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Publicado em: 10/06/2010

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Alzheimer – A doença do (não) sentir

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Alzheimer A doença do não sentir Alzheimer   A doença do (não) sentir

Alzheimer - A doença do (não) sentir

“Sentir” é uma palavra que carrega uma ampla gama de significados, tais como perceber por meio dos órgãos dos sentidos, experimentar uma sensação física ou um afeto, ter sensibilidade, perceber, conhecer, dentre outras.

Na doença de Alzheimer, principalmente entre os estágios intermediário e avançado, nota-se que o portador deixa de sentir muitas coisas, enquanto que o cuidador passa a sentir coisas que talvez não tivesse a sensibilidade de perceber anteriormente.

Cada pessoa é única, por isto, cada portador da doença de Alzheimer vivencia a doença de uma maneira. Não é possível afirmar que os exemplos citados necessariamente acontecerão com todos os idosos e cuidadores, porém muitos experimentaram, estão experimentando ou poderão experimentar estas tristes situações.

O portador de Alzheimer:

  • Não tem cegueira, mas parece não enxergar as pessoas e as coisas que acontecem à sua volta. Na verdade ele enxerga normalmente, mas como não reconhece pessoas familiares e situações cotidianas, ele não mais atribui significado a estas pessoas e coisas, por isto parece não enxergar.
  • Não é surdo, mas parece não escutar. Na realidade ele escuta, porém pode não entender o que estão falando com ele, pois ele já pode ter esquecido o significado das palavras e sua própria identidade: ele pode não mais se lembrar de seu próprio nome. Por isto falar mais alto pode não surtir nenhum efeito.
  • Parece não sentir fome, frio e calor, porém suas necessidades fisiológicas continuam as mesmas. Ele pode não saber mais interpretar estas situações de incômodo e por isto não consegue satisfazer sozinho suas necessidades ou solicitar isto a alguém. Cabe ao cuidador tentar decifrar sua comunicação não-verbal (como, por exemplo, tremores de frio) e, como faz ao cuidar de um bebê, alimentá-lo em horários pré-determinados e ficar atento às mudanças d temperatura.
  • Parece não ter medo de nada, por isto pode se envolver em situações perigosas. A doença não o torna mais corajoso que era antes, ele apenas já perdeu a noção de perigo e não sabe evitar situações que possam colocá-lo em risco.
  • Não é assanhado ou indecente, apenas esqueceu que nossa cultura determina que se deve zelar pelo pudor e exercer a sexualidade de maneira reservada.
  • Não é insensível frente à dor do cuidador. Ele também já não se lembra mais do que é ter empatia pelo outro e pode não se lembrar quem é aquela pessoa. Interessante que alguns portadores, mesmo já mais debilitados, em determinados momentos demonstram através do olhar ou de algum gesto um tipo de reação afetiva coerente, mesmo que apenas momentânea;
  • Não é paraplégico, mas pode não conseguir mais andar.

Já o cuidador é um misto de sentimentos e emoções intensas que influenciam muito em seu ato de cuidar. Ele:

  • Assusta-se ao perceber os primeiros sintomas da doença e nega com todas as suas forças que isto pode realmente estar acontecendo.
  • Sofre ao ver seu ente querido cometer alguma atitude inapropriada, especialmente quando seu comportamento torna-se oposto ao que era anteriormente.
  • Sente-se culpado por não ser melhor filho(a), por não poder ficar com o portador em tempo integral, por ter que contratar um cuidador, por não ter mais dinheiro para investir no cuidado do pai, por ter que levá-lo para uma instituição de longa permanência.
  • Não quer ver o idoso naquela situação, mas não admite a si mesmo pensar que, naquele caso, a morte poderia minimizar o sofrimento de todos.
  • Percebe que aquele idoso que está ali é, em corpo, o seu familiar tão querido, mas em mente não é mais aquela pessoa. Por isso em alguns momentos sente-se diante de um tão querido desconhecido.
  • Frustra-se ao receber o diagnóstico, ao perceber os avanços da doença, ao saber histórias sem finais felizes de outros portadores.
  • Chora ao ver o idoso aparentemente impassível perante o seu sofrimento e desespero.
  • Apavora-se ao perceber que não consegue mais se comunicar com aquela pessoa com quem se entendia por palavras, cartas, olhares, gestos e carinhos.

Enfim, o Alzheimer é marcado pela falta e pelo excesso. Cabe ao cuidador buscar alternativas para encontrar um ponto de equilíbrio entre o seu sentir demais e o sentir de menos do idoso. O segredo é tentar dividir esse sentimento com aquele que já não tem mais condições de sentir.

Luciene C. Miranda

Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br

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3 comentários em “Alzheimer – A doença do (não) sentir”

  1. REGINA disse:

    é possivel uma criança de 17 anos sofrer do mau de alzeimer?
    trata-se de minha filha que até hoje não sei o que ela tem.
    tem essa idade mas é como se fosse uma criança.espero que alguem me esclareça algum caso parecido.

  2. Luciene Miranda disse:

    Neumagriman, pelo que vc relata quem tem motivos para sentir remorso são seus irmãos, e não vc!
    Recomendo o livro “Sete histórias de alzheimer” de Marcio Borges, à venda aqui no site.
    Por mais difícil que seja lidar com a doença, procure ter paciência e peça ajuda aos seus irmãos, não tem como fazer td sem ajuda.

  3. neumagriman disse:

    tenho meu pai k etá com 83nos de idade a 6anos sofre de mau de alzeimersomente eu cuido os meus irmãos não querem cuidar dele em 6 anos eu so tive 1 dia de folgaja estou desaquilibrada que ele da muito trabalho cada dia pior mas tanbem fico triste as veses eu tenho reaçÔes grosseira com eleme arrependo pos vejo outra pessoa não tem nada a ver com o meu pai eu fico nervosa grito com ele ele fica valente eu sofro muito com isto eu quero ler pesqusar livros k me ajudea ter mas paçiençia com ele o pior e k ele não gosta dos meus irmaõsmesmo esqueçido so quer ficar comigose ele faleçer hoje eu vou morre de remosso pos eu o amo muito

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