CASA OU INSTITUIÇÃO?

por Luciene C. Miranda

Como na semana passada o espaço foi curto para falarmos sobre os dois temas propostos, daremos continuidade abordando a questão da institucionalização do idoso. Este tema é considerado tabu, pois envolve valores, responsabilidades, crenças e necessidades.

O estilo de vida moderno acaba nos envolvendo em grande número de atividades, sejam elas ligadas à família, ao trabalho, ao lazer, aos amigos e a mais uma série de papéis que desempenhamos em nosso dia-a-dia. Muitas vezes ao mesmo tempo somos pais, filhos, esposo(a), profissional (muitos trabalham em mais de um lugar) … enfim, o ser humano é um ser social e necessita da interação com outras pessoas. Precisamos do trabalho como meio de garantir nosso sustento e o de nossa família, ao mesmo tempo deste promover uma satisfação pessoal de pessoa produtiva. Nem sempre isto ocorre e é comum depararmos com situações de stress no trabalho que, aliadas com os agentes estressores de nosso dia-a-dia, provenientes de nossa relação com familiares e amigos nos deixam irritados, cansados e até mesmo esgotados.

Dar conta de toda esta correria às vezes é muito difícil, sendo ainda pior (ou até impossível) quando temos alguma pessoa próxima que dependa de nosso cuidado para sobreviver. Pais de filhos pequenos e filhos de pais idosos freqüentemente lidam com esta dificuldade, muitos precisam abandonar seu emprego, se deparar com dificuldades financeiras e mudar seu estilo de vida para ficarem próximos de seus entes queridos. Muitos pais se sentem culpados por deixar seus filhos em berçários e creches, alguns precisam deste tipo de serviço desde o momento em que a mãe sai de sua licença-maternidade e geralmente esta separação não se dá de uma forma fácil, porém necessária. Filhos de pais idosos, especialmente aqueles que se encontram muito dependentes, vivem este mesmo dilema.  Eles precisam trabalhar, pois, além de dar conta do seu próprio orçamento, muitas vezes a aposentadoria dos pais não é suficiente para custear as despesas deles e ainda precisam cuidar de seus pais.

Que tipo de cuidado um idoso precisa? Isto varia muito. Um idoso independente necessita dos cuidados que todo pessoa demanda, tais como atenção, companhia, afeto e respeito. Um idoso dependente, além destes, precisa de muito mais: para sobreviver, ele necessita que alguém o alimente, cuide de sua segurança, de sua higiene pessoal, de sua saúde, assim como uma criança pequena também necessita. E uma pessoa que trabalha fora não possui condições de ser um cuidador em tempo integral (na verdade, em benefício da saúde física e psíquica do cuidador, seriam necessárias mais pessoas que dividissem esta responsabilidade).

Cabe à família e ao idoso (quando este tem condições de decidir sobre sua própria vida) escolher qual a melhor alternativa para o cuidado. Ele pode permanecer em sua própria casa (contando com o auxílio de um cuidador), mudar-se para a casa de um filho ou familiar próximo (onde será cuidado pelos familiares e, quando possível, por um cuidador profissional) ou ser levado para uma instituição asilar ou casa de repouso. Os familiares, na maioria das situações, recorrem à última alternativa somente quando não possui outra opção, pois considera a institucionalização como sinônimo de abandono e negligência. Porém nem sempre isto é verdade.

Caso a solução seja levar seu familiar idoso para residir numa instituição, alguns cuidados básicos devem ser tomados. O primeiro deles é certificar-se de que o local está adequado para receber uma pessoa tão querida, se possui alvará de funcionamento, se os familiares dos outros idosos recomendam o local, se possui profissionais competentes em seu quadro de funcionários, se é um local limpo e acolhedor, além de outras observações. Após esta sondagem, sempre que possível, deve-se perguntar se o idoso gostaria de morar naquele local, a opinião dele é muito importante. Convém ressaltar que, no serviço privado de saúde geralmente é muito caro manter um idoso num local que realmente seja adequado, às vezes os custos chegam a ser mais elevados do que se a família optar por mantê-lo em casa com a presença constante de cuidadores profissionais ou informais, capacitados para desempenhar esta função. Nestes casos, torna-se mais acessível financeiramente quando a família é extensa e divide as despesas, nas famílias menores o custo por pessoa torna-se bem maior. O serviço público de saúde também pode oferecer instituições que atendam às expectativas de idosos e familiares.

Manter um idoso numa instituição de maneira consciente não é abandoná-lo. A família deve proporcionar carinho e atenção, fazendo visitas constantes, levando o idoso em casa e a pequenos passeios (quando suas condições de saúde permitirem). Agindo assim, o sentimento de culpa é minimizado, e a institucionalização passa a ser percebida como uma alternativa de garantir segurança e cuidados a alguém tão querido e não um castigo ou ingratidão (já que muitos filhos se culpam por não cuidar de alguém que cuidou deles enquanto crianças). Uma postura inadequada seria levá-los para a instituição asilar como se estivessem se livrando de um peso, abandonando-os e fazendo visitas apenas nos dias de pagar as mensalidades.

O ideal é que o idoso permaneça o mais próximo possível de sua família, porém, é importante ressaltar que é melhor colocar um idoso numa instituição do que mantê-lo em casa, sem a atenção e os cuidados necessários para que ele envelheça com dignidade. Sabe-se que muitas vezes é financeiramente impossível abrir mão de um emprego para cuidar de um familiar querido em tempo integral, mas uma escolha consciente sobre o curso da vida de um familiar envolve muito diálogo com os envolvidos, respeitando valores, pesando pós e contras e principalmente, pensando numa decisão que garanta o melhor para o idoso e sua família. Alguns filhos preferem deixar idosos dependentes sozinhos em casa, por longos períodos de tempo, a contratarem um cuidador ou levá-los para instituição e, isto sim, é uma forma de violência.

Aguardo comentários para que possamos discutir sobre o assunto.

Um abraço e boa semana a todos.

Luciene Miranda.

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12 Comentários para “CASA OU INSTITUIÇÃO?”

  1. keyla Diz:

    otimo seu artigo,parabens e continue desempenhando…Jesus te ama e tem grande plano de savaçao em sua vida!!!

  2. Mary Diz:

    Estou conhecendo agora o site e buscando informações confiáveis sobre demência na 3ª idade. A mãe de meu marido teve esse diagnóstico e estamos nos adaptando a uma situação mto complicada por estarmos tentando ficar com ela em nossa casa. Os problemas são inúmeros, temos 2 filhos adolescentes que, apesar de colaborarem com todos os cuidados, estão privados de lazer, de receber amigos e até mesmo do próprio quarto e de noites de sono tranquilo. Como trabalhamos fora e não temos uma situação financeira que permita a contratação de enfermeiros em tempo integral, estamos nos desdobrando sem descanso para garantir uma boa qualidade de vida para ela. Será que ela ficaria melhor assistida em uma instituição? É mto caro? Há indicações em Belo Horizonte? Estamos meio perdidos com a situação, não temos irmãos ou parentes que possam colaborar.

  3. Luciene Miranda Diz:

    Keyla, obrigada por seu comentário e participação no blog.

    Mary, você descreveu bem a realidade de uma família que precisa acolher um familiar idoso e dependente, lembre-se sempre que há várias pessoas passando por situações parecidas e que, ao contrário do que possa aparecer nos momentos mais difíceis, vcs não estão sozinhos.
    Procurar se informar sobre o processo de envelhecimento é muito importante nessas horas.
    A decisão por institucionalizar um idoso pode ser mesmo mais viáel, principalmente no caso de famílias em que as pessoas trabalham fora. Adolescentes podem sim contribuir com o processo de cuidado, mas eles ainda não têm maturidade física e emocional para assumirem grandes responsabilidades. Sua sogra tem condições de conversar sobre este assunto? Se ela tiver, talvez fosse importante ver a opinião dela. E é sempre bom ressaltar que uma decisão como esta tem que ser bem pensada, para depois não ocasionar brigas entre o casal ou sentimento de culpa.
    Infelizmente não conheço instituições em BH, mas talvez um médico da confiança de vcs pudesse fazer esta indicação (o que não os isenta de ir pessoalmente conhecer o local).
    Um abraço

  4. Lucas Diz:

    Olá, realmente este blog é muito útil, pois a questão do idoso na familia e como se adaptar a essa nova realidade ocorre com grande número de lares.
    Meu caso deve ser similar a muitos outros, minha mãe não aceita morar na casa de nenhum dos filhos, “acha que incomoda”, ao mesmo tempo tem medo e não gosta de ficar sozinha. É muito dificil encontrar alguém com paciência para poder morar e cuidar(fazer companhia) em tempo integral. Estamos sempre procurando e nos revezando para esta tarefa. A hipotese de uma instituição não passa, por mais remota que seja, em nossos pensamentos.
    Temos sim que cuidar, mas onde encontrar uma pessoa que se adapte as manias do idoso???
    Todas as pessoas contratadas, não conseguem conviver com ela, pois além das manias, também maltrada essas “cuidadoras”.
    Esta ficando dificil justamente por isso, não querer morar com os filhos, ao mesmo tempo não que ficar sozinha.
    È um dilema que temos enfrentado atualmente.
    Um abraço, e continue com os artigos no blog.
    Grato.

  5. cleide Diz:

    um artigo muito bom de um valor imenso,por que sou cuidadora,e atualmente estou fazendo um curso técnico de Enfermagem estou amando.o que eu gostaria é de uma história ou estória de situações como o idoso é tratado em casa pela sua familia de baixa renda e como abordar em assitência domiciliar para fazer um teatro em cima dessa,gostaria de alguns explos,por fabor.muito,muito obrigada!

  6. Helenice Loeps de Souza Diz:

    Um dia meu irmão, que mora com minha mãe portadora de Alzheimer perguntou-me se eu teria coragem de “colocá-la em um asilo”. Disse a ele que dependendo das condições em que ela estivesse vivendo, da existência de qualidade de vida para ela ou não, da consciência dela sobre o fato entre outros fatores, sim, teria coragem de institucionalizá-la. Ele tem preconceitos porque tem uma visão destas instituições um pouco antiga. Ela tem uma boa pensão o que garantiria a possibilidade de um local seguro, agradável e até bonito. Um ambiente onde estariam dando atenção devida por 24 horas, com pessoas treinadas, especializadas, enfim a fim de fazer aquele tipo de atendimento que eles precisam. Muitas vezes ele tem contratado pessoas que não tem conhecimento da doença ou quando o tem não têm condições psciológicas de lidar com ela. Em casa muitas vezes o idoso, seja com qual doença for ou mesmo sem doenças, é um ser que se tornou invisível (recebi um e-mail com este título uma vez). Meu pai, que infelizmente faleceu antes de se tornar idoso neste sentido da palavra, já tinha se manifestado a respeito, tendo inclusive procurado uma instituição legal, com preço acessível para que no futuro não ficasse (palavras dele) incomodando filhos e netos. Lá ele encontrou amigos que falaram que foram por opção também. Não sei o que os leva a tomar esta decisão pessoalmente - penso que possa ser orgulho ou excesso de praticidade, mas entendo e admiro. Minha mãe, se consultada provavelmente não faria esta opção. Sempre foi uma pessoa controladora e egocêntrica. Hoje ela está até mais fácil de lidar, infelizmente por conta da doença. Sou muito prática e acho que temos que diminuir os prejuízos. Se os cuidadores não tiverem tendo êxito nos cuidados - apesar de todos os esforços, não tenho nada contra a institucionalização. Melhor do que o que ocorre muitas vezes - maus tratos, conflitos com os demais familiares por acharem que estão sendo sacrificados, etc.

  7. Heloisa Castro Diz:

    Oi Luciene! Bastante pertinente sua colaboração neste blog pois, nos deparamos diariamente com situações constrangedoras a respeito da Institucionalização. É uma situação muito difícil porque a população de hoje vive num ritmo tão acelerado que mal dá tempo de cuidar de si. Infelizmente a palavra Família está ficando restrita e o convívio entre gerações torna-se cada vez mais difícil. Acredito que uma reestruturação de apoio familiar-cuidador e atenção básica ao idoso em seu LAR tornariam as tomadas de decisões mais fáceis. Será que é um sonho? Abraços, Heloisa.

  8. Emilia Diz:

    Há 2 anos que minha mãe mora comigo e está com alzheimer,confesso que no começo quiz colocar ela nunha casa para idosos,pois não sábia como lhe dar com ela,chorei muito. Até fugir de casa ela fugiu,mas comecei a ler sobre o assunto e pedir orientação a DEUS,hoje ela ta mas calma,pois mudei meu modo de tratar ela,procuro falar com mais calma pois no inicio eu não tinha muita paciência e ficava o tempo todo irritada,e toda minha irritação eu passava para ela,uma coisa eu digo tenham muita paciência e muito amor para lhe dar com o idoso principalmente com os que tem alzheimer.

  9. sonia Diz:

    boa tarde sei que é dificil tratar de um doente de alzheimer mas nós temos a solução para si se quiser claro
    a nossa casa de repouso é numa quinta com bastante espaço mas com portão fechado os quartos são de 2 camas com w.c, temos muito respeito por essa doença que hoje em dia afecta cada vez mais pessoas e mais novas, no nosso lar temos vários doentes assim, por isso estamos habituados.
    contacto-nos 219668000

  10. Maria Diz:

    Querida Luciene

    Esta pergunta, Casa ou instituição?, tem dividido minha família. A verdade é que o “nosso idoso” precisa de cuidados, e é agora.
    Há vaga na instituição? Como será a adaptação, os cuidados, etc…
    O papel de cuidador não é fácil, e também não é fácil para a pessoa que necessita de cuidados.
    Falo isso, porque minha irmã mais velha, morou e cuidou dos meus pais durante 30 anos. Ela era médica , prática, criativa, e fez tudo o que estava ao seu alcance para dar conforto e atenção a eles. Tratou, remendou, curou, acompanhou, sofreu, sorriu, …etc…Meu pai contraiu câncer de intestino, de próstata, hanseníase, etc…venceu! Sim!
    Mas aos 80 anos ele sofreu um acidente de carro, há 250mtrs de casa, e eis quem o atendeu no pronto socorro?! A médica de plantão: sua própria filha. Foi um choque! Faleceu no dia seguinte. Como morava em MS foi transportado para sepultamento em SC, onde moram os 12 filhos e demais familiares.
    Permaneceram em MS, minha irmã e a mãe, uma decisão só delas, foi um desafio, houveram muitas mudanças e dificuldades. Passado 02 anos, minha irmã recebe um diagnóstico de câncer, e a notícia de somente 03 meses de vida.
    Mesmo assim continuou trabalhando e cuidando da mãe. No final de 2006 mudou-se para SC. Uma fase radical. Convidou-me para cuidar dela (62 anos) e da mãe (81 anos). Alugamos uma casa, fizemos a mudança, fechamos a Clínica, e enfrentamos todos os tipos de dificuldades que se possa imaginar, mais desta vez com a família por perto. Todos colaboraram dentro do possível. Mas teve seu merecido descanso no dia 28/07/2008, conquistou seu último diploma, o atestado de óbito, a vida eterna. E quando perguntavam pra ela como era viver assim, nessa fase de “sobrevida”, respondia com sorriso,… igual a todo mundo… um dia atras do outro e uma noite no meio. E ela nunca teve coragem de deixar a mãe sob cuidados dos outros filhos.
    Não consegui chorar a morte dela, não. Creio que ainda vivo meu “luto”, talvez porque viví os últimos meses com ela intensamente e Deus não me deixa sozinha, sempre está presente.
    Minha mãe está com 83 anos, permanecemos na casa, temos uma funcionária que fica conosco durante 9 hrs diárias, e folga nos fins de semana. E daquí pra frente a minha história é igual a dos demais cuidadores, que sacrificam suas vidas para amparar e aliviar o sofrimento de enfrentar as doenças adquiridas na velhice. Não tenho folga, tenho sim é minha mãe perto, antes, quanda morava no Mato Groso do Sul, eu sentia era muitas saudades. Agora entre dificuldades, queixas, desafios e críticas da família eu ainda continuo optando por mantê-la em casa, em quanto aguentar continuarei a ajudá-la a administrar as perdas causadas pelo envelhecimento natural. Sempre digo que minha mãe não vai pra faculdade quando crescer, por isso tenho que cuidar bem dos seus últimos dias aquí. Ficarei com as recordações, a maior herança, seu exemplo, sua essência, sua bondade e generosidade. Tenho assim a oportunidade de me lapidar, de me aperfeiçoar a cada novo dia. e assim amanheceu o dia e tomei contato pela 1ª. vez com a realidade de outras pessoas que vivem os mesmos problemas.
    Muito obrigada a todos. Felicidades com seus idosos.

  11. Maria Diz:

    Maria Diz: Seu comentário está aguardando aprovação.

    18/11/08 às 5:54
    Querida Luciene

    Esta pergunta, Casa ou instituição?, tem dividido minha família. A verdade é que o “nosso idoso” precisa de cuidados, e é agora.
    Há vaga na instituição? Como será a adaptação, os cuidados, etc…
    O papel de cuidador não é fácil, e também não é fácil para a pessoa que necessita de cuidados.
    Falo isso, porque minha irmã mais velha, morou e cuidou dos meus pais durante 30 anos. Ela era médica , prática, criativa, e fez tudo o que estava ao seu alcance para dar conforto e atenção a eles. Tratou, remendou, curou, acompanhou, sofreu, sorriu, …etc…Meu pai contraiu câncer de intestino, de próstata, hanseníase, etc…venceu! Sim!
    Mas aos 80 anos ele sofreu um acidente de carro, há 250mtrs de casa, e eis quem o atendeu no pronto socorro?! A médica de plantão: sua própria filha. Foi um choque! Faleceu no dia seguinte. Como morava em MS foi transportado para sepultamento em SC, onde moram os 12 filhos e demais familiares.
    Permaneceram em MS, minha irmã e a mãe, uma decisão só delas, foi um desafio, houveram muitas mudanças e dificuldades. Passado 02 anos, minha irmã recebe um diagnóstico de câncer, e a notícia de somente 03 meses de vida.
    Mesmo assim continuou trabalhando e cuidando da mãe. No final de 2006 mudou-se para SC. Uma fase radical. Convidou-me para cuidar dela (62 anos) e da mãe (81 anos). Alugamos uma casa, fizemos a mudança, fechamos a Clínica, e enfrentamos todos os tipos de dificuldades que se possa imaginar, mais desta vez com a família por perto. Todos colaboraram dentro do possível. Mas teve seu merecido descanso no dia 28/07/2008, conquistou seu último diploma, o atestado de óbito, a vida eterna. E quando perguntavam pra ela como era viver assim, nessa fase de “sobrevida”, respondia com sorriso,… igual a todo mundo… um dia atras do outro e uma noite no meio. E ela nunca teve coragem de deixar a mãe sob cuidados dos outros filhos.
    Não consegui chorar a morte dela, não. Creio que ainda vivo meu “luto”, talvez porque viví os últimos meses com ela intensamente e Deus não me deixa sozinha, sempre está presente.
    Minha mãe está com 83 anos, permanecemos na casa, temos uma funcionária que fica conosco durante 9 hrs diárias, e folga nos fins de semana. E daquí pra frente a minha história é igual a dos demais cuidadores, que sacrificam suas vidas para amparar e aliviar o sofrimento de enfrentar as doenças adquiridas na velhice. Não tenho folga, tenho sim é minha mãe perto, antes, quanda morava no Mato Groso do Sul, eu sentia era muitas saudades. Agora entre dificuldades, queixas, desafios e críticas da família eu ainda continuo optando por mantê-la em casa, em quanto aguentar continuarei a ajudá-la a administrar as perdas causadas pelo envelhecimento natural. Sempre digo que minha mãe não vai pra faculdade quando crescer, por isso tenho que cuidar bem dos seus últimos dias aquí. Ficarei com as recordações, a maior herança, seu exemplo, sua essência, sua bondade e generosidade. Tenho assim a oportunidade de me lapidar, de me aperfeiçoar a cada novo dia. e assim amanheceu o dia e tomei contato pela 1ª. vez com a realidade de outras pessoas que vivem os mesmos problemas.
    Muito obrigada a todos. Felicidades com seus idosos.

  12. rosana lopes ducatti Diz:

    naõ conheço a instituiçaõ mas gostaria de fazer parte da equipe de enfermagem de vocêis sou recem formada em auxiliar de enfermagem sou moraddora de suzano

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