Publicado em: 12/10/2009
(Dedicado à internauta Maria Cristina Soares que recentemente nos emocionou com o relato de sua história de vida)
Dia desses estava conversando com o Dr. Márcio (não sei se ele vai se lembrar), quando ele falou sobre a pessoa ter que aprender a ser sozinha em certas situações. Esta fala me chamou a atenção. Somos seres humanos, seres sociais, porém em muitas vezes, por opção ou por imposição arbitrária da vida ficamos sozinhos.
A colega Gracinha falou recentemente da solidão em seu blog, mas achei pertinente pensar um pouco mais sobre o assunto. A solidão dói. Não ter com quem conversar, com quem compartilhar segredos, desejos, com quem viajar, com quem perguntar se aquela roupa vestiu bem, não ter quem elogiar o corte de cabelo tampouco quem fazer um chá num dia de resfriado. Sem dúvida é muito doloroso, mas ressalto que a solidão não deve ser algo definitivo. Não devemos nos habituar com a solidão e acomodarmos a esta situação! Precisamos mesmo aprender a ser sozinhos, mas não precisamos acostumar em ser solitários, devemos ter a coragem de buscar algo diferente, conhecer pessoas, conversar, interagir, socializar. Por exemplo, uma pessoa mora sozinha e não necessariamente é uma pessoa solitária e infeliz, a rede de relacionamentos que ela estabelece (suporte social) pode fazê-la sentir feliz e querida pelos que a rodeiam.
Infelizmente as perdas fazem parte do nosso dia a dia, porém, no idoso isto costuma ser mais freqüente: perdemos nosso trabalho quando aposentamos, a morte nos faz perder pessoas próximas e queridas que nos acompanharam durante muitos anos de vidas, os filhos decidem constituir sua própria família e saem de casa, além de outras coisas imateriais ou materiais às quais estimamos e sentimos falta se um dia viermos a perdê-las.
Alguns teóricos falam sobre a Síndrome do Ninho Vazio situação enfrentada pelo adulto maduro e idoso, quando os filhos saem de casa, os pais vêm a falecer, alguns se divorciam ou ficam viúvos, chega a hora da aposentadoria. Aparece então a sensação de vazio, de solidão, a qual pode resultar em sentimentos de solidão ou depressão. Talvez seja a hora de preencher o ninho vazio de outra forma: procure alguma ocupação que lhe traga prazer, como, por exemplo, um trabalho voluntário; pense que quando um filho se casa não se perde uma pessoa, ganham-se novos membros da família. No caso das pessoas falecidas, não falo em substituí-las, sabemos que isto não é possível, porém é possível preenchermos o vazio ao abrirmos o coração para que novas pessoas cheguem. Se a casa traz más recordações ou tristeza, quem sabe não é a hora de pensar em mudar para um outro lugar e recomeçar?
Sempre é tempo para amar! O amor é um sentimento tão grande e genuíno que nos permite amar companheiros, filhos, netos, amigos, animais, objetos, atividades, lugares, parentes… Por isto não hesitemos em deixar o coração aberto para amar a si próprio e àqueles ao seu redor. Não deixamos de amar os que já se foram; pelo contrário, este sentimento não é egoísta, pode ser compartilhado e nos fazer muito bem!
Talvez esta seja a hora de conhecer lugares e pessoas, que antes não era possível conhecer. Assim, a vida pode deixar de ser apenas esperar a morte chegar e pode ser melhor aproveitada.
Luciene . Miranda
Entre no site gravatar.com, crie uma conta e faça o upload da sua foto.
Para inserir este artigo no seu site basta copiar o link abaixo:
© 2012 CUIDAR DE IDOSOS
Jislane, obrigada por sua participação. A perda de um familiar querido, especialmente tão próximo quanto uma esposa pode desencadear o surgimento de sentimentos de tristeza, desânimo e apatia no idoso. Vc está tendo a conduta certa de procurar fazer alguma coisa por seu pai, ele realmente precisa de ajuda, especialmente por causa de estar bebendo muito. Infelizmente parece que seus irmãos não estão sendo presentes, tente alerta-los da gravidade do problema e da importância da família estar unida nessas situações. Converse com o seu pai sobre procurar ajuda profissional de um psicólogo, geriatra, ou mesmo um médico de confiança, para que possa orienta-los a procurar um tratamento específico.
Por acaso passei por este site e me deparei com estas informaçoes tão valiosas, sendo que, estou passando por algo semelhante com meu pai, que aparentememte parece ter perdido o gosto de viver, pois, minha mãe faleceu a dois anos e ele ainda senti muitas saudades dela apesar de a maior parte do tempo ter trabalhado fora para o nosso sustento, e quando ocorreu acontecer dele se aposentar definitivo por motivo de saúde. e nesse período poder estar mais tempo ao lado dela compartilhando suas velhices e claro belas recordações da juventude, acontece o imprevisto da ausência dela tão precocemente. Não sei mais o que fazer apesar de tentar ter paciência, tenho outras irmãs que no momento não se tornam presentes quando mais precisamos, e para piorar ele resolver beber muito, espero que vocês tenham mais informações tão valiosas quanto esta e me mandem. Obrigada!