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Publicado em: 18/05/2009

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Doença de Alzheimer: breves reflexões

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Refletindo sobre algumas conversas e leituras acerca do tema, como havia comentado no artigo da semana passada, proponho uma reflexão sobre a doença de Alzheimer, em especial, o porquê de termos tanto medo de sermos futuros portadores ou de nossos familiares serem acometidos por ela.

1- A falta de informação sobre a doença: sem dúvida, esta é uma das principais razões que justificam o medo que as pessoas têm da D.A. Atualmente a internet é um importante aliado para familiares e cuidadores, pois esta ferramenta possibilita a difusão da informação em tempo real, no momento em que a pessoa tiver disponibilidade (visto que sabemos que muitas vezes o cuidador simplesmente não pode comparecer às reuniões da ABRAZ ou de outros grupos porque não tem outra pessoa que possa ficar em casa com o idoso naquele momento). Geralmente temos medo do que não conhecemos e, infelizmente, há casos em que a família recebe o diagnóstico, mas não encontra espaço para perguntar, esclarecer suas dúvidas, expor seus medos e inseguranças. Na dúvida é sempre importante perguntar e esclarecer possíveis dúvidas.

2- O fato de ainda existirem algumas incertezas sobre a doença: novas pesquisas parecem apontar resultados promissores, porém, é fato que ainda existe muita coisa a descobrir. A ciência também ainda não conhece muito sobre a doença, dados importantes como causas, cura, influência da hereditariedade, possíveis vacinas, tratamentos realmente eficazes para reverter os sintomas ainda são incógnitas para cientistas, profissionais da gerontologia e a população em geral.

3- O desespero: infelizmente, familiares e idosos mal informados podem cair na mão de pessoas ditas profissionais inescrupulosas que aproveitam do momento de fragilidade para venderem fórmulas ditas milagrosas a preços exorbitantes. Lembrem-se que infelizmente ainda não existe cura para a doença, portanto, não caiam na conversa destas pessoas, mesmo na ansiedade de curar quem vocês gostem. Lembrem-se que a atenção e o cuidado anda são os diferenciais nesta luta diária.

4- Se meus pais foram vítimas da D.A. eu também serei: por enquanto, não há nada que comprove isto. Espero que não, pois meu pai foi vítima da D.A. e não desejo isto para mim. A questão é não ficar se martirizando com esta possibilidade, pois assim corremos o risco de deixarmos de viver nossas vidas em função de especulações inconsistentes sobre o futuro. Não sabemos o que o futuro nos reserva, portanto, não vale a pena ficarmos nesta ansiedade por causa disto. Já ouvi pessoas cujos pais tiveram a D.A. relatarem não querer ter filhos com medo de que os mesmos também desenvolvam a doença quando estiverem idosos. Será que este medo é justificável?

5- D.A. é sinônimo de institucionalização: nem sempre. Têm famílias que optam por cuidar dos portadores em casa. É importante lembrarmos que nem sempre as ILPIs (instituições de longa permanência para idosos) são sinônimo de abandono e maus-tratos. Pelo contrário. Muitas destas instituições dispõem de excelentes recursos humanos e materiais para o cuidado gerontológico, e podem acontecer situações em que a família simplesmente não dispõe de condições de cuidar de um idoso em casa, por isto optam pela institucionalização.

6- A D.A. não é uma doença infecto-contagiosa, não causa dor física: porém, mesmo assim, muitas pessoas parecem ainda ter medo de lidar de perto com os portadores. O portador da D.A., como todos nós, quer carinho, quer atenção e, principalmente, precisa de respeito. Por que priva-lo do contato com a família? Não existem motivos lógicos que expliquem o por que de muitas famílias isolarem-nos do convívio social. (A doença já os priva da sua própria história de vida, não temos o direito de retirar mais coisas deles).

Enfim, ainda existem muitas razões para temermos esta doença, não discordo, acredito que, se pararmos para pensar, todos nós ficamos com uma pontinha de medo, especialmente quando notamos que estamos esquecendo das coisas com freqüência, porém, não podemos deixar que esta insegurança impeça-nos de viver cada etapa de nossas vidas. Acredito que se superarmos a falta de informação e o preconceito – grandes empecilhos em nossas vidas – poderemos proporcionar uma melhor qualidade de vida para os portadores da D.A. E tenhamos esperança, pois parece que a ciência aponta resultados promissores nesta área!

Luciene C. Miranda

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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18 comentários em “Doença de Alzheimer: breves reflexões”

  1. Luciene Miranda disse:

    O diagnóstico da Doença de Alzheimer é feito, principalmente, a partir da observação dos sinais e sintomas característicos. Os profissionais habilitados para este diagnóstico são o médico (geriatra ou neurologista)ou o neuropsicólogo.
    Sobre contar ou não sobre um possível diagnóstico, cada caso é um caso, pode ser bom ou extremamente negativo para o paciente. Caso confirme o diagnóstico, converse com o médico responsável sobre o melhor a ser feito.

  2. Martha Peixoto disse:

    Bom dia!
    Minha mãe está apresentando alguns sintomas de DA e estou preocupada… Gostaria de saber maiores detalhes e se existe algum tipo de teste que eu mesma possa fazer com ela para saber se minhas desconfianças estão certas, gostaria de saber tbm se ela ealmente estiver com DA devo contar a ela? Grata desde já!
    Atenciosamente! Martha Peixoto.

  3. Luciene Miranda disse:

    Telva, Raymundo e Maby, agradeço os elogios ao site.

    Teresa, como diz nosso geriatra e Editor de conteúdo Márcio Borges, cada Alzheimer é único, ou seja, é uma doença que apresenta uma série de sintomas característicos (como os que vc relatou que seu marido apresenta), porém pode variar de pessoa a pessoa (por exemplo, o fato dele te reconhecer e ser afetuoso). Principalmente entre pessoas mais jovens, como é o caso dele, que isto acontece. Importante esclarecer suas dúvidas com o médico que o acompanha, isto podrá te deixar um pouco mais tranquila.

  4. teresa almeida disse:

    O meu marido tem 55 anos e alzheimer há 5. Ao cabo de 3 anos entrou numa fase abrupta de agitação, linguagem incompreensível, muita ansiedade, veste-despe constante. No entanto, continua muito afetivo, conhece-me bem e está em boa forma física. Parece que este não é o processo de evoluçao habitual e isso deixa-me muito insegura quanto ao futuro. Há alguem que me possa relatar uma experiência semelhante ?

  5. Boa Tarde!
    Fiquei conhecendo o site hoje e gostei muito das informações e principalmente da forma simples como elas são colocadas, facilitando a compreensão sobre o assunto.
    Sou cuidadora de minha mãe que tem 82 anos e já tem diagnostico de demência (DA) há dez anos. Já morava com ela em casa e nos primeiros cinco anos convivi bem, dividindo o tempo entre o trabalho e a atenção que precisava dispensá-la, mas de cinco anos para cá, tenho me dividido entre estar trabalhando e de licença médica para cuidá-la, sendo que em junho de 2009 me afastei do trabalho e fiquei só como cuidadora dela, pois os avanços da doença não permitiam mais deixá-la, vez que não consegui ninguém para ajudar e ela não aceita ficar só, nem por um minuto.
    Segundo o geriatra e o neurologista que a acompanham, minha mãe é um exemplo de paciente de auzhaimer que se mantêm com uma aparência de idosa saudável e apesar de não reconhecer os familiares, os ambientes e até a si mesmo no espelho, ainda sabe o seu nome, sente fome e sede e pede para usar o banheiro.
    Como foi citado no artigo, não existe ainda, um tratamento nem a cura da doença, mas o cuidado e o carinho especialmente de um familiar e o convívio social, fazem com que a doença não avance tão rapidamente, dando uma qualidade de vida melhor ao paciente.
    Agora ela está começando uma nova fase da doença. Tem se mostrado agressiva, respondona e impaciente. Confesso que também já estou com acompanhamento profissional, pois dado o limite de stress que tenho vivido não conseguirei manter a serenidade necessária para continuar sem ajuda. Estou à procura de alguém para dividir comigo essa tarefa, mas morando no interior da Bahia será quase impossível conseguir.
    Bem, quero agradecer e parabenizar a todos pela iniciativa de nos oferecer ajuda, ainda que seja virtualmente.
    Um abraço fraterno,
    Telva Tanajura

  6. Raymundo Luiz da Silva disse:

    Confirmando meu e-mail: rlextra@uol.com.br.
    Peço licença para fazer uma apreciação sincera, que nada tem a ver com lisonja, claro.Li, pressuroso,seu artigo e tudo mais que existia no site. Atualizado, objetivo, competente e cheio de orientações,.principalmente para quem, como eu, se encontra já bastante idoso a ser cuidador de minha esposa, acometida de Alzheimer. Deus lhe pague. Acompanharei diariamente tudo que este site divulgar sobre D.A.

  7. maby disse:

    Foi muito bom receber o site da ABRAZ, foi de grande valia, encontrei, o que eu estava procurando saber sobre alzheimer, e os cuidados que a familia deve ter em relação ao pct. Obrigada.

  8. maby disse:

    Gostaria de receber artigos e informações: como orientar, e informar famílias que tem pessoas com a doença alzheimer. Trabalho em Estratégia da Saúde da Família, no RS. obrigada.

  9. Maria Auxiliadora, como havia dito para o Juscelino, no post acima do seu, não é da minha área responder a esta pergunta, mas coincidentemente ele fez o msm questionamento, e o Dr Marcio Borges, nosso editor e geriatra, deu a resposta. Espero que seja útil para vc tb, veja a resposta acima.
    Um abraço

  10. Maria Auxiliadora disse:

    oi boa tarde gotaria de ficar mais imfomada sobre a D.A pois meu sogro têm e esta muito inchado e se coçando muito por sinal esta enternado mais os medico ainda ñ sabe o por que dessa couceira e nem do inchaço

  11. Caro Juscelino,
    Não faz parte dos sintomas da doença de Alzheimer o que nos relata. Procure o geriatra ou o dermatologista e fale sobre os sintomas de seu pai.
    Às ordens,
    Márcio Borges
    Geriatra e editor de conteúdo
    CUIDAR DE IDOSOS

  12. Juscelino, que bom que vc gostou do site! Qto às suas perguntas, não poderei responder, sou psicóloga e esta não é minha área, mas vou repassar sua pergunta ao Dr Marcio Borges, nosso Editor, talvez ele poderá te ajudar. Um abraço

  13. Juscelino Lino Lima disse:

    É muito importante esse site. Recentemente foi constatado que meu pai tem alzeimer e nós gostaríamos de receber mais informações sobre a DA. Percebemos que ultimamente apresenta muito inchaço nos membros inferiores com consequentes coçeiras pelo corpo que chega a ferir quando coça. Tem alguma relação com a DA.

  14. Luciene Miranda disse:

    Olá Cleonice, é mto bom receber profissionais da saúde por aqui. Fico feliz que tenha gostado do artigo. Um abraço

  15. CLEONICE L WEBER disse:

    Parabéns Luciane, uma excelente abordagem, sou fisioterapeuta e atendo pacientes com D.A. e percebo que há uma grande dificuldade por parte dos familiares em lidar com a situação. O tema contribui para um esclarecimento maior em relação a doença.

    um abraço,
    Cleonice

  16. Luciene Miranda disse:

    Jocilene, mais uma vez tenho o orgulho de dizer que fio mto feliz qdo tomo conhecimento de que algum material nosso aqui do site está servindo para aplicação prática em grupos ou famílias que precisam de tais informações. Espero poder contribuir ainda mais e, é claro, que vc também contribua com seus comentários por aqui.
    Um abraço

  17. Jocilene Ferreira Dias disse:

    Hoje, 04 de junho de 2009, trabalhei este texto em minha reunião da ABRAZ Campos dos Goytacazes, quero plhe parabenizar e agradecer pois foi muito bom, espero outros.

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