Publicado em: 13/05/2011

Dona Zezé vai às compras
Como faziam há mais de cinco anos, Graça e Aparecida não perdiam a sessão de cinema das segundas-feiras, no shopping do bairro onde ainda moram. No início da década de 90, o cinema era uma grande diversão. Principalmente, no início da semana, quando ocorria a promoção dos ingressos pela metade do preço. O filme em cartaz era ROSALIE VAI ÀS COMPRAS. Lembram do filme Bagdá Café, onde aquela personagem alemã fica perdida em pleno deserto do Arizona, em terras americana, após abandonar seu carrancudo marido? A atriz agora é a mesma – Marianne Sägebrecht - e o diretor também é o mesmo: Percy Adlon. O filme prometia.
- Adorei esta comédia! – dizia Aparecida, ao sair do cinema – Rosalie encarna muito bem o espírito consumista que o mundo tem, atualmente. Olhe só para as pessoas neste shopping! Comprar, comprar e comprar!
- Adorei foi o slogan do filme: se você deve 100 mil dólares, o problema é seu. Se você deve um milhão de dólares, o problema é de seu banco! - Graça ria, agradecendo aos céus pela dívida e pelo problema não ser dela, já que era uma mulher muito preocupada com suas obrigações financeiras e não admitia dívidas em sua vida.
Ironias que a vida prega…
Passado mais de 10 anos, Graça recebeu uma conta de cartão de crédito, onde a soma devedora passava dos mil reais! “Alguma coisa está errada, clonaram o meu cartão, alguém está fazendo compras em meu nome” - esfregava as mãos, preocupada com a dívida que saltava aos seus olhos.
Ligou para a administradora do cartão, alegando a falha ocorrida e da dívida não contraída por ela. A atendente do call center, numa voz fria e já calculada, perguntou se realmente as compras não foram realizadas por ela. “É claro que não!” – quase gritando. Novamente, a atendente contraatacou, observando que uma das usuárias do cartão, a Sra. Maria José, nesta fatura, era a grande compradora, totalizando quase 800 reais! “Minha mãe é uma senhora de 82 anos e não sai por aí comprando tudo que temvontade.” – tentou argumentar Graça. Como orientara o manual da administradora do cartão, a atendente pediu Graça para conversar primeiro com a sua mãe, perguntando-lhe se realmente ela não fizera aquelas compras ou se pudesse ter ocorrido extravio de seu cartão. Assim, tão logo verificasse estas dúvidas, ligasse para a administradora do cartão, para que se pudessem tomar as medidas cabíveis.
Justamente, após desligar o telefone, ainda cheia de raiva com a frieza da atendente, chegava da rua nossa protagonista, dona Zezé. Apesar de seus 82 anos, vinha com as duas mãos carregadas de compras, sorrindo feliz da vida, com os presentes que comprara para toda a família, pensando no natal.
- Mamãe, que compras são estas?
- Graça, aproveitei as promoções daquele shopping perto do ponto do ônibus e comprei as nossas lembrancinhas para o natal! Todos de nossa família ganharão ótimos presentes!
- Mãe, ainda estamos em março e a senhora já está fazendo compras pro natal. Temos que economizar dinheiro para pagar o IPTU, o IPVA do carro e ainda guardar dinheiro pro mês que vem, para pagar o imposto de renda. A senhora nunca foi assim, que é isto? Perdeu o juízo?
- Março? Estamos em março? Meu Deus, eu fiz confusão de novo, pensei que já era novembro! E tem mais uma coisa minha filha, veja com o banco que te deu este cartão de crédito, pois a moça da loja não me deixou comprar mais, falando que já tinha estourado o limite de crédito. Este cartão tem limite para comprar?
- Deixa-me ver a nota da compra… Mãe, a senhora comprou mais de 500 reais hoje! Não vamos ter dinheiro para pagar tudo isto. A senhora, que sempre me ensinou a economizar e a não gastar com coisas supérfluas, agora está esbanjando o que não tem. Só pode estar acontecendo alguma coisa com esta sua cabeça. Tem alguma coisa errada com a senhora!
No dia seguinte, Graça, ainda com raiva e frustrada com o ocorrido no dia anterior, acrescido da constatação de que realmente sua mãe andara fazendo várias compras escondidas (seu guarda-roupas estava abarrotado de presentes), perguntava-se como iria pagar aquele débito, com a pensão da mãe e a sua aposentadoria de servidora pública. Tinha que dar um jeito. Quase não conseguia tomar o café da manhã, preocupada com a situação. Foi então que dona Zezé, não entendendo a preocupação e a cara fechada da filha, pergunta-lhe:
- Graça, porque você está de cara fechada e não conversa comigo?
- Depois de tudo que aconteceu ontem, mamãe? A senhora ainda me pergunta?
- Graça, eu não me lembro de que tenha acontecido nada de diferente ontem… Aliás, que dia foi ontem? Alguma data importante? Alguém morreu?
- Mãe, a senhora realmente não se lembra de nada da história do cartão de crédito e das compras que fez ontem? Mãe, que dia é hoje? – Hoje é… você sabe que eu não sou muito boa com datas, Graça! -Querendo despistar a falta de resposta e mudando de assunto.
Num estalo, a filha percebeu que sua mãe estava tendo problemas de memória. Liga para sua amiga Aparecida, pedindo-lhe uma opinião e ajuda:
- Amiga, lembra daquele filme que vimos, onde aquela senhora compra tudo que vê na frente? Pois é, mamãe até parece que viu aquele filme. Andou comprando tudo que viu pela frente, falando em presentes para o natal. Isto… E o natal está ainda muito longe. O problema é que ela não está mais se lembrando de datas e, pelo que percebi, está esquecendo até do que fez ontem. Ela não se lembrou que briguei com ela, pelo abuso de compras no cartão de crédito! O que você acha?
- Graça, eu tive uma tia que começou deste jeito. O médico deu o diagnóstico de Alzheimer. Acho bom você procurar um médico, para saber o que está acontecendo e ela tomar logo um remédio para memória.
Assim foi feito. Marcado a consulta com um geriatra indicado pela amiga, Graça mal conteve a ansiedade diante do quadro de esquecimento de dona Zezé. Dr. Antônio chamou mãe e filha para entrar no consultório. Com paciência, o geriatra fez várias perguntas, querendo saber detalhes sobre as histórias dos esquecimentos. Sem perceber, dona Zezé foi testada com várias questões acerca de datas e lugares, nomeações de pessoas e coisas, contas aritméticas e desenhos de figuras e de um relógio. Para ela, era uma oportunidade de mostrar que estava ótima. Para Graça, que a tudo assistia, e para Dr. Antonio não restava dúvidas de que sua memória e seu raciocínio estavam realmente afetados.
Foram solicitados, no final da consulta, exames de sangue e de tomografia cerebral. Os resultados foram normais. O médico, então, pediu uma avaliação neuropsicológica. Graça levou sua mãe à psicóloga indicada, onde foram aplicados vários testes. O resultado da psicóloga somente veio ao encontro do que o médico já percebera na consulta: dona Zezé estava com a memória de curto prazo afetada, desorientada em relação a datas e lugares, não tinha muita noção com números (dizia que nunca fora boa em contas) e não conseguia reproduzir uma figura de relógio, com as horas que a psicóloga lhe pediu. Diagnóstico: provável síndrome demencial.
Dr. Antônio leu o laudo da psicóloga e ponderou para Graça (ela foi sozinha na consulta de retorno):
- Minha senhora, sua mãe, provavelmente, está na fase inicial da doença de Alzheimer. A evolução de seu quadro só o tempo vai dizer para nós. Pode ser que ela tenha uma evolução bem lenta, o que vai facilitar seu trabalho e seu cuidado com sua mãe. Ou uma evolução mais rápida, passando a ter esquecimentos mais sérios e mudanças radicais de comportamento. E é isto que estressa os familiares e que os deixam cansados. Aliás, costumo dizer que esta doença não só afeta o idoso, mas também toda a sua família. E quanto mais você ler sobre Alzheimer e como lidar com sua mãe, melhor será o seu cuidado. Leve alguns encartes e manuais sobre a doença de Alzheimer, fornecidos pela ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer). Essa ONG tem uma preocupação toda especial em orientar as famílias e os cuidadores sobre esse problema. Veja com minha secretária o local e o dia das reuniões que eles fazem todos os meses. Não deixe de ir!
Graça saiu do consultório aturdida, como se o céu caísse na sua cabeça. Como agirá com sua mãe, daqui pra frente? Digo para ela o que o médico diagnosticou? Será que o medicamento fará um efeito positivo para a memória? Como pagarei a conta do cartão de crédito?
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Extraído do livro SETE HISTÓRIAS DE ALZHEIMER - http://www.cuidardeidosos.com.br/sete-historias-de-alzheimer/
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oi eu me chamo alessandra tenho 26 anos e trabalhei durante um ano e meio como cuidadora de idosos mais por alguns motivos sem sem tantas importançia fui dispensada pela pessoa a qual sempre fui fiel trabalhei com idosos não tenho curso pretendo fazer mas eu tenho muito amor carinho a acima de tudo dedicação amei cuidar de idosos tenho referençias diponibilidade de horaio e dias e moro no rio de janeiro quem quiser e so ligar para o cel 71367643 76908362