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Publicado em: 07/06/2009

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Envelhecendo

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(Inspirada nas idéias da Gracinha Medeiros e no comentário do Seresteiro de Campinas)

Envelhecer é uma dádiva que infelizmente nem todos alcançam. Traz consigo a força da experiência, faz crescer a sabedoria, dizem alguns que torna a pessoa mais tolerante, porém também traz as rugas, os cabelos brancos e pode trazer uns quilos a mais. Concordo com o que a colega Gracinha disse: “A vida não envelhece”. Porém o corpo envelhece, isto é fato.

Irei utilizar um fragmento da citação que a Gracinha lançou mão: “[...] Se, aos vinte anos, nos dessem o grau de superioridade na nossa família, e se nos fizessem olhar num espelho o rosto que teremos ou que temos aos sessenta anos, comparando-o ao dos vinte, cairíamos para trás e teríamos medo dessa figura; mas é dia após dia que avançamos; estamos hoje como ontem, e amanhã como hoje; assim avançamos sem sentir [...]” (Beauvoir).

Li o livro “Crepúsculo” (Stephenie Meyer), o qual adorei. Fiquei fascinada com a sensibilidade da autora ao descrever uma cena em que a protagonista – uma jovem no dia em que estava completando dezoito anos – teve um sonho, onde ela olhava num vidro e viu a avó já falecida. Após um curto intervalo de tempo (onde aconteceu um diálogo) a moça percebe que, na verdade, quem estava atrás daquele vidro não era a sua finada a avó, na verdade era ela quem estava em frente a um espelho. Não entrarei em detalhes para não revelar mais da essência do livro, mas em síntese, ela sentiu uma grande angústia por se ver como uma senhora idosa, a ponto de se confundir com a sua própria avó, a sensação de que os anos passaram muito rápido para ela, como se ela mesma não tivesse se dado conta disso. Em seguida ela se acorda e percebe que aquele foi apenas um sonho de angústia, porém refletiu mais sobre o fato.

Logo que li esta passagem no livro, lembrei-me de Simone de Beauvoir, ao afirmar que, se aos vinte anos pudéssemos ver nossa imagem, aos sessenta teríamos medo de nossa própria figura. Ainda mais nós, mulheres, seres vaidosos por natureza. Não precisamos nem pensar nos 60 anos. Qual de nós não sentiu uma pontinha de inveja ao ver uma fotografia nossa aproximadamente dez anos mais jovem: “Como eu era magra e não sabia!” “Como meu rosto era lindo e eu vivia preocupada com as espinhas que só eu conseguia enxergar!” “Como a cor do meu cabelo natural era linda, por que eu perdi tanto tempo pintando-o?” … dentre outras inúmeras observações.

Já falei algumas vezes que um grande aliado de um envelhecimento saudável é a auto-aceitação, a conscientização e aceitação das mudanças ocorridas em virtude do processo de envelhecimento e a manutenção de uma boa auto-estima. Juntando isto a uma boa saúde, boas relações familiares, sociais e um nível de atividade temos ingredientes de uma receita ideal para um envelhecimento saudável.

Como fã inveterada da boneca Barbie, não poderia deixar de fazer um paralelo. Conhecida como a boneca mais famosa do mundo, existe Barbie loira, morena, negra; ela já foi noiva, princesa, veterinária, médica, professora, já vestiu roupas de época, estilistas famosos, roupas modernas, e agora, em março, completou seus 50 anos. Chega a ser estranho pensar que o grande ícone da beleza, da juventude, da magreza e da moda completou 50 anos! E chegou com o rostinho e a carinha de menos de 20! Só ela mesma, uma BONECA, de plástico, sem experiência de vida para contar para os netos, sem sabedoria para transmitir e aprender com as diferentes gerações, enfim, eu não trocaria os quilos e a experiência que já adquiri no curso de minha vida por ser uma boneca cujo corpo continua lindo aos 50 anos.

E para descontrair um pouquinho, sabe esta sensação assustadora de se ver muito mais velha de repente? Graças aos milagres da tecnologia, a Barbie também passou por isto, vejam:

barbie idosa Envelhecendobarbie gorda 300x226 Envelhecendo

Luciene C. Miranda

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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1 comentários em “Envelhecendo”

  1. gracinha medeiros disse:

    Lu, que delícia ver a Barbie envelhecida e gordinha! Adorei!
    Belo texto o seu! Mas é bem isso que a Madame de Sévigné citada por Simone de Beauvoir, diz numa de suas cartas à filha: nosso ser, nossa alma, não sofre os desgastes do tempo e é por isso que entre a imagem que vemos no espelho e os sentimentos que continuamos a nutrir em relação à vida – sonhos, desejos, amores etc. – parece haver uma ruptura trágica. Enfim, não nos damos conta da passagem do tempo porque continuamos a sentir a vida fluindo em nós.
    Beijos

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