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Publicado em: 23/09/2010

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Falar a verdade para o idoso sobre doenças

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Falar a verdade para o idoso sobre doenças Falar a verdade para o idoso sobre doenças

Falar a verdade para o idoso sobre doenças

Antes de tentar responder a pergunta acima, vamos ler primeiro esta história real, com nomes e situações preservados por alterações:

“Dr. Antonino estava preocupado não somente com a saúde debilitada de Nestor, 84 anos, portador de doença coronariana severa (coronárias obstruídas), mas também de como a esposa e os filhos escondiam dele a gravidade e o prognóstico dado pelo cardiologista. Mesmo após três pontes de safena e duas angioplastias, as crises de anginas e o coração dilatado mostravam que a doença cardíaca não evoluía bem. O que era pior, até deitado, vinha as crises de dor no peito e de falta de ar. O médico tentou contra-argumentar com a esposa (esta era irredutível), mostrando que Nestor deveria saber da gravidade de seu quadro clínico, era um direito seu. Nada.

Um dia, por acaso, numa dos vários internamentos de Nestor, para controle dos sintomas de angina e falta de ar, Dr. Antonino chegou no quarto onde estava internado e notou que estava sozinho. Perguntou pela esposa, sua fiel escudeira, e recebeu a resposta de que fora à capela do hospital, rezar o terço junto com o pessoal da pastoral da saúde. Examinou, então, mais uma vez o paciente, e quando já ia embora, foi interpelado pelo Nestor com uma pergunta desconcertante: – Será que consigo chegar pelo menos até o natal, Dr. Antonino? Com um olhar quase imperceptível de espanto, mas experiente pelas décadas de acompanhamento de pacientes cardiopatas graves, Dr. Antonino rebateu com outra pergunta: – Por que a pergunta longe dos filhos e da esposa? O que o Sr. quer dizer com isto?

- Realmente, preferi falar longe de minha família, sobre o meu estado, doutor, pois sinto que eles têm uma esperança muito grande e uma fé enorme de que vou me curar! Mas percebo que meu coração já deu o que tinha que dar. Não me resta muito tempo para o infarto fatal. Mas, olhando para o rosto de minha esposa, para a fé de minha filha, não… eu não tenho direito de lhes roubar este fio de esperança! Não é justo, Dr. Antonino! O senhor me entende?”

Após ler esta história, temos duas considerações a fazer:

  • É direito do paciente idoso saber sobre o seu real estado de saúde?
  • Se lhe é concedido o direito, como falar a verdade?

Respondendo a primeira pergunta, temos o respaldo ético de três autoridades no assunto:
Do Código de Ética Médica: é vedado ao médico ” deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao paciente possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita pelo responsável legal”.

Do Código de Ética do Hospital Brasileiro: “O paciente e/ou seu responsável legal têm o direito irrestrito a toda informação referente à sua saúde, ao tratamento prescrito, às alternativas disponíveis e aos riscos e contra-indicações de cada uma destas. É reconhecido ao paciente o direito – igualmente irrestrito – de recusar determinado tratamento”.
Da Carta Brasileira dos Direitos dos Pacientes: “Toda pessoa necessitada de cuidados de saúde tem o direito de… ser informada a respeito do processo terapêutico a que esta submetida, bem como de seus riscos e probabilidades de sucesso…. de solicitar e receber informações relativas ao diagnóstico, ao tratamento e aos resultados de exames e outras práticas efetuadas durante a sua internação… de ser informado o real estado de sua enfermidade, do real estado de gravidade”.

Ainda é corriqueiro em nossa cultura brasileira, a máxima de não falar prognósticos catastróficos para os pacientes, com medo de agravar ainda mais o quadro clínico. Quanto menos o doente fica sabendo, talvez melhor seriam suas chances de recuperação e cura! Quanto mais idoso, menos se fala!

Porém, primeiro nos países desenvolvidos (Estados Unidos, Europa…) observamos que cada vez mais se fala a verdade para os pacientes, como um direito inalienável. Em nosso meio, esta mentalidade de “dourar a pílula”, de esconder a verdade, ainda está muito arraigada nas famílias, o que atrapalha a dificuldade de comunicação entre o médico e o paciente. Será que, realmente, estamos protegendo o paciente?

Voltemos a pergunta do título desta página: como falar a verdade…?

Como diz Léo Pessini, em seu livro “Como lidar com o paciente em fase terminal” (Ed. Santuário, 1990), de onde muitas idéias desta página foram retiradas: “O paciente em fase terminal ou então, mais amplamente, que tem uma doença incurável, TEM O DIREITO DE SABER A VERDADE. Não temos o direito de tirar a esperança de ninguém, mas igualmente não podemos acrescentar ilusões. São geralmente desastrosas as práticas de enganar. O paciente necessita, sim, de esperanças, mas não pode ser enganado.

Léo Pessini continua: “A responsabilidade primeira de comunicar a verdade é do médico, mas também quem está mais próximo do doente pode fazê-lo, com ciência do médico. Cada caso é diferente, dependendo da sensibilidade e capacidade daqueles que prestam os cuidados, bem como da condição do paciente e de sua habilidade de relacionar-se com os outros”.

Um último depoimento, de uma senhora idosa portadora de câncer: ” Não sou mais obrigada a ouvir, em respostas as minhas perguntas silenciosas, as palavras, certamente bem-intencionadas, de consolo hipócrita, que me dirigiam as enfermeiras… Pouparam-me que se falasse uma coisa aqui no quarto e outra diferente lá fora, diante da porta… A palavra CÂNCER foi pronunciada inclusive por mim mesma. Com isto, foi-me evitada a humilhação de ser animada por consoladores sem a mínima sensibilidade. Dessa forma, foi preservada a minha dignidade, pude continuar a viver como ser humano. Creio que o mais importante, no entanto, foi que a mim e a meus familiares, foi poupado um triste jogo de esconder. Dessa maneira, não se criou nenhuma barreira entre nós. Continuamos unidos, exatamente quando era tão necessário e aproximamo-nos mais ainda”!

Márcio Borges

Geriatra - marcioborges@cuidardeidosos.com.br

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10 comentários em “Falar a verdade para o idoso sobre doenças”

  1. MARINA CONTARINI disse:

    minha mae tem 81 anos tem cancer de pulmao mestastace a familia escondeu a verdade agora ela esta caminhando para a face terminal e ela pergunta o que ela tem ela pediu para marcar uma consulta para ela porque ela quer perguntar para o medico o que ela tem sou a favor de verdade mas tenho medo o que fazer

  2. tania vieira de souza disse:

    meu marido tem savinovissarcoma de tendão de aquile já amputou aperna direita já fez 6 quime vermelha ,agora está com varias metastase nos 2 pulmões.fez mais 3dias da branca de 21 em 21 4 ciclo .a medica parou aquimeo e falou que não pode fazer nada mas por ele,mandou para casa.na hora que passar mal levar para o inca,ele estava muito bem depois que soube da verdade colocou muito sangue para fora,levei no inca mandaram para casa denovo,já faz 17 dias ele não tem passado mal não,estamos só com deus ,remedio deram tilex e omeprazol.mandaram voltar daqui a 2 meses.sei que é o tempo dele morrer mas graças a deus ele não tem dor,e uma provação de Deus.não tenho mas paz vigio dia e noite eu o amo de mas pesso a Deus que ele não sofra muito.pois tem 6 meses que perdi minha irmã com cancer,ela morava com migo,á 16 anos perdi minha mãe,tambem com cancer.irmã38 mãe 43.eu estou muito triste mas estou caminhando.tania

  3. Dagmar disse:

    ESTE É O COMENTÁRIO QUE REALMENTE QUERO FAZER: Este é um assunto muito importante. No decorrer da fase terminal, ninguém sabe mais de sua própria condição do que o paciente. Fica família enganando paciente e paciente enganando família. ISSO NÃO PRECISA SER O ASSUNTO PRINCIPAL DE TODOS OS DIAS E HORAS. Mas de vez em quando, o paciente tem direito de falar de seus medos, do que desejou fazer e não fez, do que fez e agora reconhece como foi medíocre. Ter fé, pedir sinceramente a Deus a cura, falar que está curado é excelente, mas as próprias igrejas já não aconselham a suspensão de medicamentos logo após a conversão ou durante muito tempo. Aliás isso pode até ser um suicídio. Mas há alguns anos atrás não tínhamos tecnologia tão avançada como hoje. E chega uma hora que todo o corpo e mente pede: me deixem ir… já passou minha hora. É um direito DO PACIENTE DIZER se quer ou não correr conforme o rio. NÃO ACHO QUE ISSO SEJA EUTANASIA.
    PÓ, VAI FICAR MANTENDO VIVO UMA PESSOA DE MAIS DE 80 ANOS, QUE NÃO ANDA MAIS, QUE NECESSITA DE GENTE PARA TOMAR BANHO, DAR COMIDA NA BOCA, 60 COMPRIMIDOS DIÁRIOS… ISSO SIM, É CRIME. INOCENTE É QUEM PENSA QUE O DOENTE NÃO SABE DA SUA CONDIÇÃO REAL. Estou a dias procurando um site para falar com um paciente portador de câncer em faze terminal para saber se ele realmente poderia ser enganado pela fé própria, dos familiares… dizendo o tempo todo, estou ótimo, se melhorar, piora. Minha mãe faleceu dia 14 de janeiro de 2009 – venceu o câncer por 20 anos. Nos últimos dias a metase estava tão acelerada que com uma semana a barriga dela ficava do tamanho da barriga de uma gestante de 9 meses. O líquido só era retirado a cada 15 dias. Eu sabia, mas parentes negavam e isso me confundia. Não pude dizer a ela algumas coisas, nem ouvir alguns conselhos. Agora vivo outra situação similar, mas da qual não tenho tanto direito de dar opinião. Tenho provocado esta pessoa a chorar, a compartilhar com alguém sua dor. Mas a negação é a marca principal desta família… é por isso que quero ajuda.

  4. Dagmar disse:

    Este é um assunto muito importante. No decorrer da fase terminal, ninguém sabe mais de sua própria condição do que o paciente. Fica família enganando paciente e paciente enganando família. ISSO NÃO PRECISA SER O ASSUNTO PRINCIPAL DE TODOS OS DIAS E HORAS. Mas de vez em quando, o paciente tem direito de falar de seus medos, do que desejou fazer e não fez, do que fez e agora reconhece como foi medíocre. Ter fé, pedir sinceramente a Deus a cura, falar que está curado é excelente, mas as próprias igrejas já não aconselham a suspensão de medicamentos logo após a conversão ou durante muito tempo. Aliás isso pode até ser um suicídio. Mas há alguns anos atrás não tínhamos tecnologia tão avançada como hoje. E chega uma hora que todo o corpo e mente pede: me deixem ir… já passou minha hora. É um direito DO PACIENTE DIZER se quer ou não correr conforme o rio. NÃO ACHO QUE ISSO SEJA EUTANASIA. PÓ, VAI FICAR MANTENDO VIVO UMA PESSOA DE MAIS DE 80 ANOS, QUE NÃO ANDA MAIS, QUE NECESSITA DE GENTE PARA TOMAR BANHO, DAR COMIDA NA BOCA, 60 COMPRIMIDOS DIÁRIOS… ISSO SIM, É CRIME. INOCENTE É QUEM PENSA QUE O DOENTE NÃO SABE DA SUA CONDIÇÃO REAL. Estou a dias procurando um site para falar com um paciente portador de câncer em faze terminal para saber se ele realmente poderia ser enganado pela fé própria, dos familiares… dizendo o tempo todo, estou ótimo, se melhorar, piora.

  5. sonia disse:

    Minha mae 73 anos, portador de cancer mama, pulmao, bacia e cerebro. estado terminal. o convenio quer manda-la para casa. nao tenho condições. eles tem esse direito?? por favor me ajudem.

    grata

    Sonia

  6. Caros internautas, este vídeo está no youtube . É só clicar no vídeo que ele será dirigido direto para o site do youtube!

  7. sandra disse:

    a pergunta e a mesma gostaria de copiar o video….não sei como

  8. Eurelina disse:

    como posso copiar este vídeo acima?
    excelente!

  9. Como falar a verdade, depende da interese do paciente, com a concordancia de seus familiares. Mas, o médico seria o principal recomendado; visto que é o único que sabera controlar as emoções, e dar ou não; dependendo do diagnóstico esperança ou um relativo conforto nagum tipo de esperança; mesmo sendo uma mentira caridosa…

  10. E´muito relativo. Eu , por exemplo, se tiver uma doença sem cura, prefiro não saber, pois não tenho estrutura para suportar tal realidade.

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