IDOSO DEPENDENTE x FAMÍLIA DEPENDENTE
por Luciene C. MirandaOlá internautas!! Tudo bem com vocês? Aqui estou eu, domingo à noite, pensando num tema para escrever no artigo desta semana. Eis que abro o site, vejo a foto daquele senhor com a moça e me surge uma idéia.
Durante os posts passados tenho falado de envelhecimento ativo, idoso dependente, mas ainda não falei do lado oposto da moeda: a família que depende do idoso.
Parece meio estranho falar disto, mas é um fato que acontece com muita freqüência no Brasil: muitas famílias se tornam economicamente dependentes da renda (aposentadoria) de um idoso que lhes é familiar próximo – geralmente pai/mãe ou avô(ó); em outros casos percebemos uma dependência emocional em relação aos patriarcas e matriarcas.
Para começar, iremos abordar o primeiro tipo: a dependência financeira. É comum conhecermos casos em que a aposentadoria do idoso não é suficiente para custear seus gastos básicos de alimentação, moradia e saúde – visto que a média salarial de muitos idosos fica em torno e um salário mínimo ou pouco mais e, à medida que se envelhece, os gastos, em especial aqueles relativos à saúde (remédios, planos de saúde, consultas médicas e exames) tende a aumentar, visto que algumas doenças e disfunções costumam aparecer com o avanço da idade. Estes idosos geralmente precisam do apoio financeiro de algum membro da família – que more ou não na mesma residência – para auxilia-los com suas despesas básicas.
Porém, há casos onde acontece o inverso. Sabe-se que nosso país vem sendo marcado pelo “empobrecimento” da classe média, as taxas de desemprego e sub-emprego são expressivas, ao mesmo tempo em que os salários não são suficientes para cobrir as despesas da maioria das famílias brasileiras. Neste contexto, um fato chama a atenção: os idosos voltam a ser chefes de família (pelo menos do ponto de vista econômico) e respondem por toda a despesa da casa ou por grande parte desta. Não seria problema contribuir com o orçamento da casa em que eles residem, porém, infelizmente muitos idosos são as únicas pessoas que possuem fontes de renda em algumas famílias e assim todo o seu dinheiro é usado integralmente com este intuito. Se a aposentadoria costuma não ser suficiente para garantir sua própria subsistência, imagina para custear uma família inteira? O idoso acaba tendo que se privar de uma série de despesas, até mesmo remédios, planos de saúde e gêneros alimentícios. E pior: muitas vezes não recebem nenhuma recompensa ou agradecimento por isto.
Filhos, genros, noras, netos e até mesmo bisnetos costumam usufruir as fontes de renda de pais e avós idosos. E não falo em situações de emergência onde é comum recorrer a um familiar próximo para solicitar auxílio financeiro temporário, me refiro a famílias que vivem há muito tempo com a aposentadoria de um parente idoso. Em alguns casos, os familiares contraem empréstimos pela folha de pagamentos dos idosos, já em outros casos, após o falecimento do idoso, a família recorre a meios ilícitos para continuar recebendo o salário. Isto é um problema grave, caracterizado por situações de dependência, privação econômica, abuso e parasitismo.
A dependência emocional acontece nos casos em que os filhos, mesmo adultos independentes financeiramente ou casados, são muito dependentes dos pais para tomar decisões e direcionar suas vidas. Recorrem aos pais diariamente, ou moram com eles, em busca de segurança e proteção. Percebem o avanço da idade e os limites provocados por ela, mas parecem negar estes limites, agindo de maneira infantil, em busca de decisões e consentimentos dos pais.
Nos dois casos, o idoso deixa de ser a pessoa dependente, papel que passa a ser ocupado pelos familiares que convivem com ele, mas, de qualquer forma, podemos observar que a dependência não é benéfica em nenhum dos casos. É importante observar se não estamos excessivamente dependentes dos nossos familiares mais idosos ou se não estamos agindo de modo a torna-los dependentes.
Boa semana a todos!
Luciene C. Miranda
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3/10/08 às 6:36
Luciene! Parabéns pelo tema e pela discussao levantada!!TOMARA QUE NOS FACA PENSAR sempre nessa questao.. .e a tantos!
destaco especialmente… “A dependência emocional acontece nos casos em que os filhos, mesmo adultos independentes financeiramente ou casados, são muito dependentes dos pais para tomar decisões e direcionar suas vidas. Recorrem aos pais diariamente, ou moram com eles, em busca de segurança e proteção”!!
Temos que reconhecer, CONSCIENTEMENTE, essa questao ( e o que é a consciência né?… meio difícil de explicar, mas FUNDAMENTAL!…) , parar nós mesmos e para TODOS, e alertar as famílias sobre a existência dessa dependência, como lidar com ela, como evitar que ela pese como uma sombra… Mesmo que sejamos “animais sociais”, interdependentes na verdade- todas as pessoas, sempre…mas também seres nesse fino equilíbrio de, ao mesmo tempo, estarmos “condenados a ser livres”!!…
Beijos, e mais uma vez PARABÉNS, E obrigada!
Adriane
5/10/08 às 18:20
gostaria de ver a carta de pernambuco, mas o ink está quebrado. vcs poderiam postar novamente?
sobre a matéria, achei muito pertinente e triste tbm… infelizmente é a realidade de muitas familias…