Publicado em: 17/08/2009
Somos todos seres humanos… Capazes de muitas coisas, porém incompletos, imperfeitos e finitos. Da mesma forma que às vezes é muito difícil aceitar nossos próprios defeitos ou os dos outros, também é muito doloroso aceitar que as pessoas não são imortais. Conscientemente, sabemos que a nossa vida e a vida das outras pessoas terá um limite, porém, por outro lado, não lidamos bem com esta idéia.
Desejamos viver intensamente: ter muitos anos de vida, gozar de uma boa qualidade de vida, mas costumamos esquecer de que um dia tudo isto terá fim. Não estou me referindo a crenças religiosas sobre o que acontece depois da morte, falo desta nossa vida aqui na terra.
Lanço estas questões para reflexão, pois acredito que vocês já tenham falado ou ouvido alguém dizer quando se refere ao processo de envelhecimento patológico: É muito triste não ter problemas de saúde, mas estar com a cabeça ruim. Coitado do Sr. Fulano. Ou então o oposto: Nossa, a Sra. Fulana ainda é totalmente lúcida, mas de que adianta se ela vive cheia de problemas de saúde?.
Passamos a vida definindo nossas prioridades pessoais, nossas preferências e também categorizando nossos medos e as coisas que acreditamos ser boas e ruins. Infelizmente, nos casos em que ocorre o envelhecimento patológico estas situações costumam acontecer, ou ainda ocorre o pior: casos em que o corpo adoece e a mente também adoece. Geralmente nestas horas é comum elaborarmos uma outra reflexão: Será que vale a pena viver mais com este sofrimento?.
Infelizmente ou felizmente (depende do ponto de vista de cada um), não sabemos o que o futuro nos reserva, ou mesmo se teremos condições de alcançarmos este futuro. Sabemos que o envelhecimento é um processo marcado por ganhos e perdas, porém, podem acontecer situações em que as perdas mostram-se mais significativas que os ganhos.
A máxima mente sã, corpo são já é bastante antiga, mas mesmo com todos os avanços alcançados pela medicina moderna ela continua a ser pertinente. Imagina o quanto seria bom se envelhecêssemos assim? Porém a realidade não é sempre tão utópica. É importante vivermos o dia de hoje, sempre procurando prevenir possíveis problemas futuros, mas sem deixar que isto se torne uma obrigação maçante que traga desprazer.
Sinceramente, se me questionassem agora se eu pudesse escolher uma das alternativas expostas no início (corpo são/mente não ou mente sã/corpo não) não sei o que eu escolheria para meu futuro ou para o de um familiar. Todas as alternativas trazem sofrimento, mas, de uma forma ou de outra, também podem trazer a alegria de se envelhecer com saúde física ou em estado de lucidez. Enfim, agora lanço a reflexão para vocês e, dependendo da aceitação do tema, poderemos avançar com estas reflexões nos próximos artigos. E, sem apologia a nenhuma religião, finalizo com a bem difundida Prece da Serenidade, de Reinhold Niebuhr, que ilustra um pouco isto que foi falado:
Concedei-me, Senhor, a Serenidade necessária,
para aceitar as coisas que não posso modificar;
Coragem, para modificar aquelas que posso
E Sabedoria, para distingüir umas das outras! [...].
Luciene C. Miranda
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Rosangela, realmente é muito triste perder alguém, especialmente quando esta pessoa nos é tão próxima e querida. O único consolo sõ as boas recordaações de momentos felizes que existiram e podem continuar presentes em nossas lembranças. Um abraço
Achei muito emocionante as histórias contadas aqui, é uma lição de vida para quem aqui passa e ler.Eu já perdi um irmão que nós dois eramos unha e cuticula de tão juntos e próximo e numa fatalidade automobilística ele veio a falecer, isso já tem quase dez anos e toda vez que falo me emociono como se foose o dia do acontecimento. A dor de perder alguém que se ama é muto grande.
Ludimilla, é muito bom recebermos aqui pessoas de diferentes faixas etárias. Você é tão jovem e teve a oportunidade de aprender com a experiência de alguém mais velho e a troca de experiências entre pessoas de diferentes idades pode ser algo muito rico!
Continue frequentando nosso site, espero que goste!
Um abraço
Maria Cristina,
Me emocionei com sua história de vida, me serviu como exemplos, tenho 20 anos e até hoje nunca perdi ninguem proximo a mim, não sei como é esta dor porem posso imaginar, qndo li sua história me convenci que a Sr é uma grande mulher, espero que Deus te abençoe e te ajude a caminhar sem essas pessoas que marcaram sua vida! te desejo tudo de bom, e que sejas muito feliz e saiba que existe uma pessoa que mesmo sem te conhecer ora e pede a Deus para que viva momentos muitos felizes ainda!!!
Maria Cristina e Márcia,
Acredito que, assim como eu, muitos outros internautas leram, se emocionaram e se sensibilizaram com as histórias de vida de vocês. Parafraseando Manoel Carlos são “Históriasde amor”, “Páginas da vida” construídas a partir dos nossos “Laços de família”.
Sem dúvida serão temas para os próximos artigos.
um abraço
Olá, seu artigo tã verdadeiro veio ao encontro de minhas reflexões solitárias. Aos sessenta e um anos, a ainda ativa trabalhando todos os dias, sinto paulatinamente minha memória esvair-se. Meu pai aos oitenta e seis anos vive a agonia do alzheimer em seu momento mais crítico. Eu senti um profundo pavor de caminhar para o mesmo fim. Ao contrário de outras pessoas estou cada vez mais me inserindo em um casulo como se um caracol fosse. E as surpresas desagradáveis tem sido uma constante em meu viver. Porém agradeço a Deus a cada MOMENTO VIVIDO! PARABÉNS pelo artigo. Sucesso!
Luciene , li seu artigo e acheio-o muito bem exposto. Vou lhe passar o meu exemplo e vc poderá ver que ás vezes a vida nos prega peças que dificilmente esperamos por essas situações. Sou uma senhora de 63 anos com jeito de 50, ativa, alegre, plena de saúde, mas que não mais que num repente me vi só nesse mundo. Fui criada com muitos mimos, meu pai foi um grande clínico na data de l1935, muito conhecido e reconhecido como um humano profissional. Faleceu perto dos 90 anos, em 2000 com Alzeimer que o consumiu ao longo de 15 anos. Perdi meu marido, aos 65 anos, homem saudável, atleta, com linfoma de hodkings em 2003, perdi minha mãe, amiga, companheira, confidente, tipo assim, não houve como cortar o umbigo para nos desligarmos. Ela se foi em 2004, 3 meses após o falecimento de meu marido, aos 97 anos, totalmente lúcida e saudável. Pediu para morrer e Deus atendeu. Como família me sobrou meu irmão mais velho, amigo, pai,mãe,companheiro tudo ao mesmo tempo, muito querido muito amado. Faleceu há 2 meses, no dia 16 de junho, exatamente no dia em que completaria 72 anos. Foi de repente, assustou a todos, pois era uma pessoa ativa, grande arquiteto e escritor. Me sobrou minha única filha, de 27 anos que em breve irá se casar. E ficarei aqui, onde moro,somente eu e meu caozinho Toy. Viverei assim? Nunca, jamais darei conta de lidar com esse vazio, com essa solidão. Sei que acabarei adoecendo de tristeza. Então, como quero lhe mostrar, tenho meu corpo são, minha mente já não é tão sã, posso lhe afirmar, em virtude de todas essas vissicissitudes da minha vida. Estou agora á procura de um lugar que me aceite, um hotel que hospede pessoas, que de uma hora para outra se vê sozinha. um lugar onde tenham pessoas na mesma situação em que me encontro, com quem possa me interagir, conversar, enfim aguardar o inevitável, mas não sozinha, mesmo que seja com pessoas que porventura acabarei fazendo amizades e” trocar figurinhas ” por que estão passando pela mesma situação que eu. É Luciene da vida nada sabemos, jamais supus me ver numa situação como essa. São surpresas desagradáveis das quais não temos como evitar nem fugir delas.É a solidão batendo á nossa porta, e eu jamais abrirei a porta de meu lar para ela, prefiro sair de onde estou á procura de pessoas boas com quem posso conviver. É triste e dolorosa essa situação, um bom caminho para uma grande, enorme depressão. Espero que esse meu exemplo lhe sirva de matéria para futuras reflexões, se é que vc já não a conhece.
Grande abraço de desejo-lhe sucesso na sua vida particular e profissional