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Publicado em: 03/08/2008

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A doença de Alzheimer

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alzheimer A doença de Alzheimer

Alzheimer

Um pouco de história

No dia 14 de junho de 1864, nasceu Alois Alzheimer, na cidade alemã de Marktbreit, filho de Eduard Alzheimer e sua segunda esposa Theresia. Alois estudou medicina em Berlin, apresentando, em 1887, sua tese doutoral sobre “As Glândulas Ceruminais”. Foi nomeado como médico residente no Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos, na cidade de Frankfurt, em dezembro de 1888, sendo logo promovido a médico senior. Casou-se em 1894 com C. S. Nathalie Geisenheimer, que lhe deu três filhos. A esposa veio a falecer em 1901.

A origem do termo “Mal de Alzheimer” deu-se em 1901, quando Dr. Alzheimer iniciou o acompanhamento do caso da Sra. August D., admitida em seu hospital. Em novembro de 1906, durante o 37° Congresso do Sudoeste da Alemanha de Psiquiatria, na cidade de Tubingen, Dr. Alois Alzheimer faz sua conferência, com o título ” Sobre uma enfermidade específica do córtex cerebral“. Relata o caso de sua paciete, August D., e o define como uma patologia neurológica, não reconhecida, que cursa com demência, destacando os sintomas de déficit de memória, de alterações de comportamento e de incapacidade para as atividades rotineiras. Relatou também, mais tarde, os achados de anatomia patológica desta enfermidade, que seriam as placas senis e os novelos neurofibrilares. Dr. Emil Kraepelin, na edição de 1910 de seu “Manual de Psiquiatria”, descreveu os achados de Dr. Alzheimer, cunhando esta patologia com seu nome, sem saber da importância que esta doença teria no futuro.

Dr. Alois foi acometido de uma grave infecção cardíaca (endocardite bacteriana) em 1913. Seguiu enfermo por dois anos, quando no dia 19 de dezembro de 1915 veio a falecer de insuficiência cardíaca e falência renal, na cidade de Breslau, Alemanha.

O que é a doença de Alzheimer e como se manifesta?

A Doença de Alzheimer, também conhecida como demência senil tipo Alzheimer, é a mais comum patologia que cursa com demência. E o que vem a ser demência? Popularmente, conhecida como esclerose ou caduquice, a demência apresenta como características principais:

  1. problemas de memória
  2. perdas de habilidades motoras (vestir-se, cozinhar, dirigir carro, lidar com dinheiro…)
  3. problemas de comportamento
  4. confusão mental.

Quando falamos que as demências estão constituindo um sério problema de saúde pública em todo o mundo, temos que mostrar em números o que isto representa. Hoje temos, no mundo, 18 milhões de idosos com demência, sendo 61% deles em países do terceiro mundo. Daqui a 25 anos terão 34 milhões de idosos nesta situação e a grande maioria (71%), nos países mais pobres! No Brasil, temos atualmente 1,2 milhões de idosos, aproximadamente, com algum grau de demência.

Existem várias teorias que procuram explicar a causa da doença de Alzheimer, mas nenhuma delas está provada. Destacamos:

  1. Idade: quanto mais avançada a idade, maior a porcentagem de idosos com demência. Aos 65 anos, a cifra é de 2-3% dos idosos, chegando à 40%, quando se chega acima de 85-90 anos!
  2. Idade materna: filhos que nasceram de mães com mais de 40 anos, podem ter mais tendência à problemas demenciais na terceira idade.
  3. Herança genética: já se aceita, mais concretamente, que seja uma doença geneticamente determinada, não necessariamente hereditária (transmissão entre familiares).
  4. Traumatismo craniano: nota-se que idosos que sofreram traumatismos cranianos mais sérios, podem futuramente desenvolver demência. Não está provado.
  5. Escolaridade: talvez, uma das razões do grande crescimento das demências, nos países mais pobres. O nível de escolaridade pode influir na tendência a ter Alzheimer.
  6. Teoria tóxica: principalmente pela contaminação pelo alumínio. Nada provado.

Quais sãos os sintomas? No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceito pelos familiares como parte normal do envelhecimento, mas que vão agravando-se gradualmente. Os idosos tornam-se confusos, e por vezes, ficam agressivos, passam a apresentar distúrbios de comportamento e terminam por não reconhecer os próprios familiares.

À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes dos familiares e cuidadores, quando precisam de ajuda para se locomover, têm dificuldades para se comunicarem, e passam a necessitar de supervisão integral para suas atividades comuns de vida diária (AVD), até mesmo as mais elementares, tais como alimentação, higiene, vestir-se…

Reconhecemos três fases na evolução da doença de Alzheimer, onde os idosos manifestam determinadas características comuns:

Fase inicial:

  • Distração
  • Dificuldade de lembra nomes e palavras
  • Esquecimentos crescente
  • Dificuldade para aprender novas informações
  • Desorientação em ambientes familiares
  • Lapsos pquenos, man não característicos de julgamento e comportamento
  • Redução das atividades sociais dentro e fora de casa

Fase intermediária

  • Perda marcante da memória da atividade cognitiva
  • Deteriorização das habilidades verais, diminuição do conteúdo e da variação da fala
  • Apresenta mais alterações de comportamento: frustração, impaciência, inquietação, agressão verbal e física
  • ALucinações e delírios
  • Incapacidade para convívio social autônomo
  • Perde-se com facilidade, tendência a fugir ou perambular pela casa
  • Inicia perda do controle da bexiga

Fase avançada

  • A fala torna-se monossilábica e, mais tarde, desaparece
  • Continua delirando
  • Transtornos emocionais e de comportamento
  • Perda do controle da bexiga e do intestino
  • Piora da marcha, tendendo a ficar mais assentado ou no leito
  • Enriquecimento das articulações
  • Dificuldade para engolir alimentos, evoluindo para uso de sonda enteral ou gastrostomia (sonda do estômago)
  • Morte.

Como é feito o diagnóstico?

Não há um teste específico que estabeleça de modos inquestionável a doença de Alzheimer. O diagnóstico de certeza só e feito através de exame patológico (biópsia do tecido cerebral), conduta não realizada quando o idoso está vivo.

Desse modo, o diagnóstico de provável Demência tipo Alzheimer é feito excluindo outras patologias que podem evoluir também com quadros demenciais, tais como:

  • Denças de tireóide
  • Acidentes vasculares cerebrais
  • Hipovitaminoses
  • Hidrocefalia
  • Efeitos colaterais de medicamentos
  • Depressão
  • Desidratação
  • Tumores cerebrais, entre outros.

Temos atualmente um teste denominado avaliação neuro-psicológica, que pode mapear os vários aspectos da mente humana, em busca de possíveis pistas de alterações cognitivas (memória), de comportamento e de dificuldades em atuação nos vários aspectos do dia-a-dia (cuidar de finanças, gerenciar a vida e a sua casa, relacionar com parentes e amigos, depressão…). Um dos testes mais comuns é chamado de mini-exame do estado mental, que é relativamente fácil de ser executado e não cansa o idoso.

MINI-EXAME DO ESTADO MENTAL p
o
n
t
o
s
1. Orientação temporal (0-5): ANO – ESTAÇÃO – MÊS – DIA – DIA DA SEMANA
2. Orientação espacial (0-5): ESTADO – RUA – CIDADE – LOCAL – ANDAR
3. Registro (0-3): nomear: PENTE – RUA – CANETA
4. Cálculo- tirar 7 (0-5): 100-93-86-79-65
5. Evocação (0-3): três palavras anteriores: PENTE – RUA – CANETA
6. Linguagem 1 (0-2): nomear um RELÓGIO e uma CANETA
7. Linguagem 2 (0-1): repetir: NEM AQUI, NEM ALI, NEM LÁ
8. Linguagem 3 (0-3): siga o comando: Pegue o papel com a mão direita, dobre-o ao meio, coloque-o em cima da mesa.
9. Linguagem 4 (0-1): ler e obedecer: FECHE OS OLHOS
10. Linguagem 5 (0-1): escreva uma frase completa
…………………………………………………………………………………………………….
11. Linguagem 6 (0-1): copiar o desenho.
TOTAL

Como é feito o tratamento?

É dividido em duas frentes de tratamento:

  1. Tratamento dos distúrbios de comportamento: para controlar a confusão, a agressividade e a depressão, muito comuns nos idosos com demência. Algumas vezes, só com remédio do tipo calmante e neurolépticos (haldol, neozine, neuleptil, risperidona, melleril,entre outros) pode ser difícil controlar. Assim, temos outros recursos não medicamentosos, para haver um melhor controle da situação. Um dos melhores recursos são as dicas descritas neste manual (Manual do Cuidador – Convivendo com Alzheimer), onde mostramos como agir perante aos mais diferentes tipos de comportamento que o idoso ter, no período da agitação.
  2. Tratamento específico: dirigido para tentar melhorar o déficit de memória, corrigindo o desequilíbrio químico do cérebro. Drogas como a rivastigmina (Exelon ou Prometax), donepezil (Eranz), galantamina (Reminyl), entre outras, podem funcionar melhor no início da doença, até a fase intermediária. Porém seu efeito pode ser temporário, pois a doença de Alzheimer continua, infelizmente, progredindo. Estas drogas possuem efeitos colaterais (principalmente gástrico) que podem inviabilizar o seu uso. Também, somente uma parcela dos idosos melhoram efetivamente com o usos destas drogas chamadas anticolinesterásicos, ou seja, não resolve em todos os idosos demenciados. Outra droga, recentemente lançada, é a memantina (Ebix ou Alois), que atua diferente dos anticolinesterásico. A memantina é um antagonista não competitivo dos receptores NMDA do glutamato. É mais usado na fase intermediária para avançada, melhorando, em alguns casos, a dependência do portador para tarefas do dia-a-dia.

Finalizando…

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, respondendo por mais de 60% delas. Não se sabe ainda a causa ou as causas, não se tem ainda um exame de laboratório ou de imagem que possa dar o diagnóstico, ou mesmo que faça uma previsão mais acertada que a pessoa possa ter no futuro uma maior tendência para evoluir para uma demência. Não temos ainda um tratamento curativo ou que reduza a progressão desta doença, muito menos vacinas ou qualquer outro tipo de terapêutica que previna. O que temos são medicamentos que podem melhorar um pouco a memória e o comportamento, o que já é um alento e uma esperança de tratamento.

A ABRAz não se cansa de afirmar, no estágio atual das pesquisas sobre demências, que o melhor a ser feito é o apoio ao familiar e ao cuidador de idosos com Alzheimer, mostrando-lhes que não estão sozinhos nesta luta, e que toda informação pertinente será colocada para todos os interessados.

Podem ter ainda doenças incuráveis!

Mas não doenças intratáveis!

Márcio Borges

Geriatra - marcioborges@cuidardeidosos.com.br

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12 comentários em “A doença de Alzheimer”

  1. elenita disse:

    olá, meu sogro tinha alzheimer,e faleceu.
    estava em tratamento,e ficou alguns remedios sem uso, entre eles o eranz, já tentei passar para alguem e não consegui,
    mas sei que muitas pessoas precisam e não podem comprar,
    vendo ele 100,00- fone 051-3402-01-60

  2. analu disse:

    a doença de alzeimer é muito cruel tanto com os portadores qto com quem cuida atualmente participo de uma comunidade diario de alzeimer la é muito bom ha uma troca de experiencias vale apena visitar um abraço

  3. alan zampieri disse:

    quas foram as fontes desse artigo . queria saber obrigado

  4. gerusa disse:

    MUITO BOM ESSE TESTO SOBRE ALZHEIMER, EU NÃO SABIA DE ONDE QUE TINHA VINDO ESSE NOME ALZHAIME, QUE ISTORIA BOA,AGORA POSSO CUIDAR MELHOR DOS MEUS PACIENTINHOS.POR QUE ESSA DOENÇA E MUITO TRISTE, E O CUIDADOR DEVE SABER COMO CUIDAR DO IDOSO QUE TEM ISSO, POR QUE TEM Q TER OS CONHECIMENTOS SOBRE OS MAL DE ALZHAIME.OBRIGADO

  5. v aldirene disse:

    minha mae tem alzaime e seu medico passou somente haldou para ela tomar e ela esta dando muito trabalho qual o medicamento que quem tem alzaime pode tomar . obrigado

  6. sueli disse:

    MUITO BOM ESTE ESTUDO PARA FICAR MAIS INFORMADO SOBRE O MAL DE ALZHEIMEIR.
    TENHO MINHA MÃE COM ESSE MAL A 5 ANOS,TEM 76 ANOS DE IDADE. ESTA NO LEITO DEPOIS DE UMA FRATURA DO FEMUR, E TENHO INTERESSE DE ESTAR MAIS INFORMADA A RESPEITO.
    ACHO QUE JA SEI QUASE TUDO A RESPEITO DESTE MAL
    POIS EU LEIO TUDO A RESPEITO SÓ NÃO CONSEGUI LER E VER A CURA PARA ESTE MAL.
    GOSTARIA DE ME MANTER MAIS INFORMADA A RESPEITO DO ALZHEIMEIR
    DESDE JA AGRADEÇO PELAS AS INFORMAÇÕES.

  7. fabio luiz sawada disse:

    bom dia, gostaria de saber os cuidados de enfermeiros com o idoso que tem Alzheimer

  8. wanderley disse:

    Bom dia. Gostaria de saber todos os tipos de marcha em idosos com Alzheimer e também protocolos de avaliação. Fico no aguardo… obrigado…..Wander

  9. Cara Leilane,
    Somente uma boa avaliação médica poderá dizer se deverá ser preocupante ou não os lapsos de memória de sua mãe. Asseguro que não é comum ter sintomas de Alzheimer antes dos 70 anos.
    Abraços.

  10. Leilane disse:

    Com que idade pode ocorrer o inicio da doença. Minha mãe tem 56 anos e está tendo brancos (memorial) e as vezes fica meio perdida ,(confusão mental) Ela pode estar com alzeimer?

  11. Meu pai está com esta doença. Ele toma Erans e Alois e outro medicamento que não lembro agora. Ouví falar que existe um pente a Laiser que é indicado para essa doença. Procurei na internet sobre o mesmo mas apenas vi que servem para calvice. Alguem poderia me esclarecer algo a respeito?

    Se tiver algo novo, por favor repasse. É muito duro essa doença.

    Robson Pereira da Costa.
    0xx 64 8406 9090

  12. Taba disse:

    Ótimas informações…

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