Publicado em: 12/07/2010

Como se morre de velhice
Costumamos dizer que a arte tem o poder de versar sobre qualquer assunto, de forma profunda e contundente, apenas com poucas palavras, como no caso desta poesia de nossa eterna Cecília Meireles. Como Se Morre de Velhice está no livro Poemas, de 1957.
COMO SE MORRE DE VELHICE
Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.
Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.
Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.
Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.
De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.
(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)
Cecília Meireles
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