Publicado em: 15/02/2010
Independente de nossa idade é possível perceber que nosso processo de desenvolvimento não é sempre constante. Se pararmos para pensar, com o passar dos anos algumas de nossas características pessoais e preferências se mantêm, enquanto que outras vão se modificando.
Quando converso com idosos percebo que algumas dessas características são bastante estáveis e se permanecem ao longo de suas vidas. Existem aquelas bastante positivas, como a honestidade, a disposição, a solidariedade e a generosidade, porém, existem também algumas características que mereceriam ser modificadas à medida que a pessoa envelhece e adquire experiência, mas infelizmente continuam do mesmo jeito que antes.
Destas últimas, uma merece destaque: a preocupação com o que os outros vão pensar de você – o julgamento e a crítica do outro. Percebo nos discursos de muitos idosos que muitos carregam esta preocupação por toda a sua vida, inclusive quando envelhecem. Este tipo de preocupação acaba por impedir as pessoas de tomarem certas decisões, fazerem ou falarem determinadas coisas.
O idoso deve preocupar-se com sua própria consciência, com a ética ou mesmo com a opinião de sua família, em detrimento da opinião de terceiros: seu auto-julgamento é muito mais importante que o julgamento do outro, que pode estar impregnado de preconceitos, crenças infundadas e até mesmo inveja. Idosos extremamente preocupados com o que os outros vão achar dele deixam de viver suas próprias vidas com medo da reação que podem provocar nos outros. Eles deixam de usar aquela roupa que gostaram com medo dos outros falarem que está muito ousada; não contam determinada piada com receio de serem tachados de sem graça; não dão sua opinião numa conversa informal, pois temem serem chamados de antiquados; não vão a bailes com medo de serem chamados de assanhados; não vão sozinhos ao cinema porque não querem ser chamados de solitários; não vão a shows, pois acham que não têm idade para isto… ou começam a fazer coisas que não gostam u não querem apenas em função do julgamento das pessoas: não gostam de trabalhos manuais, mas começam a fazer tricô porque dizem que é atividade para pessoa velha; abdicam sua vida pessoal para cuidar dos netos, pois os filhos são novos e precisam se divertir, já eles não têm mais idade para isto; mesmo independentes abrem mão de suas casas porque os outros podem achar que morar sozinho é sinal de abandono… Será que desta forma estes idosos passarão a ser felizes ou serão frustrados? E será que os outros se contentarão com isto ou continuarão julgando outras pessoas e outras atitudes do idoso?
Em nossa sociedade algumas pessoas realmente são muito preocupadas com as atitudes dos outros e sempre lançam suas críticas e julgamentos pelo que o outro fez ou mesmo pelo que ele não fez. Por outro lado, outras pessoas acabam se limitando, pois temem ser alvo de comentários depreciativos ou maliciosos.
O idoso que goza de autonomia deve ser agente de sua própria vida e sempre lembrar de que ele é consciente por seus atos e inteiramente responsável por eles. Cabe a ele julgar suas próprias ações e ter o discernimento para não fazer coisas ou tomar atitudes que poderiam envergonhá-lo ou prejudicar ele mesmo e a outras pessoas. Não vale a pena privar-se de fazer determinadas coisas pensando no que os outros irão achar. Se este é o seu caso, não existe idade limite para mudar, comece a mudar sua visão de mundo a partir de agora. Lembrem-se sempre disso!
Luciene C. Miranda
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Valkíria, concordo com vc, a maioria dos nossos comportamentos e atitudes são reforçados ou inibidos pela sociedade, por nossa família ou por nossa cultura, mas cabe a nós mesmos repensarmos um pouco nossas atitudes quando tivermos condições de responsabilizar-mos por elas. Um abraço e obrigada pelos prabéns.
O que as pessoas pensan uma das outras, faz parte do cotidiano, do dia a dia, da sociedade, porem essa utopia está mudando, eu particularmente sofri muito com esse sentimento, hoje já tenho uma visão deferente, e não me preocupo mas. mas ainda na infãncia as mamães é que encinan aos seus filhotes, ainda bem pequenos que tem alguem a observar-los: (_ Não faça assim! porque tem…(….) vendo?!. ) e assim por diante, vai demorar um pouco para que a sociedade mude esse comportamento.Mas parabens Miranda pelo trabalho; eu acredito em voçê .