Publicado em: 09/07/2009
O envelhecimento é a soma de todas as modificações que ocorrem no ser humano com o passar dos anos. É um processo biológico e que faz parte da vida: do nascer, do crescer, do viver plenamente, do involuir e morrer. Então, o envelhecimento sendo uma etapa natural da vida, deve como tal ser aceito. E isto pelo fato que envelhecer é uma verdade irrevogável, podendo ocorrer várias alterações, como aquelas na cavidade bucal, no paladar, na visão, no olfato, na audição, na capacidade de locomoção, na comunicação, etc.
Mas para envelhecer com saúde, é fundamental a prevenção. Prevenir significa impedir que algo aconteça, ou diminuir o risco de tal evento acontecer. A prevenção é um cuidado que tem o objetivo de ter um corpo físico isento de enfermidades. Vale sinalizar que a prevenção e a manutenção da saúde bucal é fundamental na saúde geral do indivíduo, não somente na terceira idade, mas em qualquer fase da vida, com o intuito da qualidade de vida. E a qualidade depende de toda transformação ocorrida ao longo dos anos, pois é um reflexo de como foi toda a história de vida.
Segundo várias pesquisas, infelizmente a saúde bucal da maioria dos idosos no Brasil apresenta um nível muito precário, com a falta de dentes (o chamado “edentulismo”), com a presença de doenças de gengiva, cáries, desgastes dentais, e outros problemas que acarretam em dificuldades para falar, mastigar, respirar e até sorrir. E isto tudo reflete em uma péssima qualidade de vida, que irá prejudicar o processo de envelhecimento.
Quando os indivíduos perdem os dentes, este triste fato terá um efeito negativo em diversas funcionalidades do corpo humano, dentre as quais, sobre a digestão, mastigação, pronúncia, gustação, aspecto estético e também poderá causar as doenças geriátricas sistêmicas. E dentre estas, as mais prevalentes nos idosos são: arteriosclerose, anemias, doenças do sistema nervoso central, diabetes, doenças genitourinárias e distúrbios gastrointestinais e respiratórios.
Na população de idosos podem ocorrer também as doenças bucais. Elas geram muita dor, sofrimento, frustações sociais e afetam seriamente a já naturalmente baixa qualidade de vida da grande maioria dos idosos brasileiros. Dentre as doenças bucais, temos a gengivite e a periodontite (doença periodontal). A Gengivite é causada pelo acúmulo de placa bacteriana sobre o tecido gengival. A Placa Bacteriana é uma película transparente que se forma sobre a superfície dos dentes e ao redor da linha das gengivas. Ela é composta por uma colônia de bactérias que decompõem o açúcar e os restos alimentares acumulados, produzindo ácidos que atacam os dentes e a gengiva. São sinais da gengivite: sangramento, inflamação gengival; mau hálito; gengivas avermelhadas, inchadas ou que se afastam dos dentes.
Um fato que pode ocorrer é que a chamada “placa bacteriana”, com o tempo, poderá se mineralizar, formando o tártaro ou cálculo gengival. Juntos, a placa e o tártaro deslocam as gengivas através da destruição das fibras gengivais. Além disso, a estrutura óssea que sustenta o dente poderá se comprometer e, em longo prazo, poderá ocorrer a perda do elemento dental. Esse abalo da estrutura óssea é denominado de Periodontite. São sinais da Periodontite: inflamação persistente; reabsorção (perda) óssea; presença de bolsas periodontais; presença de pus; mau hálito; quase sempre é indolor (justamente por este motivo, não se percebe a destruição que está ocorrendo durante a periodontite. Só se percebe quando algum dente envolvido nesta condição começa a apresentar mobilidade, ou seja, quando o dente fica “mole”).
Vale ressaltar que a Periodontite pode ser fator de risco, isto é, ser um dos fatores que ajudam a causar doenças, tais como: Osteoporose; Diabetes; Doenças respiratórias e Doença cardíaca (quem tem doença periodontal fica duas vezes mais susceptível a ter doença cardíaca).
Mas segundo a literatura científica, a gengivite e a periodontite são processos independentes, isto é, a gengivite não necessariamente evolui para uma periodontite. Além disso, o desenvolvimento da periodontite ocorre por um processo agudo, que pode ficar estável por um longo período ou apresentar melhoras (dependente de vários fatores). E mais: a periodontite não é a principal causa de perda dentária na população, pois a cárie é determinante neste sentido.
Para finalizar, é importante afirmar que tanto a gengivite quanto a periodontite são doenças que são passíveis de se evitar através de uma correta higienização (que será o tema do próximo artigo) e por meio de exames preventivos. A visita frequente ao dentista (mínimo de 6 em 6 meses), complementada com o médico, é imprescindível para se evitar a instalação ou progressão dessas e de outras doenças, além de ser importante para verificação da presença de cáries, de restaurações quebradas, verificação de dentes desgastados, a presença de tártaro, etc. O processo de envelhecimento é um fato, mas a saúde geral depende, dentre vários fatores, da história de vida de cada pessoa. Neste contexto, é fundamental que os idosos e também os cuidadores tenham o conhecimento dos métodos preventivos de saúde para que tenham uma excelente saúde bucal/geral e qualidade de vida, pois o importante é a SAÚDE JÁ !!!
Marco Tulio Pettinato Pereira
Cirurgião-dentista com especialização em Saúde da família (UCAM), Saúde Coletiva (SL Mandic) e Saúde Pública (UNAERP)
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Olá Snra. Raimunda e Snra. Gracinha. Agradeço as mensagens. Desculpem o atraso na resposta, mas somente agora é que estou respondendo a grande maioria das mensagens/emails que recebi no mês de julho. Caso tenham algum tema em específico que gostariam que eu abordasse aqui neste site ou tenham alguma dúvida, poderão escrever diretamente para o meu endereço eletrônico que é o seguinte:
marcotuliopettinatopereira@yahoo.com
Concordo com a senhora Raimunda que deve-se dar preferência a prevenção na terceira idade, mas também em outras fases da vida. Neste aspecto é fundamental consultar regularmente o dentista. No caso de idosos, é recomendado a consulta a um odontogeriatra. Mas infelizmente no Brasil muitos idosos não tem acesso ao tratamento odontológico e então é urgente o estabelecimento de uma política pública de atenção à saúde bucal direcionada aos idosos.
Com relação a questão da halitose, existem vários aspectos que pretendo abordar em futuro artigo e portanto aguarde, mas basicamente o que posso lhe informar neste momento é que existem várias soluções para bochechos no comércio que são anunciadas frequentemente com a promessa da redução da halitose. Mas é de extrema importância a escovação/higienização da língua para remoção da saburra lingual (além da higienização dos dentes).
Senhora Gracinha, sinto muito pela doença de sua mãe e pelo que a senhora está passando. Com relação a sua questão, recomendo sempre consultar um odontogeriatra e a condição clínica de sua mãe é que ditará os meios corretos de higienização que deverão ser utilizados. No caso como sua mãe está acamada e a senhora é a cuidadora dela, o dentista poderá recomendar para complementação da higienização a utilização de escova elétrica, dispositivos em Y para utilização de fio dental ou escovas interproximais. E para realizar o enxágue poderá utilizar do auxílio de seringa descartável e cuba do tipo rim. Eu irei enviar brevemente um artigo neste blog abordando tudo isso.
A doença de Alzheimer pode levar à dependência total em estágios avançados e então o tratamento odontológico vai depender da fase em que se encontra a doença. Os cuidados poderão incluir desde a aplicação de flúor, até a aplicação de clorexidina, etc. Recomendo que a senhora busque em sua cidade o serviço odontológico que é realizado exclusivamente dentro do domícilio (o chamado Home Care). Este tipo de atendimento odontológico possibilita praticamente quase todo tipo de serviço que é feito no consultório.
Cordialmente
Dr. Marco Tulio Pettinato Pereira
Cirurgião-dentista – CROSP 47410
Dr. Marco,
apresentando-me, sou blogueira aqui no site e escrevo sobre as experiências de ser um cuidador familiar. Como estou vivendo um momento muito conturbado com a minha mãe de 95 anos, portadora de Alzheimer, internada em UTI desde 18/06 pp meus artigos têm ficado mais esparsos.
Muito bom poder contar com seus artigos sobre a questão odontológica que muito me preocupa em relação à minha mãe pois ela ainda conserva um bom número de dentes tanto na arcada superior esquerda como na parte frontal inferior. Antes eu a levava periodicamente ao meu dentista mas agora, acamada, temo encontrar dificuldades para a regularidade dessas avaliações.
Peço-lhe, se puder, informar-me que cuidados ou que serviços posso procurar para evitar complicações maiores na saúde oral dela. Hoje solicitei aos médicos da semi intensiva onde, já de alta, estamos no aguardo de definição de home care que antes dela vir pra casa o serviço odontológico a avalie. Mas, e depois qdo ela já estiver em casa o que fazer? Eis a minha questão.
Parabenizo-o pelos excelentes artigos e agradeço de antemão os conselhos que puder me dar. OBS: ela está, no momento com traqueostomia e sonda nasogástrica.
Um abraço
Esse assunto é de suma importancia para as pessoas que querem uma qualidade de vida principalmente na vida idosa,deveria ter um acompanhamento para os idosos de baixa renda,como diz o texto sobre o mau halito esses fatores são de risco e deveriam ser evitados!não acha?deveria haver uma cultura voltada para prevenção das doenças na vida idosa,existe o estatuto!,mas falta avaliação desse idoso!Agradeço as informações do assunto acima citado fiquei surpresa vamos mudar essa situação tão triste,agradeço a compreensão gostei muito do texto um abraço.