Publicado em: 02/02/2009
Falta povo na república. A participação popular anda nas nuvens, longe das ruas. É a nossa maldita herança cultural e política do Estado Brasileiro. Um Estado elitista, patrimonialista. Que exclui os pobres (perverso). Não há democracia econômica no Brasil.
Nas ruas, estão os símbolos reais do capital: fast food, caixas eletrônicos, self service. Pessoas que estão nas ruas, mas não são notadas. A cidade-mercadoria. Os olhos mortos assistem a mais uma demolição de casa no centro. As cidades vivem um eterno janeiro.Vazias de movimentos sociais. Corremos pela sobrevivência.Os dias estão cada vez mais caros. O dinheiro continua nas mãos de poucos. E a maioria, sem ter o que comer. Como será o amanhã? O sonho fica distante.
Não há surpresas. Vamos em frente, plugados mecanicamente. Para onde? Os jovens estão de cabeça baixa – uns tantos. Os idosos, muitos, travados. Tem um espaço para ocupar na sociedade. Intervir na família, no bairro e na cidade. Numericamente, são superiores. Eles devem atuar socialmente. Politicamente. Povoado de planos. A vergonha é uma das mais poderosas máquinas de enquadramento social que existem (Cristovão Tezza).
De documentos específicos para os idosos, estamos bem servidos. Carecemos de informação. O Estatuto do Idoso é mesmo, na minha opinião, um ilustre desconhecido. Já se vão seis anos de sua existência, sem grandes transformações provocadas na vida dos cidadãos idosos.
Dos leitores idosos, quantos leram e/ou conhecem o Estatuto? Que precisa ser lido, conhecido, estudado. Debatido. Como exigir direitos, se você não os conhece?
Detalhe: a própria sociedade não está preparada, organizada o suficiente para receber o Estatuto. A começar por algumas repartições públicas. Os serviços (alguns também) públicos municipais. Metaforicamente falando, é como construir uma casa, iniciando pelo telhado. É hora de recomeçar. Reconstruir. E eu acredito que ” todas as forças estão reunidas para que o dia amanheça”(Cristovão Tezza)
Em tempo: o presidente americano Barack Obama trouxe a sogra para morar na Casa Branca. Muito bom! (Se a moda pega…)
Pitico
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© 2012 CUIDAR DE IDOSOS
Boa tarde
Sou asistente social e trabalho com 20 idosos. Estou querendo trabalhar com eles o Estatuto do Idoso para que eles tenham conhecimentos dos seus direitos. Gostaria de obetr sugestões de como realizar esta atividade de forma descontraida, dinâmica. Porque já percebir que se for em forma de palestra eles irão dormir.
Atenc.
Rita
Bom dia.
Lendo o artigo supra sobre o idoso nesta pagina denominada : CUIDAR DO IDOSO, ESTATUTO DO IDOSO: ILUSTRE DESCONHECIDO, pergunto:
O ESTATUTO DO IDOSO, é uma LEI FEDERAL e, diante dos dispositivos legais estabelecidos, todos devem obedecer o que alí está determinado, vejamos:
Se uma Empresa de ônibus, não reserva lugar para pessoa idosa, é aplicada a Lei, pela Justiça, cominando as sanções.Se um Banco não tem “um caixa determinado para idosos, gestantes e deficientes”, a lei é aplicada pela Justiça.
No entanto, estas pessoas idosas são: humilhadas, ridicularizadas, fazem piadas desabonadoras, ferindo a dignidade da pessoas idosa, a lei estabelecidas não são cumpridas, quando requerem a aplicação da lei, são ignorados.
Vocês têm alguma sentença de TRIBUNAIS SUPERIORES, punindo estas irregularidades ? e se esta LEI JÁ FOI APLICADA NO PODER JUDICIARIO?
Apenas para esclarecimento, estou necessitando com a maxima urgência de um ACÓRDÃO neste sentido.Poderiam enviar-me o acórdão.
Obrigada.
Walquiria
Olá Pitico!
Aplaudo cada palavra sua. Eis muito bem delineada a situação em que se encontra não apenas o idoso, mas cada cidadão deste nosso país e, como educadora, afirmo: nosso sistema educacional está falido, obsoleto, desaguando nesse mar de alienação e conseqüente despreparo para a vida coletiva.
Você pergunta quantos idosos já leram o Estatuto, eu lanço algumas outras perguntas:
qual o nível de escolaridade dos idosos em nosso país?
quantos desses idosos estão familiarizados com as linguagens da informática?
quantos idosos estão capacitados para obter um computador ou freqüentar lan-houses, navegar pela Internet, se até mesmo para utilizar as máquinas digitais nos Bancos é sacrificante para uma grande maioria deles?
e, por fim, quais os meios que vêm sendo utilizados para divulgação dos direitos e deveres do cidadão de uma maneira geral?
Na minha adolescência (décadas de 60 e 70), nos tempos ainda do ginásio nós tínhamos (embora não gostássemos) aquela matéria de Educação Moral e Cívica que, bem ou mal, nos dava informações sobre leis e regras de conduta para exercer a nossa cidadania (embora cheia de restrições impostas pelo regime ditatorial). Mas, tínhamos que estudá-la se quiséssemos nos sair bem nas provas…
Eis o grande paradoxo: num mundo tão bombardeado por constantes informações deparamo-nos com uma massa cada vez maior de gente confusa, desinformada ou com informação distorcida.
Apesar de todo esse cenário eu continuo acreditando que é possível reverter o quadro e devolver ao indivíduo a sua força dentro da sociedade como cidadão apto para viver a vida com respeito e dignidade.
Simone de Beauvoir em seu livro A Velhice pergunta:
… … como deveria ser uma sociedade, para que, em sua velhice, um homem permanecesse um homem?
A resposta é simples: seria preciso que ele fosse sempre tratado como homem.(…)
E ao marchar para as conclusões diz:
“(…) A velhice denuncia o fracasso de toda a nossa civilização. É o homem inteiro que é preciso refazer, são todas as relações entre os homens que é preciso recriar, se quisermos que a condição do velho seja aceitável. Um homem não deveria chegar ao fim da vida com as mãos vazias, e solitário. (…) Se não fosse atomizado desde a infância, fechado e isolado entre outros átomos, se participasse de uma vida coletiva, tão cotidiana e essencial quanto a sua própria vida, jamais conheceria o exílio. (…)
(…) Estamos longe disso. A sociedade só se preocupa com o indivíduo na medida em que este rende. Os jovens sabem disso. Sua ansiedade no momento em que abordam a vida social é simétrica à angústia dos velhos no momento em que são excluídos dela. (…)É todo o sistema que está em jogo, e a reivindicação só pode ser radical: mudar a vida.
Um abraço, Pitico e continue nos presenteando com os seus textos.