Publicado em: 17/04/2010
A comunicação verbal é aquela expressada através das palavras faladas e escritas. Já a comunicação não-verbal é aquela que se dá por outras vias, como, por exemplo, sinais, gestos, olhares, suspiros, expressões faciais, símbolos, dentre outros. Em nosso dia-a-dia lançamos mão destas duas formas de comunicação para nos expressar, transmitir mensagens, informar sentimentos e para entender o outro e captar as mensagens do outro.
Para que uma comunicação seja eficaz, é importante que ambas as partes envolvidas estejam em sintonia, ou seja, quem emite e quem recebe a mensagem deve “falar a mesma língua”. Infelizmente nem sempre o portador da Doença de Alzheimer e seus familiares falam a mesma língua, o que causa ainda mais transtornos para ambos.
O portador da D.A. apresenta dificuldades tanto para entender o que o outro diz quanto para se fazer entendido. Devido ao comprometimento de memória, é comum esquecerem o nome das coisas e das pessoas. Eles podem usar nomes inapropriados para tentar nomear coisas do dia-a-dia (por exemplo, podem chamar “cadeira” de “sentador”. Antes de preocupar-se apenas em corrigi-lo, a família deve procurar entender o que ele está querendo dizer. Nestes casos, vale a pena pedi-lo para apontar para o objeto ao qual ele está se referindo. Rir do idoso ou corrigi-lo rispidamente não irá minimizar as dificuldades de comunicação entre o portador da D.A. e sua família, pelo contrário, o idoso poderá ficar ainda mais irritado e se fechar ainda mais, dificultando consideravelmente esta comunicação já muito limitada.
Ao se dirigir ao idoso através das palavras, seja claro e direto. Não use metáforas, não faça rodeio, não use linguajar poético. Não estou falando para agir com descortesia, não é este o caso, apenas não complique o idoso com uma frase enorme e bonita que talvez ele não tenha condições de entender. Fale o necessário, explique apenas o necessário, de forma que ele ainda tenha condições de entender.
O familiar deve ir sempre além da comunicação verbal. Por exemplo, ao invés de apenas perguntar se o idoso quer uma maçã, ele deve também mostrar a fruta para ele quando for fazer a pergunta. Isto facilita muito as coisas, pois, se o idoso naquele momento não se lembrar o que é uma maçã ele pode rejeitar apenas para não deixar o outro perceber que ele não está se lembrando. Principalmente no início da doença, quando o idoso percebe seus lapsos de memória, ele vai tentar fazer com que os outros não percebam o que está acontecendo com ele.
À medida que as palavras vão “sumindo” da mente do portador da D.A., é importante que o familiar se atente mais para a comunicação não verbal. Gestos podem ser importantes formas de expressar o que se quer comer, ou que se quer ir ao banheiro. Sussurros e resmungos podem ser uma forma de se mostrar que está com dor. Tremores podem ser a única forma de se mostrar que está com frio. O cuidador deve ter muita sensibilidade para captar estes sinais, além de se esforçar para aumentar mais seu repertório de comunicações não-verbais também. Como o idoso tem mais facilidade de se expressar pela via do não-verbal não é de se espantar que talvez ele possa entender melhor nesta mesma via, “falando a mesma língua”.
Quando em estágio mais avançado da doença o portador da Doença de Alzheimer perde por completo sua capacidade de comunicação. A comunicação pelo olhar e expressões faciais podem ser as últimas formas a desaparecer, por isto, mesmo nestes pacientes, não deixem de ficar atentos para possíveis expressões de dor e desconforto. Quando as formas de comunicação vão se esvaindo, o cuidador deve se lembrar que o idoso não tem mais condições de se comunicar, mas ele não! Assim, mesmo que aparentemente o idoso não esteja ouvindo, fale com ele sempre que for se aproximar, fale coisas boas sobre sentimentos, e utilize-se do toque como uma forma de transmitir afeto, cuidado o segurança. Isto fará bem para o idoso, mesmo que ele não se dê conta disso, e para a família, que aproveitou ao máximo o tempo que teve ao lado de alguém muito querido.
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Primeiramente gostaria de parabenizar pela criação do site e a todos os colaboradores.
Sou academico de enfermagem é ja me identifiquei e me sensibilizei no que diz respeito ao idoso… Pretendo fazer o meu TCC sobre o mesmo..
Nao tenho familiar portador da D.A., mas como eu disse me indentifico nessa area…
Gostaria muito que os colabores do site me ajudem nesse tema de conclusao de curso, se possivel me enviando artigos e referencias sobre o idoso. Gostaria tbm de ter como contato o Leonardo Lucio Coelho se possivel me add por email ou me passe o seu.. abraço a todos
Boa Noite,
Minha mãe com 87 anos, com Alzheimer com grau severo, caiu e fraturou o femur, passou por cirurgia, ficando mais acentuado sua confusão mental, por conta de não lembrar do ocorrido, necessita de cuidados 24 hs.
Questiono!!
Na sua agressividade, como devo agir?
Quando discorda em tomar banho, como agir?
Pela manhã,como de costume, acorda bem cedo, não querendo permanecer na cama, pede para se levantar e descer, ao mesmo tempo não quer sair, como agir?
Aguardo orientações para lidar com essas situações.
Boas notícias, Leonardo. Mantenha-nos informados. Um abraço
Luciene Miranda, obrigado pelos votos de sorte. Os artigos me ajudaram muito e estão me ajudando nas provas e na formação de minha opnião. E estou quase conseguindo entrar em um grupo de discussão e estou querendo começar realizar um trabalho também, logo mais conto as novidades no decorrer do processo…E novamente digo que o site é divino…
Grande abraço
Jocilene, obrigada mais uma vez por sua participação! Que bom que nossos artigos estão ajudando mais pessoas, obrigada por ajudar a difundi-los. Um abraço
Olá Luciene,
Sou enfermeiro, Campos RJ, trabalho no CDA, gostei muito do seu artigo, parabéns. Sempre uso dos artigos deste site em meu ambiente de trabalho, e não será diferente trablhar com a equipe a respeito da comunicação não verbal, tenho certeza de que vai ser muito válido.
Um abraço
Leonardo, primeiramente mto obrigada pelos cumprimentos ao artigo!
É sempre mto bom receber a opinião dos leitores: elogios e críticas são sempre bem-vindos pois nos ajudam a nortear nossos textos.
E é ainda melhor saber que ajudamos alguém interessado na área em provas, grupos de discussão, etc. Espero que outros artigos sejam úteis para vc tb. Boa sorte nesssa carreira!
Olá meu nome é Leonardo, sou de SP. Primeiramente parabéns para o criador do site e todos colaboradores e participantes. Osite é divino e muito esclarecedor. Sou estudante de enfermagem e quero muito me especializar muito em saude do idoso, e por isso procurava algumas informações sobre o assunto e achei vocês, GRAÇAS A DEUS ACHEI VOCÊS. Nossa adorei tudo no site, tudo que li vai até me ajudar nas porvas finais da faculdade em saude do idoso. Esse tema abordado “Comunicação verbal e não-verbal na doença de Alzheimer” esta muito bom, muito bem explicado, olha eu nunca tinha me atentado a essa união da doença e da comunicação verbal e não verbal, ficou ótimo. Tenho certeza que visitarei sempre o site, agora que o conheci. Mais tarde vou ler mais coisas, agora preciso estudar mais um pouquinho….Um enorme abraço a todos vocês.