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Cuidar de Idosos


Publicado em: 19/04/2009

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Autoestima e envelhecimento

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Num artigo recente da nossa colega Gracinha Medeiros (já fica claro que sou fã do trabalho que ela tem desenvolvido aqui no site), ela falou algo muito importante: “Com a auto-estima elevada e reforçada pelos elogios que lhe dirigimos, percebi um fortalecimento da autoconfiança, consequentemente, aumentou o grau de confiança em nós e a força de resistência nos momentos de crise tornou-se mais branda”. Como aqui no Portal Cuidar de Idosos somos uma equipe que trabalha em conjunto, preocupada com o bem-estar de idosos e cuidadores, peço licença à Gracinha para falar um pouco mais sobre a importância da auto-estima no processo de envelhecimento.

Em primeiro lugar, você sabe o que é autoestima? (Curiosidade: com a reforma ortográfica, a grafia passou a ser autoestima, mas o termo auto-estima será aceito até 2010). É comum ouvir pessoas falarem que têm uma boa autoestima, ou que a mesma encontra-se baixa, porém às vezes não sabemos uma definição do termo.

Autoestima é gostar de si mesmo de modo genuíno e altruísta; não se trata de excesso de valorização de si próprio, ou de arrogância e egocentrismo. Gostamos do que realmente somos, aceitando nossas próprias habilidades e limitações (Strocchi, 2003). Acho esta definição muito importante, pois fica claro que para ter uma boa autoestima não basta apenas ter consciência de nossas potencialidades – o que não é uma tarefa muito difícil. Também é essencial conhecer nossas limitações – existentes em todos os seres humanos – e saber lidar com elas, de forma a aceitar algumas e conseguir melhorar outras.

Independente da idade, uma boa autoestima favorece a saúde e a autorrealização, enquanto que uma baixa autoestima pode causar fobias, medos, dificuldades interpessoais, aflição, insegurança, depressão, falta de realização das próprias potencialidades, entre outros.

Valores sociais sem bases na realidade ou preconceitos acerca do envelhecimento exercem um impacto negativo na autoestima (Erbolato, 2000). Nossa sociedade tem como costume valorizar o que é jovem, bonito, novo, em detrimento do idoso, que muitas vezes chega a ser erroneamente considerado de velho, incapaz ou mesmo feio. Isto interfere na autoestima do idoso, já que suas opiniões acerca de si mesmo podem ficar comprometidas em virtude desta avaliação tendenciosa da sociedade.

A atividade física aparece com um fator favorável, pois propõe uma modificação no esquema corporal e, conseqüentemente, na autoimagem e na autoestima. Com o desempenho deste tipo de atividade idosos prostrados podem vir a se tornar mais ativos, voltam a andar mais, tornam-se mais flexíveis e voltam a conseguir realizar atividades de vida diária, como, por exemplo, calçar um sapato e podem também perder peso, o que contribui para melhorar sua autoestima. Por isto, a atividade física é considerada um importante aliado do envelhecimento, além dos benefícios já conhecidos da prática desta atividade para a saúde de idosos.

É importante estimularmos a autoestima dos idosos, independente se ele estiver passando por um processo de envelhecimento saudável ou patológico. A exemplo do que a Gracinha comentou no artigo supracitado, elogiar a mãe e fazê-la se sentir notada, fez com que ela ficasse mais feliz e menos agressiva, mesmo com toda a sintomatologia do Alzheimer. Independente de todos os seus problemas ela conseguiu sentir-se bonita, sentiu que sua presença causa algum tipo de reação àqueles que a cercam e isto a fez feliz.

Todo mundo gosta de ser valorizado, elogiado, sentir-se reconhecido e na maioria das vezes fazemos isto com as crianças, talvez com os adolescentes, mas com o idoso é muito raro isto acontecer. Ou, então, quando isto é feito é de forma a infantilizar o idoso, o que também não é legal.

Um idoso com uma boa autoestima consegue passar melhor pelos declínios do processo de envelhecimento, encontrando em cada etapa do seu ciclo vital mais potencialidades que limitações, mesmo quando a idade já estiver avançada. Um idoso saudável pode cuidar de sua aparência física, dedicar um tempo para fazer coisas que gosta, aprender coisas novas e para lançar mão de uma virtude atingida com o passar dos anos: a sabedoria.

Por outro lado, o cuidador, que também tem uma boa autoestima e tem seu trabalho reconhecido pelos outros, encontra importantes aliados para cuidar de um idoso. É importante que, independente de nossa idade, seja possível gostarmos de nós mesmos, valorizando nossas potencialidades e aceitando nossas limitações, pensando que se as mesmas forem trabalhadas elas podem vir a ser novas potencialidades.
Boa semana!

Luciene C. Miranda

Referências:
ERBOLATO, Regina M. P. Leite. Gostando de si mesmo: a auto-estima. In NERI, Anita Liberelasso. Envelhecer num país de jovens. Significados de velho e velhice. Segundo brasileiros e não idosos. Campinas: Unicamp, 2000.
STROCCHI, Maria Cristina. (2003). Auto-estima. Se não amas a ti mesmo, quem te amará? Petrópolis, RJ: Vozes.

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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Ainda sem comentários em “Autoestima e envelhecimento”

  1. Luciene Miranda disse:

    Estou toda boba aqui, Gracinha! Qta honra receber este elogio seu!
    A dona Zezé nem imagina o quanto ela nos auxilia com estes “estudos de caso” dela, não é mesmo?
    E seu irmão também foi brilhante ao encontrar esta saída, talvez, se fosse outra pessoa, não iria “entrar no enredo dela” e não conseguiria convencê-la a se alimentar. Mais uma vez a auto-estima está fazendo a diferença..
    Bjos

  2. gracinha medeiros disse:

    Lu, vc disse tudo! E, olha, eu é q sou sua fã de carteirinha!
    Seu texto está brilhante, aliás, como sempre né?
    Só a título de ilustração vou contar mais uma da vaidosa
    Zezé: meu irmão, que é mto parecido com meu pai, veio almoçar
    conosco. Ela, sempre q o vê, fica deslumbrada olhando para ele e
    mtas vezes já nos revelou pensar q ele é meu pai q voltou pra casa.
    Pois bem, nesse deslumbramento ela esquece de comer; para incentivá-la,
    meu irmão começou a dizer: -“ué moça bonita, vc não vai comer não?! Quero ver vc comer tudinho pra ficar bem bonita! Moça bonita q não come fica feia!”
    Ela, ao ouvir a palavra ‘feia’ disse para ele: – “Eu sou bonita viu?!” E voltou
    a comer normalmente.
    Beijos

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