Publicado em: 13/07/2010

Álcool e idosos: menos qualidade de vida
Uma recente pesquisa, realizada pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, confirmou uma realidade não muito distante de nós profissionais do PSF vivenciada na nossa prática diária, o consumo de álcool na população de idosos, o qual é basicamente o encontrado entre faixas etárias mais jovens, o que difere de alguns países, onde este consumo está diminuindo. Os idosos brasileiros estão bebendo, assim como os adultos mais jovens – o que me reportou a uma propaganda que assisti em um canal de TV – na transmissão dos jogos da copa em horário nobre. Dirigida aos idosos, uma propaganda de cerveja, onde um grupo de idosos se divertia acompanhados de cerveja. No que lamento a omissão do Ministério da Saúde em permitir tal estímulo.
E me reportei à uma discussão que tivemos em sala de aula, no Curso de Especialização em Geriatria, onde fomos instigados a refletir sobre qual nosso grau de motivação, para trabalharmos um processo pedagógico educativo, no sentido de estimularmos os idosos a tratarem-se do tabagismo; levando em consideração a faixa de idosos mais idosos acima de 80 anos, por exemplo. E foi consenso, nosso pouco investimento, o que ficou claro nosso despreparo para esta transição demográfica. O que devemos levar em consideração é que a longevidade é uma realidade e investirmos em um envelhecimento saudável é dever de todos nós profissionais instituições e sociedade. Por exemplo, um idoso com 80 anos de idade, estimulado a abster-se através de tratamento, do álcool e do tabagismo trará benefícios à sua saúde e à sua qualidade de vida. A pesquisa acima citada nos mostra alguns pontos que merecem destaque:
Enfim, estes são alguns aspectos que a importante pesquisa nos aponta, e nós profissionais imbuídos no compromisso do envelhecimento saudável, devemos estar atentos. Muitas vezes, como somos produtos de nossa cultura, nós profissionais somos levados a pensar que o idoso não muda mais. Grande equívoco! O que falta é resignificarmos nossos conceitos, todos nós, profissionais, sociedade, idosos e instituições e investirmos em um processo de educação permanente, visando a promoção da saúde, com práticas pedagógicas que envolvam esta faixa etária, elevando a auto-estima e sabendo que abster-se do alcoolismo e do tabagismo propiciará qualidade de vida. Muitas vezes, estas drogas lícitas estão ocupando o espaço do vazio e da solidão vivenciadas por nossos idosos. Vivemos numa sociedade capitalista de consumo que visa o lucro, assim o mercado já está de olho nesta faixa etária que se expande, e tenta seduzir os idosos para o consumo do álcool. Cabe a nós, profissionais e instituição, dizermos basta a estas propagandas e exigirmos políticas públicas de assistência ao idoso que vise a qualidade de vida.
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Olá, sou filha única (adotiva), solteira e aposentada (50 anos) e preciso muito de sua orientação. Meu pai tem 77 anos e fazem 3 anos, descobriu que tem câncer (está em tratamento no momento). Minha mãe tem 79 anos e durante muitos anos teve uma grave dependência química de álcool. Aliado à terapias e tratamentos limitados na época (embora, eu mesma tenha buscado ajuda profissional), houve também, pouco conhecimento do assunto por parte de meus pais, talvez por serem muito conservadores, além do desgaste e da grande falta de credibilidade que tudo isso causou desde a minha infância. Meu pai, sempre viajou muito à serviço, tivemos muitas dificuldades em lidar com a situação, causando uma grande falta de estabilidade emocional, física e familiar. Resumindo: nunca foi possível encontrar um tratamento adequado para minha mãe. Hoje, “acreditamos” que a “mais ou menos” 10 anos, minha mãe tenha conseguido, sozinha, parado de beber (embora, em alguns momentos ainda surjam dúvidas). No entanto, ficaram muitas sequelas (fraturas na coluna e várias vértebras, devido à diversas quedas provocadas por momentos de embriagues; DPOC-grave deficiência pulmonar; fígado, baço e pâncreas com funções comprometidas; desmaios e perda de sentido; muitos momentos de depressão e “amargura”, não consegue controlar ou equilibrar suas emoções; entre outros problemas). Minha mãe diz que: se meu pai vier a falecer antes dela, quer ir para um asilo. Eu não aceito isto! Quero cuidar de meus pais, até o final de suas vidas. Meu pai concorda comigo. Minha mãe não nos dá ouvidos, quer vender bens da família, para ir para um asilo no futuro, no entanto, tem uma única filha (eu) e um único neto (meu filho), que a amam e fazem questão de estar com eles! Eu concordo com a venda de bens, a favor da saúde, do bem estar e do lazer para eles. Posso abrir mão de meus direitos materiais como herdeira, porém não abro mão de meus direitos emocionais de manter minha família. Tenho muito receio, não sei se minha mãe tem equilíbrio emocional e físico, suficientes para tomar esta atitude. Não quero impedi-la judicialmente, acho isso muito cruel. O que posso fazer para impedi-la de se afastar da família? Seria o caso de meu pai deixar “sua vontade” testamentada, impedindo minha mãe de tomar uma atitude errada na vida dela e da família? Por favor me oriente, em como proceder.
Grata,
Rya-SP.
(17/10/2011)
Como sempre a médica Lucieuda nos traz enorme contribuição, com seus escritos de sensibilidade e experiência no cuidar, mais uma vez a congratulo, por sua extrema delicadeza e olhar humano tão necessário aos nossos idosos.