperar para subir (a mulher começou a demonstrar impaciência olhando para o relógio e batendo um pé no chão insistentemente) até que vejo o motivo da sua espera: duas senhoras traziam uma senhora bem idosa numa cadeira de rodas, as quais entraram no elevador e agradeceram o ascensorista por terem esperado-as. As três estavam muito bem vestidas, inclusive a senhora, que ficou posicionada de frente ao espelho. Assim que viu sua imagem refletida no espelho ela começou a sorrir e gritar alto palavras a princípio ininteligíveis, até que a senhora que empurrava a cadeira – sua filha – entende o que ela diz e fala com ela: “Ah, você está falando que está vendo a vovó aí, né?”. Nisso a senhora sorri, faz que sim com a cabeça e continua a sorrir e conversar com a vovó que ela via em sua frente: sua própria imagem refletida no espelho que ela já não dava mais conta de distinguir. Nisso ela continua a falar muito alto e eu já consigo entender quando ela diz: “Mamãe, olha” e aponta para o espelho. Sua filha carinhosamente lhe dá um beijo na testa e diz emocionada: “Hoje eu sou sua mãe, né? Ontem você que era a minha, mas tudo bem, a gente troca, eu não me importo”. Percebi que ela e a outra que a acompanhava ficaram com os olhos cheios de lágrimas. Realmente foi uma cena emocionante. A impaciente que também estava no elevador parecia um pouco assustada com o que estava acontecendo e ao mesmo tempo incomodada com sua demonstração gratuita de apressada segundos atrás, ela sequer levantava a cabeça.

Saí no elevador pensando naquela família, a mãe havia se tornado filha, a filha se tornou a mãe, a idosa que via a sua própria imagem e pensava ser uma vovó desconhecida. Realmente a Doença de Alzheimer é muito triste, faz a pessoa perder todas as suas referências, inclusive aquelas ligações mais íntimas e afetuosas que se desenvolveram ao longo dos anos. Além do amor para lidar com isso, a paciência também se faz muito necessária. Já imaginaram se esta filha fosse impaciente com a mãe naquele momento? Ela poderia ficar ainda mais confusa, exaltada e ao final de tudo isto a filha poderia se sentir culpada por não ter sido paciente com sua própria mãe.

Esta filha já deve ter aprendido com a experiência que ficar nervosa não soluciona o problema, pelo contrário; gritar não faz o idoso escutar melhor, pode sim assustá-lo ainda mais, da mesma forma que ignorar suas palavras pode fazer o mesmo efeito. Em síntese: precisamos ter a capacidade de compreender que algumas situações dependem de nós, porém, existem outras que não dependeram de nós para acontecerem e também não dependerão só de nós para que sejam solucionadas. Algumas coisas acontecem a seu tempo, independente de nossa atuação, nestes casos a impaciência só pode deixá-las ainda piores. A Doença de Alzheimer é uma destas coisas.

Luciene C. Miranda

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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9 comentários em “Exercício da paciência”

  1. Lane disse:

    Olá Luciene, bom dia

    Eu tenho TOC, transtorno obsessivo compulsivo, desde os 7 anos aproximadamente, tomava remédios na época, até os 14 anos, o transtorno, claro, só foi diagnosticado posteriormente em 97, desde então voltei com medicamentos específicos. Fiz anos de terapia, melhorei razoavelmente, melhorei bem.

    Minha relação com minha mãe nunca foi uma brastemp apesar da forte ligação que sinto em relação a ela… ela sempre muito possessiva, controladora, e eu sempre me defendendo do controle e posse dela como conseguia pra poder dar os meus passos, a partir dos 17 anos, e a forma que encontrei foi a rebeldia… “vou sim, faço sim, problema meu, ou mentir que ia em um lugar e ia em outro”, mas pra coisas básicas como namorar, conhecer o que era praia aos 19 anos, sair com amigas, enfim viver um pouco a vida e fora das asas dela, caso contrário ela me enfiaria numa ostra e me levaria na bolsa.

    Ela nunca foi assim uma pessoa de hábitos precisos, lógicos, mas dentro de sua cultura tinha inteligencia e habilidades interessantes, como fazer seus móveis de alvenaria (sofás, camas, guarda-roupas, costuras básicas à maquina… pois nossas condições financeiras não era tb uma brastemp. Mas ela acho que nunca teve aptidão pra coisas mais delicadas, lembro que, por duas vezes, ao costurar a meia que eu já vestia, e já atrasada pra escola, ela passou a agulha pela pele/carne de minha perna; ao cortar meu cabelo ela chegava a arranhar minha orelha com a gilete, varias vezes, enfim. Isso para dar uma noção que qdo era nova tb já nao era assim uma pessoa cuidadosa, atenciosa, centrada.

    Hoje ela tem 77 anos e eu 49, e estou sem a menor paciência em relação a ela, brigo muito por tentar entender o pq das atitudes dela… e agora parece que o cerco se fechou, ela é ativa ligada no 380w, e com isso as falhas são constantes, torneira aberta, luz acesa, fogo ligado, detalhes com a higiene básica da casa e dela como dar uma descarga. Ela tem se feito pequenos machucados, batendo em algo, tropeçando aqui, enroscando alí, arranhando em plantas, não acende luz pra subir escada, sobe no escuro e de óculos escuro devido a uma sensibilidade nos olhos ultimamente, devido a cirurgia da catarata, há 6 meses e está ainda em recuperação, não descobrimos ainda o pq essa demora e sensibilidade que ficou, isso a entristece muito.

    Peço, as vezes imploro para nao fazer tal coisa, ela faz o contrário. Vive conjecturando “se”, numa insegurança que incomoda: perde tudo dentro de casa e o tempo todo: chaves, blusa, bolsa, cartâo do banco, óculos, açucareiro, sal, remédios, e se eu quiser sossego pra trabalhar, já que trabalho em casa, tenho que largar o que to fazendo pra achar a tal coisa que ela procura, mas não dura muito, em 5 minutos ela arruma outra questão, outro problema, .. pois ela é super ativa, mas se enrola muito pra fazer as coisas, pois quer fazer 3, 4 coisas simultaneamente e de forma desorientada. Em 3 minutos, ela liga o fogo do gaz, coloca gordura pra esquentar, vai no quintal passear, mexe com plantas e terra, liga a torneira, ouve barulho na cozinha da gordura quente, deixa a torneira ligada e volta pra cozinha, isso em menos de 3 minutos, outro exemplo que dei.

    Ela me acelera e me assusta direto, eu concentrada trabalhando, fazendo banco pela internet por exemplo, e ela vem com alguma nova questão “complicadissima pra ela”, sempre conjecturando e tudo de forma negativa, fala muito, minha cabeça fica confusa, ela diz algo, eu respondo, daí ela diz o contrário, dai já não sei mais o que ela quer, me sinto perdida tentando entender a confusão mental que ela me apresenta, entro na confusão… até que explodo.

    Ela quer ir sozinha a faira, ao mercado, ao banco, mas não enxerga direito, não tem atenção pra atravessar a rua, atravessa em qualquer lugar, não respeito o sinal, acho que nem entende direito o semáforo. E qdo ela quer sair, ela quer e resmunga, diz que eu quero mandar, e se eu não consigo convencê-la em não sair, tenho que parar meu serviço naquele momento para acompanhá-la ao mercado, banco, enfim, naquela hora, não pode ser depois, pq ela nao para de falar e eu nao vou conseguir trabalhar do mesmo jeito. Por duas vezes seguidas num dia a deixei ir sozinha, eu estava sem forças físicas, mentais e emocionais pra discutir ou acompanhar, entreguei a Deus… ela voltou dizendo que por pouco o onibus que entrou por uma rua que nao era caminho dele, que a moto que apareceu do nada.

    Ah e tudo de errado que acontece ela diz é por minha causa, enfim a culpa é sempre minha……… eu e marido abrimos mão de nossa privacidade pra ficar com ela, cuidar dela, a levo 99,99% das vezes que viajo, embora a viajem me cansa pq ela fala muito, de tudo, o tempo todo… e sempre as idéias nunca são similares as minhas… tenho explicar o que penso, mas acaba em briga… depois me culpo, me culpo e me culpo… e depois de me culpar, me culpo novamente.

    Nos últimos tempos tenho a impressão que vou desmaiar de tanto stress durante as brigas, me chega a alucinar, uma sensação de sumir, ir diminuindo até desaparecer do universo.

    O assunto dela é sempre ladrão, que fulano matou 3, pq o artista tal se separou da fulana já que ela é tão bonita, que o filho da mulher do pedreiro do vizinho disse tal coisa, que a luz da casa do vizinho tá acessa e será q é pq o pedreiro vai dormir lá, e conta que a luz tá acessa e inconformada resmuga de novo…. enfim, assuntos que realmente não me interessam e nem tenho paciência de ouvir pq tb tenho meus problemas sérios inclusive pra resolver, pensar, enfim, e realmente não me importa a vida dos outros principalmente de quem não convivo e não conheço. Não me importa o pq a luz do vizinho tá acesa, quem tá lá, se o pedreiro foi dormir lá, enfim.

    Faço uma pegunta a marido, antes dele pensar em responder ela já diz o que ela acha e o que temos que fazer.

    Ela não é de forma alguma agressiva fisicamente, só perde tudo, fala muito, é confusa, desorientada para algumas coisas dela, mas pras minhas e do marido, ela tá sempre alerta a qquer movimento para informar o que devemos fazer. Ela só pára a aceleração dela qdo eu começo a falar nao dando espaço a ela meio desesperada ou qdo grito e brigo, dai ela diminui, pq só de pedir pra ela parar, chego a ajoelhar pedindo que ela me ouça, nem assim, não adianta, ela nem me nota, dái eu berro pra ela se assutar, cair na real. Caso contrário ela vai na toadinha dela que nem olha ao redor, nem sabe se to ouvindo, ela continua falando e falando e falando e falando, até eu explodir de desespero.

    Medicamento com ela é complicado, as vezes nao quer tomar e as vezes quer tomar demais, pricipalmente contrariar o que é prescrito pelo médico.

    Qdo está doentinha, reclama, faz escândalo que tá muito mal, me assusta dizendo que vai morrer, eu entro em panico tento levá-la ao médico, mas ela se recusa, resmunga, pede socorro, me quer alí pra ouví-la sofrer, socorrê-la, mas se eu insistir ir ao médico, ela resmunga, faz drama, chora, se lamenta da vida, enfim e qdo vejo que sério que nao tem jeito, pego pesado pra convencê-la a me acompanhar, chantageando-a de alguma forma, ela vai resmungando, esbravejando de casa até o médico, chorando que tem que fazer o que eu quero. Mas como vou deixar de levá-la ao médico se ela me diz que tá mto mal e vai morrer? Mas ela age assim pra enxaqueca, dor, gripe… então nunca sei se é sério, caso de hospital ou se é algo simples de resolver em casa.

    Quanto a mim, não consigo ser paciente com ela, pq é sempre a mesma coisa que eu tenho que explicar, falar, ensinar, dizer, lembrar, orientar e acabo sendo muito muito agressiva verbalmente e estúpida qdo perco o controle falando coisas horríveis.

    As vezes me sinto uma terrorista (um monstro) e ela a vitima (um pardalzinho com a asa quebrada)
    As vezes me sinto aterrorizada por ela, eu um pardalzinho e ela um urubu cuspindo fogo na minha cabeça, com as confusões dela, pq minha cabeça começa a ferver.

    Cuido dela, pq acho que to fazendo o melhor pra ela assim.
    As vezes me culpo e acho que abdiquei de minha privacidade, de morar em outro lugar, outra cidade, em vão, e que tô fazendo tudo errado pq ela se demonstra que nunca foi feliz comigo, e que continua infeliz. Me conta uma história sofrida desde a infância e que foi mesmo, mas me revolto com isso, pq ela deixava isso acontecer, e nao tomava nenhuma atitude. Ela perdoa com facilidade e isso a faz aguentar qualquer barra, qualquer humilhação e injustiça, porém também a faz cometer os mesmo erros, não mudar a postura, não fazer diferente. Não corrigir os erros, ela vai atropelando tudo e confinua desenfreadamente na mesma direção e condição. Chega a dizer que o passado cruel dela, que foi mesmo, foi melhor que a vida que eu ofereço a ela. Isso me mata! Isso me destroi a alma.

    Mas eu não vejo como ela poderia ter uma vida melhor longe de mim. Se eu acreditasse que isso fosse possível eu faria diferente, mas nao acredito e principalmente agora que ela está com 78 anos quase, nem em sonho.

    Já não sei onde enfiar tanta culpa, a noite sempre peço a Deus paciência pro dia seguinte e perdão pelo que fiz pela falta de paciência… mas no dia seguinte, logo que levanto vem a primeira bomba, a segunda, a terceira, e quando já não reclamo na primeira colocando limites pra ela nâo me entorpecer com aquela energia toda, parece que vou explodir, uma vontade de sumir, um cansaço tao grande por nadar, nadar, nadar e morrer na no meio do mar mesmo, nem chegar a praia. Ver que nada mudou e que a cada dia me surpreendo com algo mais alucinante, fico atordoada, perplexa e pumba, brigo, falo alto, enfim sou agressiva, ofendo.

    Nossa, que desabafo vergonhoso, mas é a realidade e dela não adianta fugir ou fingir que é diferente, deixar mais bonitinha. Sinto vergonha e culpa da minha falta de habilidade, da minha limitação tão extrema de paciência, da minha agressividade, do meu descontrole… pq mesmo buscando e tentando o melhor, vejo que os meios não justificam o fim… e que ao fim ela não tá feliz. E o máximo que consigo é me sentir cada dia mais culpada, e o que é menos importante mas tb me incomoda ser a culpada aos olhos dela, e dos outros que assistem a isso. E óbvio me vêem como a bruxa, a insensível, a grossa, etc e tal. Só que nenhuma dessas pessoas moram ou se submetem a essa experiência junto com a mãe ou pai por opção, para cuidar, principalmente nestas condição de 24hs por dia, 7 dias por semana, 365 por ano. E o que de bom eu faço, não entra em questão, nem pra ela. Ela nem tem noção do que eu faço de bom, mas se algum filho, genro de um conhecido faz a metade de algo que eu já fiz pra ela, ela diz absmada: Nossa fulando fez isso pra sogra, pra mãe, nossa como ele é bom não!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (com dez pontos de exclamação)… sendo que eu já fiz isso e mais 1000% disso, e ela nao percebeu, não se deu conta. Mas quem ela gosta ela enxerga o milézimo que fez de bom pra ela.

    É horrível, é claro que é, nao é algo a se orgulhar, óbvio, mas se é o único jeito que encontrei dela desacelerar, parar e que eu consigo impor algum tipo de preservação ao pouco espaço que ainda tenho, como por exemplo meus ouvidos principalmente, pq do resto, fora dos nossos corpos (meu e de marido) ela já tomou conta.

    Também acho que damos muita atenção a ela, muita corda, e quanto mais damos, mais ela quer, qto mais fazemos mais ela precisa. Talvez devessemos simplesmente ignorar muitas coisas, fingirmos que nao ouvimos, tenho até feito algo ultimamente, principalmente qdo o assunto dela é extremamente desagradavel e irrelevante, como falar da vida alheia, que morreram 20, enfim, e vai me subindo o sangue, pq ela sabe que eu nao gosto de ouvir isso, eu tenho interrompido e perguntado das orquídeas, faço isso constantemente agora pra ao menos ser algo agradavel a se falar, e até hj ela nao percebeu que é uma estratégia pra ela parar daquele assunto.

    Realmente preciso aprender a ignorar simplesmente muitas coisas, e nao levar as necessidades que ela coloca tão a sério, pq ela sempre vai estar com um problema, sempre estará querendo alguma coisa. Qdo ela nao tem um probleminha, ela transforma num problema dela o problema de alguém, e claro eu e marido temos que entrar em ação pra atendê-la pra que ela se tranquilize e consequentemente eu consiga ter mais um tempo de tranquilidade, até o próximo problema que ela achar. Pode levar 5 minutos, como meio segundo, como meia hora até duas horas talvez. E se eu nao resolver pra ela, ela vai tentar resolver sozinha, e daí é que é arriscado eu a deixar com um problema sem solução… é até perigoso, entao nao faço simplesmente pra satisfazê-la, mas por receio que eu venha a ter mais problemas e sérios com ela, se ela tentar resolver do jeito dela. Bem, depois que brigo feio, ela sossega, me dá um descanso de até um dia… mas a cara que faz é de desprezo, como eu sendo o mostro, ela nem me olha, e transmite um rancor de mim… daí me culpo, me culpo e fico com raiva, pq vejo que ela com raiva desacelera… ao menos na minha frente, mas a cabecinha deve tá a mil me praguejando. Daí vem mais culpa, mais culpa, e mais culpa, até nao ter mais espaço pra nada… e chego a transbordar de culpa.

    É loucura o que tô escrevendo, sim é, tb sei que de perto, ninguém é completamente normal, rsrs… mas o dia-a-dia aqui é assim e essa a forma que eu consigo enxergar a minha realidade.

    Na teoria, é tudo fácil, 1+1=2, mas na prática, no dia-a-dia qdo as coisas nao são assim tão lógicas e seguem desorientadamente, fica dificil a gente somar 1+1, pq de repente vc tem que somar, mas a informação que vc recebe é que o segundo 1 que tá lá pra somar, talvez nao seja 1, parece ser 3, mas disseram que é 2, mas e se nao for um, embora pareça 4, e se você somar errado a responsabilidade pelas consequencias é sua. Se é que me entende. E vc querendo acertar, faz o que da vida? As vezes a gente tem condição mental e tempo pra parar, e perceber que entao nao temos que somar nada, temos que voltar ao incio de tudo… ou que seguir em frente contando que aquele número seja entao 1… enfim várias possibilidades, mas isso o dia inteiro, depois de anos a fio… ao menos a minha cabeça não consegue administrar.

    Bem, desculpe me prolongar tanto, afinal foi uma sessão de análise, rsrs… e estou a beira de um ataque de nervos se é que percebeu… rsrs…………. obrigada e se tiver algo a me dizer eu agradecerei imensamente.

  2. Luciene Miranda disse:

    Denise, pelo que vc deixa claro, vc percebe que, após esta internação, sua mãe está passando por algumas mudanças que podem ser sinal de alguma patologia. O primeiro passo é leva-la ao médico (geriatra ou neurologista) para ver se realmente há algo errado. Como ela está tendo essas reações dinte de você, o ideal, a princípio é se afastar um pouco, deixndo claro que está sempre disponível para ajudá-los. Ficar muito presente neste momento pode deixá-la ainda mais irritada com você.

  3. denise freitas disse:

    Olá.
    Minha mãe foi internada por 10 dias com Insuficiencia Cardíaca até então desconhecida, sofreu muito com edemas generalizados. Fiquei todo o tempo ao lado dela, sozinha, pois meu irmão mora longe e meu pai também é muito doente. Só podia contar com a empregada há mais de dez anos na família para me render no hospital. Após a internação, eu havia convencido a tal empregada, antes diarista – 3 x por semama, a trabalhar todos os dias e obviamente aumentando-a em mais um salário. Deste momento em diante, minha mãe voltou-se contra mim e nutre agora um ódio irrascível a ponto de ter me insultado várias vezes inclusive me expulsado de sua casa por duas vezes, pois perco minha paciência e acabo discutindo com ela, por não me conformar com acusações e ingratidão. Fico chateada porque larguei minha família e até mesmo me prejudiquei no trabalho para acompanhá-la no hospital…mas sei que não devo ter mágoas em relalão a ela que deve estar com estresse pos traumático ou alguma doença neurológica pior. Porém, estou preocupada e com pena de meu pai…está no momento segurando uma barra pesada,pois ela o agride mas ainda o consegue suportar.
    Tenho consciência de que deverei tratá-la como uma criança – apesar de seus 75 anos – mas não sei quanto tempo afastada deverei dar a ela pra que possamos recomeçar. É prudente eu aguardar que ela ou meu pai me procurem ( coloquei-me à disposição deles pra qualquer coisa e ligo todos os dias ) ou devo insistir e aparecer em sua casa mesmo que minha presença a faça ter ataques de ira?
    SOlicito orientação. Obrigada.

  4. Eliza Reis disse:

    Oi! Minha sogra tem o mal de alzheimer, está com 86 anos. É muito agressiva e xinga atoa, faço de tudo para ficar calma ela tem atitude de criança ruim como sempre ela foi, defendia sempre o filho muito errado e até me agredia. Hoje estou separada do filho dela, mas ele não me deixa sossegar,quer que eu ajude ele a tomar conta dela e não sai de minha casa eu tenho um filho de 23 anos que é deficiente intelectual e moro em uma das casa que pertence a ela por usufruto e ele meu ex marido, bebe muito é inseguro tem a casa dele e não sai de minha casa. Largou uma mulher a 3 meses e já bebia muito agora piorou, ele é pai de meus 3 filhos. E tenho horror aos dois e estou desesperada. Jogo ele para fora com ela e ele volta horas depois, como se nada tivesse acontecido.

  5. Luciene Miranda disse:

    Sonya, primeiramente vc e sua mãe devem se conscientizar que seu pai porta uma doença que pode ser grave, pode colocar a vida dos outros e a dele em risco (devido a esta agressividade) e que ficar brava ou falar verdades com ele não adiantará, pois ele não se dá conta do que está fazendo e é provável que logo se esqueça td o que foi falado com ele.
    A hipótese de um cuidador (mesmo que em meio período) é a mais viável, msm que ele não goste mto da idéia no início, pois não há como viver sozinha neste estado de apreensão (assim não há paciência que dê conta).
    Só fique mto atenta (e alerte sua mãe) pq um paciente neste estado pode ser realmente mto perigoso! Converse com o médico que o acompanha sobre essas reações dele, há remédios que podem amenizar os sintomas.

  6. Sonya Maria disse:

    Dra Luciene

    Este seu artigo sobre o exercício da paciência me chamou a atenção, então decidi te contar minha história, e te confessar que acho que não possuo essa qualidade de paciência ao extremo então que faço?
    Meu pai tem 81 anos, Alzheimer e demência vascular. Cuidar dele tem sido um desafio diário e sem fim. Ele nunca tentou fugir de casa, não é tão repetitivo, mas é extremamente agressivo e já tentou agredir e até esganar (fisicamente) a minha mãe, tambem com 81 anos, ela está apavorada e com muito medo dele, não quer nem mais dormir com ele, mas na menor hipótese de separar a cama dos dois é uma crise insuportável. Já dei-lhe uma bronca daquelas quando ele tentou esganar minha mãe, mas vi que não surtiu, nem surtirá efeito. Não tenho condições de interná-lo pois é muito caro, e tenho medo que judiem dele. Além disso, sequer posso imaginar como ele reagiria diante da possibilidade de ser internado…
    A verdade é que eu não tenho mais paz,(sou solteira, sem filhos e moro com eles) durmo sempre em alerta, com as portas abertas, não posso mais sair de casa e deixá-lo sozinho com minha mãe. Se tenho que ir ao supermercado, viajar, ir ao medico pra mim ou para eles, tenho que levar os dois comigo, e estar sempre preparada para largar tudo e voltar pra casa correndo, com medo da reação dele. Não tenho com quem deixar, já pensei na possibilidade de contratar uma pessoa, mas estou certa de que ele não aceitaria ficar com uma desconhecida. A qualquer mudança de situação a reação dele é imprevisivel mas sempre muito agressiva. O mais curioso é que com as outras pessoas ele sempre se mostra uma pessoa bacana, legal, sorridente,(ele era assim!), mas basta a pessoa virar as costas eu e minha mãe sofremos com sua agressividade.

    Onde posso renovar o estoque da minha paciência? E como devo conseguir ensinar isso pra minha mãe nesta altura da vida?

  7. Janicelia Moriera disse:

    ***Nossa muito lindo esse artigo….
    Descobrimos q meu avô tem DA , e ta sendo muito dificil….Ver a pessoa q amamos passando por isso é lastimavel!!!! Mas ao ler seu artigo me incentivou a cuidar ainda melhor dele…OBRIGADA!!!!

  8. Alice, fico feliz que o artigo tenha servido pra vc. Um abraço

  9. Alice disse:

    Nossa ! Esse artigo não podia ter vindo em melhor hora. Minha mãe tem demência senil e, por muitas vezes, me pego sem paciência, sem tolerância. “Precisamos ter a capacidade de compreender que algumas situações dependem de nós, porém, existem outras que não dependeram de nós para acontecerem e também não dependerão só de nós para que sejam solucionadas”.

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