Publicado em: 31/05/2009
Entre tantas transformações societárias existentes no mundo globalizado, como por exemplo: a deterioração profunda das condições de vida e trabalho, o forte grau de concentração econômica e o desmonte dos direitos sociais, quero lançar um pouco de luz sobre o envelhecimento populacional mundial, não dissociando-o destas e de outras alterações, na configuração da nova ordem mundial. Trata-se de um tema que tenho grande interesse em conhecer e estudar. E que em Juiz de Fora me encontro envolvido na prática profissional com idosos, como assistente social, há mais de 20 anos pela Prefeitura da cidade.
As consequências destas alterações planetárias repercutem e criam um novo cenário para a sociedade e para a cidade. Predomina uma proporção maior de adultos em idade produtiva e da participação da mulher no mercado de trabalho. Ocorre também uma redução do número de filhos por família e pessoas por domicílio: a fecundidade caiu mais de 06(seis) para menos de 02(dois) filhos por mulher. Instala-se, entre nós, o fato real do envelhecimento da população brasileira e nosso aqui da cidade.
O que muda? Ou o que deve mudar? Na minha opinião, deve mudar em primeiro lugar, o conteúdo do planejamento público na destinação das políticas municipais. Mudar a cabeça de quem dirige a cidade. A postura, o comportamento dos idosos também. Eles não podem mais ficar – permanecer – o tempo todo sentados no Parque Halfeld, por falta de motivações sociais públicas e de vida. A cidade precisa facilitar e criar condições para que eles participem dela. Acredito que eles podem interferir na formação da agenda do governo municipal e se investirem de capacidade decisória e propositiva, em torno dos seus interesses e direitos sociais. Nossa cidade tem um percentual alto de idosos na sua população. Aproximadamente 60 mil pessoas. O que fazem pela cidade? E o que a cidade tem feito por eles? Aonde estão?
Penso que ainda há tempo de pagar a dívida social, que o país tem com seus cidadãos idosos e que a cidade tem também com eles. Começamos muito bem em 1988, com a criação do Pró-Idoso, depois em 1992, com a criação da UFJF/3º Idade, e mais recentemente o CEDDI (centro de proteção dos direitos dos idosos), a Política Municipal de Abrigos e a revitalização das ILPIs (instituições de longa permanência para idosos). Sem deixar de citar a formalização do Conselho Municipal dos Direitos dos Idosos em 1997, com sua primeira gestão. Cabe a antiga LBA – Legião Brasileira de Assistência, antes localizado no INSS, o pioneirismo do trabalho social com idosos na cidade, com um justo reconhecimento à assistente social Zeneida Teresinha Delgado, pela coordenaçao do trabalho do município na época. A quem devo muita gratidão. Atuei no Pró-Idoso desde sua criação em 17/06/88 até o ano de 2003.
Pelos 21 anos de existência do Pró-Idoso quero afirmar que valeu a luta e ela continua. Precisamos avançar. Espero poder continuar contribuindo para o debate e reflexões sobre um tema que acredito ser e é de muita relevância sócioprofissional para a cidade e para todos nós. Finalizando, busco em NETTO (2008) indagações que procedem no amanhecer de um novo dia: “que futuro queremos construir, com que projeto de sociedade pretendemos contribuir?” Por uma cidade para todas as idades!
José Anísio da Silva – Pitico
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Exmo Sr José Anísio:
Escrevo-lhe de Moçambique cidade de Lichinga, e quero desenvolver um Plano de Acção em prol do idoso que perambula nas ruas da minha cidade onde ocupo cargo se servidor público no município. Mande-me seu e-mail para trocarmos algumas impressões.
Aguardo seu contacto.
Cordial abraço.
Jorge
Gracinha, muito obrigado pela participação. Pelos comentários. A participação no portal emociona a gente, é verdade. Somos pessoas especiais, de tão comum que somos.Todos. Falo por mim, naturalmente. Forte abraço. Vamos em frente!
Olá Pitico,
Mais uma vez me emociono com seu artigo! Nossos idosos estão encolhidos porq lhes faltam informação e ouvidos que lhes ouçam em suas necessidades mais prementes. Mas… vejo que há luzes no fim do túnel quando leio textos e projetos de GENTE como você, dando voz, gritando alto e apontando os caminhos de mudança de rumos em prol de melhores condições de vida para todos.
Sabemos que as mudanças são possíveis e até muito simples de serem postas em execução: como vc mesmo cita é preciso mudar “a cabeça de quem dirige a cidade e a postura e comportamento dos idosos”. Sabemos também que mais que tudo precisamos de Educação – “a luz da vida”!
Obrigada por você existir!
Zulmira, muito obrigado pela atenção e pelo comentário. Como diz o poeta: “um mais um é sempre mais que dois”(Beto Guedes). Vamos em frente. Forte abraço.
Parabéns sempre pelas suas belissimas e acertivas colocações
Continue na luta e conte com uma adepta de sua ideologia
Grande abraço
Zulmira